Eduardo Bolsonaro é indiciado pela PF e mensagens revelam pressão sobre Jair Bolsonaro e ameaças sobre apoio dos EUA
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tornou-se um dos principais alvos da investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) sobre a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. Novos trechos de mensagens trocadas entre ele e seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foram recuperados do celular apreendido e reforçam a suspeita de que Eduardo atuava não apenas como um articulador político, mas também como peça central em pressões internacionais e ameaças veladas sobre a perda de apoio dos Estados Unidos.
O relatório da PF, entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que a real intenção do parlamentar ao discutir a chamada “anistia light” não era defender manifestantes condenados pelos atos golpistas, mas sim garantir impunidade para Jair Bolsonaro e preservar sua própria influência política.
Mensagens de Eduardo Bolsonaro ao pai
Segundo a PF, Eduardo Bolsonaro enviou mensagens a Jair Bolsonaro em 7 de julho de 2025, logo após uma publicação do ex-presidente americano Donald Trump em apoio ao ex-mandatário brasileiro. Nos textos, Eduardo alerta o pai de que, caso o Congresso aprovasse uma “anistia light”, os Estados Unidos poderiam retirar o suporte político.
O parlamentar destacou que “a última ajuda vinda dos EUA teria sido o post de Trump” e que não haveria novas manifestações de apoio internacional caso a medida avançasse. Na interpretação dos investigadores, a fala demonstra a tentativa de Eduardo de condicionar a articulação política no Brasil à manutenção de respaldo externo, um indício de atuação estratégica para influenciar o processo judicial contra seu pai.
O significado da “anistia light”
A chamada “anistia light” refere-se a propostas discutidas nos bastidores para beneficiar condenados pelos atos de 8 de janeiro. A Polícia Federal, entretanto, apontou que a preocupação de Eduardo Bolsonaro não estava voltada aos manifestantes, mas sim à criação de um ambiente que favorecesse a anulação de sanções contra Jair Bolsonaro.
Esse tipo de medida é visto por especialistas como um passo perigoso para o Estado Democrático de Direito, pois representaria a concessão de privilégios políticos a figuras centrais envolvidas em tentativas de desestabilizar as instituições.
O indiciamento de Eduardo Bolsonaro e Jair Bolsonaro
A representação da PF encaminhada ao STF resultou no indiciamento de Jair Bolsonaro e de Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação a autoridades no curso de ação penal. Ambos foram acusados de intimidar magistrados e de tentar obstruir investigações.
Além disso, a PF também indiciou o pastor Silas Malafaia, aliado próximo da família Bolsonaro, após identificar mensagens em que ele incentivava o ex-presidente a disseminar vídeos considerados parte de uma estratégia de mobilização contra as instituições.
O papel de Eduardo Bolsonaro no bolsonarismo
Entre os filhos do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro sempre foi visto como o mais próximo da articulação internacional. Com trânsito entre políticos conservadores de países como Estados Unidos e Hungria, o parlamentar manteve contatos que foram decisivos para fortalecer a imagem do pai junto a setores da direita global.
Essa posição reforça a importância de suas mensagens à investigação: ao alertar sobre a possível perda de apoio dos EUA, Eduardo demonstrava ter consciência da relevância de sua rede internacional para a sobrevivência política do bolsonarismo.
O temor da perda de apoio internacional
O relatório da PF evidencia que Eduardo Bolsonaro acreditava que Donald Trump poderia “virar as costas” para Jair Bolsonaro caso a “anistia light” avançasse. Esse receio reforça a dependência simbólica do bolsonarismo em relação ao apoio internacional, sobretudo do ex-presidente americano.
Para os investigadores, essa postura demonstra um comportamento de subordinação de interesses nacionais a interesses externos, ao priorizar a manutenção de uma imagem alinhada ao trumpismo em detrimento da autonomia política brasileira.
Conversas extraídas do celular de Jair Bolsonaro
Durante a perícia no celular de Jair Bolsonaro, a PF recuperou áudios e mensagens apagadas que reforçam a articulação entre o ex-presidente, Eduardo Bolsonaro e Silas Malafaia. Segundo o relatório, o material revela esforços para mobilizar apoiadores, difundir conteúdos contra autoridades e pressionar o STF.
Essas provas consolidam a tese de que havia uma rede coordenada de comunicação, cujo objetivo seria criar instabilidade institucional e reforçar narrativas de perseguição política.
A influência das redes sociais
O documento também aponta que Eduardo Bolsonaro passou a intensificar suas publicações em inglês nas redes sociais. O objetivo era claro: alcançar audiência internacional, sensibilizar políticos estrangeiros e projetar uma imagem de que Jair Bolsonaro seria vítima de perseguição.
A estratégia, segundo a PF, configurava uma tentativa de interferir no curso processual no Brasil por meio da pressão externa, evidenciando o alcance da operação de comunicação digital montada pelo bolsonarismo.
O envolvimento de Silas Malafaia
Além de Eduardo Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia também aparece como peça importante na investigação. De acordo com a PF, ele estimulava Jair Bolsonaro a “disparar” vídeos com mensagens de mobilização. Esse tipo de atuação foi visto pelos investigadores como um reforço à tentativa de pressionar autoridades judiciais e políticas.
Malafaia foi alvo de busca e apreensão e teve seu passaporte retido, estando agora proibido de deixar o Brasil. Sua participação reforça o elo entre religião, política e redes de influência dentro do movimento bolsonarista.
O papel do STF na contenção da crise
O Supremo Tribunal Federal, diante das evidências apresentadas, tem buscado demonstrar firmeza ao responder às tentativas de obstrução de investigações. O indiciamento de Eduardo Bolsonaro e Jair Bolsonaro reforça essa postura.
Ao mesmo tempo, a atuação do STF é vista como um divisor de águas para o futuro da democracia brasileira, uma vez que delimita até onde figuras públicas podem ir ao tentar manipular ou interferir em processos judiciais.
Impactos políticos para Eduardo Bolsonaro
O indiciamento fragiliza a imagem de Eduardo Bolsonaro, que já vinha sendo apontado como possível herdeiro político do pai em eleições futuras. Agora, seu futuro dependerá do desfecho judicial e da capacidade de manter apoio entre bases eleitorais e líderes internacionais.
A associação direta entre seu nome e tentativas de obstrução de Justiça pode reduzir o espaço de manobra política, ainda que ele continue sendo um dos principais porta-vozes do bolsonarismo.
O caso envolvendo Eduardo Bolsonaro representa mais um capítulo das investigações sobre os atos de 8 de janeiro de 2023. Suas mensagens ao pai, recuperadas pela Polícia Federal, revelam a importância que o deputado atribuía ao apoio internacional e sua tentativa de condicionar decisões políticas à manutenção da parceria com os Estados Unidos.
O indiciamento do parlamentar, ao lado de Jair Bolsonaro e Silas Malafaia, reforça o cerco judicial contra o núcleo mais próximo do bolsonarismo e evidencia os riscos de se utilizar a política externa e a mobilização digital como instrumentos de pressão contra instituições brasileiras.
Os próximos meses serão decisivos para definir até onde irão as consequências desse processo, tanto para a trajetória de Eduardo quanto para o futuro político de Jair Bolsonaro e de seu grupo mais fiel.






