O Ibovespa fechou em queda de 1,52% nesta sexta-feira, 24 de julho de 2026, aos 174.041,95 pontos, na B3. O principal índice da Bolsa brasileira terminou exatamente na mínima da sessão, pressionado pelas perdas da Petrobras (PETR3; PETR4), da Vale (VALE3) e dos grandes bancos, em um pregão marcado pelo recuo das commodities e pela entrada em vigor de uma nova tarifa dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
A sessão começou praticamente estável, aos 176.719,62 pontos, que também representaram a máxima do dia. A pressão vendedora ganhou força ao longo do pregão, com o índice perdendo 2.681,67 pontos em relação ao fechamento anterior, de 176.723,62 pontos.
Apesar da queda expressiva nesta sexta-feira, o Ibovespa acumulou valorização de 0,19% na semana. O resultado positivo foi garantido principalmente pelo avanço de 2,44% registrado na quarta-feira, que compensou quatro sessões de baixa no período.
Fechamento do Ibovespa em números
- Pontuação final: 174.041,95 pontos
- Variação no dia: -1,52%
- Variação em pontos: -2.681,67 pontos
- Abertura: 176.719,62 pontos
- Máxima da sessão: 176.719,62 pontos
- Mínima da sessão: 174.041,95 pontos
- Fechamento anterior: 176.723,62 pontos
- Volume financeiro: R$ 16,63 bilhões
- Dólar comercial: R$ 5,0814
- Variação do dólar: -0,06%
- Acumulado na semana: +0,19%
- Acumulado no mês: +1,17%
- Acumulado no ano: +8,02%
Ibovespa hoje abriu no topo e perdeu força durante a sessão
O comportamento do Ibovespa hoje mostrou pressão vendedora desde os primeiros negócios. O índice abriu quatro pontos abaixo do encerramento de quinta-feira e não conseguiu ingressar de forma consistente no campo positivo.
A máxima de 176.719,62 pontos foi registrada na abertura. A partir desse nível, a Bolsa perdeu força gradualmente, acompanhando a desvalorização do petróleo e a queda das ações dos setores financeiro, de mineração e de energia.
A baixa se aprofundou durante a tarde. O Ibovespa entrou no leilão de fechamento próximo do piso da sessão e terminou aos 174.041,95 pontos, sem apresentar recuperação nos minutos finais.
O volume financeiro somou R$ 16,63 bilhões, abaixo de períodos de maior movimentação da B3. A liquidez mais contida ampliou o efeito das vendas sobre ações de grande peso na carteira teórica do índice.
O movimento brasileiro destoou parcialmente de Wall Street, onde o Dow Jones e o S&P 500 conseguiram encerrar com variações positivas. O Nasdaq, porém, continuou pressionado pelas ações de tecnologia.
Petróleo, bancos e tarifas determinaram o fechamento
A queda do petróleo foi um dos principais vetores da sessão. O contrato futuro do Brent recuou 3,88% e terminou cotado a US$ 96,78 por barril, após ter superado US$ 100 no pregão anterior.
O mercado reagiu a informações sobre uma tentativa da China de retomar as negociações entre Estados Unidos e Irã. Uma eventual redução das tensões geopolíticas poderia diminuir os riscos sobre a oferta de petróleo e sobre o tráfego marítimo na região.
A perspectiva de negociação provocou uma correção nos preços da commodity e atingiu diretamente as ações da Petrobras, que possuem participação relevante no Ibovespa.
O minério de ferro também encerrou em baixa na China. O contrato mais negociado na Bolsa de Dalian caiu 0,13%, para 746 iuanes por tonelada, reduzindo o suporte externo para Vale e siderúrgicas.
No cenário comercial, os investidores avaliaram a nova sobretaxa de 12,5% aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A medida substitui uma tarifa global temporária de 10% e, em determinados itens já atingidos por uma cobrança adicional de 25%, eleva a tributação total para 37,5%.
A nova tarifa foi justificada pelo governo norte-americano por alegadas falhas no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O governo brasileiro classificou a decisão como arbitrária e injustificada.
O impacto imediato sobre o Ibovespa foi limitado pela existência de uma lista de produtos isentos e pelo fato de parte da medida já ter sido antecipada pelos investidores. A decisão, no entanto, ampliou a incerteza sobre as exportações brasileiras e a relação comercial com os Estados Unidos.
