quarta-feira, 29 de julho de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
Sem resultados
Todos os resultados
GAZETA MERCANTIL
Sem resultados
Todos os resultados
GAZETA MERCANTIL
Home Empresas

Santander Brasil (SANB11) lucra R$ 3,01 bi no 2T26, queda de 17,6%, abaixo do esperado

Provisões crescem 20,6% no trimestre, ROAE cai para 12,5% e inadimplência de pessoas físicas chega a 5,1%.

por João Souza
29/07/2026 às 10h19
em Empresas,Destaque,Notícias
Santander Brasil (Sanb11) Cai 21% No Ano E Desconto Para Matriz Reacende Debate Sobre Opa Units Do Banco Têm O Pior Desempenho Entre Os Grandes Bancos Listados Na B3 Em 2026; Diferença Recorde De Valuation Para O Grupo Santander Recoloca No Radar A Hipótese De Fechamento De Capital, Mas Operação Ainda Não Foi Anunciada As Units Do Santander Brasil (Sanb11) Voltaram Ao Centro Das Discussões Do Mercado Financeiro Após Acumularem Queda De Cerca De 21% Em 2026, Desempenho Inferior Ao Dos Principais Bancos Listados Na B3. No Mesmo Período, As Ações Do Grupo Santander Na Espanha Avançam Aproximadamente 24%, Ampliando A Diferença De Valuation Entre A Matriz E A Subsidiária Brasileira Para Um Nível Considerado Recorde Desde A Listagem Do Banco No Brasil, Em 2009. A Distância Entre Os Múltiplos Reacendeu Uma Tese Recorrente Entre Analistas: A Possibilidade De O Controlador Espanhol Lançar Uma Oferta Pública De Aquisição (Opa) Para Comprar A Fatia Restante Do Santander Brasil Em Circulação No Mercado. A Hipótese Ganhou Força Porque Apenas Cerca De 10% Das Ações Permanecem Em Free Float, O Que Reduziria O Custo Financeiro De Uma Eventual Operação Para A Matriz. Apesar Disso, Não Há Anúncio Formal De Opa. O Tema Segue No Campo Da Especulação De Mercado, Alimentado Pelo Desconto Das Units, Pela Baixa Liquidez Relativa E Pelo Histórico Do Próprio Santander Em Operações De Simplificação Societária. Em Fevereiro, O Então Presidente Do Santander Brasil, Mario Leão, Afirmou Que O Fechamento De Capital Não Estava No Foco Da Gestão. Por Que Sanb11 Ficou Para Trás Na Bolsa O Mau Desempenho De Santander Brasil (Sanb11) Não Reflete Apenas A Diferença Entre O Mercado Brasileiro E O Europeu. O Banco Também Enfrenta Pressão Operacional Em Um Ambiente De Crédito Mais Difícil, Competição Crescente Com Fintechs E Rentabilidade Abaixo Da Meta De Médio Prazo. No Primeiro Trimestre De 2026, O Santander Brasil Registrou Lucro Líquido Gerencial De R$ 3,788 Bilhões, Queda De 7,3% Ante O Quarto Trimestre De 2025 E Baixa De 1,9% Em Relação Ao Mesmo Período Do Ano Anterior. O Retorno Sobre O Patrimônio Médio, Medido Pelo Roae, Ficou Em 16%, Abaixo Do Objetivo De Médio Prazo De 20% Citado Pela Administração E Acompanhado De Perto Por Analistas. A Qualidade Da Carteira Também Pesa Sobre A Leitura Dos Investidores. O Índice De Inadimplência Acima De 90 Dias Subiu De 2,8% Em Março De 2025 Para 3,3% Em Março De 2026, Segundo A Apresentação De Resultados Do Banco. No Segmento De Pessoa Física, A Inadimplência Acima De 90 Dias Chegou A 4,9% No Fim Do Primeiro Trimestre. Desconto Para A Matriz Alimenta Tese De Opa A Principal Razão Para A Tese De Fechamento De Capital É A Combinação Entre Valuation Descontado E Baixa Fatia Em Circulação. Segundo Análise Da Genial Investimentos, O Free Float De Aproximadamente 10% Representaria Um Custo Relativamente Baixo Para O Grupo Santander Diante De Sua Geração De Capital E De Seu Histórico De Reorganização De Subsidiárias. O Próprio Histórico Brasileiro Reforça A Leitura. Em 2014, O Santander Espanha Realizou Uma Oferta Pública Voluntária De Permuta De Ações E Units Do Santander Brasil Por Bdrs Representativos De Ações Da Matriz. A Operação Elevou A Participação Do Grupo No Capital Da Subsidiária Brasileira Para 88,3%, Mas Não Retirou Integralmente O Banco Da Bolsa Brasileira. Desde Então, O Controlador Avançou Em Outros Movimentos De Simplificação. A Bloomberg Línea Informou Que A Matriz Também Fechou O Capital De Negócios Como A Operação De Financiamento Ao Consumidor Nos Estados Unidos, Em 2021, E A Unidade Mexicana, Em 2023, Além Da Getnet No Brasil. O Que Pesa Contra Uma Operação Agora Embora O Desconto De Sanb11 Torne A Discussão Mais Relevante, O Momento Do Grupo Santander Pode Reduzir A Probabilidade De Uma Opa No Curto Prazo. A Matriz Está Envolvida Em Uma Agenda Internacional Intensa, Com Aquisições Relevantes No Reino Unido E Nos Estados Unidos. Em 2025, O Santander Anunciou A Compra De 100% Do Tsb Banking Group, Do Banco Sabadell, Por 2,65 Bilhões De Libras. A