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João Appolinário vira sócio do LiaHub e leva experiência da Polishop para nova aposta em IA

Fundador da Polishop torna-se sócio-investidor da empresa de inteligência artificial após testar automações em áreas como criação e comércio eletrônico. Valor do aporte e participação societária não foram revelados.

por João Souza - Repórter de Negócios
18/07/2026 às 11h00
em Empresas,Destaque,Notícias
João Appolinário Vira Sócio Do Liahub E Leva Experiência Da Polishop Para Nova Aposta Em Ia - Gazeta Mercantil

O empresário João Appolinário, fundador da Polishop, tornou-se sócio-investidor do LiaHub, companhia brasileira voltada à implementação de inteligência artificial no ambiente corporativo. A entrada no quadro societário foi confirmada pelos responsáveis pela empresa e pelo próprio executivo, que pretende usar experiências desenvolvidas dentro da varejista para apoiar a expansão do novo negócio.

O valor do investimento, a participação adquirida e a avaliação atribuída ao LiaHub não foram divulgados. Também não foram informados eventuais direitos de voto, assento em conselho ou funções executivas que Appolinário passará a exercer.

O movimento ocorre depois de o LiaHub conduzir um programa de capacitação e implementação de inteligência artificial com lideranças da Polishop. A partir dessa experiência, a companhia passou a divulgar aplicações da tecnologia em criação de campanhas, desenvolvimento de embalagens, produção de relatórios e rotinas de comércio eletrônico.

A estratégia do LiaHub é transformar esses casos em uma oferta de serviços, plataformas e treinamento para outras empresas. Appolinário deverá contribuir com sua experiência em varejo, vendas, comunicação e desenvolvimento de produtos, além de participar da apresentação comercial do modelo a empresários e executivos.

A operação marca uma nova frente de investimentos para o fundador da Polishop em um mercado no qual grandes companhias, consultorias e fornecedores de software disputam espaço. O desafio será converter demonstrações pontuais de automação em projetos capazes de produzir resultados mensuráveis e replicáveis em organizações com estruturas diferentes.

LiaHub nasce da experiência dentro da Polishop

A aproximação entre Appolinário e o LiaHub começou durante uma imersão sobre inteligência artificial realizada com gestores da Polishop.

O programa reuniu lideranças de diferentes departamentos para discutir o uso corporativo da tecnologia, incluindo integração com processos internos, governança e desenvolvimento de agentes especializados.

Segundo relatos divulgados pelos participantes, Appolinário identificou que dificuldades enfrentadas pela varejista também estavam presentes em outras empresas. Entre elas estavam o excesso de atividades manuais, a dispersão de dados, a demora na produção de materiais e a falta de uma estrutura organizada para o uso de ferramentas generativas.

A partir dessa avaliação, o empresário decidiu entrar no capital do LiaHub. A companhia é liderada por Mozart Marin e Fernando Campos, executivos com atuação em tecnologia, dados, produtos digitais e treinamento empresarial.

O negócio se apresenta como um ecossistema de inteligência artificial corporativa. A proposta inclui diagnóstico, capacitação de lideranças, desenvolvimento de soluções, implantação de agentes e oferta de ferramentas prontas para uso empresarial.

A empresa também mantém uma plataforma destinada à contratação e implementação de soluções selecionadas para organizações.

Polishop automatiza tarefas do comércio eletrônico

Um dos casos divulgados por Appolinário envolve o departamento de comércio eletrônico da Polishop.

Segundo o empresário, uma rotina relacionada à emissão de etiquetas em plataformas de marketplace consumia quase duas horas diárias da equipe. Depois da automação, o procedimento passou a ser executado praticamente com um comando.

A companhia também automatizou relatórios que anteriormente exigiam cerca de 40 minutos de trabalho. Os dados passaram a ser organizados e apresentados por sistemas apoiados em inteligência artificial.

