A Petrobras (PETR3; PETR4) encerrou o segundo trimestre de 2026 com produção própria recorde de 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia, crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano passado, e levou suas ações às maiores altas do Ibovespa nesta quarta-feira (29). O avanço foi sustentado pela aceleração de novas plataformas no pré-sal, pela entrada antecipada da P-79 e pelo maior nível de utilização já registrado no parque de refino, combinação que ampliou as expectativas de um resultado financeiro robusto e de nova distribuição de dividendos.
Por volta das 11h30, as ações preferenciais Petrobras (PETR4) avançavam 2,26%, cotadas a R$ 42,14. Os papéis ordinários Petrobras (PETR3) subiam 2,63%, para R$ 47,64, em um pregão no qual o Ibovespa operava em queda.
A reação refletiu a dimensão dos números operacionais. A produção própria de petróleo, líquidos de gás natural e gás natural subiu 3% sobre o primeiro trimestre, quando a companhia já havia estabelecido um recorde de 3,23 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
A produção comercial, correspondente aos volumes destinados à venda pela Petrobras, alcançou 2,9 milhões de barris de óleo equivalente por dia. No refino, a companhia produziu 1,918 milhão de barris de derivados diariamente, alta de 6% na comparação trimestral e de 11% em 12 meses.
Os dados representam uma prévia operacional, e não o balanço financeiro completo. O lucro, a geração de caixa e o valor destinado aos acionistas somente serão conhecidos após a divulgação dos resultados do segundo trimestre, prevista para 6 de agosto.
P-78 e P-79 aceleram produção em Búzios
O principal motor do novo recorde foi o avanço das plataformas instaladas no pré-sal. A P-78 e a P-79, no campo de Búzios, aumentaram gradualmente a produção durante o trimestre à medida que novos poços foram conectados aos sistemas.
A P-79 iniciou a produção em 1º de maio, três meses antes da previsão do Plano de Negócios 2026-2030 e cinco meses antes do cronograma considerado no planejamento anterior. A antecipação permitiu que a unidade contribuísse para o resultado durante dois dos três meses do trimestre.
Com capacidade para produzir 180 mil barris de petróleo por dia e comprimir 7,2 milhões de metros cúbicos de gás, a P-79 é a oitava plataforma em operação em Búzios. O projeto também poderá elevar em até 3 milhões de metros cúbicos diários a oferta de gás ao mercado brasileiro por meio da conexão com o gasoduto Rota 3.
O desempenho das unidades mais recentes permitiu compensar o declínio natural de campos maduros. Esse processo ocorre porque a pressão dos reservatórios diminui à medida que o petróleo é extraído, exigindo a entrada de novos poços e sistemas para preservar o crescimento da produção total.
A Petrobras informou que dez novos poços produtores entraram em operação no segundo trimestre. A expansão mostra como a execução dos projetos passou a ser determinante para o desempenho da companhia: quanto mais rapidamente plataformas e poços começam a produzir, mais cedo os investimentos realizados se transformam em receita e caixa.
Búzios ultrapassa 1,2 milhão de barris por dia
O campo de Búzios consolidou-se como o principal ativo de crescimento da Petrobras. No fim de junho, a produção operada no campo superou 1,2 milhão de barris de petróleo por dia, após ter ultrapassado 1,1 milhão apenas três dias antes.
A aceleração foi impulsionada principalmente pelas plataformas P-78 e P-79, ainda em processo de aumento gradual da produção até suas capacidades máximas. Cada uma pode produzir até 180 mil barris por dia.
Búzios já responde por aproximadamente um terço de toda a produção de petróleo operada pela Petrobras no Brasil, considerando também as participações de empresas parceiras. Quando analisada apenas a parcela pertencente à estatal, o campo representa quase metade da produção da companhia.
O ativo possui oito plataformas em funcionamento: P-74, P-75, P-76, P-77, P-78, P-79, Almirante Barroso e Almirante Tamandaré. Outras três unidades — P-80, P-82 e P-83 — estão em construção, enquanto uma décima segunda plataforma permanece em processo de contratação.
A expansão deverá manter Búzios no centro do plano estratégico. A Petrobras prevê instalar 11 plataformas no campo até 2027 e atingir um pico de produção total de óleo e gás de 3,4 milhões de barris de óleo equivalente por dia em 2028 e 2029.
O nível de 3,34 milhões registrado no segundo trimestre aproxima a companhia desse patamar, embora resultados trimestrais não possam ser comparados diretamente com metas anuais. Paradas para manutenção, entrada de poços e oscilações na eficiência operacional podem alterar a média ao longo do ano.
