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Big techs perdem US$ 1,03 trilhão em um dia; queda supera valor da B3

Nasdaq despenca 5,52% após eleições americanas, enquanto a Nvidia perde cerca de US$ 447 bilhões em valor de mercado; investidores reavaliam perspectivas para a inteligência artificial.

por Camila Braga
06/11/2026 às 12h57
em Mercados
Nvidia (Nvda) Fecha Acordo De Us$ 500 Bilhões Com Apollo, Blackrock E Goldman Para Financiar Fábricas De Ia-Gazeta Mercantil

As sete maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos perderam aproximadamente US$ 1,03 trilhão em valor de mercado na quinta-feira, 5 de novembro de 2026, durante uma forte onda de vendas nas bolsas americanas. O movimento atingiu principalmente companhias ligadas à inteligência artificial e à infraestrutura de centros de dados, levando o índice Nasdaq Composite a encerrar o pregão com queda de 5,52%, aos 24.315 pontos. A Nvidia concentrou a maior desvalorização individual, com uma redução estimada em US$ 446,6 bilhões em sua capitalização.

A dimensão da queda foi equivalente a mais do que o valor atribuído ao conjunto das empresas negociadas na bolsa brasileira em uma estimativa da consultoria Elos Ayta. O levantamento calcula que Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla perderam, juntas, cerca de US$ 1,03 trilhão, enquanto a capitalização das companhias listadas na B3 foi estimada em US$ 857 bilhões. Essa comparação corresponde à metodologia e à data utilizadas pela consultoria; os valores agregados não foram reproduzidos independentemente nesta apuração.

O movimento ocorreu depois das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, que alteraram o equilíbrio de forças no Congresso americano. Investidores passaram a reavaliar os riscos de mudanças regulatórias capazes de afetar projetos de inteligência artificial, especialmente a construção de centros de processamento de dados. O temor de atrasos nos investimentos em infraestrutura tecnológica provocou vendas de ações de fabricantes de semicondutores, empresas de software e companhias ligadas ao fornecimento de energia para o setor.

A queda não ficou restrita ao segmento tecnológico. O S&P 500, índice que reúne 500 das principais companhias americanas, recuou 4,36%, para 7.353,73 pontos, enquanto o Dow Jones Industrial Average perdeu 1.833,06 pontos, ou 3,44%, encerrando o dia em 51.523,06 pontos. O desempenho representou uma das sessões mais negativas para Wall Street desde a turbulência provocada pelas tarifas comerciais americanas em abril de 2025.

Nvidia perde cerca de US$ 447 bilhões em apenas um pregão

A Nvidia foi a principal responsável pela redução do valor de mercado das empresas ligadas à inteligência artificial. Suas ações encerraram a quinta-feira cotadas a US$ 181,60, queda de 9,26% em relação aos US$ 200,13 registrados no fechamento anterior.

A diferença de US$ 18,53 por ação, multiplicada por aproximadamente 24,1 bilhões de papéis em circulação informados pela companhia em seu último relatório trimestral, representa uma perda estimada de US$ 446,6 bilhões em capitalização de mercado. O cálculo utiliza a quantidade de ações divulgada em agosto e, portanto, é uma aproximação para a sessão de novembro.

O montante equivale a aproximadamente 56% do valor de mercado das empresas integrantes do Ibovespa no encerramento de outubro, conforme a referência oficial de US$ 792,15 bilhões publicada pela B3. A comparação evidencia a dimensão da Nvidia em relação ao mercado brasileiro, embora utilize datas diferentes e não deva ser confundida com a capitalização de todas as empresas listadas na bolsa.

A desvalorização também ampliou a distância entre o preço das ações da fabricante de chips e seu recorde recente. Em 6 de outubro, os papéis haviam alcançado fechamento de US$ 239,24. Um mês depois, a cotação estava aproximadamente 24,1% abaixo desse nível, indicando uma perda expressiva de valor desde a máxima.

