A Helbor Empreendimentos (HBOR3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com R$ 338,5 milhões em vendas brutas, queda de 27,5% na comparação com o mesmo período do ano passado e de 19,4% frente aos três primeiros meses deste ano. O desempenho foi afetado pela ausência de lançamentos entre abril e junho, enquanto a companhia atravessa o processo de oferta pública de aquisição apresentado pela HBR Realty (HBRE3), que poderá resultar no cancelamento do registro da incorporadora e em sua saída do Novo Mercado da B3.
A participação da Helbor no volume vendido durante o trimestre foi de 62,5%. A velocidade de vendas, medida pelo indicador Vendas Sobre Oferta, ficou em 11,3%, refletindo a comercialização de unidades remanescentes de empreendimentos lançados anteriormente.
Sem novos projetos no período, a companhia dependeu integralmente de seu estoque para gerar vendas. A comparação anual também foi influenciada por uma base mais forte, já que a Helbor havia lançado um empreendimento no segundo trimestre de 2025.
Os números fazem parte da prévia operacional da incorporadora e não representam o balanço financeiro completo. Receita reconhecida, margens, resultado financeiro, geração de caixa, endividamento e lucro líquido serão divulgados posteriormente, na apresentação dos resultados do segundo trimestre.
Ausência de lançamentos reduz vendas da Helbor
A Helbor não realizou lançamentos no segundo trimestre de 2026. A ausência de novos produtos reduziu a oferta disponível para comercialização e limitou o ritmo das vendas entre abril e junho.
No primeiro semestre, a companhia lançou dois projetos, com Valor Geral de Vendas líquido de R$ 469,7 milhões. No mesmo período de 2025, quatro empreendimentos haviam sido colocados no mercado.
A redução no número de lançamentos está alinhada à estratégia adotada pela empresa nos últimos períodos, marcada por maior seletividade na abertura de projetos, prioridade à comercialização dos estoques e disciplina na utilização de capital.
O modelo permite reduzir a exposição financeira associada ao início simultâneo de muitas obras, mas também limita o potencial de crescimento das vendas quando não há projetos recentes contribuindo para a oferta.
No mercado imobiliário, os lançamentos funcionam como uma das principais fontes de renovação do estoque comercial. Empreendimentos recém-colocados à venda costumam concentrar parte relevante dos contratos nos primeiros meses, especialmente quando estão localizados em regiões de alta demanda.
Sem esse impulso, as vendas dependem principalmente da atratividade dos imóveis que já estavam disponíveis, da política comercial, das condições de financiamento e da capacidade de revenda de unidades devolvidas.
Vendas recuam 19,4% em relação ao primeiro trimestre
As vendas brutas de R$ 338,5 milhões representaram queda de 19,4% frente ao primeiro trimestre de 2026, quando a Helbor havia comercializado aproximadamente R$ 420 milhões.
Na comparação anual, a retração foi de 27,5%. O desempenho do segundo trimestre de 2025 havia sido favorecido pelo lançamento do BRK by Helbor, projeto que adicionou cerca de R$ 212 milhões em VGV à oferta da companhia.
A velocidade de vendas de 11,3% indica que pouco mais de um décimo da oferta disponível foi comercializado no trimestre. O indicador considera as unidades que estavam em estoque no início do período e os imóveis eventualmente lançados ao longo dos três meses.
Como não houve lançamentos no segundo trimestre de 2026, a VSO refletiu exclusivamente a absorção do estoque existente.
A participação proporcional da Helbor nas vendas ficou em 62,5%. Essa parcela considera a fatia econômica efetivamente pertencente à incorporadora em cada empreendimento, descontando as participações de sócios e parceiros.
A distinção é relevante porque a companhia desenvolve parte de seus projetos em associação com outras empresas ou proprietários de terrenos. Dessa forma, nem todo o VGV comercializado é convertido integralmente em receita potencial para a Helbor.
Distratos caem e unidades devolvidas são revendidas
Os distratos totalizaram R$ 66 milhões no segundo trimestre, redução de aproximadamente 49% em relação ao mesmo período de 2025.