Os números foram apresentados pelo próprio empresário em demonstrações públicas e se referem a tarefas específicas. A Polishop não divulgou um estudo consolidado, auditado ou acompanhado de metodologia que permita calcular o efeito da automação sobre custos, receita ou resultado operacional de toda a empresa.

Ainda assim, os exemplos ilustram uma das aplicações mais imediatas da inteligência artificial no ambiente corporativo: a redução do tempo gasto na preparação de documentos, classificação de informações e execução de processos repetitivos.

A produtividade obtida só se transforma em ganho econômico quando o tempo liberado é direcionado a atividades de maior valor, como análise de dados, atendimento, vendas, planejamento ou desenvolvimento de produtos.

IA também chega à criação de campanhas e embalagens

A Polishop também passou a utilizar ferramentas generativas em áreas criativas.

Appolinário apresentou um caso em que a equipe produziu uma embalagem utilizando a imagem de seu cachorro, sem a necessidade de realizar uma sessão fotográfica específica. A inteligência artificial foi usada para criar e adaptar o material visual.

A empresa afirma que a tecnologia permite desenvolver campanhas e embalagens antes mesmo da chegada de determinadas amostras físicas dos produtos.

Essa antecipação pode reduzir o intervalo entre a definição de um lançamento e sua chegada aos canais de venda. Em operações varejistas, semanas ou dias economizados na preparação de materiais podem ter impacto sobre o calendário comercial.

O uso de imagens geradas ou modificadas por inteligência artificial, contudo, exige regras sobre propriedade intelectual, veracidade da comunicação e revisão humana.

Materiais publicitários devem representar corretamente as características do produto. Uma imagem sintética não pode sugerir atributos, dimensões ou funções inexistentes.

O tratamento dos dados utilizados pelas ferramentas também precisa seguir políticas de segurança, especialmente quando os sistemas recebem informações comerciais, documentos internos ou conteúdos ainda não divulgados.

Appolinário aposta em método, não apenas em ferramentas

A tese defendida pelo novo sócio é que o uso empresarial da inteligência artificial exige mais do que a contratação de uma plataforma.

Ferramentas generativas estão amplamente disponíveis, mas sua aplicação em processos críticos depende da organização dos dados, da revisão dos fluxos de trabalho e da definição de responsabilidades.

Uma empresa pode disponibilizar sistemas de IA aos funcionários sem conseguir alterar sua produtividade. Isso ocorre quando os profissionais não sabem em quais tarefas utilizar a tecnologia, não têm acesso aos dados necessários ou precisam refazer manualmente os resultados gerados.

O LiaHub pretende atuar justamente nessa etapa. A empresa busca identificar processos que possam ser automatizados, treinar lideranças e estabelecer uma estrutura de governança para o uso das soluções.

Entre os controles necessários estão a definição de quem pode acessar informações, quais documentos podem ser enviados a ferramentas externas, quando uma resposta precisa de aprovação humana e como eventuais erros serão registrados e corrigidos.

Esse componente é relevante porque modelos de linguagem podem produzir informações incorretas, interpretar dados de maneira inadequada ou gerar respostas incompatíveis com as regras de uma organização.

Mercado adota IA, mas agentes ainda avançam lentamente

A entrada de Appolinário no LiaHub ocorre em um momento de disseminação acelerada da inteligência artificial nas empresas.

O AI Index 2026, produzido pelo Instituto de Inteligência Artificial Centrada no Ser Humano da Universidade Stanford, mostra que 88% das organizações pesquisadas utilizaram algum tipo de IA em 2025.

A inteligência artificial generativa estava presente em pelo menos uma função empresarial de 70% das organizações consultadas.

Apesar da expansão, a implantação de agentes de IA ainda permanecia em níveis de um dígito na maioria das funções corporativas. Isso indica que muitas empresas já utilizam ferramentas isoladas, mas ainda não transferiram processos completos para sistemas capazes de executar tarefas com maior autonomia.

