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Âmbar Energia amplia aposta da J&F no setor elétrico com compra de termelétricas da Bolognesi

Empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista adiciona 766 MW ao portfólio e reforça estratégia de expansão em geração, transmissão, distribuição e energia nuclear

por João Souza
12/05/2026 às 10h23
em Empresas
Âmbar Energia Gzt - Gazeta Mercantil

A Âmbar Energia, braço da J&F Investimentos no setor elétrico, confirmou nesta segunda-feira (11) a aquisição de cinco usinas termelétricas da Bolognesi Energia, em mais um movimento de expansão dos irmãos Joesley e Wesley Batista em energia. As unidades, localizadas no Nordeste e no Centro-Oeste, somam 766 megawatts (MW) de capacidade instalada e têm contratos de fornecimento em vigor até 2042 e 2044. O valor da transação não foi divulgado, e a operação ainda depende de aprovações regulatórias.

A aquisição reforça a estratégia da J&F Investimentos de ampliar presença em um setor considerado essencial para o crescimento econômico, a segurança energética e a digitalização da economia. Fundada em 2015, a Âmbar Energia começou com foco em geração térmica, comercialização e transmissão, mas passou a avançar sobre diferentes segmentos do mercado elétrico.

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Nos últimos anos, a companhia acelerou aquisições, incorporou ativos de geração, entrou na distribuição de energia com a Amazonas Energia e assumiu participação relevante na Eletronuclear, estatal responsável pelas usinas de Angra 1 e Angra 2 e pelo projeto de Angra 3. Com os novos ativos da Bolognesi, a Âmbar adiciona quase 800 MW ao portfólio e se aproxima de grupos de grande porte na geração privada de energia no Brasil.

O movimento ocorre em um momento em que a demanda por eletricidade ganha centralidade no debate econômico global. A expansão da inteligência artificial, dos data centers, da computação em nuvem, da indústria digital e da eletrificação de processos produtivos tende a elevar o consumo de energia nos próximos anos. Para executivos do setor, a ampliação da geração renovável a custo competitivo será uma das principais exigências dessa nova fase.

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Aquisição inclui usinas em cinco Estados

As cinco termelétricas compradas pela Âmbar Energia estão localizadas no Ceará, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Goiás. Quatro unidades são movidas a óleo combustível, e uma opera com biomassa. Em conjunto, os ativos somam 766 MW de capacidade de geração.

As usinas termelétricas costumam ser acionadas pelo sistema elétrico para complementar o suprimento de energia, especialmente em períodos de maior demanda, baixa geração hídrica ou necessidade de reforço de segurança operacional. Esse tipo de ativo é considerado estratégico para dar estabilidade ao sistema, embora seu custo e perfil de emissões variem conforme a fonte utilizada.

Segundo a Bolognesi Energia, a venda das termelétricas está sujeita às aprovações regulatórias de praxe. A J&F confirmou a operação, mas não informou detalhes financeiros nem o valor pago pelos ativos.

Os contratos de fornecimento das usinas se estendem por longo prazo: três unidades têm contratos até 2042, enquanto duas possuem compromissos até 2044. Esse horizonte dá previsibilidade de receita aos ativos e ajuda a explicar o interesse da Âmbar Energia pela operação.

Âmbar consolida avanço em geração térmica

A compra das termelétricas da Bolognesi reforça a presença da Âmbar Energia em geração térmica, segmento que marcou a origem da companhia. Criada em 2015, a empresa se posicionou inicialmente em geração térmica, comercialização e transmissão, mas ampliou seu escopo com uma sequência de operações.

Em março, a Âmbar concluiu a aquisição da Usina Termelétrica Norte Fluminense e do projeto Norte Fluminense 2, pertencentes ao grupo francês EdF, em Macaé, no Rio de Janeiro. A Norte Fluminense opera em ciclo combinado a gás natural da Bacia de Campos, com três turbinas a gás e uma a vapor, totalizando 827 MW.

O projeto Norte Fluminense 2 prevê capacidade adicional de 1.800 MW. Com a incorporação da Norte Fluminense, a Âmbar informou que sua potência instalada ultrapassou 7 GW, volume suficiente para abastecer cerca de 4 milhões de domicílios.