A Helbor registrou a devolução de 100 unidades durante o trimestre. Segundo a companhia, todos esses imóveis foram revendidos ainda entre abril e junho.
O preço médio das revendas ficou 9% acima do valor originalmente contratado. O resultado mostra que as devoluções não permaneceram no estoque ao término do período e que a companhia conseguiu recolocar os imóveis no mercado por preços superiores.
O distrato ocorre quando um contrato de compra e venda é encerrado antes da conclusão da operação. Para as incorporadoras, o aumento das devoluções pode pressionar o fluxo de caixa, elevar o estoque e exigir novos gastos comerciais para a revenda das unidades.
A queda dos distratos e a recomercialização integral dos imóveis reduziram parte desse risco no trimestre. O efeito financeiro definitivo, contudo, dependerá das despesas relacionadas às rescisões, das condições oferecidas aos novos compradores e do estágio das obras.
O ganho médio de 9% sobre o preço original também pode refletir a atualização dos valores dos empreendimentos desde a assinatura dos primeiros contratos, além de mudanças nas condições comerciais e na disponibilidade de unidades.
Repasses diminuem 51,7% no trimestre
O volume de repasses somou R$ 204,8 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 51,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O repasse representa a transferência do financiamento do imóvel para o banco que concederá crédito ao comprador. Essa etapa costuma ocorrer durante a construção ou próximo da entrega e permite que a incorporadora receba parte relevante do valor contratado.
A Helbor atribuiu a retração à ausência de entregas no trimestre. Entre abril e junho de 2025, três empreendimentos haviam sido concluídos, criando uma base comparativa elevada para o indicador.
Como nenhum projeto foi entregue no segundo trimestre deste ano, houve menor quantidade de unidades prontas para avançar à etapa final de financiamento.
A redução dos repasses não significa necessariamente cancelamento de vendas, mas pode adiar a entrada de recursos no caixa. O impacto dependerá do cronograma de obras, das entregas previstas para os próximos trimestres e do ritmo de aprovação dos financiamentos pelos bancos.
O comportamento do indicador será importante para a análise da geração de caixa da companhia. Uma retomada das entregas tende a elevar o volume de repasses, desde que os compradores tenham crédito aprovado e a documentação dos imóveis esteja regularizada.
Banco de terrenos alcança R$ 11,6 bilhões
A Helbor encerrou junho com um banco de terrenos equivalente a R$ 11,6 bilhões em VGV potencial. A participação econômica da incorporadora corresponde a aproximadamente 74% desse valor.
O landbank reúne áreas já adquiridas ou contratadas que poderão receber novos empreendimentos. O valor não representa receita contratada nem lançamento confirmado, mas uma estimativa do potencial de vendas dos projetos que poderão ser desenvolvidos.
A atualização da carteira refletiu principalmente o aumento dos custos de construção considerados nos estudos dos futuros empreendimentos.
O portfólio de terrenos está concentrado em regiões de maior valor imobiliário, especialmente na cidade de São Paulo. A companhia possui áreas voltadas a projetos residenciais de médio, alto e altíssimo padrão, segmentos que exigem planejamento cuidadoso devido ao volume de capital empregado e ao ciclo mais longo de vendas.
A existência de um banco de terrenos amplo oferece capacidade para novos lançamentos, mas a conversão desse potencial depende de aprovações regulatórias, licenciamento, condições de mercado, disponibilidade de financiamento e decisão da administração.
Em um cenário de juros elevados, as incorporadoras tendem a ser mais seletivas na escolha dos projetos, buscando equilibrar velocidade de vendas, margem esperada e necessidade de capital.
OPA pode retirar a Helbor do Novo Mercado
A divulgação da prévia operacional ocorre em meio à oferta pública de permuta apresentada pela HBR Realty para adquirir até a totalidade das ações ordinárias da Helbor, excluídos os papéis mantidos em tesouraria.
A proposta atribuiu o preço de R$ 2,52 a cada ação HBOR3. A liquidação, contudo, não será realizada originalmente em dinheiro. O acionista que aderir receberá 0,81553398 ação ordinária da HBR para cada papel da Helbor entregue na oferta.
