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Planos odontológicos crescem quase 3 vezes mais que planos de saúde e chegam a 36,2 milhões

Contratos empresariais concentram a expansão, enquanto planos individuais perderam mais de 535 mil vínculos em um ano.

por Antônio Lima
18/07/2026 às 14h50
em Economia
Planos Odontológicos Crescem Quase 3 Vezes Mais Que Planos De Saúde E Chegam A 36,2 Milhões - Gazeta Mercantil

O mercado brasileiro de planos exclusivamente odontológicos alcançou 36,2 milhões de beneficiários em maio de 2026, após crescer 4,4% em 12 meses. O avanço foi quase três vezes superior aos 1,5% registrados pelos planos médico-hospitalares, que encerraram o período com 53,1 milhões de vínculos, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar analisados pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar.

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Em números absolutos, os planos odontológicos incorporaram 1,52 milhão de vínculos entre maio de 2025 e maio deste ano. Os planos de assistência médica avançaram em 760,5 mil no mesmo intervalo, praticamente metade do crescimento observado no segmento de saúde bucal.

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A expansão foi sustentada pelos contratos coletivos, especialmente aqueles oferecidos por empresas a funcionários e dependentes. Enquanto os planos odontológicos empresariais cresceram 7,5%, os contratos individuais ou familiares recuaram 8,5%, aprofundando a concentração do mercado nos benefícios corporativos.

O movimento repete uma transformação já consolidada na saúde suplementar: o acesso aos planos privados está cada vez mais vinculado à existência de emprego formal ou à participação em entidades profissionais. O consumidor que busca contratar a cobertura diretamente encontra uma oferta proporcionalmente menor e, em muitos casos, condições comerciais menos favoráveis do que aquelas negociadas por grandes grupos.

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Benefícios empresariais puxam crescimento

Dos 36,19 milhões de vínculos exclusivamente odontológicos existentes em maio, 30,4 milhões estavam em contratos coletivos. Esse grupo representava 84% de todo o mercado. Entre os planos coletivos, 88,9% eram empresariais e 11,1% pertenciam à modalidade coletiva por adesão.

Os planos empresariais passaram de 25,19 milhões para 27,07 milhões de beneficiários em 12 meses. A incorporação de 1,89 milhão de vínculos foi superior ao crescimento líquido de todo o segmento odontológico porque compensou a retração registrada nos contratos individuais.

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Os planos coletivos por adesão, normalmente contratados por intermédio de sindicatos, associações profissionais ou entidades de classe, também cresceram. A carteira aumentou 5,5%, de 3,15 milhões para 3,33 milhões de beneficiários.

Somados, todos os contratos coletivos avançaram 7,3% em um ano, com a entrada líquida de pouco mais de 2 milhões de vínculos. O resultado mostra que a expansão da cobertura odontológica está concentrada em contratos de grupo, nos quais as operadoras conseguem distribuir riscos e custos administrativos por uma base maior de clientes.

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Para as empresas, o plano odontológico tornou-se uma alternativa relativamente acessível dentro dos pacotes de benefícios. A cobertura pode ser usada para complementar salários, apoiar estratégias de retenção e ampliar a percepção de valor oferecida ao trabalhador sem produzir o mesmo impacto financeiro de um plano médico-hospitalar.

Planos individuais perdem 535 mil vínculos

Na direção oposta, os planos odontológicos individuais ou familiares perderam 535,4 mil beneficiários entre maio de 2025 e maio de 2026. A carteira caiu de 6,33 milhões para 5,79 milhões, uma redução de 8,5%.

A retração ocorreu apesar de uma pequena recuperação no trimestre encerrado em maio. Entre fevereiro e maio, os contratos individuais ganharam 24,8 mil vínculos, alta de 0,4%. O movimento, contudo, foi insuficiente para reverter a perda acumulada em 12 meses.

