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Fundador do Google volta ao clube dos US$ 300 bilhões com disparada da Alphabet

Larry Page recuperou o patamar após a valorização das ações da controladora do Google. Fortuna estimada em US$ 301,7 bilhões reflete sua participação bilionária na empresa e pode oscilar conforme o desempenho dos papéis em Wall Street.

por Daniel Wicker
18/07/2026 às 13h31
em Gente
Fortuna De Larry Page Supera Us$ 300 Bilhões E Cofundador Do Google Vira 2º Homem Mais Rico Do Mundo-Gazeta Mercantil

Reprodução

Larry Page, fundador do Google, voltou a integrar o restrito grupo de empresários com patrimônio estimado acima de US$ 300 bilhões. A fortuna do executivo alcançou aproximadamente US$ 301,7 bilhões após uma forte valorização das ações da Alphabet (GOOGL; GOOG), controladora do maior mecanismo de busca da internet.

O avanço ocorreu em 15 de julho de 2026, quando as ações Classe C da Alphabet subiram 3,6%, encerrando o pregão a US$ 370,21. Durante a sessão, os papéis chegaram a acumular alta próxima de 3,9%.

Leia também: Sanepar (SAPR11) vai à Justiça por precatório de R$ 4 bilhões; Alpargatas (ALPA4), Gafisa (GFSA3) e IRB (IRBR3) completam radar.

A valorização acrescentou cerca de US$ 8 bilhões à riqueza estimada do fundador do Google em apenas um dia. A mudança não representa o recebimento desse valor em dinheiro, mas o aumento do preço de mercado das participações societárias atribuídas ao empresário.

Page não ultrapassou a marca de US$ 300 bilhões pela primeira vez. O executivo já havia alcançado esse patamar no fim de abril, após outra rodada de valorização da Alphabet, mas voltou a ficar abaixo da linha conforme as ações oscilaram nos pregões seguintes.

A recuperação da fortuna ocorre em um momento decisivo para a controladora do Google. A Alphabet amplia investimentos em inteligência artificial, computação em nuvem, chips e centros de dados, enquanto tenta preservar o domínio de seu negócio de buscas diante do avanço de ferramentas conversacionais.

Fundador do Google mantém influência sobre a Alphabet

Larry Page criou o Google em 1998 ao lado de Sergey Brin, quando os dois desenvolviam um mecanismo de busca baseado na relevância dos links entre páginas da internet.

O projeto cresceu rapidamente e transformou o Google em uma das companhias mais valiosas do mundo. A empresa expandiu sua atuação para publicidade digital, vídeos, sistemas operacionais, computação em nuvem, dispositivos, mobilidade e inteligência artificial.

Em 2015, o grupo passou por uma reorganização societária que criou a Alphabet. A nova holding assumiu o controle do Google e de outras iniciativas, permitindo separar o negócio principal de projetos com diferentes níveis de maturidade e risco.

Page deixou a presidência-executiva da Alphabet em dezembro de 2019. Sundar Pichai, que já comandava o Google, assumiu a liderança de toda a holding.

Mesmo distante da administração diária, o fundador do Google permanece no Conselho de Administração e conserva influência decisiva sobre a companhia por meio de ações com poder de voto ampliado.

Documentos societários da Alphabet indicavam que Page possuía aproximadamente 389 milhões de ações Classe B em abril de 2026. Esses papéis representavam 46,5% da classe e conferiam ao empresário cerca de 27,4% do poder total de voto.

As ações Classe B concedem dez votos por papel. Já as ações Classe A, negociadas sob o ticker GOOGL, oferecem um voto por unidade, enquanto os papéis Classe C, identificados pelo ticker GOOG, normalmente não possuem direito de voto.

Essa estrutura permite que Page e Brin preservem o controle estratégico da Alphabet mesmo sem exercer funções executivas.

Fortuna acompanha as ações do Google

A maior parte da riqueza de Larry Page está associada à participação que ele mantém na Alphabet. Por isso, oscilações relativamente pequenas nas ações podem alterar seu patrimônio estimado em bilhões de dólares.

Quando a empresa valoriza 3% ou 4% em um único pregão, o preço de mercado das ações atribuídas ao fundador também avança. O mesmo efeito ocorre no sentido contrário quando os papéis recuam.

As estimativas de patrimônio utilizadas por rankings internacionais consideram participações conhecidas em empresas abertas, investimentos privados, imóveis, doações, dívidas e outros ativos identificáveis.

Esses cálculos não correspondem a demonstrações financeiras pessoais auditadas. Parte do patrimônio pode estar organizada em fundos, trusts, fundações ou estruturas cuja composição não é totalmente pública.

O valor de US$ 301,7 bilhões deve, portanto, ser interpretado como uma estimativa vinculada à cotação da Alphabet em determinado momento.

A fortuna pode mudar de forma significativa sem que Larry Page compre ou venda ações. Basta que o mercado altere a avaliação da empresa.

Alphabet vive novo ciclo de valorização

A alta que levou o fundador do Google novamente acima dos US$ 300 bilhões ocorre em meio ao aumento das expectativas sobre a estratégia de inteligência artificial da Alphabet.

A companhia busca mostrar que seu mecanismo de busca continuará relevante mesmo com o avanço de serviços capazes de responder diretamente às perguntas dos usuários.

O Google passou a incorporar respostas produzidas por inteligência artificial às páginas de busca e ampliou a distribuição do Gemini, seu principal conjunto de modelos e ferramentas generativas.

A Alphabet também integra IA aos serviços de publicidade, produtividade, vídeos, dispositivos e computação em nuvem.

