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Movimento reúne 20,4 mil em SP e 4,7 mil no Rio com críticas a Lula e STF, aponta USP

por Júlia Campos
02/03/2026 às 08h59
em Política
Acorda Brasil Reúne 20,4 Mil Em Sp E 4,7 Mil No Rio Com Críticas A Lula E Stf, Aponta Usp - Gazeta Mercantil

Acorda Brasil mobiliza 20,4 mil em SP e 4,7 mil no Rio com críticas a Lula e ministros do STF, aponta USP

As manifestações do movimento Acorda Brasil reuniram 20,4 mil pessoas em São Paulo e 4,7 mil no Rio de Janeiro neste domingo (1º), segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap em parceria com a ONG More in Common. Os atos, marcados por críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), também ocorreram em capitais como Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Goiânia, Recife, Porto Alegre, Curitiba e Fortaleza.

Leia também: Raio atinge manifestantes em ato pró-Bolsonaro em Brasília e deixa dezenas de feridos

De acordo com a metodologia adotada pelos pesquisadores, os números foram calculados a partir da análise de imagens aéreas com uso de software de inteligência artificial, considerando margem de erro de 12%. O levantamento posiciona o Acorda Brasil entre as maiores mobilizações de rua da oposição registradas neste ano, embora abaixo dos picos observados em ciclos anteriores de protestos pró-Bolsonaro.

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O movimento teve como principais bandeiras a defesa de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, críticas a decisões do STF e questionamentos à condução política e econômica do governo federal.


USP detalha metodologia e aponta margem de erro

O Monitor do Debate Político da USP/Cebrap informou que a estimativa para o Acorda Brasil em São Paulo foi realizada no horário de pico, às 15h53, quando a concentração na Avenida Paulista atingiu seu maior contingente. O público estimado de 20,4 mil pessoas pode ter variado entre 18 mil e 22,9 mil participantes, dentro da margem estatística prevista.

No Rio de Janeiro, o ápice ocorreu na Praia de Copacabana, com estimativa de 4,7 mil pessoas concentradas na Avenida Atlântica, na altura da Rua Miguel Lemos. A medição seguiu os mesmos critérios técnicos aplicados na capital paulista.

A metodologia adotada pela USP é considerada uma das mais consolidadas do país para mensuração de atos públicos, sendo amplamente utilizada por veículos de imprensa e instituições acadêmicas para aferição independente de público.


Avenida Paulista concentra maior ato do Acorda Brasil

Em São Paulo, o Acorda Brasil teve início às 14h e foi encerrado por volta das 17h na Avenida Paulista, tradicional palco de manifestações políticas nacionais. O evento reuniu lideranças de destaque do campo conservador e parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Participaram do ato o senador Flávio Bolsonaro (PL), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), o deputado federal Guilherme Derrite (Progressistas), os governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União-GO), além do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não compareceu ao Acorda Brasil em São Paulo devido a compromissos oficiais na Alemanha. Michelle Bolsonaro também não esteve presente.

Discursos ao longo da tarde reforçaram críticas à atuação do STF, especialmente em relação aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além de cobranças direcionadas ao governo Lula.


Copacabana recebe mobilização no Rio

No Rio de Janeiro, o Acorda Brasil ocorreu na orla de Copacabana, reunindo manifestantes vestidos de verde e amarelo, portando bandeiras nacionais e faixas com críticas ao Executivo e ao Judiciário.

Entre as pautas defendidas estavam a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, pedidos de “liberdade para Bolsonaro” e críticas diretas a decisões do Supremo Tribunal Federal. O ato foi encerrado no início da tarde, mantendo perfil pacífico, segundo registros das autoridades locais.


Atos se espalham por capitais e reforçam mobilização nacional

Além de São Paulo e Rio de Janeiro, o Acorda Brasil registrou mobilizações em diferentes regiões do país, consolidando o caráter nacional do movimento.

