Café brasileiro bate recorde de exportações e projeta safra histórica para 2026, mesmo com tarifaço dos EUA
O café brasileiro atravessa um momento singular. Em 2024, o país registrou recorde de exportações, superando 50 milhões de sacas enviadas ao exterior. Agora, as perspectivas apontam para uma safra histórica em 2026, mesmo diante das dificuldades impostas pelo aumento das tarifas dos Estados Unidos para até 50% sobre produtos vindos do Brasil.
A combinação de forte demanda internacional, investimentos em produtividade e expansão da área cultivada coloca o Brasil em posição de destaque absoluto no mercado global, reforçando o título de maior produtor e exportador de café do mundo.
Exportações recordes e produção em alta
O desempenho do café brasileiro em 2024 foi impressionante: 50,5 milhões de sacas exportadas. Esse resultado reflete não apenas o aumento da produção, mas também a força da demanda global, especialmente da Ásia e da Europa.
A Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) projeta para a safra 2025/2026 um volume de 55,7 milhões de sacas, crescimento de 2,7% em relação ao ciclo anterior. A área cultivada chegou a 412,6 mil hectares, com alta de 0,3% em 2025 e destaque para o avanço de 5,3% nas áreas em formação.
Esse movimento de expansão está associado à renovação de cafezais, investimentos em tecnologia e estratégias para aumentar a produtividade com sustentabilidade.
Tarifaço dos EUA e resiliência do setor
Mesmo com o aumento das tarifas promovido pelo governo americano, o café brasileiro mostra resiliência. As exportações para outros mercados ganharam força, especialmente na Europa, que antecipou compras diante da entrada em vigor da nova legislação ambiental da União Europeia (EUDR) prevista para 2026.
Além disso, o consumo na Ásia, com destaque para a China, cresce de forma acelerada. Estima-se que o país já conte com mais de 300 milhões de consumidores regulares de café, impulsionando uma transformação cultural que favorece diretamente os produtores brasileiros.
Consumo global em ascensão
O consumo mundial de café cresce, em média, 2% ao ano — o equivalente a dois milhões de toneladas adicionais a cada ciclo. Esse aumento garante espaço para a expansão da produção sem necessariamente provocar queda de preços.
Na China, redes de cafeterias atraem milhares de novos clientes diariamente, consolidando o país como um dos principais motores do crescimento do mercado. Para o café brasileiro, esse cenário representa uma oportunidade estratégica de diversificação e fortalecimento da presença internacional.
Sustentabilidade como diferencial competitivo
Um dos grandes trunfos do café brasileiro é o compromisso com a sustentabilidade. O Código Florestal obriga produtores a preservar entre 20% e 80% das propriedades, dependendo do bioma. Esse rigor ambiental se tornou diferencial competitivo frente às exigências globais.
Além disso, práticas de manejo sustentável, rastreabilidade e certificações internacionais reforçam a imagem do Brasil como fornecedor confiável, em sintonia com as novas demandas do mercado europeu e de consumidores cada vez mais atentos à origem do que consomem.
Custos de produção e volatilidade do mercado
Apesar do otimismo, produtores enfrentam desafios relacionados aos custos e à volatilidade do mercado. A flutuação dos preços internacionais, influenciada por fatores climáticos, geopolíticos e pela atuação de fundos de investimento, exige cautela na gestão financeira.
Em 2025, o preço médio da libra-peso do café oscilou entre 395 e 451 centavos de dólar, bem acima do valor registrado no ano anterior. Essa variação mostra como a volatilidade pode impactar tanto lucros quanto estratégias de comercialização.
Papel da diplomacia e negociações internacionais
A superação das barreiras tarifárias impostas pelos EUA dependerá da diplomacia entre os governos. O setor cafeeiro, representado por entidades como o Cecafé, atua junto a associações americanas para mostrar a importância do café brasileiro para a economia global.
O alinhamento diplomático e o fortalecimento do diálogo internacional serão cruciais para evitar que as tarifas prejudiquem o ritmo de crescimento do setor.
Legislação europeia e oportunidades futuras
Outro fator relevante é a legislação ambiental da União Europeia, que passará a vigorar em 2026. A antecipação de compras pelos importadores europeus em 2024 impulsionou as exportações brasileiras, reforçando o protagonismo do país no fornecimento mundial de café.
Esse cenário, aliado às perspectivas de safra recorde, indica que o café brasileiro seguirá expandindo sua influência nos próximos anos, consolidando o país como líder absoluto no mercado.
O café brasileiro vive um ciclo de prosperidade, sustentado por recordes de exportação, investimentos em produtividade e crescente demanda internacional. Mesmo diante de obstáculos como o tarifaço dos EUA e a volatilidade do mercado, o setor projeta uma safra histórica para 2026.
A resiliência, a sustentabilidade e a força diplomática do Brasil garantem ao café nacional uma posição estratégica no comércio global, com potencial para seguir como protagonista absoluto no agronegócio mundial.






