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Garotinho afirma ter vídeo da “Noite das Astronautas” e cita Cláudio Castro sob sigilo no STF

Ex-governador do Rio diz possuir 12 minutos de gravação de festa de Daniel Vorcaro e afirma que material estaria no cofre de Alexandre de Moraes.

por Júlia Campos - Repórter de Política
18/07/2026 às 13h46
em Política,Destaque,Notícias
Com Pneumonia, Anthony Garotinho Está Internado No Rio

O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho afirmou na noite da última  quinta-feira (16) possuir 12 minutos de um vídeo da chamada “Noite das Astronautas”, festa atribuída ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, realizada em Trancoso, na Bahia. Durante um evento político no bairro de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Garotinho detalhou que o material mostra deputados fluminenses e o ex-governador Cláudio Castro. A divulgação das imagens, segundo ele, está barrada porque o conteúdo estaria sob sigilo no cofre do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O encontro político onde a declaração foi feita foi promovido pelo pré-candidato a deputado estadual Edmar Braga (Republicanos) e contou com as presenças do prefeito de Belford Roxo, Waguinho, e de Daniela do Waguinho. Ao ser questionado por uma repórter sobre o motivo de ainda não ter tornado o material público, Garotinho justificou a retenção alegando restrições legais impostas pela Justiça. Segundo a apuração, o ex-governador sustenta que a exposição do vídeo da “Noite das Astronautas” configuraria quebra de sigilo e possível crime de responsabilidade.

“Essa Noite dos Astronautas eu só não divulguei porque está sob sigilo no cofre do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. E aí, se eu divulgo, estou cometendo crime. Quando ele quebrar o sigilo, eu divulgo cinco minutos depois”, declarou o ex-governador, em trecho de sua fala registrada durante o evento.

A fala de Garotinho acrescenta uma nova camada de tensão a um caso que já mobiliza investigações da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR). O ex-governador já havia afirmado anteriormente ter tido acesso a imagens da festa, mas foi na entrevista em Duque de Caxias que ele forneceu mais detalhes técnicos sobre a gravação e citou nominalmente Cláudio Castro como um dos participantes. As declarações ocorrem em um momento de rearticulação política no estado, com lideranças locais buscando capitalizar o desgaste de adversários em um cenário marcado por fragmentação partidária.

Câmera fixa e hipótese de trajetória do material

De acordo com Garotinho, a gravação que teria chegado às suas mãos é referente a uma segunda edição da “Noite das Astronautas”, realizada em Trancoso. A primeira versão do evento, segundo sua narrativa, teria ocorrido em Nova York, nos Estados Unidos. O ex-governador descreveu características técnicas da imagem para sustentar a autenticidade do material, diferenciando-o de gravações amadoras comuns feitas por aparelhos celulares.

“Eu tenho da segunda, a de Trancoso. Essa de Trancoso foi filmada por uma câmera fixa. Dá para perceber porque as pessoas passam pela câmera, diferente de um celular, em que você vê que há movimento. Eu tenho 12 minutos de gravação. Isso deve ter muito mais”, afirmou.

Sobre a origem e a trajetória do arquivo, Garotinho apresentou uma dedução pessoal baseada em sua experiência como repórter. Ele disse acreditar que as imagens da “Noite das Astronautas” foram inicialmente armazenadas no celular de Vorcaro e posteriormente apreendidas pela Polícia Federal. A partir daí, segundo a hipótese apresentada por ele, o material teria sido periciado, passado pela PGR e, finalmente, encaminhado ao STF. O ex-governador, no entanto, deixou claro que essa sequência não é uma informação documentalmente comprovada por ele, mas uma inferência lógica diante dos trâmites processuais padrão em investigações de alta complexidade.

Até o momento, não há confirmação pública da PF, da PGR ou do STF de que o vídeo mencionado por Garotinho esteja anexado a uma investigação sob sigilo. A reportagem procurou a defesa de Cláudio Castro para comentar a declaração, e o espaço será mantido aberto para manifestação. No sistema jurídico brasileiro, os investigados têm direito à ampla defesa, e as afirmações do ex-governador ainda não foram corroboradas por provas apresentadas em juízo ou liberadas pela autoridade competente. A cautela é necessária, pois a manipulação ou a divulgação indevida de provas sigilosas pode configurar crime.

