📈 Bolsas da Europa avançam com força da mineração e bancos, apesar de crise política no Reino Unido
As bolsas da Europa encerraram a sessão desta quarta-feira (2) em alta, impulsionadas por ganhos expressivos nos setores de mineração e bancário. Embora o cenário político britânico tenha trazido instabilidade para o mercado de Londres, o desempenho dos principais índices do continente revelou a confiança dos investidores diante de perspectivas comerciais com os Estados Unidos e acordos corporativos relevantes.
Este avanço das bolsas da Europa ocorre em um contexto de oscilações políticas, ajustes fiscais e negociações estratégicas com parceiros internacionais, revelando a complexidade que envolve o mercado financeiro europeu atualmente.
Panorama geral das bolsas europeias
O índice Stoxx 600, que agrega as principais ações da Europa continental, fechou com valorização de 0,18%, atingindo 541,21 pontos. Esse movimento refletiu principalmente o bom desempenho dos setores de mineração e instituições financeiras, beneficiados por expectativas de estímulo econômico e novos acordos comerciais.
Em outras praças:
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Frankfurt (DAX): alta de 0,49%, aos 23.790,11 pontos
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Paris (CAC 40): avanço de 0,99%, fechando em 7.738,42 pontos
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Madri (Ibex 35): crescimento de 0,41%, com destaque para ações do Sabadell e Santander
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Milão (FTSE MIB): valorização de 0,57%, alcançando 39.785,28 pontos
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Lisboa (PSI20): alta de 0,51%, somando 7.632,55 pontos
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Copenhague: destaque para a Vestas, que subiu 10,10% após medida fiscal americana favorável ao setor eólico
Enquanto isso, em Londres, o FTSE 100 recuou 0,12%, a 8.774,69 pontos, em meio a uma crise política que pressiona o governo liderado por Keir Starmer.
Crise política no Reino Unido impacta o FTSE 100
Apesar dos ganhos relevantes no setor de mineração, o mercado britânico sofreu queda. O motivo central foi a instabilidade política causada pelo debate em torno do orçamento e medidas de austeridade propostas pelo governo de Keir Starmer.
A secretária do Tesouro, Rachel Reeves, viu seu cargo ameaçado após enfrentar resistência interna e pressões do Parlamento. Mesmo com a aprovação de um projeto que reduz os gastos com bem-estar social, 49 parlamentares do próprio partido votaram contra, o que enfraquece a autoridade do primeiro-ministro.
Essa tensão provocou volatilidade no FTSE 100, evidenciando como fatores políticos internos ainda têm grande poder de influenciar os rumos das bolsas da Europa, especialmente em países centrais como o Reino Unido.
Negociações comerciais com os EUA aquecem expectativas
Outro fator relevante para os mercados foi a confirmação de um acordo comercial entre Estados Unidos e Vietnã, anunciado por Donald Trump. A sinalização de que novas tratativas comerciais estão em andamento com parceiros estratégicos, como a União Europeia, adiciona otimismo ao mercado.
O negociador europeu Maros Sefcovic foi designado para ir a Washington, com a missão de representar os interesses da UE nas discussões. A adoção de uma postura mais firme nas conversas com o governo norte-americano é vista como essencial para equilibrar as tarifas e garantir acordos que favoreçam a indústria europeia.
A possibilidade de avanços comerciais com os EUA fortalece a posição das bolsas da Europa, especialmente em setores exportadores como o automotivo, energia e defesa.
Banco Sabadell e Santander movimentam o mercado espanhol
Em Madri, o destaque ficou por conta do Banco Sabadell, que anunciou um acordo de venda do banco britânico TSB ao grupo Santander, por cerca de 2,65 bilhões de libras.
A transação foi recebida positivamente pelo mercado:
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Sabadell: alta de 5,22%
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Santander: valorização de 2,23%
O movimento reforça o posicionamento do Santander no mercado britânico e demonstra a consolidação do setor financeiro europeu em meio à nova fase de integração digital e ajustes operacionais.
Essas movimentações corporativas contribuem diretamente para a alta das bolsas da Europa, ao mostrarem que grandes bancos estão ativos em reestruturações estratégicas.
Setor de energia eólica ganha fôlego na Dinamarca
Em Copenhague, a fabricante de turbinas eólicas Vestas disparou 10,10% na bolsa local, após a aprovação, nos EUA, de um projeto de lei fiscal que favorece a energia renovável.
Esse resultado reforça o otimismo do setor de energia limpa na Europa, que se alinha com os objetivos climáticos da região. O impulso nas ações da Vestas ajuda a sustentar o crescimento das bolsas da Europa, especialmente em tempos de transição energética global.
Taxa de desemprego da zona do euro e alerta do BCE
A taxa de desemprego da zona do euro registrou leve aumento, passando de 6,2% para 6,3% em maio. Embora o crescimento tenha sido pequeno, ele contraria as projeções do mercado.
O dirigente do Banco Central Europeu, Olli Rehn, alertou que os fatores externos como câmbio, energia e tarifas ainda atuam como forças desinflacionárias — o que pode dificultar o alcance da meta de inflação de 2%.
Esse cenário reforça a expectativa de que o BCE mantenha uma política monetária cautelosa, mas não agressiva, favorecendo a recuperação das bolsas da Europa em um ambiente de juros baixos.
O que esperar das bolsas da Europa nas próximas semanas?
As perspectivas para as bolsas da Europa são de continuidade no ritmo moderado de crescimento, especialmente se os acordos comerciais com os EUA avançarem de forma positiva.
Setores como mineração, energia limpa, bancos e tecnologia seguem como destaques, mas é preciso atenção às questões políticas — tanto em Londres quanto nas negociações de orçamento da União Europeia.
Além disso, com os índices em patamares historicamente altos, é natural que haja certa volatilidade nos próximos pregões.
Forças econômicas superam ruídos políticos
O desempenho das bolsas da Europa nesta quarta-feira reforça a resiliência do mercado diante de adversidades políticas e incertezas fiscais. Com apoio de setores estratégicos e boas perspectivas de acordos internacionais, os principais índices do continente demonstram capacidade de adaptação e crescimento.
Mesmo com a instabilidade no Reino Unido, a tendência de médio prazo ainda é positiva, sobretudo se as reformas estruturais forem implementadas com equilíbrio e foco em competitividade.