Com a compra das usinas da Bolognesi, a empresa adiciona mais 766 MW e amplia a diversificação geográfica e tecnológica do portfólio. A companhia passa a reunir ativos de geração hidrelétrica, solar, biomassa, biogás, gás natural, óleo combustível, carvão mineral e participação em energia nuclear.

Portfólio se aproxima de grandes geradoras privadas

A expansão recente coloca a Âmbar Energia em patamar próximo ao de grandes geradoras do País. Com mais de 7 GW de capacidade antes da incorporação das usinas da Bolognesi, a empresa já havia se aproximado do porte de ativos como a hidrelétrica de Tucuruí, da Axia Energia, que tem 8,5 GW.

A comparação também inclui empresas privadas consolidadas, como a Auren Energia, formada por Votorantim e pelo fundo canadense CPP, com 8,8 GW em fontes hídricas, eólicas e solares. Embora a composição das matrizes seja distinta, o avanço da Âmbar indica ganho relevante de escala no setor elétrico.

Com as novas termelétricas, a empresa passará a contar com 61 unidades de geração em mais de 15 Estados. A presença nacional amplia a capacidade da companhia de atuar em diferentes regiões e reduz a dependência de um único tipo de ativo.

A escala é um fator importante no setor elétrico porque melhora a capacidade de negociação, dilui riscos operacionais e amplia a flexibilidade comercial. Empresas com portfólios diversificados podem combinar ativos de geração firme, fontes renováveis, contratos de longo prazo e exposição ao mercado livre de energia.

J&F acelera estratégia em energia

A J&F Investimentos, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, construiu sua trajetória em proteína animal, com a JBS, mas passou a diversificar seus negócios em diferentes setores industriais e de infraestrutura. A energia se tornou uma das frentes mais relevantes dessa expansão.

A Âmbar Energia é o principal veículo do grupo no setor elétrico. Desde sua fundação, a empresa avançou sobre geração, comercialização, transmissão e, mais recentemente, distribuição. A aquisição da Amazonas Energia marcou a entrada da companhia em um segmento regulado e sensível, responsável pelo atendimento direto a consumidores.

A compra de ativos no setor elétrico também reflete uma estratégia de longo prazo. Energia é uma infraestrutura essencial para indústrias, comércio, serviços digitais, mineração, agronegócio, logística, data centers e produção de bens de consumo. A demanda tende a crescer conforme a economia se digitaliza e se eletrifica.

Para a J&F, o setor oferece ativos com contratos de longo prazo, receitas reguladas ou previsíveis e potencial de integração com a necessidade energética de empresas industriais. Ao mesmo tempo, envolve riscos regulatórios, ambientais, operacionais e financeiros relevantes.

Entrada na Eletronuclear ampliou presença em ativo estratégico

Um dos movimentos mais relevantes da Âmbar Energia ocorreu em outubro de 2025, quando a companhia entrou no capital da Eletronuclear, dona das usinas Angra 1 e Angra 2 e do projeto Angra 3. O negócio foi fechado com a antiga Eletrobras, atual Axia Energia.

A transação envolveu R$ 535 milhões, além de garantias de empréstimos e obrigações de integralização de debêntures no valor de R$ 2,4 bilhões. Segundo a Âmbar, a operação representou 68% de participação no capital total da Eletronuclear e 35,3% das ações com direito a voto.

O controle da Eletronuclear, no entanto, permanece com a estatal Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar). A manutenção do controle estatal reflete a natureza estratégica e sensível do setor nuclear no Brasil.

A entrada na Eletronuclear colocou a Âmbar em uma área de grande relevância para a segurança energética. A energia nuclear tem geração firme, baixa emissão direta de carbono e papel potencial na estabilidade do sistema elétrico, embora envolva custos elevados, exigências regulatórias específicas e longo prazo de maturação.

Inteligência artificial amplia pressão por energia

A frase do executivo Marcelo Araujo — de que é “inexorável” que a inteligência artificial vá se expandir e demandar muita energia — resume uma das principais transformações em curso no setor elétrico global. O crescimento da inteligência artificial exige data centers mais potentes, maior capacidade computacional e infraestrutura digital intensiva em eletricidade.

A expansão dos data centers já provoca mudanças em mercados maduros, onde grandes empresas de tecnologia buscam contratos de longo prazo para garantir suprimento de energia limpa, confiável e competitiva. Esse movimento tende a chegar com mais força ao Brasil, país que combina matriz elétrica relativamente limpa, disponibilidade de áreas, potencial renovável e demanda crescente por infraestrutura digital.