Operação Fortalece A Posição Do Grupo No Reino Unido E Deve Tornar O Santander Uk O Terceiro Maior Banco Do País Em Saldos De Contas Correntes Pessoais. Em Fevereiro De 2026, O Grupo Também Anunciou A Aquisição Do Webster Financial, Nos Estados Unidos, Por Us$ 12,2 Bilhões. Segundo O Comunicado Oficial, A Transação Deve Criar Um Banco Entre Os Dez Maiores Do Varejo E Banco Comercial Americano Por Ativos, Além De Ampliar A Base De Depósitos No Nordeste Dos Eua. Essas Operações Exigem Integração, Capital E Atenção Da Administração. Por Isso, Parte Dos Analistas Avalia Que Uma Eventual Opa No Brasil Pode Fazer Sentido Estratégico, Mas Não Necessariamente Agora. Santander Brasil Tenta Recuperar Rentabilidade A Nova Fase Do Santander Brasil Envolve Uma Combinação De Controle De Custos, Seletividade No Crédito E Busca Por Clientes De Maior Renda. A Apresentação Do Primeiro Trimestre Mostrou Receita Total De R$ 21,248 Bilhões, Avanço De 0,9% Em Relação Ao Primeiro Trimestre De 2025, Enquanto As Despesas Gerais Ficaram Praticamente Estáveis Na Comparação Anual. O Banco Também Vem Tentando Melhorar A Eficiência Operacional. No Primeiro Trimestre, O Índice De Eficiência Ficou Em 37,7%, Melhora De 1,1 Ponto Percentual Ante O Trimestre Anterior, Embora Ainda 0,5 Ponto Acima Do Registrado Um Ano Antes. A Estratégia Passa Por Reduzir Exposição A Carteiras De Maior Risco, Priorizar Originação Mais Rentável E Ampliar A Participação De Segmentos Como Alta Renda, Pequenas E Médias Empresas E Atacado. Em Relatório, A Genial Apontou Que A Administração Segue Buscando Um Roe Sustentável De 20%, Mas Que Esse Patamar Pode Ficar Mais Factível Apenas Em 2027. Troca No Comando Aumenta Atenção Sobre O Banco A Mudança Na Liderança Também Entrou No Radar. Em Março, O Santander Brasil Anunciou A Saída De Mario Leão Da Presidência, Com Transição Prevista Até Julho De 2026. Para O Cargo, O Conselho Escolheu Gilson Finkelsztain, Então Presidente Da B3, Ainda Sujeito Às Aprovações Regulatórias Necessárias. A Chegada De Finkelsztain Ocorre Em Um Momento Sensível. O Banco Precisa Recuperar Confiança Do Mercado, Provar Que A Deterioração Da Inadimplência Está Sob Controle E Mostrar Que A Reestruturação Operacional Pode Gerar Rentabilidade Mais Próxima Da Meta. Para Investidores, A Troca De Comando Pode Ser Positiva Se Acelerar A Disciplina De Capital E A Simplificação Do Banco. Mas Também Adiciona Um Período De Transição Em Uma Fase Em Que Sanb11 Já Sofre Com Pressão De Resultados E Comparação Desfavorável Com Pares Locais. Fintechs Pressionam Bancos Tradicionais Outro Ponto Estrutural É A Competição Com Fintechs. O Avanço De Bancos Digitais, Especialmente Em Cartões, Conta Corrente E Crédito De Varejo, Reduziu Vantagens Históricas De Bancos Tradicionais E Pressionou Margens No Segmento Massificado. O Santander Brasil Tem Exposição Relevante Ao Financiamento Ao Consumo, O Que Torna Seus Resultados Mais Sensíveis Ao Ciclo De Juros, À Inflação E À Inadimplência. Em Períodos De Selic Elevada, O Custo De Funding E O Risco De Crédito Tendem A Pesar Mais Sobre Instituições Com Carteiras Voltadas Ao Consumo. Esse Cenário Ajuda A Explicar Por Que A Matriz Espanhola Valorizou Fortemente Enquanto A Operação Brasileira Perdeu Valor. O Grupo Global Se Beneficiou De Resultados Recordes E Expansão Internacional, Enquanto O Brasil Ainda Tenta Recompor Retorno Em Um Mercado Bancário Mais Competitivo. O Que Observar Em Sanb11 Daqui Para Frente A Tese De Investimento Em Santander Brasil (Sanb11) Passa Por Quatro Pontos Principais: Evolução Da Inadimplência, Recuperação Do Roe, Disciplina De Custos E Sinais Da Matriz Sobre Alocação De Capital. Se Os Indicadores De Crédito Estabilizarem E A Rentabilidade Caminhar Para A Meta De 20%, O Desconto Pode Diminuir Sem Necessidade De Opa. Por Outro Lado, Se Sanb11 Continuar Negociando Com Múltiplos Pressionados, A Discussão Sobre Fechamento De Capital Tende A Permanecer No Radar. Por Enquanto, A Conclusão Mais Prudente É Que Uma Opa É Uma Possibilidade Financeira E Estratégica, Mas Não Um Fato. O Desconto Recorde Para A Matriz Torna O Tema Inevitável, Mas A Agenda Global Do Santander E A Ausência De Manifestação Formal Impedem Tratar A Operação Como Iminente. Para O Investidor, O Ponto Central Não É Apenas Se O Santander Brasil Pode Sair Da Bolsa. É Se O Banco Conseguirá Recuperar Rentabilidade Em Um Ambiente No Qual Fintechs, Juros Altos E Inadimplência Ainda Limitam O Potencial De Valorização De Sanb11. - Gazeta Mercantil

