quarta-feira, 19 de agosto de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Por que o Bitcoin caiu? Entenda a queda para US$ 65 mil no governo Trump

por Antônio Lima
06/02/2026 às 12h09
em Economia
Por Que O Bitcoin Caiu? Entenda A Queda Para Us$ 65 Mil No Governo Trump - Gazeta Mercantil

Bitcoin recua ao menor nível do governo Trump e acende alerta sobre volatilidade de ativos digitais

A cotação do Bitcoin registrou nesta quinta-feira sua maior retração em 15 meses, atingindo o patamar de US$ 65 mil (aproximadamente R$ 342 mil). O movimento representa uma queda acentuada de 24% apenas no acumulado deste ano, posicionando a criptomoeda em seu nível mais baixo desde outubro de 2024. O recuo ocorre em um momento de paradoxo político-econômico: embora a administração do presidente Donald Trump tenha adotado uma postura declaradamente pró-criptoativos, o mercado reage com ceticismo a novos indicadores macroeconômicos e à mudança de comando no Federal Reserve (Fed).

Este cenário de baixa sucede um período de euforia, quando o Bitcoin alcançou a máxima histórica de US$ 122 mil em outubro de 2024, impulsionado pelas promessas de campanha de flexibilização regulatória nos Estados Unidos. Agora, com uma desvalorização acumulada de 32% nos últimos 12 meses, o ativo digital mais conhecido do mundo apaga os ganhos recentes e testa a resiliência de investidores que apostavam na consolidação dos EUA como a capital global das criptomoedas.

O paradoxo da desregulamentação e a influência da Casa Branca

Desde o retorno de Donald Trump à presidência em janeiro de 2025, o setor de ativos digitais recebeu incentivos institucionais sem precedentes. Uma das primeiras medidas do governo foi a assinatura de uma ordem executiva visando transformar o ecossistema financeiro americano em um hub de inovação para moedas digitais. Paralelamente, o governo dissolveu forças-tarefa do Departamento de Justiça voltadas à fiscalização rigorosa e a Securities and Exchange Commission (SEC) reduziu significativamente o volume de investigações sobre emissoras de tokens.

A despeito desse ambiente regulatório permissivo, o valor do Bitcoin não sustentou o fôlego. Críticos e analistas apontam que o envolvimento direto da família Trump com veículos de investimento, como a World Liberty Financial, e o lançamento de criptoativos próprios pelo presidente criaram um cenário de saturação e questionamentos éticos. Em novembro, o Comitê Judiciário do Senado destacou que o presidente acumulou cerca de US$ 11 bilhões em participações no setor, gerando uma renda pessoal de US$ 800 milhões, o que, para alguns observadores, introduz uma volatilidade política adicional ao preço do Bitcoin.

A nomeação de Kevin Warsh e o impacto da política monetária do Fed

Analistas do Deutsche Bank indicam que o gatilho específico para a queda recente foi a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve. A percepção do mercado é que Warsh possa adotar uma postura mais austera, ou “hawkish”, mantendo as taxas de juros em patamares elevados para conter pressões inflacionárias persistentes. Para ativos de risco como o Bitcoin, juros altos são tradicionalmente prejudiciais, pois elevam a atratividade de títulos públicos americanos, considerados seguros, em detrimento de investimentos especulativos.

Uma política monetária expansionista, com juros baixos, foi o combustível que levou o Bitcoin aos seus recordes anteriores. Com a sinalização de um Fed mais rigoroso, o fluxo de capital tende a migrar para o dólar e para a renda fixa. O Deutsche Bank ressalta que essa tendência de queda nos últimos quatro meses sinaliza uma perda de interesse por parte de investidores institucionais tradicionais, que agora demonstram um pessimismo crescente quanto à utilidade real do ativo fora do campo da especulação pura.

A transição do Bitcoin de ativo especulativo para a maturidade de mercado

O comportamento atual do mercado sugere que o Bitcoin está atravessando uma fase de transição. De acordo com relatórios do setor bancário, a moeda digital está deixando de ser um instrumento de ganhos rápidos e desmedidos para buscar um papel específico no sistema financeiro global. Este processo de “amadurecimento” é doloroso para os detentores de curto prazo, pois envolve a correção de excessos acumulados durante os ciclos de euforia política.