Com isso, os planos contratados diretamente pelas famílias passaram a representar aproximadamente 16% de todo o mercado odontológico. A participação é praticamente o inverso da observada nos contratos coletivos.

A redução levanta questões sobre a capacidade de expansão da cobertura fora do ambiente de trabalho. Trabalhadores informais, autônomos, desempregados e pessoas que deixam empresas com benefícios corporativos podem enfrentar maior dificuldade para manter o acesso à saúde suplementar.

O fenômeno também aparece nos planos médico-hospitalares. Os contratos individuais ou familiares desse segmento recuaram 2,3% em um ano, com a perda de 196,1 mil vínculos. Já os planos coletivos médicos cresceram 2,2%, aproximando-se de 44,6 milhões de beneficiários.

Mercado odontológico avança em ritmo superior

O crescimento de 4,4% dos planos odontológicos foi equivalente a 2,9 vezes a expansão de 1,5% dos planos médico-hospitalares.

Embora o mercado médico seja maior em números absolutos, o segmento odontológico vem ampliando sua presença com maior velocidade. A taxa nacional de cobertura odontológica chegou a 16,9% da população, enquanto os planos médico-hospitalares alcançaram 24,8%, segundo o cálculo do IESS baseado nas projeções populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

A distância entre os dois segmentos ainda é expressiva. Os planos médicos possuíam 16,9 milhões de vínculos a mais que os odontológicos em maio. O ritmo recente, entretanto, indica uma aproximação gradual.

A diferença de custo ajuda a explicar o avanço da odontologia suplementar. Planos exclusivamente odontológicos possuem mensalidades geralmente inferiores às dos planos médicos, rede assistencial menos complexa e menor exposição a procedimentos de altíssimo custo.

O serviço também pode ser contratado separadamente, inclusive por consumidores que já possuem assistência médica. Isso permite que empresas acrescentem a cobertura odontológica ao pacote de benefícios sem necessariamente trocar ou ampliar o plano de saúde principal.

Adultos concentram novas adesões

Os beneficiários entre 19 e 58 anos lideraram a expansão dos planos odontológicos. A carteira dessa faixa etária cresceu 6,2% em 12 meses, com a entrada de 1,48 milhão de vínculos, chegando a 25,55 milhões.

O desempenho reforça a relação entre o segmento odontológico e o mercado de trabalho. A faixa reúne a maior parte da população economicamente ativa e dos trabalhadores incluídos em contratos empresariais.

Entre crianças e adolescentes de até 18 anos, o número de beneficiários avançou 5,2%, para 6,91 milhões. O crescimento correspondeu à incorporação de 341,5 mil vínculos.

O comportamento foi diferente entre pessoas com 59 anos ou mais. O grupo perdeu 300,3 mil beneficiários e encerrou maio com 3,74 milhões de vínculos, redução de 7,4% em um ano.

A queda não significa necessariamente que todos os idosos tenham deixado de possuir assistência odontológica. Os dados medem vínculos em planos exclusivamente odontológicos e podem refletir cancelamentos, mudanças de produto, transferências de carteira ou alterações na forma de classificação informada pelas operadoras.

Nos planos médico-hospitalares, o movimento etário foi inverso. Os beneficiários com 59 anos ou mais cresceram 3%, a maior variação entre as faixas analisadas, e chegaram a 8,74 milhões. A expansão da população idosa representa um dos principais desafios de custos e sustentabilidade para as operadoras médicas.

São Paulo concentra um terço do mercado

São Paulo manteve a maior carteira de planos exclusivamente odontológicos do país. O estado chegou a 12,17 milhões de beneficiários em maio, após adicionar 578,4 mil vínculos em 12 meses. A alta de 5% superou a média nacional de 4,4%.

Sozinho, o estado respondeu por aproximadamente 38% de todo o crescimento líquido registrado no Brasil. A concentração acompanha o tamanho da população, o número de empresas formalizadas e a dimensão do mercado de trabalho paulista.