O Santander Brasil (SANB11) registrou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 3,014 bilhões no segundo trimestre de 2026, queda de 17,6% em relação ao mesmo período do ano passado e de 20,4% ante os três primeiros meses deste ano. O balanço, divulgado nesta quarta-feira, 29 de julho, antes da abertura da B3, ficou abaixo da projeção de R$ 3,90 bilhões reunida pela LSEG, pressionado pelo aumento das provisões para perdas com crédito, pela redução da margem financeira e pela deterioração da rentabilidade.

A diferença entre o lucro do Santander Brasil e o consenso de mercado chegou a aproximadamente 23%. O resultado interrompeu a sequência de recuperação apresentada pelo banco ao longo de 2025, quando o ganho recorrente havia avançado de R$ 3,659 bilhões no segundo trimestre para R$ 4,086 bilhões no encerramento do ano.

O retorno sobre o patrimônio líquido médio, indicador usado para medir a capacidade de um banco de remunerar o capital dos acionistas, caiu para 12,5%. O índice estava em 16% no primeiro trimestre de 2026 e em 16,4% no mesmo intervalo de 2025.

A queda ocorreu mesmo com a expansão de 5,8% da carteira de crédito ampliada, que encerrou junho em R$ 714,769 bilhões. O crescimento dos empréstimos, entretanto, não foi suficiente para compensar a elevação das despesas com provisões e a compressão dos spreads cobrados dos clientes.