Petrobras (PETR4), Vale (VALE3) e bancos pressionam o índice
As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) acompanharam a queda do petróleo e exerceram forte pressão sobre o Ibovespa. Os papéis ordinários PETR3 recuaram 2,36%, enquanto as preferenciais PETR4 perderam 1,72%, cotadas a R$ 42,21.
Como a Petrobras possui uma das maiores participações na composição do índice, a queda simultânea das duas classes de ações teve impacto relevante sobre a pontuação final.
A Vale (VALE3) caiu 0,58%, a R$ 75,24, em uma sessão de baixa moderada do minério de ferro na China. A mineradora também permaneceu sob o acompanhamento dos investidores após recentes mudanças em seu conselho de administração.
Os grandes bancos recuaram em bloco, ampliando as perdas do Ibovespa. O Banco do Brasil (BBAS3) liderou o movimento negativo no setor, com baixa de 2,77%.
O Itaú Unibanco (ITUB4) perdeu 1,08%, para R$ 42,10. O Bradesco (BBDC4) recuou 1,28%, a R$ 18,48, enquanto o Santander Brasil (SANB11) caiu 1,09%.
O desempenho conjunto das instituições financeiras teve peso significativo porque o setor ocupa uma parcela expressiva da carteira do Ibovespa. O movimento ocorreu em uma sessão de saída de posições em ações brasileiras e maior seletividade do capital estrangeiro.
Yduqs (YDUQ3) lidera altas do Ibovespa
Mesmo com a queda do índice, algumas ações conseguiram terminar o pregão no campo positivo. A Yduqs (YDUQ3) liderou os ganhos, com valorização de 3,05%, a R$ 7,78.
A alta ocorreu depois de uma sequência de revisões sobre as perspectivas do setor educacional para a temporada de balanços do segundo trimestre. Não houve divulgação de fato relevante pela companhia que explicasse isoladamente o movimento desta sexta-feira.
A Telefônica Brasil (VIVT3) avançou 2,22%, encerrando cotada a R$ 35,47. As ações da operadora apresentaram comportamento defensivo em um pregão de maior aversão a risco.
A MRV (MRVE3) subiu 1,59%, para R$ 4,46, enquanto a Totvs (TOTS3) teve ganho de 1,55%, a R$ 27,47.
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) completou a relação das cinco maiores altas do índice, com valorização de 1,13%, a R$ 5,36.
Maiores altas do Ibovespa
- Yduqs (YDUQ3): +3,05%, a R$ 7,78
- Telefônica Brasil (VIVT3): +2,22%, a R$ 35,47
- MRV (MRVE3): +1,59%, a R$ 4,46
- Totvs (TOTS3): +1,55%, a R$ 27,47
- CSN (CSNA3): +1,13%, a R$ 5,36
ISA Energia (ISAE4) despenca após oferta de R$ 1,2 bilhão
A ISA Energia (ISAE4) liderou as perdas do Ibovespa, com queda de 7,16%, a R$ 26,46. O papel terminou abaixo dos R$ 27 definidos como preço da oferta primária de ações anunciada pela companhia.
A transmissora emitiu pouco mais de 44,4 milhões de ações preferenciais e levantou aproximadamente R$ 1,2 bilhão. A oferta foi ampliada depois que a demanda permitiu o exercício integral do lote adicional.
O preço de R$ 27 representou desconto de 5,26% em relação ao fechamento de quinta-feira, quando ISAE4 valia R$ 28,50. A emissão de novos papéis também provocará diluição dos acionistas que não participaram da operação.
A Hapvida (HAPV3) recuou 5,25%, a R$ 9,92, sem a divulgação de um novo fato relevante capaz de justificar isoladamente a intensidade do movimento.
A Caixa Seguridade (CXSE3) caiu 5,21%, para R$ 21,27, depois que o JPMorgan rebaixou sua recomendação para as ações de neutra para “underweight”, equivalente a uma expectativa de desempenho abaixo da média do mercado.
O banco avaliou que os papéis acumulavam valorização superior à do mercado sem uma revisão proporcional das estimativas de lucro da companhia.
A MBRF (MBRF3) caiu 4,81%, a R$ 14,84, enquanto a Minerva (BEEF3) perdeu 3,93%, para R$ 3,42.