William Barhydt, diretor executivo da Abra Capital Management, reforça que o Bitcoin já sobreviveu a diversos ciclos de “inverno cripto” e que a oscilação atual, embora severa, faz parte do histórico de amadurecimento de qualquer nova classe de ativos. Contudo, a perda de mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado global de criptomoedas em apenas um mês, segundo dados da CoinGecko, demonstra que a correção atual possui uma escala sistêmica que atinge não apenas o Bitcoin, mas também outros ativos como Ethereum e Solana, que registram quedas próximas a 37% em 2026.

A correlação com o dólar americano e as projeções de suporte técnico

Um estudo recente da Stifel aponta para uma mudança estrutural na forma como o Bitcoin se comporta em relação às moedas fiduciárias. Historicamente visto como uma “proteção contra o dólar” ou “ouro digital”, o ativo passou a seguir mais de perto as flutuações da moeda americana em determinados contextos de liquidez. Na última semana, o dólar atingiu sua menor cotação em quatro anos, mas, ao contrário do esperado, o Bitcoin não se beneficiou dessa fraqueza, acompanhando o movimento de aversão ao risco global.

As projeções da Stifel para o Bitcoin são cautelosas, indicando que o preço pode recuar até o suporte de US$ 38 mil caso o sentimento negativo persista. Essa análise baseia-se na redução do volume de transações nas principais corretoras globais e na diminuição do ímpeto de compra por parte de grandes fundos de pensão, que haviam entrado no mercado no final de 2024. A estabilização dependerá, em grande medida, dos dados de inflação dos EUA e da confirmação da postura de Warsh à frente do banco central americano.

A estrutura do mercado de criptoativos e a ausência de supervisão

O esvaziamento das equipes de fiscalização da SEC e do Departamento de Justiça, embora comemorado inicialmente pela indústria, pode estar gerando um efeito colateral de desconfiança. Sem uma supervisão clara, o investidor institucional sente-se vulnerável a manipulações de mercado e ataques cibernéticos. O Bitcoin, por ser descentralizado e não controlado por instituições financeiras tradicionais, depende da confiança da rede para manter seu valor.

A liquidez do mercado também tem sido afetada. Com a saída de investidores de varejo, que sofreram perdas significativas desde o pico de outubro, o Bitcoin ficou mais suscetível a grandes ordens de venda de “baleias” (grandes detentores da moeda). Esse desequilíbrio entre oferta e demanda é o que explica as quedas abruptas em janelas curtas de tempo, muitas vezes sem um fato novo fundamentalista que as justifique, exceto a própria mecânica de exaustão de compradores.

O impacto setorial na economia digital e o futuro das altcoins

O declínio do Bitcoin arrasta consigo todo o ecossistema de finanças descentralizadas (DeFi) e tokens não fungíveis (NFTs). A queda de US$ 2 trilhões no valor total do mercado cripto desde outubro de 2024 reflete uma desalavancagem massiva. Empresas que dependem da valorização do Bitcoin para financiar suas operações de mineração e infraestrutura já começam a revisar seus planos de expansão para o restante de 2026.

Diferente de ciclos anteriores, a crise atual não parece estar ligada a colapsos de corretoras específicas, mas sim a um realinhamento macroeconômico. O Bitcoin enfrenta agora o desafio de provar sua tese como reserva de valor em um mundo de juros reais positivos. Se o ativo não conseguir se desvincular da imagem de “termômetro de liquidez especulativa”, seu preço continuará refém das decisões de política monetária do Fed, independentemente do apoio retórico vindo de Washington.

Reconfiguração do fluxo de capitais e os desdobramentos na B3

O reflexo da queda do Bitcoin também é sentido nos mercados emergentes, incluindo o Brasil. Investidores que utilizavam ETFs (Exchange Traded Funds) de criptoativos na B3 para diversificar carteiras viram seu patrimônio sofrer uma erosão significativa em poucos meses. O movimento de retirada de capital de ativos voláteis impacta indiretamente o fluxo cambial, uma vez que boa parte dessas operações ocorre via conversão para dólar em exchanges internacionais.

