Aprovação de Lula cai e Quaest mostra pior nível desde julho de 2025
A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest colocou a avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro do debate político nacional. Os números divulgados nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, mostram que a aprovação da gestão federal recuou para 43%, enquanto a reprovação alcançou 52%, configurando o pior patamar de aprovação desde julho de 2025 e mantendo a tendência de desgaste observada ao longo dos últimos meses.
A leitura política do levantamento é direta. O governo Lula chega ao segundo trimestre de 2026 pressionado por uma curva persistente de perda de apoio e por um avanço da rejeição em segmentos importantes do eleitorado. O resultado não representa apenas uma oscilação pontual de humor do país. Ele sinaliza um enfraquecimento da percepção positiva sobre a administração federal em diferentes recortes sociais, regionais e de renda, o que amplia a relevância da pesquisa para o cenário político e eleitoral.
Segundo os dados apresentados no texto-base, a aprovação caiu um ponto percentual em relação ao levantamento de março e cinco pontos na comparação com dezembro de 2025. No mesmo intervalo, a reprovação subiu três pontos. A série histórica descrita no material indica, portanto, um movimento contínuo: a imagem do governo perdeu força desde o fim do ano passado, enquanto a percepção negativa avançou e passou a superar com folga a positiva.
Embora a desaprovação seja hoje a fotografia mais impactante da pesquisa, o levantamento também ajuda a compreender onde o governo ainda preserva força e em quais grupos a erosão política se tornou mais aguda. A distribuição desses dados mostra um país novamente dividido por religião, região, escolaridade, renda e idade, com diferenças claras entre os segmentos mais favoráveis e os mais resistentes ao Palácio do Planalto.
Quaest mostra queda contínua na aprovação do governo Lula
A palavra central desta rodada é continuidade. A pesquisa não descreve uma ruptura abrupta, mas a persistência de um processo de desgaste. O dado de 43% de aprovação ganhou destaque justamente por representar o menor nível desde julho de 2025, repetindo a mesma marca e confirmando que a recuperação observada em outros momentos não se consolidou. Ao mesmo tempo, os 52% de reprovação mantêm a avaliação do governo em terreno desfavorável perante a maioria do eleitorado nacional.
No plano qualitativo, o levantamento sugere uma estabilidade relativa em algumas percepções, mas ainda assim dentro de um quadro adverso. De acordo com o texto-base, 42% classificam o governo como negativo, 31% como positivo e 26% como regular. Isso significa que, mesmo sem uma explosão da avaliação negativa de um mês para outro, a administração federal continua encontrando mais resistência do que entusiasmo. A zona de conforto político do governo segue estreita, especialmente num ambiente em que o grupo dos que desaprovam já supera a metade da amostra.
A importância desse movimento cresce porque a pesquisa foi realizada num momento sensível do calendário político. Em ano pré-eleitoral, com 2026 já dominando parte relevante do noticiário, levantamentos de avaliação de governo deixam de ser apenas termômetros administrativos e passam a funcionar também como indicadores de força política, capacidade de mobilização e potencial de competitividade do campo governista.
Reprovação de Lula é maior entre evangélicos, jovens e moradores do Sul
Um dos pontos mais relevantes do levantamento é a forma como a reprovação se distribui entre grupos específicos. Entre os evangélicos, a desaprovação atinge 68%, contra 28% de aprovação. Trata-se do recorte mais desfavorável ao governo entre os segmentos religiosos apresentados no material. O dado reforça uma dificuldade que o presidente já enfrentava em medições anteriores: a distância política e simbólica em relação ao eleitorado evangélico permanece elevada e segue sendo uma das principais fragilidades da base de apoio de Lula fora do núcleo historicamente alinhado ao petismo.
Entre os moradores da Região Sul, a reprovação chega a 62%, enquanto a aprovação fica em 32%. O Sudeste também aparece com números desfavoráveis ao governo, com 58% de desaprovação e 38% de aprovação. No bloco Centro-Oeste/Norte, a desaprovação atinge 58% e a aprovação, 36%. O mapa regional da pesquisa mostra que o Nordeste continua sendo o principal colchão político do presidente, mas fora dele o cenário se torna consideravelmente mais difícil.
O recorte etário também chama atenção. Entre os eleitores de 16 a 34 anos, 56% desaprovam o governo e 40% aprovam. Na faixa de 35 a 59 anos, a reprovação vai a 54%, contra 41% de aprovação. Apenas entre os brasileiros com 60 anos ou mais o presidente volta a aparecer numericamente à frente, com 51% de aprovação e 44% de desaprovação. O resultado mostra que a base mais envelhecida permanece mais receptiva ao governo, enquanto os segmentos mais jovens exibem maior insatisfação.
Do ponto de vista de renda e escolaridade, a mesma lógica se repete. Entre os brasileiros com ensino superior completo, a desaprovação alcança 62%, contra 34% de aprovação. Na renda familiar acima de 5 salários mínimos, os índices também ficam em 62% de reprovação e 35% de aprovação. Já entre aqueles com renda de até 2 salários mínimos, o cenário se inverte: 57% aprovam o governo e 37% desaprovam.