A Nvidia ocupa posição central na cadeia de fornecimento de equipamentos utilizados no treinamento e na execução de sistemas de inteligência artificial. Seus processadores gráficos e soluções de computação acelerada são empregados por grandes empresas de tecnologia que desenvolvem modelos de linguagem, serviços de nuvem e infraestrutura computacional.

O crescimento desses negócios depende de investimentos elevados na construção e expansão de centros de dados. Por isso, mudanças nas expectativas sobre o ritmo de implantação dessas instalações podem afetar diretamente as projeções de demanda por semicondutores avançados.

Fabricantes de chips sofrem perdas bilionárias

A pressão sobre o setor de semicondutores atingiu outras empresas além da Nvidia. A Broadcom encerrou a quinta-feira com queda de aproximadamente 10,4%, enquanto a Micron Technology perdeu 17,5% e a Advanced Micro Devices (AMD) recuou 17,3%.

A retração ocorreu em um momento no qual investidores passaram a questionar a velocidade de expansão dos projetos de inteligência artificial e os custos necessários para manter o crescimento da infraestrutura tecnológica.

O relatório de mercado divulgado pela Nasdaq Dorsey Wright identificou a forte deterioração das ações de empresas relacionadas à construção de centros de dados. O segmento de semicondutores apresentou perdas superiores às dos principais índices, enquanto fundos negociados em bolsa que acompanham fabricantes de chips sofreram quedas de aproximadamente 12% durante a sessão.

Essas empresas possuem atividades diferentes dentro da cadeia tecnológica. A Broadcom fornece componentes de conectividade e circuitos especializados, a Micron produz sistemas de memória utilizados em equipamentos de alto desempenho e a AMD desenvolve processadores e aceleradores para aplicações computacionais.

Embora atuem em segmentos distintos, todas possuem exposição às perspectivas de investimentos em tecnologia. Uma eventual redução do ritmo de construção de centros de dados pode modificar os pedidos de equipamentos, as expectativas de faturamento e as avaliações de mercado dessas companhias.

As quedas, entretanto, não significam que os contratos existentes tenham sido cancelados ou que as receitas futuras sofrerão necessariamente uma redução equivalente. A desvalorização das ações reflete mudanças nas expectativas dos investidores, que podem ocorrer antes de alterações efetivas nos resultados operacionais.

Nasdaq cai 1.421 pontos e entra em território de correção

O Nasdaq Composite perdeu 1.421,51 pontos na quinta-feira, passando de 25.736,51 pontos para 24.315 pontos. A retração de 5,52% foi a maior em aproximadamente 19 meses e levou o índice a encerrar a sessão cerca de 12% abaixo de sua máxima histórica de outubro.

Uma queda superior a 10% em relação ao pico recente é normalmente classificada pelo mercado como correção. O termo descreve a dimensão da desvalorização acumulada, sem indicar necessariamente o início de uma tendência prolongada de perdas.

Segundo a análise divulgada pela Nasdaq Dorsey Wright, o Nasdaq-100 também sofreu um recuo próximo de 6,5%, sua maior perda diária desde março de 2020. Esse índice reúne grandes companhias não financeiras listadas na Nasdaq e possui elevada exposição a empresas de tecnologia e consumo.

A magnitude do movimento reflete a concentração de valor em poucas empresas de grande capitalização. Como os principais índices americanos utilizam metodologias que atribuem maior peso às companhias mais valiosas, quedas acentuadas de empresas como Nvidia e Microsoft produzem impactos significativos sobre o resultado agregado.

O comportamento dos índices também mostra que o movimento ultrapassou uma correção isolada das ações mais valorizadas. O S&P 500 caiu 4,36%, com perdas distribuídas entre diferentes setores da economia, enquanto empresas de menor capitalização também encerraram a sessão em baixa.

