A agenda econômica desta quinta-feira (5) reúne indicadores de atividade no Brasil, uma nova decisão de juros no exterior e dados de inflação europeia que podem influenciar o comportamento do Ibovespa, do dólar e das taxas de juros futuros. No mercado brasileiro, os investidores avaliam principalmente os efeitos da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a Selic em 13,75% ao ano na quarta-feira (4), interrompendo a sequência de reduções da taxa básica.
A manutenção dos juros ocorre em um ambiente de maior volatilidade cambial, incertezas fiscais e preocupação com a trajetória da inflação. A decisão do Banco Central já era amplamente esperada, mas a avaliação dos investidores depende também das sinalizações do comunicado sobre a duração da pausa no ciclo de flexibilização monetária. Uma perspectiva de juros elevados por mais tempo tende a afetar as expectativas para o crédito, o crescimento econômico e a avaliação das empresas negociadas na Bolsa.
A divulgação da produção industrial de setembro, prevista para as 9h pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), será um dos principais acontecimentos da manhã. O indicador permitirá avaliar o desempenho das fábricas brasileiras antes do período de maior instabilidade financeira observado após as eleições de outubro. No exterior, a decisão do Banco da Inglaterra, os números de inflação ao produtor na zona do euro e novos indicadores de atividade completam o calendário.
Produção industrial e PMI mostram o ritmo da economia brasileira
O IBGE divulga nesta quinta-feira os resultados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), referentes a setembro. O levantamento acompanha a evolução da produção das indústrias extrativas e de transformação e oferece informações importantes sobre o comportamento da atividade econômica no terceiro trimestre.
Os dados serão analisados em conjunto com a decisão mais recente do Copom, especialmente porque o Banco Central precisa equilibrar o combate à inflação com os sinais de desaceleração econômica. Um resultado industrial abaixo das expectativas pode reforçar a percepção de perda de dinamismo da atividade, enquanto números mais fortes podem indicar maior resistência da economia aos efeitos dos juros elevados.
A reação dos mercados dependerá não apenas do resultado mensal, mas também das revisões de períodos anteriores, do comportamento dos diferentes segmentos industriais e da comparação com as projeções dos analistas. Setores ligados ao consumo, à produção de bens de capital e à fabricação de bens intermediários podem oferecer indicações sobre a evolução dos investimentos e da demanda doméstica.
Às 10h, a S&P Global tem programada a divulgação dos índices de gerentes de compras (PMIs) dos setores de serviços e da economia composta, referentes a outubro. Os indicadores são calculados a partir de pesquisas com empresas e representam uma leitura mais recente das condições de negócios do setor privado.
A referência de 50 pontos é utilizada para distinguir expansão e contração da atividade. Resultados acima desse patamar indicam crescimento em relação ao mês anterior, enquanto leituras inferiores sinalizam retração. As informações sobre emprego, novos pedidos e preços cobrados pelas empresas também serão acompanhadas por sua relevância para as perspectivas de inflação.
Copom mantém Selic em 13,75% e mercado avalia próximos passos
A decisão do Copom de interromper o ciclo de cortes da Selic permanece como um dos principais fatores de influência sobre os ativos brasileiros nesta quinta-feira. A manutenção da taxa em 13,75% ao ano representa uma mudança em relação às cinco reuniões anteriores, nas quais o Banco Central havia reduzido gradualmente o custo básico do dinheiro.
O ambiente externo mais adverso, as pressões sobre o preço do petróleo e as incertezas em torno das expectativas de inflação contribuem para a necessidade de cautela na política monetária. No cenário doméstico, a evolução do câmbio e a percepção sobre a política fiscal também são elementos relevantes para a avaliação dos riscos inflacionários.
Para o mercado de ações, a perspectiva de juros elevados tende a exercer maior pressão sobre empresas que dependem de financiamento e sobre setores sensíveis ao consumo. Companhias com níveis elevados de endividamento podem enfrentar custos financeiros maiores, enquanto instituições financeiras, exportadoras e empresas com receitas dolarizadas apresentam exposições distintas às mudanças nas taxas de juros e no câmbio.
No mercado de moedas, os investidores acompanham a diferença entre os juros brasileiros e americanos, além da percepção internacional de risco. Embora a Selic elevada possa favorecer operações de investimento em reais, esse efeito pode ser neutralizado por movimentos de aversão ao risco e pela procura de proteção em dólar.