Nordeste e baixa renda seguem como pilares da aprovação de Lula
Se parte da pesquisa expõe as áreas de desgaste do governo, outra parte mostra com clareza onde Lula ainda conserva tração política. O Nordeste segue sendo o principal território de sustentação do presidente. Na região, 63% aprovam a gestão federal e 32% desaprovam. É a melhor performance regional do governo no levantamento e um dos principais fatores que impedem uma deterioração ainda maior da média nacional.
O mesmo ocorre entre os brasileiros de menor renda. Na faixa de até 2 salários mínimos, a aprovação chega a 57%. Entre aqueles com apenas ensino fundamental, o índice é de 54%. Entre católicos, Lula tem 49% de aprovação e 46% de desaprovação, quadro mais equilibrado do que o observado no universo evangélico. Já entre os eleitores de 35 a 59 anos, embora a desaprovação supere a aprovação, o hiato ainda é menor do que em grupos mais resistentes ao governo.
Esses dados mostram que o governo continua preservando força em segmentos tradicionalmente mais próximos do lulismo, especialmente no eleitorado de menor renda e no Nordeste. Em termos políticos, isso significa que a base social mais ligada à memória distributiva dos governos petistas permanece relevante. O desafio, porém, está em impedir que esse núcleo de apoio se torne insuficiente diante de uma perda mais ampla em regiões populosas, entre jovens e em faixas de maior renda e escolaridade.
Avaliação negativa resiste e limita espaço de reação do Planalto
Além da dicotomia entre aprovação e reprovação, a pesquisa oferece um retrato importante da avaliação qualitativa do governo. O grupo que classifica a gestão Lula como negativa aparece em 42%, enquanto a avaliação positiva ficou em 31% e a regular em 26%. Embora a avaliação negativa tenha recuado um ponto em relação a março, os números ainda mostram um governo mais pressionado pela percepção ruim do que impulsionado por entusiasmo.
Esse retrato é politicamente relevante porque indica que o problema do governo não está apenas na reprovação quantitativa, mas na dificuldade de converter parte do eleitorado hoje morno em apoio mais firme. O contingente que enxerga a administração como regular continua significativo, mas a vantagem do campo negativo sobre o positivo permanece larga. Num ambiente de polarização e disputa narrativa intensa, essa diferença restringe a margem do Planalto para reverter rapidamente a tendência.
Metodologia da pesquisa Quaest reforça peso político do levantamento
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores em 120 municípios brasileiros entre 9 e 13 de abril de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%, e o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-09285/2026. Esses parâmetros dão consistência estatística ao estudo e ajudam a explicar por que a divulgação dos números ganhou destaque imediato no noticiário político desta quarta-feira.
Em pesquisas desse porte, mais do que a oscilação isolada de um ponto percentual, o que costuma importar é a direção do movimento. E a direção apontada por esta rodada é clara: a aprovação do governo Lula vem recuando desde o início do ano, enquanto a reprovação se mantém acima da maioria do eleitorado. É esse encadeamento que transforma o levantamento em peça relevante do jogo político de 2026.
Desgaste na avaliação de Lula amplia pressão sobre governo em 2026
O efeito político da pesquisa vai além da fotografia desta semana. Em Brasília, números como os divulgados pela Quaest tendem a influenciar o comportamento de aliados, a leitura do mercado, o apetite da oposição e a própria organização discursiva do governo. Um presidente com aprovação em queda e reprovação acima de 50% entra em fase de pressão ampliada, sobretudo quando essa perda de apoio aparece de forma disseminada em grupos estratégicos do eleitorado.
Entre os elementos mais sensíveis está a performance entre os mais jovens, os eleitores de maior renda, os segmentos com ensino superior e parte expressiva do Sul e do Sudeste. Esses grupos não definem sozinhos uma eleição, mas ajudam a moldar ambiente de opinião, repercussão pública e capacidade de expansão eleitoral. Ao mesmo tempo, a resistência do governo entre os mais pobres e no Nordeste mostra que Lula ainda mantém um capital político importante e longe de ser irrelevante.
O quadro, portanto, é de desgaste real, mas não de colapso político. A pesquisa descreve um governo em perda de fôlego, não um governo sem base. A diferença é crucial. Lula continua competitivo em parcelas relevantes do eleitorado, mas passa a enfrentar um ambiente mais hostil, no qual a reconquista de confiança se torna mais difícil e mais urgente.
Quaest expõe um país dividido e um Planalto diante de novo sinal de alerta
A rodada de abril da Genial/Quaest oferece um retrato político de alta relevância para o governo Lula. A aprovação caiu a 43%, no menor nível desde julho de 2025, enquanto a reprovação chegou a 52%. O mapa da pesquisa revela um presidente ainda forte no Nordeste, entre os mais pobres e em parte do eleitorado mais velho, mas claramente pressionado entre evangélicos, jovens, eleitores de maior renda, pessoas com ensino superior e moradores do Sul e do Sudeste.
Mais do que uma variação estatística, o levantamento indica continuidade de uma tendência. A queda da aprovação ao longo de quatro meses e o avanço da reprovação sugerem que o governo chega a 2026 sob sinal amarelo intenso. Em política, pesquisas não encerram disputas, mas moldam expectativas, reorganizam estratégias e reposicionam narrativas. Foi exatamente isso que a Quaest fez nesta quarta-feira ao mostrar que a curva de desgaste do presidente segue aberta e sem sinal claro de reversão no curto prazo.







