O Assaà (ASAI3) aprovou seu quarto programa de recompra de ações, que permitirá a aquisição de até 11 milhões de papéis ordinários negociados na B3. A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração da Sendas Distribuidora, controladora operacional da rede de atacarejo, na quinta-feira (5), e ocorre em um momento de recuperação do lucro e redução do endividamento. O volume autorizado equivale a aproximadamente 0,814% das ações em circulação no mercado.
O programa terá duração de até 12 meses, contados a partir desta sexta-feira (6), e as aquisições serão realizadas a preços de mercado, mediante utilização de recursos disponÃveis da companhia. As ações recompradas poderão permanecer em tesouraria para posterior alienação ou cancelamento, conforme as decisões da administração e as condições previstas na regulamentação do mercado de capitais.
Segundo o fato relevante encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a iniciativa busca maximizar a geração de valor aos acionistas por meio da gestão eficiente da estrutura de capital e do aproveitamento de oportunidades de mercado. A autorização, entretanto, não obriga a companhia a adquirir a totalidade dos papéis previstos. A quantidade efetivamente recomprada dependerá das condições de negociação e das decisões adotadas durante a vigência do programa.
A aprovação ocorreu no mesmo dia em que o Assaà divulgou seus resultados do terceiro trimestre de 2026, marcados por crescimento de 55,2% no lucro lÃquido recorrente e pela continuidade do processo de desalavancagem financeira, uma das prioridades da companhia nos últimos exercÃcios.
Como funcionará a recompra de ações do AssaÃ
As operações serão executadas diretamente no mercado acionário brasileiro, por meio da B3, com preços determinados pelas condições de oferta e demanda no momento de cada aquisição. A Diretoria Executiva será responsável por definir o cronograma e os volumes negociados, respeitando os limites aprovados pelo Conselho de Administração e as regras estabelecidas pela CVM.
A recompra permite que uma companhia adquira parte de suas próprias ações, reduzindo a quantidade disponÃvel para negociação enquanto os papéis permanecerem em tesouraria. Caso sejam posteriormente cancelados, haverá redução definitiva do número de ações emitidas, o que poderá elevar a participação proporcional dos acionistas remanescentes, desde que não ocorram outras alterações no capital.
O efeito financeiro depende, porém, do destino dado aos papéis. Se as ações forem revendidas, o benefÃcio de uma eventual redução permanente da base acionária deixará de existir. Além disso, a recompra não corresponde a uma distribuição direta de dinheiro aos investidores, como ocorre com dividendos ou juros sobre capital próprio.
Para o AssaÃ, a iniciativa acrescenta um instrumento de administração de capital em um perÃodo no qual a empresa também procura preservar liquidez e reduzir despesas financeiras. A companhia poderá ajustar o ritmo das aquisições ao desempenho operacional e à disponibilidade de recursos, sem comprometer necessariamente o limite total autorizado.
Lucro recorrente do Assaà cresce 55,2% no terceiro trimestre
O Assaà encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro lÃquido recorrente de R$ 248 milhões, calculado antes dos efeitos do IFRS 16, crescimento de 55,2% sobre os R$ 160 milhões registrados entre julho e setembro do ano passado. O resultado reflete uma combinação de ganhos na margem comercial, controle de despesas e redução dos encargos financeiros, mesmo diante de um ambiente de consumo ainda pressionado.
O lucro lÃquido contábil, na mesma visão pré-IFRS 16 apresentada pela companhia, atingiu R$ 427 milhões, avanço de 119% em relação ao terceiro trimestre de 2025. A diferença entre os dois indicadores decorre principalmente do reconhecimento de R$ 179 milhões em créditos tributários extemporâneos de PIS e Cofins, classificados fora do resultado recorrente.
A receita bruta alcançou R$ 21,3 bilhões, alta de 2,7% na comparação anual, enquanto a receita lÃquida somou aproximadamente R$ 19 bilhões, crescimento de apenas 0,2%. As vendas nas mesmas lojas avançaram 0,1%, sinalizando que a expansão da receita permaneceu limitada pelo comportamento dos consumidores, particularmente aqueles mais sensÃveis ao nÃvel de endividamento e à s taxas de juros.
Apesar desse cenário, o fluxo de clientes aumentou 2,1%, superando 40 milhões de consumidores mensais. Segundo a companhia, parte das famÃlias manteve a frequência de compras, mas modificou a composição das cestas para adequar os gastos ao orçamento disponÃvel.
Margem bruta melhora e despesas financeiras recuam
A margem bruta ajustada pelos efeitos tributários alcançou 17,2% no trimestre, avanço de 0,45 ponto percentual em relação ao mesmo perÃodo de 2025. O desempenho reflete ajustes comerciais e melhorias operacionais implementadas pela administração em um ambiente de vendas com crescimento moderado.
As despesas operacionais aumentaram 4,2%, percentual inferior à inflação de 4,4% acumulada em 12 meses considerada pela companhia. O controle desses gastos ajudou a preservar a rentabilidade, embora o Ebitda ajustado tenha permanecido praticamente estável, em aproximadamente R$ 1,08 bilhão, com margem de 5,7% na visão pré-IFRS 16.
Outro fator relevante foi a redução dos encargos financeiros. O resultado financeiro recorrente ficou negativo em R$ 551 milhões, ante R$ 604 milhões negativos um ano antes, melhora de 8,8%. A companhia relacionou essa evolução à diminuição do endividamento médio, à redução dos custos de financiamento e ao menor peso das despesas com antecipação de recebÃveis.
O comportamento das despesas financeiras tem importância especial para o AssaÃ, cujo processo de expansão nos últimos anos exigiu investimentos expressivos. A redução gradual da dÃvida contribui para diminuir a parcela do resultado operacional consumida pelo pagamento de juros e pode ampliar a flexibilidade financeira da empresa.
Endividamento cai ao menor nÃvel desde a separação do GPA
A relação entre dÃvida lÃquida ajustada e Ebitda chegou a 2,15 vezes ao final de setembro, abaixo das 3,03 vezes registradas no terceiro trimestre de 2025 e das 2,37 vezes observadas no segundo trimestre deste ano. Segundo o AssaÃ, trata-se do menor patamar de alavancagem desde a cisão do GPA, concluÃda no fim de 2020.
A dÃvida lÃquida ficou próxima de R$ 10,8 bilhões, com redução de aproximadamente R$ 1,3 bilhão em 12 meses. A companhia encerrou o trimestre com disponibilidade total de liquidez de R$ 6,8 bilhões, enquanto a geração operacional de caixa acumulada em 12 meses alcançou cerca de R$ 3,3 bilhões.
Os indicadores reforçam a estratégia da administração de priorizar a redução do endividamento sem abandonar iniciativas de diversificação comercial. Nos últimos meses, o Assaà também avançou em projetos voltados à ampliação de serviços e novas fontes de receita, incluindo a aquisição de 18 postos de combustÃveis associados a lojas no estado de São Paulo.
A execução do programa de recompra deverá ser acompanhada pelo mercado em conjunto com a evolução da dÃvida e do fluxo de caixa. Embora a medida possa contribuir para a gestão da estrutura de capital, seu impacto dependerá do preço médio de aquisição, do volume efetivamente recomprado e da destinação posterior das ações. A companhia deverá divulgar eventuais movimentações e informações relevantes conforme as exigências regulatórias aplicáveis.
Fontes:
Assaà Atacadista — Fato Relevante de 5 de novembro de 2026, 4º Programa de Recompra de Ações, registrado na CVM.
Assaà Atacadista — Release de Resultados do terceiro trimestre de 2026, divulgado em 5 de novembro de 2026.
Assaà Atacadista — Ata da reunião do Conselho de Administração de 5 de novembro de 2026, referente à aprovação do programa de recompra.
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) — Resolução CVM nº 77/2022, sobre negociação de ações de própria emissão.








