PEC da Blindagem: Senado arquiva proposta após rejeição na CCJ
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), determinou nesta quarta-feira (24/09/2025) o arquivamento da PEC da Blindagem, proposta que buscava restringir o alcance do Judiciário sobre deputados e senadores. O texto previa que parlamentares só poderiam ser processados criminalmente mediante autorização prévia da Câmara ou do Senado, com votação secreta.
A decisão veio após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) rejeitar a proposta por unanimidade, considerando-a inconstitucional. Para Alcolumbre, não há espaço para que o plenário delibere sobre um tema que já foi invalidado pela comissão.
O que previa a PEC da Blindagem
A PEC da Blindagem buscava alterar a Constituição de 1988 para restabelecer prerrogativas parlamentares que haviam sido flexibilizadas em reformas posteriores. Entre os pontos centrais da proposta, estavam:
-
Exigência de autorização prévia da Câmara ou do Senado para processar deputados e senadores.
-
Votação secreta dos parlamentares para autorizar ou barrar a abertura de ações.
-
Reforço à tese de que parlamentares não poderiam ser alvo direto do Supremo Tribunal Federal (STF) sem aval do Legislativo.
Defensores do texto alegavam que a medida era uma reação ao que consideravam “excessos do STF” e que representava um resgate das garantias originais da Constituição.
A posição da CCJ
Sob a presidência do senador Otto Alencar (PSD-BA) e com relatoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), a CCJ foi categórica: a proposta afrontava os princípios constitucionais e comprometeria o combate à corrupção.
A rejeição unânime demonstrou amplo consenso entre os senadores de diferentes partidos de que a PEC da Blindagem não deveria avançar. Para a comissão, a aprovação significaria blindagem indevida contra processos judiciais, esvaziando mecanismos de fiscalização e punição em casos de ilícitos.
Reação do Senado
Ao anunciar o arquivamento definitivo, Alcolumbre destacou que a decisão se apoia no regimento interno e que não cabe ao plenário votar um texto considerado inconstitucional. O gesto foi interpretado como uma sinalização de respeito às regras institucionais e de alinhamento ao clima político contrário à proposta.
A decisão também evitou prolongar um debate que já vinha mobilizando sociedade civil, entidades de combate à corrupção e movimentos populares contrários à PEC.
Mobilização social contra a proposta
No último domingo (21/09), manifestações em diversas cidades do Brasil reforçaram a rejeição popular à PEC da Blindagem. Movimentos sociais, organizações da sociedade civil e cidadãos foram às ruas para criticar a proposta, apontando que ela poderia inviabilizar processos contra parlamentares acusados de corrupção, principalmente em casos ligados ao uso de emendas parlamentares.
Esse clima de pressão popular foi um dos elementos que contribuíram para a decisão unânime da CCJ e para o arquivamento imediato pelo presidente do Senado.
A origem da articulação na Câmara
Antes de chegar ao Senado, a PEC da Blindagem havia sido articulada por líderes da Câmara com apoio de parte da oposição, liderada pelo Partido Liberal (PL). A proposta havia sido aprovada na Câmara por maioria, mas enfrentou resistência crescente à medida que avançava para o Senado.
Especialistas apontam que a rápida mudança no cenário político, marcada por protestos populares e críticas de juristas, isolou os defensores da PEC e inviabilizou sua tramitação.
Críticas de especialistas
Juristas e entidades de combate à corrupção classificaram a PEC da Blindagem como um retrocesso institucional. Para eles, a medida criaria obstáculos à responsabilização de parlamentares e enfraqueceria a democracia.
A principal crítica é que a proposta permitiria que os próprios pares decidissem se um deputado ou senador poderia ou não ser processado, o que abriria espaço para impunidade e acordos políticos.
Impactos do arquivamento
O arquivamento definitivo da PEC da Blindagem reforça a posição do Senado como instância de equilíbrio no sistema político brasileiro. Ao barrar a proposta, a Casa preserva mecanismos de controle e evita que o Legislativo seja visto como um espaço de proteção corporativa.
Além disso, a decisão fortalece a percepção de que a sociedade civil organizada tem peso no processo legislativo, já que as manifestações populares tiveram papel decisivo no desfecho.
O fim da tramitação da PEC da Blindagem mostra que o Congresso ainda responde à pressão social e aos limites constitucionais. Embora tenha sido aprovada na Câmara, a proposta encontrou resistência no Senado e foi considerada inconstitucional pela CCJ.
O episódio reforça a importância do equilíbrio entre os Poderes e mostra que a tentativa de restringir o alcance da Justiça sobre parlamentares não encontra mais espaço no cenário político atual.