Refino opera acima da capacidade nominal
O desempenho do refino adicionou uma segunda fonte de força à prévia. O fator de utilização das refinarias atingiu 101,2% no segundo trimestre, o maior nível da história da Petrobras.
O indicador compara o volume efetivamente processado com a capacidade nominal das unidades. Um resultado acima de 100% pode ocorrer quando melhorias nos equipamentos, ajustes operacionais e mudanças no tipo de petróleo processado permitem que as refinarias trabalhem acima da referência original do projeto, dentro dos limites autorizados.
No primeiro trimestre, o fator de utilização havia sido de 95%. O avanço para 101,2% mostra que a companhia elevou o processamento ao mesmo tempo que aumentava a produção de petróleo no pré-sal.
A produção de derivados alcançou 1,918 milhão de barris por dia. Diesel, gasolina, gás liquefeito de petróleo e querosene de aviação concentraram parte relevante do volume.
A maior produção doméstica reduziu a necessidade de importações de combustíveis. As compras externas recuaram para 67 mil barris por dia, o menor nível registrado pela Petrobras.
A redução das importações pode favorecer os resultados porque diminui a exposição a fretes internacionais e aos custos de aquisição de produtos no exterior. O ganho efetivo, no entanto, dependerá da diferença entre o custo de produção nas refinarias brasileiras e o preço pelo qual os derivados foram vendidos.
Exportações se aproximam de 1 milhão de barris por dia
O crescimento da produção também ampliou a quantidade de petróleo disponível para o mercado externo. As exportações se aproximaram de 1 milhão de barris por dia no trimestre.
Em relação ao segundo trimestre de 2025, os embarques de petróleo e derivados cresceram aproximadamente 41%. O avanço reforça a posição da Petrobras como uma das principais exportadoras brasileiras e aumenta a influência das cotações internacionais e do câmbio sobre suas receitas.
O resultado financeiro das exportações dependerá do preço médio efetivamente obtido pela companhia, do tipo de petróleo vendido, dos custos logísticos e da cotação do dólar no momento das operações.
Uma produção maior não significa, isoladamente, margens maiores. Se o preço internacional do petróleo cair, o aumento dos volumes pode ser parcialmente neutralizado pela redução da receita por barril. O mesmo vale para movimentos do câmbio e para o custo das participações governamentais.
Ainda assim, a expansão das exportações mostra que o crescimento do pré-sal já produz efeitos além das metas operacionais. A companhia passou a dispor de mais petróleo para vender no exterior mesmo enquanto suas refinarias aumentavam a carga processada.
Esse equilíbrio entre refino e exportação será um dos principais pontos do balanço. A administração precisa decidir quanto petróleo deve ser destinado às refinarias e quanto pode ser vendido diretamente no mercado internacional, buscando maximizar a rentabilidade da produção.
Recordes operacionais ainda precisam chegar ao caixa
A prévia divulgada pela Petrobras contém volumes de produção, vendas e processamento, mas não apresenta receita, Ebitda, lucro líquido ou fluxo de caixa livre.
Esses indicadores serão determinantes para saber quanto dos recordes operacionais poderá ser convertido em remuneração aos acionistas.
No primeiro trimestre, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões, alta de 110% sobre os três meses anteriores. Excluídos eventos extraordinários, o lucro foi de R$ 23,8 bilhões.
O Ebitda ajustado atingiu R$ 59,6 bilhões. Sem eventos exclusivos, chegou a R$ 61,7 bilhões, crescimento de 4,5% em relação ao quarto trimestre de 2025.
A geração de caixa operacional somou R$ 44 bilhões, enquanto os investimentos alcançaram R$ 26,8 bilhões. A diferença entre a geração de caixa e os desembolsos necessários para manter e expandir os negócios é uma das bases utilizadas na definição da remuneração aos acionistas.
No segundo trimestre, a produção maior tende a favorecer a receita. Por outro lado, o resultado também será afetado por investimentos, custos de extração, despesas com manutenção, pagamento de impostos, royalties, participações especiais e variações no capital de giro.
Política prevê distribuição de 45% do fluxo de caixa livre
A política de remuneração da Petrobras estabelece que, quando a dívida bruta estiver igual ou abaixo do limite fixado no plano estratégico, a companhia deverá distribuir 45% do fluxo de caixa livre, desde que sejam atendidas as demais condições financeiras e societárias.
A dívida bruta encerrou o primeiro trimestre em US$ 71,2 bilhões, abaixo do limite de US$ 75 bilhões previsto no Plano de Negócios 2026-2030. A meta da administração é reduzir o valor para cerca de US$ 67 bilhões até o fim deste ano.
Com base no balanço de março, o Conselho de Administração aprovou R$ 9,03 bilhões em remuneração aos acionistas, equivalentes a R$ 0,70097272 por ação ordinária ou preferencial.