Provisões consomem parte relevante das receitas

O principal fator de pressão sobre o lucro do Santander Brasil foi o resultado de provisões para devedores duvidosos, conhecido no mercado como PDD. A linha atingiu R$ 7,654 bilhões no segundo trimestre, avanço de 20,6% em relação aos R$ 6,344 bilhões registrados entre janeiro e março.

Na comparação anual, o aumento foi de 11,5%. O banco atribuiu a elevação a reforços de provisões relacionados a casos específicos no atacado, à revisão dos critérios de baixa de créditos considerados irrecuperáveis e à persistência de um ambiente econômico desfavorável para parte dos clientes.

A despesa bruta com provisões chegou a R$ 8,260 bilhões, alta de 21% no trimestre e de 6,5% em um ano. O impacto foi parcialmente compensado por R$ 607 milhões em recuperações de crédito. Esse valor cresceu 25,7% ante o primeiro trimestre, mas ficou 32,3% abaixo do observado um ano antes.

O custo de crédito alcançou 3,81%, contra 3,73% no trimestre anterior e 3,90% no segundo trimestre de 2025. Embora permaneça ligeiramente abaixo do nível de um ano atrás, o avanço trimestral mostra que o banco precisou destinar parcela maior das receitas para absorver perdas esperadas.

O resultado operacional caiu 45,2% em três meses e 39,1% em um ano, para R$ 2,525 bilhões. Antes dos impostos, o lucro gerencial somou R$ 2,537 bilhões, retração de 44,6% sobre o primeiro trimestre e de 39,6% na comparação anual.

O lucro recorrente foi favorecido pelo reconhecimento de R$ 584 milhões na linha de Imposto de Renda e Contribuição Social. No trimestre anterior, essa rubrica havia representado uma despesa de R$ 677 milhões. A diferença tributária ajudou a limitar a queda do resultado final.

O banco também reconheceu uma provisão trabalhista não recorrente de R$ 291 milhões. Após esse efeito, o lucro líquido gerencial ficou em R$ 2,723 bilhões. Pelo critério contábil, o Santander Brasil apurou R$ 2,667 bilhões, redução de 25,8% em um ano.

Inadimplência de pessoas físicas chega a 5,1%

O índice de inadimplência superior a 90 dias permaneceu em 3,3% entre março e junho, mas avançou 0,7 ponto percentual em relação aos 2,6% registrados um ano antes.

Entre as pessoas físicas, a inadimplência de longo prazo chegou a 5,1%, ante 4,9% no primeiro trimestre e 4% em junho de 2025. O aumento anual de 1,1 ponto percentual mostra a pressão exercida pelo elevado nível de endividamento das famílias e pelo custo do crédito.

Na pessoa jurídica, o indicador recuou de 1,8% para 1,6% no trimestre, mas permaneceu acima dos 1,2% observados um ano antes. Nas pequenas e médias empresas, a inadimplência superior a 90 dias caiu para 5,3%, depois de ter alcançado 6% em março. No atacado, permaneceu em 0,2%.

Os atrasos entre 15 e 90 dias, considerados uma medida antecedente da inadimplência de longo prazo, encerraram o trimestre em 3,3%. O índice estava em 3,4% em março e também em 3,3% um ano antes.

Na pessoa física, porém, os atrasos de curto prazo subiram para 5,3%, contra 5,2% no primeiro trimestre e no mesmo período de 2025. O banco identificou pressão principalmente nas carteiras de baixa renda e do agronegócio.

A formação de novos créditos inadimplentes somou R$ 7,022 bilhões, queda de 2,3% no trimestre, mas aumento de 3,8% em relação ao segundo trimestre de 2025. A relação entre a formação de inadimplência e a carteira total ficou estável em 1%.

As baixas de operações para prejuízo chegaram a R$ 7,009 bilhões, avanço de 27,3% em três meses. O Santander explicou que o movimento ainda reflete a aplicação de critérios revisados de recuperabilidade dos créditos.

O índice de cobertura da carteira classificada no estágio 3, que reúne ativos com maior risco de perda, recuou para 65%. O nível era de 67,6% em março e de 67,1% em junho do ano passado. Para investidores, a combinação entre inadimplência mais alta e cobertura menor amplia a atenção sobre a capacidade das provisões de absorver eventuais perdas futuras.