A intensidade das vendas revela a velocidade com que mudanças nas expectativas podem alterar as avaliações das companhias negociadas nas bolsas americanas, mesmo sem alterações imediatas em seus ativos físicos ou operações.

Eleições nos EUA aumentam incertezas sobre investimentos em IA

As eleições legislativas realizadas nos Estados Unidos em novembro provocaram uma reavaliação das expectativas sobre a regulação da inteligência artificial. O avanço dos democratas no Congresso passou a ser associado, por parte dos investidores, à possibilidade de maior fiscalização sobre a expansão de centros de dados e os efeitos ambientais e energéticos dessas instalações.

Os projetos de infraestrutura tecnológica exigem grandes volumes de eletricidade, investimentos imobiliários, equipamentos de refrigeração e novas conexões com redes de transmissão. A velocidade de implantação depende de autorizações locais, disponibilidade de energia e condições de financiamento.

A possibilidade de exigências regulatórias adicionais passou a integrar os riscos considerados pelo mercado. Entre as preocupações estão eventuais restrições à construção de novas instalações, revisões de licenças e medidas relacionadas ao consumo de água e eletricidade.

Essas hipóteses, porém, não representam decisões legislativas já aprovadas. O efeito imediato sobre as ações ocorreu principalmente pela revisão das expectativas quanto às condições futuras de expansão do setor, e não pela confirmação de uma proibição nacional de novos centros de dados.

A discussão também ocorre depois de um período de forte valorização das empresas ligadas à inteligência artificial. O crescimento das cotações elevou a importância das projeções de lucros futuros e tornou esses papéis mais sensíveis a mudanças nas estimativas de demanda, despesas de capital e retorno dos investimentos.

O comportamento do mercado é influenciado ainda pelo custo do financiamento. Projetos de grande porte exigem recursos elevados, e alterações nas expectativas de juros podem modificar a atratividade econômica de novas instalações, especialmente quando o retorno financeiro está previsto para vários anos à frente.

Perda das big techs supera valor de referência da bolsa brasileira

A comparação entre a desvalorização das gigantes americanas e a dimensão da B3 evidencia a diferença de escala entre os mercados acionários dos dois países.

A estimativa de US$ 1,03 trilhão para a perda conjunta das sete empresas foi comparada pela consultoria Elos Ayta a uma capitalização de US$ 857 bilhões atribuída ao conjunto das companhias brasileiras listadas. Sob esses parâmetros, a desvalorização americana representa aproximadamente 1,20 vez o valor utilizado como referência para a bolsa brasileira, uma diferença de US$ 173 bilhões.

Os dados oficiais da B3 permitem outra comparação, com recorte definido. Em outubro de 2026, a bolsa informou que as 74 empresas integrantes da carteira teórica do Ibovespa possuíam valor de mercado aproximado de US$ 792,15 bilhões.

Nesse caso, a perda estimada de US$ 1,03 trilhão das sete gigantes corresponderia a cerca de 1,30 vez o valor das empresas do Ibovespa naquela data. A diferença é importante porque a carteira do índice não reúne necessariamente todas as companhias negociadas na bolsa brasileira.

A B3 calcula o valor de mercado multiplicando a quantidade de ações emitidas pelas empresas pelas respectivas cotações, observadas as particularidades das diferentes classes de papéis. Os valores convertidos para dólares também variam conforme a taxa de câmbio utilizada.

Por isso, comparações internacionais precisam considerar a mesma data de referência, a abrangência das empresas incluídas e a metodologia de capitalização. As estimativas mostram a dimensão relativa dos mercados, mas não representam uma transferência efetiva de recursos dos Estados Unidos para o Brasil ou vice-versa.

Na própria quinta-feira, o Ibovespa encerrou as negociações aos 166.191,45 pontos, com queda de 0,82%, segundo a B3. O índice brasileiro também foi pressionado pela deterioração do ambiente internacional, embora tenha apresentado uma retração percentual significativamente menor que a do Nasdaq.

