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Operação Blasfêmia: polícia do Rio desmonta call center que vendia orações e milagres

Ações miram quadrilha que explorava fé para aplicar golpes

por Redação
24/09/2025
em Brasil, Destaque, Notícias
Operação Blasfêmia: Polícia Do Rio Desmonta Call Center Que Vendia Orações E Milagres - Gazeta Mercantil

Operação Blasfêmia: Polícia Civil do Rio desarticula call center que vendia orações e prometia milagres

A operação Blasfêmia, deflagrada nesta quarta-feira (24/09/2025) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro em conjunto com o Ministério Público fluminense, revelou uma sofisticada estrutura criminosa que usava a fé e a religiosidade de milhares de brasileiros como instrumento de fraude. O grupo, por meio de um call center localizado em Niterói, Região Metropolitana do Rio, cobrava por “orações”, promessas de curas e milagres, com valores que chegavam a R$ 1,5 mil por atendimento.

De acordo com as investigações, em apenas dois anos de atuação a quadrilha teria movimentado cerca de R$ 3 milhões. O golpe usava mensagens, áudios gravados e até a identidade falsa de um líder religioso para convencer as vítimas.


Estrutura profissional de um call center do crime

O que mais chamou atenção das autoridades foi o nível de organização do grupo. A central de telemarketing contava com dezenas de atendentes contratados por meio de anúncios em plataformas digitais de emprego. A função não exigia vínculo religioso; os profissionais eram treinados especificamente para se passar por representantes de uma igreja de São Gonçalo.

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Durante os atendimentos pelo WhatsApp, os operadores usavam áudios previamente gravados de um falso pastor. A cada promessa de “cura” ou “milagre”, vinha também o valor a ser transferido — via Pix — que variava entre R$ 20 e R$ 1.500.


Esquema financeiro e divisão de comissões

O dinheiro arrecadado era distribuído em uma rede de contas bancárias abertas em nome de terceiros, estratégia para dificultar o rastreamento pelas autoridades. O esquema ainda incluía comissões para atendentes, que eram pagos conforme o número de “orações vendidas”. Quem não alcançava a meta mínima era dispensado, o que revela o caráter empresarial da quadrilha.

A profissionalização ia além da rotina: havia metas, remuneração variável e treinamento intensivo para aumentar a taxa de convencimento das vítimas.


Crimes investigados pela operação Blasfêmia

A investigação aponta que o grupo será responsabilizado por uma série de crimes:

  • Estelionato

  • Charlatanismo

  • Curandeirismo

  • Associação criminosa

  • Falsa identidade

  • Crimes contra a economia popular

  • Corrupção de menores

  • Lavagem de dinheiro

O suposto líder religioso, junto a outros 22 integrantes do grupo, já foi denunciado. Além disso, foi determinada a utilização de tornozeleira eletrônica ao pastor envolvido.


Início das investigações e primeiras apreensões

A operação Blasfêmia começou a ser desenhada em fevereiro de 2025, quando a polícia identificou a existência do call center. Durante uma ação inicial, 42 pessoas foram flagradas em atendimento virtual no local.

Na ocasião, os agentes apreenderam:

  • 52 celulares

  • 6 notebooks

  • 149 chips e cartões pré-pagos

A análise desse material foi essencial para confirmar a atuação coordenada e dimensionar o número de vítimas em todo o Brasil.


Milhares de vítimas em todo o país

As autoridades acreditam que milhares de fiéis tenham sido enganados pelo grupo criminoso. O apelo à fé foi usado como estratégia de persuasão, especialmente em situações de fragilidade, como problemas de saúde ou crises financeiras.

O risco de exploração da religiosidade é um fenômeno recorrente em golpes digitais. Nesse caso, a quadrilha se aproveitava da confiança depositada na figura de líderes religiosos para ampliar seu alcance.


Repercussão e simbolismo da operação

A operação Blasfêmia ganhou destaque não apenas pelo montante movimentado, mas pelo caráter simbólico de um crime que explorava diretamente a espiritualidade da população. A escolha do nome da operação remete à prática de usar a fé de maneira deturpada para benefício próprio.

O caso reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade de fiéis diante de promessas de curas milagrosas, além da necessidade de maior fiscalização sobre atividades suspeitas conduzidas em nome da religião.


A fé como alvo de golpes digitais

Nos últimos anos, autoridades policiais têm identificado um aumento de crimes cibernéticos ligados ao uso indevido da religião. Estruturas como a descoberta na operação Blasfêmia mostram como o crime organizado adota estratégias de empresas legítimas para atrair vítimas.

Ao oferecer uma falsa sensação de proximidade com figuras religiosas, os criminosos ampliam o alcance das fraudes e dificultam a reação imediata dos enganados. O uso de Pix e contas de laranjas acelera a movimentação do dinheiro e torna mais difícil o rastreamento.


Próximos passos das investigações

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio continuarão a análise dos dados apreendidos para identificar todos os envolvidos e rastrear o destino dos recursos. A expectativa é que novas prisões ocorram e que mais detalhes sobre a rede de vítimas sejam revelados.

As autoridades reforçam o alerta: a fé não deve ser explorada como moeda de troca, e nenhum líder religioso pode cobrar por milagres ou orações.

A operação Blasfêmia trouxe à tona um dos esquemas mais ousados já registrados no Rio de Janeiro, em que a fé foi transformada em produto de mercado criminoso. O desmonte do call center que vendia orações reforça a importância da fiscalização e do combate às fraudes que atingem a população em seu aspecto mais sensível: a espiritualidade.

Ao mesmo tempo em que expõe as práticas criminosas, a operação serve como alerta para fiéis de todo o país ficarem atentos a mensagens, promessas de cura e cobranças suspeitas feitas em nome da fé.

Tags: call center vendia oraçõesgolpes religiosos no Riooperação BlasfêmiaPolícia Civil do Rioquadrilha explorava fételemarketing fraudulento religiãovenda de milagres

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