O Google Cloud tornou-se uma das principais fontes de crescimento. A divisão atende empresas que utilizam infraestrutura computacional, armazenamento, bancos de dados e inteligência artificial.

No primeiro trimestre de 2026, a receita do Google Cloud avançou 63% na comparação anual. A carteira de contratos da unidade superou US$ 460 bilhões, quase o dobro do valor registrado no trimestre anterior.

A expansão reforçou a percepção de que a Alphabet pode capturar uma parcela relevante dos investimentos empresariais em inteligência artificial.

Google prepara investimentos de até US$ 190 bilhões

O crescimento exige uma estrutura tecnológica cada vez maior. A Alphabet prevê despesas de capital entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões em 2026.

Os recursos serão destinados principalmente a data centers, servidores, chips, redes, infraestrutura de nuvem e capacidade computacional para modelos de inteligência artificial.

A companhia sustenta que a demanda por serviços de IA e Google Cloud avança acima da capacidade atualmente disponível.

Esse desequilíbrio criou a necessidade de acelerar investimentos, ainda que o aumento das despesas possa pressionar as margens no curto prazo.

A Alphabet anunciou uma ampla estratégia de captação, combinando emissão de ações, títulos conversíveis e endividamento.

A empresa possui forte geração de caixa, mas decidiu diversificar as fontes de financiamento para executar uma das maiores expansões de infraestrutura de sua história.

Buffett amplia aposta na empresa fundada por Page

A valorização da Alphabet também ocorreu em meio à repercussão do investimento da Berkshire Hathaway na companhia fundada por Larry Page.

O conglomerado comandado por Warren Buffett começou a construir sua posição em 2025 e ampliou a exposição em 2026.

Em junho, a Alphabet anunciou a venda de US$ 10 bilhões em ações para a Berkshire por meio de uma colocação privada.

O acordo envolveu aproximadamente 14,21 milhões de ações Classe A e 14,36 milhões de papéis Classe C.

Buffett confirmou que partiu dele a iniciativa de investir na controladora do Google. O empresário também reconheceu que deveria ter comprado as ações antes.

A entrada da Berkshire chamou a atenção porque Buffett passou décadas evitando grande parte das empresas de tecnologia, sob o argumento de que não conseguia projetar suas vantagens competitivas com segurança.

O investidor afirmou considerar a Alphabet uma das empresas mais fortes negociadas em Wall Street.

A posição da Berkshire funciona como um sinal de confiança, mas não elimina os riscos relacionados à competição, à regulação e aos altos investimentos em inteligência artificial.

Publicidade ainda financia expansão do Google

Apesar do crescimento da nuvem e da inteligência artificial, o negócio de publicidade continua sendo a principal fonte de receita e geração de caixa da Alphabet.

O mecanismo de busca conecta anunciantes a usuários interessados em produtos, serviços e informações. A companhia também comercializa publicidade no YouTube e em sites parceiros.

No primeiro trimestre de 2026, a receita total da Alphabet cresceu 22%, alcançando aproximadamente US$ 110 bilhões.

O faturamento relacionado à busca e a outros serviços do Google avançou 19%.

A solidez desse negócio permite que a empresa financie projetos de longo prazo, incluindo inteligência artificial, veículos autônomos, saúde e novas estruturas de computação.

O risco está na possibilidade de as ferramentas generativas modificarem o comportamento dos usuários. Caso as pessoas passem a realizar menos buscas tradicionais, a Alphabet poderá enfrentar pressão sobre seu modelo de publicidade.

A estratégia da companhia é incorporar a inteligência artificial à própria busca, preservando o alcance do Google e criando novos formatos comerciais.

Fortuna do fundador depende do balanço da Alphabet

A Alphabet divulgará os resultados financeiros do segundo trimestre em 22 de julho.

O balanço será um teste para a valorização recente das ações e, consequentemente, para o patrimônio estimado de Larry Page.

Investidores acompanharão o desempenho da publicidade, o crescimento do Google Cloud, a adoção do Gemini e a evolução das despesas de capital.

O mercado também buscará sinais de que os investimentos bilionários estão se convertendo em contratos, receita e geração de caixa.

Outro ponto será o impacto das emissões de ações. A captação amplia a capacidade financeira da empresa, mas aumenta o número de papéis em circulação e pode reduzir o lucro por ação.

Resultados acima das expectativas poderão sustentar a valorização da Alphabet e manter o fundador do Google acima dos US$ 300 bilhões.

Uma reação negativa, por outro lado, poderá retirar bilhões de dólares da estimativa em poucas horas.

Larry Page integra grupo restrito de megabilionários

A marca de US$ 300 bilhões coloca Page em uma categoria patrimonial alcançada por pouquíssimos empresários.

O avanço das maiores fortunas globais está diretamente ligado à concentração de capital em empresas de tecnologia avaliadas em trilhões de dólares.

Fundadores que mantiveram participações relevantes após a abertura de capital foram os principais beneficiados pela expansão dessas companhias.

No caso de Page, o efeito é ampliado pelo crescimento do Google desde os anos 1990 e pela estrutura societária criada para preservar o controle dos fundadores.

A fortuna também reflete a expectativa de que a Alphabet permaneça entre as líderes globais em publicidade, nuvem e inteligência artificial.

O patamar, contudo, permanece sujeito às condições do mercado. A correção das ações nos pregões seguintes já mostrou que a posição pode mudar rapidamente.

Mais do que um valor disponível em dinheiro, os US$ 301,7 bilhões representam a avaliação que o mercado atribui à participação do fundador do Google na empresa que ele ajudou a criar.

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