Belo Horizonte

Na capital mineira, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), o deputado estadual Bruno Engler (PL) e o governador Romeu Zema discursaram durante o ato, defendendo revisão de decisões judiciais e maior protagonismo do Congresso Nacional.

Distrito Federal

Em Brasília, a manifestação ocorreu em frente ao Museu Nacional, com a presença dos senadores Izalci Lucas (PL), Rogério Marinho (PL) e Eduardo Girão (Novo), além dos deputados federais Alberto Fraga (PL) e Bia Kicis (PL-DF).

Salvador

No Farol da Barra, manifestantes participaram do Acorda Brasil portando faixas e bandeiras do Brasil, em mobilização acompanhada por lideranças locais.

Goiânia

O ato percorreu a Avenida Assis Chateaubriand até a Praça Cívica, com discursos favoráveis à anistia dos envolvidos nos atos de janeiro e críticas à condução política do governo federal.

Recife, Porto Alegre e Curitiba

Em Recife, o protesto ocorreu na Avenida Boa Viagem. Em Porto Alegre, o ponto de encontro foi o Parque Moinhos de Vento. Já em Curitiba, o Acorda Brasil reuniu participantes na região da Boca Maldita, tradicional espaço de manifestações políticas.

Fortaleza e outras capitais

Fortaleza registrou concentração na Praça Portugal, com participação de parlamentares estaduais e federais. Atos também ocorreram em Maceió, Campo Grande e Aracaju, com pautas semelhantes às registradas nas principais capitais.


Pautas centrais: anistia e críticas ao STF

O eixo central do Acorda Brasil foi a defesa de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Manifestantes também criticaram decisões recentes do STF e questionaram o que classificam como “ativismo judicial”.

Faixas com frases como “ditadura veste toga” e “fora Moraes” foram registradas em diferentes cidades. Lideranças presentes nos palanques defenderam maior equilíbrio entre os Poderes e criticaram medidas adotadas pelo governo Lula na condução da economia e da política institucional.


Impacto político e leitura estratégica

Especialistas avaliam que o Acorda Brasil representa uma demonstração de mobilização relevante da base conservadora, embora com números inferiores a grandes atos realizados em anos anteriores. O volume de 20,4 mil pessoas na Avenida Paulista, segundo a USP, indica capacidade de convocação organizada, mas distante dos picos históricos do bolsonarismo.

No Rio, o contingente de 4,7 mil participantes reforça o engajamento regional, ainda que com adesão menor do que em momentos de maior polarização eleitoral.

A presença de governadores e parlamentares sugere que o Acorda Brasil também cumpre papel estratégico na consolidação de lideranças para o ciclo político de 2026, funcionando como termômetro da mobilização de rua.


O que os números indicam para o cenário nacional

A aferição independente da USP confere maior previsibilidade à análise do impacto do Acorda Brasil. Ao estabelecer parâmetros técnicos, o levantamento reduz disputas narrativas sobre o tamanho das mobilizações.

Para analistas políticos, os dados indicam que a oposição mantém capacidade de organização nacional, ainda que enfrente o desafio de ampliar a base de apoio em comparação com ciclos anteriores.

O movimento Acorda Brasil sinaliza, portanto, que a disputa política segue intensa no ambiente institucional e nas ruas, com reflexos diretos sobre o debate público e a agenda do Congresso Nacional.


Mobilização nacional mantém pressão sobre governo e STF

O Acorda Brasil encerra o domingo com a consolidação de uma mobilização coordenada em diversas capitais, reforçando o ambiente de polarização que marca o cenário político brasileiro.

Com estimativas técnicas apontando 20,4 mil pessoas em São Paulo e 4,7 mil no Rio, o movimento demonstra presença organizada, engajamento político e articulação nacional. A leitura estratégica do ato deve influenciar os próximos movimentos da oposição e o posicionamento institucional diante das pautas defendidas nas ruas.

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