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André Esteves critica juros no Brasil e aposta no real frente ao dólar

por Álvaro Lima - Repórter de Economia
25/02/2026 às 22h19 - Atualizado em 15/05/2026 às 17h07
em Economia, Destaque, Notícias
André Esteves Critica Juros No Brasil E Aposta No Real Frente Ao Dólar - Gazeta Mercantil

André Esteves critica juros no Brasil e aposta em real frente ao dólar: oportunidades e riscos para investidores

O Brasil continua no radar internacional por causa das taxas de juros no Brasil, consideradas “estratosféricas” e incompatíveis com o atual estágio da economia, na avaliação de André Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual. A declaração foi feita durante o BTG Summit, evento promovido pelo banco, que reuniu investidores, gestores de fundos e especialistas do mercado financeiro global para debater perspectivas econômicas e estratégias de investimento.

Segundo Esteves, a taxa básica de 15% ao ano proporciona uma rentabilidade “poderosa demais”, tornando a renda fixa brasileira extremamente atraente tanto para investidores domésticos quanto estrangeiros. “Os títulos atrelados ao CDI oferecem retornos que não refletem adequadamente o risco. É um momento em que a renda fixa brasileira se torna irresistível”, destacou.

O alerta do banqueiro levanta uma discussão central: o Brasil precisa conciliar taxas de juros elevadas com o crescimento econômico, mantendo equilíbrio entre atratividade para capital externo e sustentabilidade do crédito e consumo interno.


Renda fixa e a irresistibilidade dos juros brasileiros

A avaliação de Esteves sobre os juros no Brasil mostra como o país se destaca frente a mercados emergentes e desenvolvidos. Enquanto a Europa e os Estados Unidos enfrentam juros próximos de zero ou em níveis historicamente baixos, o Brasil mantém o retorno nominal alto, o que atrai investidores globais em busca de rendimento seguro.

Mesmo assim, Esteves enfatiza a necessidade de diversificação. Ele recomenda que investidores mantenham equilíbrio entre títulos atrelados ao IPCA, prefixados e uma parcela em ações. “Embora o CDI seja muito atraente, não podemos ignorar a importância de uma carteira equilibrada. A diversificação é essencial para reduzir riscos e capturar oportunidades de forma estratégica”, explicou.

A preferência pelo real, segundo Esteves, também se justifica pelo diferencial de remuneração em relação à moeda americana. Com ativos locais oferecendo retornos superiores, manter uma maior parte do portfólio em reais se torna uma estratégia racional para investidores que buscam otimizar ganhos e reduzir exposição ao dólar.


Rotação global e impacto nos emergentes

Outro ponto destacado no BTG Summit foi a tendência global de rotação de investimentos. Após anos de concentração em ativos norte-americanos, fundos soberanos e family offices estão ampliando a exposição a mercados emergentes, incluindo Brasil, Coreia do Sul, México e Chile.

Esteves ressalta que o mercado brasileiro, apesar de menor comparado a centros financeiros como Nova York e Londres, pode registrar impactos significativos mesmo com fluxos modestos de capital. “O rali de janeiro, que impulsionou o Ibovespa, é um exemplo de como entradas relativamente pequenas de capital estrangeiro podem gerar efeitos relevantes em um mercado emergente como o nosso”, afirmou.

Essa dinâmica cria uma oportunidade para investidores estratégicos, pois ativos brasileiros permanecem com múltiplos de lucro inferiores aos pares internacionais, oferecendo potencial de valorização tanto da bolsa quanto do real frente ao dólar.


Ibovespa e valorização do real: cenário de oportunidades

A análise de Esteves sugere que a combinação de juros elevados, mercado subvalorizado e tendência de diversificação global pode manter a bolsa brasileira em trajetória de valorização. Com múltiplos de lucro ainda baixos frente a Europa e Estados Unidos, o Ibovespa apresenta oportunidades de investimento que se destacam para fundos estrangeiros e investidores institucionais.

Além disso, a perspectiva de queda do dólar frente ao real fortalece a estratégia de priorizar ativos locais. “O retorno robusto da renda fixa, aliado a múltiplos de ações atrativos, oferece uma janela de oportunidade para investidores que desejam otimizar o portfólio com segurança e rentabilidade”, destacou Esteves.


Impactos da política de juros sobre a economia

Os juros no Brasil não afetam apenas investidores: eles têm papel central na política monetária e na economia real. Taxas elevadas atraem capital externo e protegem contra pressões inflacionárias, mas podem comprometer o crescimento econômico, ao encarecer o crédito e reduzir a capacidade de consumo das famílias.

Especialistas alertam que o equilíbrio é delicado: juros muito altos podem inibir investimentos produtivos e aumentar a desigualdade financeira, enquanto taxas baixas demais podem acelerar a inflação e desvalorizar a moeda. O desafio do Banco Central, portanto, é calibrar a Selic de forma a oferecer retorno competitivo, controlar a inflação e estimular o crescimento.