Os valores serão pagos em duas parcelas, em agosto e setembro, integralmente na forma de juros sobre capital próprio. A primeira parcela está prevista para 20 de agosto, e a segunda, para 21 de setembro.
A distribuição referente ao segundo trimestre dependerá do fluxo de caixa livre apurado no novo balanço. O recorde de produção amplia a possibilidade de geração de recursos, mas os investimentos necessários para colocar plataformas e poços em operação também consomem caixa.
Por essa razão, não é possível calcular o valor dos próximos dividendos apenas a partir dos volumes divulgados. A companhia precisará mostrar quanto recebeu pelas vendas, quanto gastou para produzir e qual foi o volume efetivamente destinado aos investimentos.
Plano de US$ 109 bilhões limita espaço para excessos
A Petrobras planeja investir US$ 109 bilhões entre 2026 e 2030. Desse total, US$ 69,2 bilhões serão destinados aos projetos de exploração e produção, com concentração no pré-sal.
O programa inclui novas plataformas, perfuração de poços, sistemas submarinos e projetos de processamento e transporte. A companhia também prevê US$ 15,8 bilhões em investimentos no segmento de refino, transporte, comercialização, petroquímica e fertilizantes.
O volume de investimentos cria uma tensão permanente na alocação de capital. Quanto mais recursos são distribuídos aos acionistas, menos caixa permanece disponível para financiar novos projetos sem aumento do endividamento.
A administração precisa equilibrar três objetivos: manter a dívida sob controle, executar o plano de expansão e remunerar os acionistas. Um trimestre de produção recorde melhora essa equação, mas não elimina os compromissos futuros.
O plano estratégico foi elaborado considerando um cenário de preços mais baixos para o petróleo e prevê projetos capazes de permanecer rentáveis mesmo em condições menos favoráveis. A companhia estima um preço de equilíbrio médio de aproximadamente US$ 25 por barril para sua carteira de exploração e produção.
Essa resiliência ajuda a explicar a reação positiva das ações. Ativos com custos mais baixos tendem a preservar margens mesmo quando o petróleo perde valor no mercado internacional.
Produção da Petrobras domina expansão nacional
Os números da Petrobras acompanham um ciclo mais amplo de crescimento da produção brasileira. Em maio, o país extraiu 5,597 milhões de barris de óleo equivalente por dia de petróleo e gás natural.
A produção de petróleo atingiu 4,301 milhões de barris por dia, alta de 16,9% em relação a maio de 2025. O gás natural avançou 19,6% no mesmo intervalo, para 206,06 milhões de metros cúbicos diários.
O pré-sal respondeu por 80,5% da produção nacional. Os campos operados pela Petrobras, isoladamente ou em consórcio, concentraram 87,78% de todo o petróleo e gás produzidos no Brasil.
O peso da companhia significa que os recordes têm efeitos que ultrapassam o mercado de ações. Uma produção maior amplia exportações, arrecadação tributária, royalties e participações especiais destinados à União, aos estados e aos municípios.
Somente a produção de maio gerou R$ 8,16 bilhões em royalties, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Estados receberam R$ 2,15 bilhões, enquanto os municípios ficaram com R$ 2,77 bilhões.
A expansão do pré-sal também movimenta fornecedores de equipamentos, embarcações, engenharia, manutenção e serviços especializados, embora aumente a dependência econômica das receitas ligadas ao petróleo.
Balanço definirá tamanho da recompensa aos acionistas
A alta de Petrobras (PETR3; PETR4) nesta quarta-feira antecipou uma aposta do mercado: a de que os recordes de produção, exportação e refino serão convertidos em maior geração de caixa.
A tese tem sustentação operacional. A companhia produziu mais petróleo e gás, reduziu as importações, ampliou os embarques ao exterior e utilizou suas refinarias no maior nível da história.
O balanço, porém, deverá mostrar se os ganhos de volume foram preservados depois dos custos, investimentos e efeitos dos preços dos combustíveis. Também revelará se a dívida permaneceu dentro dos parâmetros necessários para a aplicação integral da política de dividendos.
A temporada de resultados colocará a estatal novamente no centro do Ibovespa. Petrobras (PETR3; PETR4) possui peso relevante no índice, distribui recursos à União e a milhares de investidores privados e influencia diretamente a arrecadação pública.
O recorde operacional já está confirmado. A dimensão financeira ainda será conhecida em agosto, quando a companhia mostrará quanto dos 3,34 milhões de barris de óleo equivalente produzidos diariamente se transformou em lucro, caixa e remuneração aos acionistas.