Queda de valor de mercado não representa dinheiro efetivamente perdido por todos os investidores

A redução de capitalização das empresas é frequentemente descrita como destruição de riqueza financeira, mas esse conceito precisa ser diferenciado das perdas efetivamente realizadas em operações de compra e venda.

O valor de mercado de uma companhia corresponde à quantidade de ações em circulação multiplicada pelo preço de cada papel. Quando a cotação diminui, a capitalização total recua, mesmo que apenas uma parcela das ações tenha sido efetivamente negociada durante o pregão.

Assim, uma perda de US$ 446,6 bilhões na avaliação da Nvidia não significa que esse montante tenha saído de suas contas bancárias ou que a empresa tenha registrado prejuízo operacional equivalente. O valor representa a redução estimada do preço de mercado de seu patrimônio acionário.

Da mesma maneira, nem todos os acionistas realizaram perdas financeiras definitivas. Quem vendeu os papéis durante a desvalorização pode ter concretizado resultados negativos, dependendo do preço de aquisição. Investidores que permaneceram com as ações continuam expostos às variações futuras das cotações.

A comparação também ajuda a compreender por que movimentos percentuais relativamente pequenos podem produzir alterações bilionárias nas empresas mais valiosas do mundo. Em companhias cuja capitalização alcança vários trilhões de dólares, uma queda próxima de 10% pode representar centenas de bilhões de dólares em valor de mercado.

Mercado acompanhará resultados e novos investimentos em inteligência artificial

A forte desvalorização coloca os próximos balanços das empresas de tecnologia entre os principais acontecimentos acompanhados pelos investidores. A Nvidia tem divulgação de resultados prevista para 17 de novembro, ocasião em que deverá apresentar informações atualizadas sobre vendas, margens e demanda por seus equipamentos.

O mercado também acompanhará os planos de investimento das grandes plataformas de computação em nuvem, especialmente aqueles relacionados à instalação de novos centros de dados e à aquisição de processadores para aplicações de inteligência artificial.

As perspectivas regulatórias nos Estados Unidos continuarão relevantes, mas a avaliação de seus efeitos dependerá das propostas efetivamente apresentadas e das decisões legislativas posteriores às eleições de meio de mandato.

A dimensão das perdas registradas em 5 de novembro mostra a sensibilidade das avaliações tecnológicas às mudanças de expectativas. A Nvidia, mesmo após registrar expansão expressiva de seus negócios nos últimos anos, encerrou o pregão com desvalorização superior a 9%, enquanto o Nasdaq apresentou sua queda diária mais intensa desde abril de 2025.

Para as companhias americanas, os próximos resultados financeiros permitirão confrontar o crescimento efetivo das receitas com os investimentos necessários à expansão da inteligência artificial. Para os mercados internacionais, a evolução dessas expectativas seguirá influenciando as bolsas, inclusive a brasileira, diante da elevada participação das empresas de tecnologia nos principais índices globais.

Fontes:

Nasdaq — Histórico oficial do Nasdaq Composite e do Nasdaq-100, com cotações de encerramento e variações registradas em 4 e 5 de novembro de 2026.

Nasdaq Dorsey Wright — Análise de mercado de 5 e 6 de novembro de 2026 sobre a queda das ações de tecnologia, semicondutores e empresas relacionadas à infraestrutura de inteligência artificial.

Nvidia Corporation — Formulário 10-Q referente ao segundo trimestre do exercício fiscal de 2027, apresentado à Securities and Exchange Commission, com informações sobre a quantidade de ações em circulação.

B3 — Estatísticas oficiais do valor de mercado das empresas integrantes do Ibovespa em outubro de 2026 e metodologia de cálculo da capitalização acionária.

B3 — Boletim de mercado de 5 de novembro de 2026, com o fechamento do Ibovespa em 166.191,45 pontos e variação negativa de 0,82%.

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