O ecossistema do Banco Master e os R$ 11,9 milhões em despesas

A chamada “Noite das Astronautas” não é um fato isolado, mas um dos elementos centrais no contexto das festas de luxo promovidas por Daniel Vorcaro para políticos e autoridades. O banqueiro, ex-controlador do Banco Master, tornou-se alvo de investigações que revelaram um padrão de relacionamento entre o setor financeiro e o comando do executivo fluminense. Uma planilha encontrada pela PF no celular de Vorcaro registra cerca de R$ 11,9 milhões em despesas com eventos, incluindo encontros em Nova York, degustações de uísque e charutos de alto valor.

Segundo informações já publicadas sobre a investigação, o nome “Noite das Astronautas” seria uma referência a uma festa em que mulheres teriam usado capacetes de astronauta. O evento simboliza o grau de sofisticação e os custos envolvidos no relacionamento entre o banqueiro e os agentes políticos. O caso ganha contornos de risco institucional e financeiro para o estado do Rio de Janeiro devido ao destino dos recursos públicos geridos pelo Rioprevidência.

A existência de uma planilha com valores dessa magnitude levanta questionamentos sobre a origem dos recursos e a contrapartida esperada em relações desse tipo. No mercado financeiro, a associação de um banco a esquemas de corrupção ou a investigações envolvendo agentes públicos costuma impactar a reputação da instituição, o custo de captação e a confiança de investidores e credores. O Banco Master, que atua em diversas frentes de crédito e investimentos, passa a ter suas operações escrutinadas não apenas pela Justiça, mas também por órgãos reguladores que monitoram a governança e a integridade das instituições financeiras.

Relação com o Rioprevidência e risco ao erário fluminense

A conexão entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro extrapolou o ambiente social. Mensagens obtidas pela Polícia Federal apontam uma relação próxima entre os dois, com convites para jantares e eventos luxuosos. Em uma das conversas, o banqueiro chama o então governador de “irmão”. O tom de proximidade levanta dúvidas sobre a isenção na gestão dos recursos do estado e sobre os critérios técnicos para a alocação de ativos.

A apuração indicou que Vorcaro teria oferecido a Castro experiências como jantar com “bife de ouro” e degustação de bebidas de alto valor. Enquanto essas regalias eram supostamente concedidas, o Rioprevidência, fundo responsável pelas aposentadorias e pensões dos servidores estaduais, mantinha bilhões de reais investidos em títulos ligados ao Banco Master. Essa sobreposição entre relações pessoais, benesses e decisões de investimento de um fundo de pensão estatal configura o núcleo do problema econômico e jurídico da questão.

Para analistas do mercado financeiro, a associação do Banco Master a escândalos políticos e a supostos favorecimentos com recursos públicos eleva o prêmio de risco da instituição e de seus parceiros. Investidores e analistas de crédito acompanham de perto investigações que envolvam fundos de pensão e bancos médios, pois a quebra de governança e a interferência política em decisões de aporte de capital podem gerar rombos nos cofres públicos e distorções competitivas no setor bancário. O caso do Rioprevidência é um exemplo de como a falta de separação entre esfera privada e pública pode comprometer a saúde financeira de um estado a longo prazo.

A atuação da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) também entra no radar dessas investigações. O órgão regulador tem a atribuição de fiscalizar a governança e a transparência das decisões de investimento das entidades fechadas de previdência. A alocação de bilhões de reais em títulos de um banco privado controlado por um empresário que mantinha relações sociais estreitas com o governador do estado representa um alerta vermelho para os reguladores. A expectativa do mercado é que haja uma revisão rigorosa dos critérios de análise de crédito e de limite de exposição adotados pelo fundo.