O Rio de Janeiro possuía a segunda maior carteira, com 4,16 milhões de vínculos, depois de crescer 5,7% em um ano. Minas Gerais aparecia em seguida, com 3,15 milhões, alta de 2,8%.

O Espírito Santo apresentou uma das maiores expansões percentuais, de 10,4%, alcançando 937,5 mil beneficiários. No Nordeste, o Piauí avançou 10,8%, embora sobre uma base menor, de 266,7 mil vínculos.

A Região Sudeste concentrava 20,42 milhões de beneficiários odontológicos, equivalentes a mais da metade de todo o mercado nacional. O Nordeste possuía 7,48 milhões, enquanto o Sul somava 4,24 milhões.

Norte registra retração

A Região Norte foi a única a apresentar redução no número agregado de beneficiários odontológicos. A carteira regional caiu 2,3% em 12 meses, para 1,52 milhão de vínculos.

O resultado foi influenciado principalmente por Tocantins, onde os registros passaram de 148,2 mil para 80,4 mil, retração de 45,8%. O próprio relatório informa que os números são extraídos do sistema da ANS e podem refletir mudanças cadastrais ou revisões feitas pelas operadoras.

Acre, Rondônia e Roraima também tiveram redução anual. Amazonas, Pará e Amapá registraram crescimento.

As diferenças regionais mostram que a expansão dos planos odontológicos não ocorre de maneira uniforme. Estados com mercados formais maiores, renda mais elevada e concentração empresarial tendem a apresentar maior cobertura.

Também influenciam o resultado a presença de operadoras, o tamanho das redes credenciadas, a competição local e a disponibilidade de produtos direcionados a pequenas e médias empresas.

Planos médicos chegam a 53,1 milhões

Os planos de assistência médica encerraram maio com 53.077.896 vínculos, alta de 1,5% em relação ao mesmo período de 2025. A ANS registrou 1,27 milhão de adesões e 1,14 milhão de cancelamentos apenas naquele mês, resultando em saldo positivo de 135,8 mil.

Em 12 meses, foram contabilizadas 15,92 milhões de adesões e 15,16 milhões de cancelamentos. A movimentação revela uma taxa elevada de rotatividade, com consumidores entrando, saindo ou mudando de plano ao longo do período.

Os contratos coletivos também dominam o segmento médico-hospitalar. Em maio, 44,62 milhões de beneficiários estavam nessa modalidade, equivalentes a 84,1% do total. Entre eles, 87% possuíam planos empresariais.

A carteira médica empresarial cresceu 2,5% em um ano, incorporando 948 mil vínculos. O avanço praticamente compensou sozinho as perdas dos planos individuais e o crescimento limitado dos contratos por adesão.

Dados representam vínculos, não pessoas únicas

A ANS ressalta que os números divulgados representam vínculos contratuais, e não necessariamente pessoas diferentes. Um mesmo consumidor pode possuir mais de um plano e aparecer mais de uma vez na base, por exemplo, ao manter assistência médica e odontológica ou participar simultaneamente de contratos distintos.

Os registros também podem sofrer revisões retroativas. As operadoras atualizam mensalmente informações sobre adesões, cancelamentos, transferências e alterações cadastrais, o que pode modificar os resultados de períodos anteriores.

A distinção é relevante para a leitura do mercado. Os 36,2 milhões de vínculos odontológicos não significam obrigatoriamente que o mesmo número de brasileiros distintos tenha cobertura.

Mesmo com essa ressalva, a tendência é clara: os planos odontológicos avançam em velocidade superior à assistência médica e dependem cada vez mais dos contratos oferecidos pelas empresas.

O crescimento de quase 3 vezes o ritmo dos planos médicos mostra que a saúde bucal passou a ocupar mais espaço nas políticas corporativas de benefícios. Ao mesmo tempo, a queda dos contratos individuais indica que a expansão ainda não alcança da mesma forma quem está fora do mercado formal de trabalho.

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