A visão de Esteves reforça essa análise: o país precisa de um ambiente que seja simultaneamente atrativo para capital externo e saudável para investimentos internos, sem perder de vista o equilíbrio macroeconômico.


Estratégias de investimento em 2026

O posicionamento estratégico sugerido pelo BTG Pactual para 2026 indica priorizar ativos em reais, aproveitando a atratividade da renda fixa e o potencial de valorização da bolsa de valores.

Segundo Esteves, manter exposição diversificada é crucial: títulos indexados ao IPCA, prefixados e ações constituem a espinha dorsal de uma carteira robusta. A rotação global favorece emergentes, e o Brasil, com múltiplos de lucro ainda baixos, pode se beneficiar de fluxos adicionais de capital estrangeiro.

Essa combinação cria oportunidades para investidores que buscam ganhos consistentes, aproveitando tanto a renda fixa quanto a bolsa, sem ignorar os riscos de volatilidade e variações cambiais.


Contexto histórico e diferencial brasileiro

Historicamente, o Brasil tem se destacado por taxas de juros elevadas em comparação com outras economias emergentes. Entre 2015 e 2020, a Selic flutuou entre 2% e 14%, dependendo do cenário macroeconômico e da inflação. Esse histórico reforça a percepção de que o país oferece retornos atrativos, mas exige gestão ativa de riscos.

O diferencial atual está na combinação de juros elevados com ativos subvalorizados na bolsa, cenário que não se observa em muitos mercados emergentes, tornando o país um destino estratégico para capital estrangeiro, mesmo em um momento de instabilidade global.


Reflexos para investidores institucionais

Para fundos soberanos, family offices e investidores institucionais, o Brasil oferece uma oportunidade de diversificação estratégica. A atratividade da renda fixa, somada ao potencial de valorização do Ibovespa e à tendência de apreciação do real, permite construir portfólios resilientes e com retorno ajustado ao risco competitivo.

Além disso, a rotação global de carteiras indica que emergentes devem continuar recebendo atenção, o que reforça o interesse em ativos brasileiros e amplia a percepção de valor no médio prazo.


O papel do real e a perspectiva cambial

A preferência pelo real frente ao dólar, destacada por Esteves, não é apenas tática: reflete uma análise do diferencial de retorno entre moedas. Com CDI em patamar elevado, manter ativos em reais oferece vantagem comparativa frente a investimentos dolarizados.

O efeito esperado é que o real continue se valorizando, beneficiando investidores que buscam diversificação cambial inteligente e retorno consistente, sem abrir mão de segurança.


Cenário macroeconômico e próximos passos

O alerta de André Esteves sobre os juros no Brasil lança luz sobre a complexidade do cenário macroeconômico. A combinação de política monetária agressiva, mercado subvalorizado e fluxo estrangeiro estratégico cria oportunidades, mas exige disciplina e análise contínua.

Para gestores e investidores, a recomendação é clara: manter diversificação, monitorar movimentos de capital externo, acompanhar a bolsa e o dólar e ajustar portfólio conforme a dinâmica econômica global. O Brasil se apresenta como um mercado emergente capaz de gerar retornos expressivos, mas que demanda atenção estratégica e rigoroso controle de riscos.

Tags: André EstevesBTG PactualCDI BrasilEconomiaIbovespainvestimentos emergentesjuros no Brasilpolítica monetáriaportfólio diversificadoreal vs dólarrenda fixa

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Após A Repercussão Da Suposta Compra Da Naskar, O Perfil Passou Por Alterações, Incluindo Arquivamento De Postagem, Mudanças Na Biografia, Remoção De Contas Seguidas E Bloqueio De Comentários. Naskar Deixou Investidores Sem Acesso Ao Aplicativo A Crise Da Naskar Começou Após A Fintech Não Realizar O Pagamento Mensal De Rendimentos Previsto Para 4 De Maio. Clientes Tentaram Contato Com Os Sócios Da Empresa Para Entender O Motivo Do Atraso, Mas, Segundo Relatos Reunidos No Texto-Base, Não Obtiveram Resposta. A Situação Se Agravou Quando O Aplicativo Da Naskar, Usado Pelos Investidores Para Acompanhar O Patrimônio Aplicado, Deixou De Funcionar Em 6 De Maio. Desde Então, Clientes Passaram A Relatar Dificuldade Para Acessar Informações Sobre Seus Saldos, Rendimentos E Eventual Cronograma De Devolução. A Naskar Atuava Há 13 Anos Captando Recursos De Clientes Com Promessa De Retorno De 2% Ao Mês, Patamar Muito Superior Ao Praticado Em Produtos Financeiros Tradicionais. Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. 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Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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