Maiores quedas do Ibovespa
- ISA Energia (ISAE4): -7,16%, a R$ 26,46
- Hapvida (HAPV3): -5,25%, a R$ 9,92
- Caixa Seguridade (CXSE3): -5,21%, a R$ 21,27
- MBRF (MBRF3): -4,81%, a R$ 14,84
- Minerva (BEEF3): -3,93%, a R$ 3,42
Dólar fica estável e juros futuros recuam
O dólar comercial à vista fechou em baixa de 0,06%, cotado a R$ 5,0814. A moeda norte-americana apresentou oscilações limitadas durante a sessão e chegou a tocar R$ 5,0499 na mínima intradiária.
Na semana, o dólar acumulou desvalorização de 0,58% em relação ao real. A queda do petróleo reduziu pressões inflacionárias externas, mas as tarifas norte-americanas limitaram uma valorização mais intensa da moeda brasileira.
Os contratos de juros futuros fecharam predominantemente em baixa, beneficiados pelo recuo do petróleo e pela redução do risco de um novo choque inflacionário provocado pela energia.
Os vencimentos intermediários e longos também refletiram ajustes nas expectativas para a política monetária. A nova tarifa dos Estados Unidos, entretanto, manteve cautela nos contratos mais sensíveis ao risco fiscal e comercial.
O Banco Central realizou dois leilões de swap cambial, com colocação total equivalente a US$ 2,5 bilhões. As operações tinham vencimentos em outubro e novembro de 2026.
Petróleo cai abaixo de US$ 100 e minério recua na China
O petróleo Brent encerrou a sexta-feira a US$ 96,78 por barril, com queda de 3,88%. O movimento devolveu parte da alta registrada na sessão anterior, quando o contrato havia ultrapassado US$ 100.
A cotação respondeu à possibilidade de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã, embora o conflito e os ataques na região continuassem impondo risco sobre a oferta global.
A queda abaixo de US$ 100 reduziu a pressão sobre as expectativas de inflação, mas afetou negativamente as ações de petroleiras no Brasil e no exterior.
Na China, o minério de ferro negociado em Dalian caiu 0,13%, para 746 iuanes por tonelada. A variação limitada não provocou uma queda acentuada da Vale, mas contribuiu para a ausência de suporte às ações da mineradora.
Wall Street fecha sem direção única
As bolsas dos Estados Unidos encerraram a sexta-feira com sinais mistos. O Dow Jones avançou 0,45%, enquanto o S&P 500 ganhou 0,05%.
O Nasdaq caiu 0,64%, ainda pressionado pelo desempenho das grandes empresas de tecnologia e pelas dúvidas sobre o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial e centros de dados.
Na semana, os três índices norte-americanos acumularam perdas. O Dow Jones recuou 0,38%, o S&P 500 perdeu 0,60% e o Nasdaq caiu 2,13%.
Os investidores também ajustaram posições antes da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto, marcada para terça e quarta-feira, 28 e 29 de julho.
Alta semanal resiste após quatro sessões negativas
O Ibovespa terminou a semana com valorização de 0,19%, apesar de ter fechado em queda em quatro dos cinco pregões.
Na segunda-feira, o índice recuou 0,20%. Na terça, caiu 0,03%. O avanço de 2,44% na quarta-feira foi suficiente para compensar as perdas de 0,46% na quinta e de 1,52% nesta sexta.
No acumulado de julho, o Ibovespa registra alta de 1,17%. Em 2026, a valorização chega a 8,02%, considerando o fechamento de 161.125,37 pontos no último pregão de 2025.
A semana foi marcada pela disputa entre a alta expressiva de quarta-feira e o retorno da aversão ao risco nos dois últimos pregões. Commodities, tarifas comerciais e fluxo estrangeiro tiveram influência direta sobre essa alternância.
Focus, bens duráveis e Fed entram no radar
O próximo pregão, na segunda-feira, 27 de julho, terá como referências domésticas a nova edição do Boletim Focus e os desdobramentos das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
No exterior, o Departamento de Comércio norte-americano divulgará os pedidos de bens duráveis referentes a junho. O indicador oferece sinais sobre os investimentos e a atividade industrial da maior economia do mundo.
Os investidores também começarão a ajustar posições para a reunião do Federal Reserve, que ocorrerá na terça e na quarta-feira. A decisão de juros será divulgada em 29 de julho.
A temporada de balanços do segundo trimestre continuará influenciando ações individualmente, enquanto a evolução das negociações envolvendo Estados Unidos e Irã poderá determinar a direção do petróleo e das empresas ligadas à commodity.