Margem financeira recua com compressão dos spreads

A receita total do Santander Brasil alcançou R$ 20,675 bilhões, alta de apenas 0,4% em um ano e queda de 2,7% na comparação trimestral.

A margem financeira bruta, formada principalmente pela diferença entre os juros cobrados nos empréstimos e o custo de captação, caiu 3% ante o primeiro trimestre e 0,4% em doze meses, para R$ 15,341 bilhões.

A margem com clientes somou R$ 16,058 bilhões, redução trimestral de 3,2% e anual de 0,4%. O spread médio recuou de 10,41% para 10,03% entre março e junho. Um ano antes, estava em 10,55%.

Segundo o banco, a compressão decorreu, entre outros fatores, da redução da exposição ao segmento massificado, que normalmente apresenta juros e riscos mais elevados. A mudança melhora o perfil de risco da carteira, mas reduz a margem obtida em determinadas operações.

O aumento do diferimento de comissões pagas a correspondentes bancários também pressionou o spread. Excluído esse efeito, a redução teria sido menor, de 0,30 ponto percentual no trimestre e de 0,16 ponto em um ano.

A margem com o mercado continuou negativa, em R$ 718 milhões, mas apresentou melhora ante a perda de R$ 771 milhões do primeiro trimestre. O desempenho foi favorecido pela maturação da carteira e pelo resultado de títulos indexados à inflação.

A pressão sobre a margem financeira é um ponto relevante para o lucro do Santander Brasil. O banco precisa ampliar volumes e receitas de serviços sem elevar excessivamente o risco, ao mesmo tempo que administra um custo de captação elevado e clientes mais sensíveis ao preço do crédito.

Carteira cresce puxada por veículos, PMEs e grandes empresas

A carteira de crédito ampliada cresceu 1,3% no trimestre e 5,8% em um ano, atingindo R$ 714,769 bilhões. Desconsiderado o efeito da variação cambial, a expansão anual teria sido de 6,3%.

O financiamento ao consumo apresentou o maior avanço entre os principais segmentos. A carteira chegou a R$ 100,766 bilhões, alta de 5,6% em três meses e de 15,3% na comparação anual.

Essa linha inclui principalmente financiamentos de veículos e outros bens. O Santander informou que dobrou, em um ano, a originação de contratos de automóveis elétricos e híbridos e aumentou a participação de veículos novos no conjunto das concessões.

O crédito para pequenas e médias empresas alcançou R$ 95,957 bilhões, crescimento de 2,4% no trimestre e de 11,5% em um ano. O banco tem procurado aumentar a utilização de garantias nessas operações, estratégia destinada a reduzir a perda em caso de inadimplência.

A carteira de grandes empresas avançou 6,8% em doze meses e 1,4% no trimestre, para R$ 254,623 bilhões. O crescimento foi apoiado por antecipação de recebíveis, avais, fianças e títulos privados.

Na pessoa física, o saldo caiu 0,7% ante março e 0,1% em um ano, para R$ 263,424 bilhões. A estabilidade aparente esconde mudanças importantes na composição da carteira.

O crédito imobiliário cresceu 10,6% em doze meses, para R$ 77,214 bilhões, enquanto a carteira de cartões aumentou 13%, para R$ 65,198 bilhões. Em sentido contrário, o crédito consignado caiu 14,7%, e o crédito pessoal e outras linhas recuaram 8,6%.

O banco vem reduzindo a exposição a clientes de menor renda e aumentando a participação de operações com o público de alta renda. No crédito imobiliário, 79% da carteira já está concentrada nesse segmento.

A estratégia contribui para uma carteira potencialmente mais resistente, mas tende a reduzir os spreads médios. Esse efeito ajuda a explicar por que a expansão de 5,8% do crédito não se converteu em crescimento do lucro do Santander Brasil.

Comissões avançam no ano, mas perdem força no trimestre

As receitas de comissões chegaram a R$ 5,334 bilhões. O valor representa crescimento de 2,5% em relação ao segundo trimestre de 2025, mas queda de 1,9% ante os três primeiros meses deste ano.