A expectativa para os próximos trimestres é de uma consolidação. Analistas acreditam que o mercado passará por uma limpeza, onde apenas os projetos com utilidade real e lastro tecnológico sobreviverão à pressão vendedora. Para o Bitcoin, o teste de fogo será manter-se acima dos suportes psicológicos de 2024. Caso a barreira dos US$ 60 mil seja rompida, o cenário de capitulação pode se intensificar, forçando uma reavaliação completa das estratégias de investimento digital para o restante da década.

Tags: ativos digitaisB3BitcoinCriptomoedasDonald TrumpEconomiaeconomia americanaFederal ReserveinvestimentosMercado Financeirovolatilidade

LEIA MAIS

Risco-País Da Argentina Volta Aos 511 Pontos E Mercado Aumenta Cautela Com Milei - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Risco-país da Argentina volta aos 511 pontos e mercado aumenta cautela com Milei

A Argentina encerrou esta terça-feira (18) com uma mudança importante no humor dos mercados. O risco-país avançou para 511 pontos-base, alta de 4,5% em relação aos 489 pontos...

Leia MaisDetails
Valuation: O Que É, Como Calcular E Quais Métodos Definem O Valor De Uma Empresa - Gazeta Mercantil
Negócios

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Valuation é o processo utilizado para estimar quanto vale uma empresa, uma participação societária ou outro ativo econômico. O cálculo busca transformar expectativas sobre geração de caixa, crescimento...

Leia MaisDetails
Dólar Hoje Fecha A R$ 5,22 Com Tensão No Oriente Médio E Ata Do Fed No Radar - Gazeta Mercantil - Economia
Dólar

Dólar hoje fecha a R$ 5,22 com tensão no Oriente Médio e ata do Fed no radar

O dólar hoje fechou esta terça-feira (18) em alta de 0,40%, cotado a R$ 5,2216, em uma sessão marcada pela cautela dos investidores com o agravamento das tensões...

Leia MaisDetails
Ibovespa Hoje - B3 - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Ibovespa hoje cai pela 11ª sessão seguida e fecha aos 166 mil pontos; dólar sobe a R$ 5,22

O Ibovespa hoje fechou esta terça-feira (18) em queda de 0,27%, aos 166.334,86 pontos, completando a 11ª sessão consecutiva no campo negativo. A Bolsa brasileira chegou a ensaiar...

Leia MaisDetails
Fidcs - Gazeta Mercantil
Mercados

FIDCs já respondem por 37% das operações do mercado de capitais em 2026

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) deixaram de ocupar uma posição periférica no mercado financeiro brasileiro. No primeiro semestre de 2026, esses veículos movimentaram R$ 53,1...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

01:40:47
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DOLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado

Veja Também

Crise Na Propaganda Eleitoral: Dança Das Cadeiras Atinge Marqueteiros Políticos Em 2026 - Gazeta Mercantil
Política

Crise na propaganda eleitoral: dança das cadeiras atinge marqueteiros políticos em 2026

Leia MaisDetails
Risco-País Da Argentina Volta Aos 511 Pontos E Mercado Aumenta Cautela Com Milei - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Risco-país da Argentina volta aos 511 pontos e mercado aumenta cautela com Milei

Leia MaisDetails
3 Funções Do Celular Que Você Deve Desligar Quando Não Estiver Usando - Gazeta Mercantil - Economia
Tecnologia

3 funções do celular que você deve desligar quando não estiver usando

Leia MaisDetails
Renan Santos - Gazeta Mercantil
Política

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Leia MaisDetails
Valuation: O Que É, Como Calcular E Quais Métodos Definem O Valor De Uma Empresa - Gazeta Mercantil
Negócios

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Crise na propaganda eleitoral: dança das cadeiras atinge marqueteiros políticos em 2026

Risco-país da Argentina volta aos 511 pontos e mercado aumenta cautela com Milei

3 funções do celular que você deve desligar quando não estiver usando

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Dólar hoje fecha a R$ 5,22 com tensão no Oriente Médio e ata do Fed no radar

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP