Alexandre Frota participou neste último sábado, 3 de outubro, da caminhada de encerramento da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo e voltou a declarar apoio ao presidente na véspera do primeiro turno das eleições de 2026. O ex-deputado federal apareceu vestido de vermelho, usando adesivos de campanha e fazendo o gesto associado à candidatura petista durante o ato realizado na região da Avenida Paulista.
Horas antes da mobilização, Frota havia publicado uma gravação reafirmando que votaria em Lula. No vÃdeo, relacionou sua escolha à defesa da liberdade, fez crÃticas ao bolsonarismo e disse que apertaria o número 13 na urna.
A manifestação ganhou repercussão pela trajetória polÃtica de Frota, que participou ativamente da eleição de Jair Bolsonaro em 2018, foi eleito deputado federal pelo PSL e, menos de um ano depois, rompeu com o então presidente.
A aproximação com Lula, porém, não começou em 2026. Frota já havia declarado voto no petista nas eleições de 2022 e chegou a deixar o PSDB depois que setores da legenda apoiaram Bolsonaro no segundo turno daquele ano. Por isso, a presença no ato deste sábado representa uma reafirmação pública de uma mudança polÃtica ocorrida quatro anos antes, e não uma conversão eleitoral de última hora.
De apoiador de Bolsonaro a eleitor de Lula
Frota foi eleito deputado federal por São Paulo em 2018 com aproximadamente 155 mil votos, integrando o PSL, partido pelo qual Jair Bolsonaro chegou à Presidência.
Naquele perÃodo, ele fazia parte do grupo polÃtico identificado com o então candidato e participou da mobilização que levou Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
A relação se deteriorou rapidamente.
Em agosto de 2019, o PSL decidiu expulsar Frota após uma sequência de crÃticas ao governo e ao próprio presidente. A direção do partido afirmou na época que a decisão estava relacionada ao desalinhamento polÃtico do deputado com a legenda.
Depois da saÃda, Frota se filiou ao PSDB e passou a fazer crÃticas frequentes ao governo Bolsonaro.
O rompimento chegou ao ponto de o ex-deputado afirmar publicamente que havia trabalhado para ajudar a eleger Bolsonaro e que passaria a trabalhar para retirá-lo do poder.
Apoio a Lula já havia ocorrido em 2022
A mudança chegou ao voto presidencial nas eleições seguintes.
Em outubro de 2022, Frota anunciou que votaria em Lula e escreveu nas redes sociais que havia errado ao apoiar Bolsonaro quatro anos antes.
Na mesma ocasião, deixou o PSDB depois que o então governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, declarou apoio à reeleição de Bolsonaro no segundo turno.
Frota afirmou que não poderia permanecer em um partido que adotasse essa posição e disse que trabalharia pela eleição de Lula.
O ex-deputado também revelou naquele perÃodo que já havia votado no petista no primeiro turno de 2022.
Assim, o apoio manifestado agora possui uma continuidade polÃtica de pelo menos quatro anos.
A diferença é que, em 2026, Frota apareceu presencialmente em uma das principais atividades de encerramento da campanha presidencial de Lula.
Frota participou da caminhada em São Paulo
A caminhada de sábado reuniu Lula, o candidato ao governo paulista Fernando Haddad e diversas lideranças polÃticas na região central de São Paulo.
O ato começou por volta das 11h30 na rua Augusta e terminou aproximadamente às 12h45 na praça Roosevelt. A mobilização passou pela região da Avenida Paulista e funcionou como um dos últimos eventos públicos da campanha antes da votação deste domingo.
Frota foi fotografado com adesivos de candidatos ligados ao campo de apoio a Lula e também apareceu ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin.
A presença do ex-aliado de Bolsonaro chamou atenção justamente pelo contraste entre sua posição atual e o papel que exerceu durante a eleição de 2018.
Nas redes sociais, imagens de Frota no ato circularam ao longo do sábado.
TRE havia autorizado realização do evento
A caminhada ocorreu depois de uma disputa sobre a utilização das vias da região.
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo autorizou a realização do ato, suspendendo restrição anterior, mas determinou que a organização preservasse a circulação de veÃculos e obedecesse à s orientações da PolÃcia Militar e da Companhia de Engenharia de Tráfego.
Houve tensão no inÃcio da mobilização entre integrantes da campanha e policiais sobre o posicionamento dos carros de som e a liberação da via.
O episódio foi posteriormente contornado e a caminhada prosseguiu.
Lula utilizou o último grande ato de rua para pedir participação dos eleitores neste domingo e defender sua candidatura no primeiro turno.
Frota fez crÃticas ao grupo de Bolsonaro
Durante o ato, Frota voltou a fazer crÃticas ao grupo polÃtico do qual participou em 2018.
Em entrevista concedida durante a caminhada, defendeu o voto em Lula e relacionou sua posição atual à defesa da liberdade e ao combate à violência contra mulheres.
Também fez referência às investigações envolvendo o Banco Master ao criticar o campo adversário.
As declarações correspondem à posição polÃtica expressa pelo próprio Frota e não devem ser confundidas com conclusões judiciais sobre adversários ou pessoas investigadas.
Trajetória partidária passou por diferentes legendas
Depois de deixar o PSL, Frota passou por diferentes partidos.
Ingressou no PSDB em 2019 e disputou uma vaga de deputado estadual em 2022, mas não foi eleito.
No mesmo ano, deixou a legenda diante do apoio de integrantes tucanos a Bolsonaro e anunciou apoio a Lula.
Posteriormente, passou pelo Pros e chegou ao PDT, partido pelo qual foi eleito vereador de Cotia nas eleições municipais de 2024, com 2.893 votos.
O mandato, entretanto, não chegou ao fim previsto.
Em outubro de 2025, a Câmara Municipal de Cotia oficializou a perda do mandato depois de receber comunicação da Justiça Eleitoral sobre a suspensão dos direitos polÃticos de Frota em decorrência de condenação criminal com trânsito em julgado.
Por isso, ele deve ser identificado atualmente como ex-vereador de Cotia e ex-deputado federal, e não como vereador em exercÃcio.
Mudança polÃtica ocorreu ao longo de vários anos
A presença de Frota na campanha de Lula pode produzir uma imagem politicamente simbólica, mas sua trajetória mostra que a mudança não aconteceu de um dia para o outro.
A sequência começou com o apoio a Bolsonaro e a eleição pelo PSL em 2018.
Em 2019, veio o rompimento e a expulsão do partido.
Nos anos seguintes, Frota aprofundou as crÃticas ao bolsonarismo e, em 2022, declarou voto em Lula, afirmando publicamente que havia errado em sua escolha quatro anos antes.
A participação na caminhada deste sábado consolida essa posição na disputa de 2026.
Portanto, o fato novo não é Frota ter migrado agora do bolsonarismo para o lulismo, mas sua entrada presencial e pública em uma das principais mobilizações da campanha de Lula na véspera da eleição.
Fontes
Manifestação pública de Alexandre Frota nas redes sociais em 3 de outubro de 2026.
Registros da caminhada de encerramento da campanha de Lula em São Paulo.
Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo — decisão sobre a realização da caminhada na região da Avenida Paulista.
Câmara Municipal de Cotia — nota oficial sobre a perda do mandato de Alexandre Frota em outubro de 2025.
Registros públicos e reportagens de outubro de 2022 sobre a declaração de voto de Alexandre Frota em Lula e sua saÃda do PSDB.