Na prática, os investidores que aceitarem a OPA deixarão de ser acionistas diretos da incorporadora e passarão a deter participação na HBR Realty.
O preço por ação será atualizado pela taxa Selic entre 2 de julho de 2026, data-base dos laudos de avaliação, e a liquidação da operação. A relação de troca permanecerá inalterada, salvo ajustes previstos para dividendos, grupamentos, desdobramentos, bonificações ou reduções de capital.
A oferta busca simultaneamente a aquisição do controle, o cancelamento do registro de companhia aberta e a saída da Helbor do Novo Mercado.
Caso seja concluída, a incorporadora se tornará subsidiária integral ou controlada da HBR, conforme a quantidade de ações adquiridas e as etapas societárias posteriores.
Oferta depende da adesão dos acionistas
A conclusão da operação está sujeita a condições previstas na legislação e nos documentos da oferta.
A HBR precisa adquirir ações que representem ao menos 50,1% do capital votante da Helbor para caracterizar a aquisição de controle. Além disso, acionistas titulares de mais de dois terços das ações em circulação habilitadas para o leilão deverão aceitar a proposta para que seja possível cancelar o registro da companhia.
Esses requisitos significam que a saída da Helbor da Bolsa ainda não está garantida. O resultado dependerá da adesão dos investidores e do cumprimento das condições regulatórias.
A proposta também deverá seguir os procedimentos da Comissão de Valores Mobiliários e da B3. Os acionistas terão acesso ao edital, aos laudos de avaliação e às informações sobre o leilão antes de decidir se participam da permuta.
O formato da operação exige que o investidor avalie não apenas o valor atribuído à Helbor, mas também os fundamentos e as perspectivas das ações da HBR que serão recebidas.
Como o pagamento é feito em papéis, o valor econômico efetivo da oferta poderá oscilar de acordo com a cotação de HBRE3 até a liquidação.
HBR busca combinar incorporação e renda imobiliária
A HBR afirma que a combinação criará uma plataforma imobiliária com negócios complementares. A Helbor atua principalmente na incorporação residencial, enquanto a HBR concentra sua operação em imóveis comerciais destinados à locação e geração de renda.
A integração permitiria reunir a experiência da Helbor no desenvolvimento de projetos com a atuação da HBR em ativos de renda, varejo, propriedades corporativas e serviços imobiliários.
A HBR também passaria a ter acesso ao banco de terrenos da Helbor, que possui forte concentração na cidade de São Paulo e participação relevante de projetos potenciais nos segmentos de maior renda.
Para a Helbor, a operação pode oferecer uma estrutura de capital combinada e maior diversificação de receitas. Para os acionistas, porém, a proposta representa a substituição de uma participação direta em uma incorporadora por ações de uma companhia com perfil operacional diferente.
A análise da transação deverá considerar a relação de troca, os laudos de avaliação, os riscos de execução, o endividamento das companhias e as possíveis sinergias.
Resultado financeiro mostrará efeito da desaceleração
A prévia operacional revela uma Helbor com redução das vendas, ausência de lançamentos e queda expressiva nos repasses, mas com melhora nos distratos e capacidade de revender as unidades devolvidas.
O balanço completo do segundo trimestre mostrará como esses movimentos afetaram a receita, as margens, o caixa e a dívida.
A ausência de lançamentos reduz despesas iniciais relacionadas a novos projetos, mas também limita a entrada de vendas futuras. A queda dos repasses pode pressionar temporariamente o caixa, enquanto o menor volume de distratos reduz a necessidade de recomercialização de estoque.
Os investidores também deverão acompanhar o ritmo dos próximos lançamentos e entregas. A Helbor possui um banco de terrenos relevante, mas a transformação desse portfólio em resultados dependerá do calendário definido pela administração e das condições do mercado imobiliário.
Ao mesmo tempo, o avanço da OPA tende a manter as ações HBOR3 influenciadas pela cotação da HBR e pela relação de permuta, reduzindo a relevância isolada dos indicadores operacionais de curto prazo.
Até a realização do leilão e o cumprimento das condições da oferta, a Helbor permanece uma companhia aberta e suas ações continuam negociadas no Novo Mercado da B3.