O Banco Master, por sua vez, construiu parte de seu crescimento por meio da emissão de títulos e da captação de recursos junto a investidores qualificados e fundos institucionais. Quando um fundo de pensão do porte do Rioprevidência injeta liquidez em uma instituição financeira específica, o risco de descasamento de ativos e passivos aumenta caso o banco enfrente problemas de solvência ou reputação. A exposição do fundo a esse tipo de risco sistêmico é o que motiva a ação de investigadores e a preocupação dos servidores públicos, que dependem do equilíbrio atuarial do sistema para garantir suas aposentadorias.

Implicações jurídicas do sigilo e tensão no STF

A afirmação de Garotinho de que o vídeo da “Noite das Astronautas” repousa no cofre de Alexandre de Moraes coloca o Supremo Tribunal Federal no centro de uma disputa de narrativas políticas. No sistema jurídico brasileiro, o sigilo de provas é frequentemente utilizado em fases iniciais de investigações para preservar o andamento das apurações, proteger testemunhas ou evitar a destruição de provas. No entanto, a manutenção prolongada do sigilo costuma gerar atrito com a opinião pública e com adversários políticos, que alegam falta de transparência.

Garotinho, ao declarar publicamente que possui o material mas se abstém de divulgá-lo por receio de cometer crime, adota uma postura estratégica. Ao mesmo tempo em que informa a existência da gravação, transfere a responsabilidade pela divulgação oficial para o STF. Se as imagens existem e estão sob custódia judicial, a decisão de quando quebrar o sigilo caberá ao relator do inquérito no Supremo. Esse movimento cria expectativa no cenário político e mantém a tensão sob os investigados.

A ausência de uma confirmação oficial sobre o paradeiro do vídeo não elimina o impacto político das declarações. Na prática, o relato detalhado sobre a “Noite das Astronautas”, com descrições de câmeras fixas e tempo de gravação, já exerce pressão sobre os envolvidos. Para Cláudio Castro, a menção direta reforça um desgaste acumulado em outras frentes da investigação sobre o Banco Master. A oposição, por sua vez, utiliza o episódio para questionar a lisura da gestão estadual e demandar explicações sobre os critérios de investimento do Rioprevidência.

A operação política por trás da fala de Garotinho também reflete a dinâmica das alianças no estado do Rio de Janeiro. Ao utilizar um palanque na Baixada Fluminense, reduto histórico de seu grupo político, para atacar o ex-governador, Garotinho reacende rivalidades internas que podem redefinir o tabuleiro eleitoral. A menção ao evento promovido por Edmar Braga (Republicanos) indica que o caso da “Noite das Astronautas” tende a ser usado como munição política não apenas por adversários históricos, mas também por aliados insatisfeitos ou em disputa por espaços no executivo e no legislativo.

Caso amplia pressão sobre o Banco Master e o cenário político fluminense

As declarações do ex-governador acrescentam um novo elemento ao caso, mas dependem da divulgação ou confirmação oficial do vídeo para que a presença dos políticos mencionados possa ser comprovada de forma irrefutável. A complexidade da operação de apreensão, perícia e arquivamento de provas envolvendo a Polícia Federal, a PGR e o STF indica que a resolução do mistério sobre o vídeo da “Noite das Astronautas” pode demandar tempo. Enquanto a Justiça não se pronuncia oficialmente sobre o desbloqueio das imagens, o mercado, os investidores do Rioprevidência e o eleitorado fluminense lidam com a incerteza.

A intersecção entre um banqueiro investigado, festas milionárias e a alocação de bilhões de reais de servidores públicos mantém o caso como um dos focos de maior instabilidade política e institucional do Rio de Janeiro. A confirmação ou negação da existência do material por parte do STF definirá os próximos passos de uma crise que mistura negócios de alto vulto, disputas de poder e investigações criminais.

Tags: Alexandre de MoraesAnthony GarotinhoBanco MasterCláudio CastroDaniel VorcaroNoite das AstronautasPolícia FederalPolíticapolítica do Rio de JaneiroRioprevidênciaSTF

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