O relatório também aponta que os ganhos de produtividade são mais claros em atividades estruturadas e mensuráveis.

Estudos examinados por Stanford identificaram avanços entre 14% e 15% em atendimento ao cliente, cerca de 26% no desenvolvimento de software e até 50% na produção de conteúdo de marketing em situações específicas.

Esses resultados não devem ser automaticamente aplicados a qualquer organização. Os efeitos variam conforme a qualidade dos dados, a experiência da equipe, a tarefa escolhida e o modelo utilizado.

LiaHub busca espaço entre consultorias e plataformas

O mercado de implantação de IA corporativa reúne diferentes grupos de concorrentes.

Grandes consultorias oferecem transformação digital, integração de sistemas e projetos de dados. Empresas de software vendem plataformas de automação, atendimento e análise. Provedores de nuvem disponibilizam infraestrutura e acesso a modelos de inteligência artificial.

Também surgiram negócios especializados em capacitação, desenvolvimento de agentes e implementação para pequenas e médias empresas.

O LiaHub pretende combinar parte dessas frentes. Sua oferta inclui treinamento, metodologia, governança, marketplace de soluções e suporte à implementação.

A entrada de Appolinário pode ajudar a empresa a alcançar um público formado por empresários que conhecem as ferramentas, mas ainda não estruturaram uma estratégia de adoção.

O fundador da Polishop construiu sua carreira apresentando produtos complexos de forma direta ao consumidor. No LiaHub, sua atuação poderá seguir uma lógica semelhante, traduzindo conceitos de tecnologia para gestores de áreas comerciais e operacionais.

O crescimento da empresa dependerá, porém, da capacidade de provar que seu método funciona fora das operações ligadas aos próprios sócios.

Arena LIA será vitrine da nova sociedade

A primeira exposição pública da sociedade está prevista para o Arena LIA, evento programado para 24 de julho, no Centro Empresarial de São Paulo.

Appolinário será um dos participantes e deverá apresentar aplicações utilizadas na Polishop e na Decor Colors.

A programação foi anunciada como uma imersão prática para empresários, executivos e empreendedores. A proposta é que os participantes desenvolvam automações e agentes durante as atividades e saiam com um plano inicial de adoção.

O evento também funcionará como canal de apresentação comercial do LiaHub. A empresa pretende demonstrar sua metodologia e aproximar potenciais clientes, fornecedores e parceiros tecnológicos.

A utilização de casos ligados aos próprios sócios oferece exemplos concretos, mas exige transparência sobre os resultados. Indicadores operacionais precisam ser acompanhados de período de comparação, metodologia e escopo para que possam ser avaliados de forma independente.

Investimento abre nova etapa para a empresa

A entrada de João Appolinário aumenta a exposição do LiaHub e adiciona experiência empresarial ao projeto.

O investimento também mostra que a inteligência artificial deixou de ser tratada apenas como uma ferramenta de tecnologia e passou a integrar decisões sobre organização, produtividade e estratégia comercial.

A nova sociedade, entretanto, ainda está em estágio inicial. Não há informações públicas sobre faturamento, quantidade de clientes, metas de crescimento ou volume de capital recebido.

O LiaHub precisará demonstrar que consegue transformar projetos específicos em produtos e serviços escaláveis, com resultados verificáveis e custos compatíveis com a realidade das empresas brasileiras.

Para Appolinário, a aposta representa a oportunidade de levar a outros negócios práticas testadas dentro da Polishop.

Para o LiaHub, a chegada do empresário oferece capital, visibilidade e acesso a uma rede de executivos e empreendedores. O desempenho da parceria dependerá da capacidade de combinar essa força comercial com execução técnica, segurança de dados e mensuração objetiva dos resultados.

Tags: Arena LIAautomação empresarialEmpresasIA corporativaInteligência Artificialinvestimento em tecnologia.João AppolinárioLiaHubPolishopprodutividadeTransformação Digital

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