As receitas com cartões aumentaram 10,5% em doze meses, para R$ 1,638 bilhão. O avanço refletiu maior volume de transações e crescimento dos gastos médios dos clientes.

As comissões de administração de recursos subiram 26,4%, para R$ 581 milhões. Consórcios avançaram 23,8%, enquanto fundos e previdência cresceram 30,5%.

Em sentido contrário, as receitas de conta corrente caíram 12,2%, para R$ 825 milhões. As comissões associadas a operações de crédito recuaram 2,3%, e a linha de outras receitas diminuiu 61,1%.

Na comparação trimestral, o resultado também foi afetado por menores receitas em corretagem e colocação de títulos, seguros e operações de crédito. O banco afirmou que a seletividade na concessão de empréstimos reduziu a geração de algumas tarifas vinculadas a esses produtos.

A diversificação das receitas é importante porque reduz a dependência da margem financeira. No segundo trimestre, porém, o avanço anual das comissões não teve força suficiente para neutralizar o aumento das provisões.

Corte de custos não impede piora da eficiência

As despesas gerais totalizaram R$ 6,578 bilhões, aumento de 2,6% em um ano e redução de 0,8% ante o primeiro trimestre. As despesas de pessoal caíram 1,2% na comparação anual, para R$ 2,995 bilhões, enquanto as administrativas subiram 6%, para R$ 3,583 bilhões.

O banco encerrou junho com 47.327 funcionários, redução de 6.591 postos em relação ao mesmo mês de 2025. O número de lojas caiu de 1.036 para 858 no período, enquanto os postos de atendimento bancário passaram de 910 para 731.

Apesar do controle nominal das despesas, o índice de eficiência piorou para 39,3%, ante 37,7% no primeiro trimestre e 36,8% um ano antes. Quanto menor esse indicador, mais eficiente é a relação entre os custos e as receitas da instituição.

A deterioração ocorreu porque as receitas perderam força mais rapidamente do que as despesas. O resultado mostra que a redução da estrutura física e do quadro de funcionários ainda precisa ser acompanhada por uma recuperação da margem e do lucro operacional.

Capital permanece acima dos limites regulatórios

O Santander Brasil encerrou junho com R$ 1,286 trilhão em ativos totais e patrimônio líquido de R$ 98,210 bilhões, aumento anual de 5% e 6,2%, respectivamente.

O índice de Basileia ficou em 15,3%, alta de 0,3 ponto percentual em um ano. O capital principal CET1, considerado a parcela de maior qualidade do capital bancário, atingiu 11,2%, contra 11,6% em junho de 2025.

As captações de clientes avançaram 6,9% em doze meses e 3,7% no trimestre, para R$ 688,514 bilhões. As pessoas físicas passaram a representar 51% dessa base, quatro pontos percentuais a mais do que no ano anterior.

O banco também contabilizou R$ 2 bilhões em juros sobre capital próprio aprovados em abril. O valor supera os R$ 1,5 bilhão distribuídos no período equivalente de 2025.

Embora o capital permaneça em nível considerado confortável, a queda do lucro do Santander Brasil reduz a geração interna de recursos e exige maior disciplina na distribuição de proventos e no crescimento da carteira.

Resultado coloca recuperação da rentabilidade sob novo teste

O balanço do segundo trimestre recoloca no centro da avaliação dos investidores a capacidade do Santander Brasil de recuperar sua rentabilidade sem flexibilizar os critérios de concessão de crédito.

O banco encerrou 2025 com ROAE de 17,6%, depois de um ciclo de reconstrução da margem e melhora gradual dos resultados. A queda para 12,5% no segundo trimestre de 2026 representa uma mudança relevante nessa trajetória.

A expansão dos financiamentos ao consumo, do crédito imobiliário, das operações com cartões e das carteiras empresariais mostra que o Santander continua crescendo em segmentos definidos como estratégicos. O desafio será transformar esse avanço em receitas suficientes para compensar as perdas de crédito.

Para que o lucro do Santander Brasil volte a crescer, o banco dependerá da estabilização da inadimplência, da redução das provisões extraordinárias, da recuperação dos spreads e de uma contribuição maior das receitas de serviços.