A próxima reunião do Copom será acompanhada com atenção, mas a divulgação da ata referente ao encontro desta semana, prevista para terça-feira (10), deverá oferecer informações adicionais sobre os argumentos considerados pelos integrantes do colegiado.
Banco da Inglaterra anuncia juros e inflação europeia entra no radar
No cenário internacional, o principal evento de política monetária desta quinta-feira será a decisão do Banco da Inglaterra (BoE), marcada para as 9h, no horário de Brasília. A instituição também divulgará a ata da reunião e uma nova edição do Relatório de Política Monetária, documentos que poderão apresentar atualizações sobre as perspectivas de inflação e crescimento econômico no Reino Unido.
Na reunião anterior, realizada em setembro, a autoridade monetária britânica manteve sua taxa básica em 3,75% ao ano. Na ocasião, seis integrantes do comitê votaram pela manutenção, enquanto três defenderam uma elevação de 0,25 ponto percentual. A divisão evidenciou preocupações com a persistência da inflação, particularmente diante dos efeitos do encarecimento da energia.
A nova decisão será relevante para o comportamento da libra esterlina, dos títulos públicos britânicos e das expectativas sobre a política monetária internacional. Uma sinalização mais restritiva poderá fortalecer a percepção de que os bancos centrais precisarão manter juros elevados por mais tempo, dependendo da evolução dos preços.
Na zona do euro, a Eurostat divulgou nesta quinta-feira que os preços ao produtor industrial subiram 2,5% em setembro em relação a agosto. Na comparação com setembro de 2025, a elevação chegou a 11,1%. Os preços de energia tiveram participação importante nesse movimento, com aumento mensal de 7,8% e avanço anual de 30,8%.
Esses números reforçam a atenção sobre os efeitos dos custos energéticos na inflação europeia e podem influenciar as expectativas para a atuação do Banco Central Europeu (BCE). O mercado também acompanha indicadores de atividade no setor de construção e manifestações de autoridades monetárias, em busca de sinais sobre os próximos movimentos dos juros.
Agenda econômica desta quinta-feira, 5 de novembro
Os principais indicadores e eventos previstos para o dia, em horário de Brasília, são:
Horário
Indicador ou evento
País ou região
5h30
PMI da construção de outubro
Zona do euro
6h30
PMI da construção de outubro
Reino Unido
7h
Inflação ao produtor de setembro
Zona do euro
9h
Produção industrial de setembro
Brasil
9h
Decisão de juros e ata do Banco da Inglaterra
Reino Unido
10h
PMIs de serviços e composto de outubro
Brasil
21h30
PMIs de serviços e composto de outubro
Japão
Os horários de divulgação estão sujeitos a ajustes pelas instituições responsáveis. O calendário reúne eventos já ocorridos e indicadores ainda previstos para esta quinta-feira.
O que pode influenciar o Ibovespa e o dólar hoje
A reação dos ativos brasileiros deverá depender da combinação entre o cenário monetário doméstico e as informações divulgadas ao longo do dia. A decisão do Copom estabelece o principal ponto de referência para a curva de juros, enquanto a produção industrial e os PMIs permitirão avaliar se a atividade econômica apresenta sinais adicionais de enfraquecimento.
No exterior, a comunicação do Banco da Inglaterra poderá alterar as expectativas sobre os juros globais e afetar o comportamento das moedas. Os dados de inflação europeia, por sua vez, acrescentam um elemento de preocupação com a persistência das pressões sobre os preços industriais.
O Ibovespa poderá apresentar desempenhos distintos entre seus principais setores, conforme os investidores ajustem as projeções de lucro, atividade e custo de capital. Já o dólar continuará sensível à demanda internacional pela moeda americana, à percepção de risco fiscal brasileiro e à evolução dos rendimentos dos títulos públicos.
A divulgação dos indicadores brasileiros nas primeiras horas de negociação e a decisão britânica no mesmo período concentram os principais eventos capazes de provocar mudanças nas expectativas durante a manhã. Ao longo da sessão, a interpretação desses resultados poderá determinar o comportamento dos juros futuros e o apetite por ativos de maior risco.
Fontes:
Banco Central do Brasil — Histórico da taxa Selic e comunicados do Comitê de Política Monetária.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — Calendário oficial de divulgações da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física, novembro de 2026.
S&P Global — Calendário oficial de divulgação dos índices de gerentes de compras (PMIs).
Bank of England — Calendário do Comitê de Política Monetária e divulgação prevista para 5 de novembro de 2026.
Eurostat — Industrial producer prices, setembro de 2026, divulgado em 5 de novembro de 2026.