Para o setor elétrico, a inteligência artificial cria uma nova fronteira de consumo. Diferentemente de atividades tradicionais, data centers exigem fornecimento contínuo, estabilidade, redundância e alta confiabilidade. Isso aumenta a importância de fontes firmes, sistemas de transmissão robustos e soluções de armazenamento.

Nesse contexto, empresas com portfólios diversificados de geração podem ganhar relevância. A combinação entre fontes renováveis, termelétricas, hidrelétricas e contratos de longo prazo pode permitir maior flexibilidade no atendimento a consumidores industriais e digitais.

Renováveis precisam avançar com custo competitivo

A expansão da demanda por energia coloca pressão sobre a necessidade de ampliar a geração renovável a custo competitivo. O Brasil tem vantagens naturais em fontes como hidrelétrica, eólica, solar e biomassa, mas enfrenta desafios de transmissão, licenciamento, armazenamento e integração ao sistema.

A energia renovável é central para a transição energética, mas sua expansão precisa ser acompanhada de mecanismos que garantam estabilidade. Fontes intermitentes, como solar e eólica, dependem de complementação por fontes firmes, armazenamento, hidrelétricas com reservatórios ou termelétricas acionadas em momentos específicos.

É nesse equilíbrio que as termelétricas continuam ocupando papel relevante no sistema. Embora algumas fontes térmicas tenham maior impacto ambiental, elas podem ser acionadas para assegurar suprimento quando outras fontes não conseguem atender plenamente à demanda.

Para empresas como a Âmbar Energia, o desafio será administrar um portfólio que combine escala, segurança de fornecimento, custo competitivo e adaptação à agenda de descarbonização. A presença em diferentes fontes pode ser uma vantagem, mas também exige gestão rigorosa de riscos e compromissos ambientais.

Compra da Bolognesi depende de aval regulatório

A aquisição das cinco termelétricas da Bolognesi Energia ainda precisa passar por aprovações regulatórias. Transações no setor elétrico costumam ser analisadas por órgãos competentes para verificar aspectos concorrenciais, regulatórios, contratuais e operacionais.

O processo pode envolver avaliação sobre transferência de controle, cumprimento de contratos, obrigações setoriais e capacidade técnica e financeira do comprador. Como as usinas têm contratos de fornecimento de longo prazo, a continuidade operacional também é um ponto sensível.

A aprovação regulatória será etapa decisiva para a conclusão do negócio. Até lá, as companhias devem cumprir condições precedentes previstas no contrato de venda.

A Bolognesi Energia, empresa originária de Porto Alegre e atualmente baseada em São Paulo, confirmou a venda das termelétricas, mas não divulgou os termos financeiros. A J&F também optou por não revelar detalhes do valor da transação.

Expansão da Âmbar muda mapa competitivo do setor elétrico

A compra das termelétricas da Bolognesi amplia a presença da Âmbar Energia em um setor marcado por consolidação, necessidade de investimentos e transformação tecnológica. Em pouco mais de uma década, a empresa da J&F passou de uma atuação concentrada em geração térmica para uma plataforma diversificada de energia.

A companhia agora reúne ativos em diferentes fontes, regiões e segmentos, com presença em geração, distribuição, comercialização, transmissão e energia nuclear. Esse avanço coloca a Âmbar em posição de maior influência no desenho competitivo do setor elétrico brasileiro.

A estratégia ocorre em um momento em que energia volta ao centro da agenda econômica. A indústria demanda previsibilidade de custos, consumidores exigem segurança de fornecimento, empresas digitais ampliam consumo elétrico e governos buscam equilibrar transição energética com competitividade.

O avanço da inteligência artificial adiciona uma camada nova a esse debate. A expansão da computação intensiva exigirá mais energia, maior estabilidade e soluções que combinem escala com menor emissão. Para empresas do setor elétrico, a disputa não será apenas por ativos, mas pela capacidade de oferecer energia confiável em um ambiente de demanda crescente.

A aquisição das termelétricas da Bolognesi, portanto, não é um movimento isolado. Ela integra uma sequência de compras que vem consolidando a Âmbar Energia como uma das principais apostas da J&F para os próximos anos e reforça a leitura de que o setor elétrico será uma das áreas estratégicas para infraestrutura, indústria e economia digital no Brasil.

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