Até que esses vetores apareçam de forma consistente, o desempenho do segundo trimestre mantém a rentabilidade, a qualidade dos ativos e o custo do crédito como os principais pontos de atenção para os acionistas do Santander Brasil (SANB11).

Tags: balanço 2T26bancoscarteira de créditoEmpresasInadimplêncialucro do Santander Brasillucro líquidoprovisõesROAESANB11Santander Brasil

LEIA MAIS

Governo Amplia Desenrola 2.0 Até 31 De Agosto E Mira 10 Milhões De Beneficiados - Gazeta Mercantil
Economia

Governo amplia Desenrola 2.0 até 31 de agosto e mira 10 milhões de beneficiados

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu ampliar até 31 de agosto o prazo para adesão ao Novo Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas...

Leia MaisDetails
Aegea Aprova Aporte De Até R$ 2,1 Bilhões; Itaúsa (Itsa4) Pode Elevar Participação - Gazeta Mercantil
Empresas

Aegea aprova aporte de até R$ 2,1 bilhões; Itaúsa (ITSA4) pode elevar participação

A Aegea Saneamento aprovou um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão a R$ 2,1 bilhões, por meio da emissão de novas ações ordinárias, em uma operação que...

Leia MaisDetails
Petrobras (Petr3; Petr4) - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Petrobras (PETR4) bate recorde no 2T26 e eleva expectativa de novos dividendos

A Petrobras (PETR3; PETR4) encerrou o segundo trimestre de 2026 com produção própria recorde de 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia, crescimento de 14% em...

Leia MaisDetails
Magazine Luiza (Mglu3) -Gazeta Mercantil
Ibovespa

Magazine Luiza (MGLU3): Citi corta preço-alvo para R$ 6 e vê e-commerce frear recuperação no 2T26

O Citi reduziu nesta quarta-feira (29) o preço-alvo das ações do Magazine Luiza (MGLU3) de R$ 6,50 para R$ 6 e manteve a recomendação neutra, com classificação de...

Leia MaisDetails
3Tentos (Tten3) - Gazeta Mercantil
Empresas

3tentos (TTEN3) perde R$ 1,2 bi em valor de mercado e Citi corta preço-alvo antes do 2T26

A 3tentos (TTEN3) perdeu aproximadamente R$ 1,22 bilhão em valor de mercado em apenas um pregão, após suas ações recuarem 16,01% na terça-feira, 28 de julho, e encerrarem...

Leia MaisDetails

Veja Também

Pix Virou Símbolo De Ameaça Ao Domínio Financeiro Dos Eua, Diz The Economist - Gazeta Mercantil
Economia

Pix deixa dinheiro vivo para trás e alcança 42% do e-commerce no Brasil

Leia MaisDetails
Governo Amplia Desenrola 2.0 Até 31 De Agosto E Mira 10 Milhões De Beneficiados - Gazeta Mercantil
Economia

Governo amplia Desenrola 2.0 até 31 de agosto e mira 10 milhões de beneficiados

Leia MaisDetails
Aegea Aprova Aporte De Até R$ 2,1 Bilhões; Itaúsa (Itsa4) Pode Elevar Participação - Gazeta Mercantil
Empresas

Aegea aprova aporte de até R$ 2,1 bilhões; Itaúsa (ITSA4) pode elevar participação

Leia MaisDetails
Eleições 2026 - Gazeta Mercantil
Política

TSE fecha acordo com 7 plataformas e cria rede de resposta rápida contra desinformação em 2026

Leia MaisDetails
Petrobras (Petr3; Petr4) - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Petrobras (PETR4) bate recorde no 2T26 e eleva expectativa de novos dividendos

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Pix deixa dinheiro vivo para trás e alcança 42% do e-commerce no Brasil

Governo amplia Desenrola 2.0 até 31 de agosto e mira 10 milhões de beneficiados

Aegea aprova aporte de até R$ 2,1 bilhões; Itaúsa (ITSA4) pode elevar participação

TSE fecha acordo com 7 plataformas e cria rede de resposta rápida contra desinformação em 2026

Petrobras (PETR4) bate recorde no 2T26 e eleva expectativa de novos dividendos

Tesouro Direto volta a pagar mais de 8% acima da inflação; veja as taxas desta quarta

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

Sem resultados
Todos os resultados
  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP