O BlackBerry Passport, um dos celulares mais reconhecíveis da geração dos smartphones com teclado físico, ganhou uma versão modernizada capaz de rodar Android 14. Batizado de Zinwa P26, o aparelho mantém a aparência, a tela quadrada e o teclado QWERTY do modelo lançado em 2014, mas recebe nova placa-mãe, processador MediaTek Helio G99, 12 GB de memória RAM, 256 GB de armazenamento e câmeras atualizadas.
Apesar da aparência praticamente idêntica à do antigo Passport, o P26 não representa a volta oficial da BlackBerry ao mercado de smartphones. O projeto é desenvolvido pela chinesa Zinwa Technologies, especializada na modernização de aparelhos antigos com teclado físico. No caso da versão completa, a empresa utiliza um BlackBerry Passport em boas condições e instala internamente os novos componentes.
O aparelho montado está em pré-venda por US$ 420. Considerando o dólar próximo de R$ 5 observado no mercado brasileiro nesta semana, o valor corresponde a aproximadamente R$ 2,1 mil em conversão direta, antes de impostos, tributos de importação e eventuais custos incidentes sobre uma compra internacional.
A Zinwa também oferece um kit para proprietários que já possuem um Passport e pretendem fazer a conversão do aparelho. Essa versão custa US$ 350 e inclui a nova placa-mãe, câmeras e bateria, reduzindo em US$ 70 o preço em relação ao modelo entregue montado.
Os envios ainda não começaram. A previsão informada pela fabricante é iniciar as remessas no fim de outubro de 2026.
P26 mantém desenho do Passport, mas troca o hardware
O formato continua sendo o principal elemento de identidade do aparelho. O Passport original foi apresentado pela BlackBerry em 2014 com um desenho largo e praticamente quadrado, inspirado nas dimensões de um passaporte. O modelo combinava uma tela de 4,5 polegadas com resolução de 1.440 por 1.440 pixels e um teclado QWERTY físico que também reconhecia comandos por toque.
Esses elementos ajudaram o aparelho a se diferenciar dos smartphones convencionais da época e continuam sendo justamente o motivo pelo qual o projeto da Zinwa existe. Em vez de criar apenas um telefone inspirado no Passport, a empresa utiliza a estrutura do aparelho original e substitui seus componentes internos.
A mudança de geração aparece principalmente na capacidade de processamento e memória. O BlackBerry Passport original tinha processador Qualcomm Snapdragon 801, 3 GB de RAM e 32 GB de armazenamento interno. No P26, o conjunto passa para um MediaTek Helio G99, 12 GB de RAM LPDDR4X e 256 GB de memória flash.
Na prática, a quantidade de RAM foi multiplicada por quatro e o armazenamento interno ficou oito vezes maior que o encontrado na configuração original.
A troca do sistema operacional também é decisiva. O Passport chegou ao mercado equipado com BlackBerry 10, plataforma que perdeu suporte e deixou de acompanhar o ecossistema atual de aplicativos. A versão desenvolvida pela Zinwa utiliza Android 14, permitindo acesso a uma plataforma muito mais recente e compatível com os aplicativos utilizados atualmente.
O Android 14, entretanto, já não é a versão mais recente do sistema operacional em 2026. Isso coloca o P26 em uma posição diferente da encontrada nos smartphones novos das grandes fabricantes, que normalmente chegam ao mercado com versões mais atuais do Android e políticas próprias de atualização.
O P26, portanto, é mais bem entendido como um projeto de atualização de hardware voltado a entusiastas do formato BlackBerry do que como um concorrente convencional dos principais smartphones Android vendidos atualmente.
Câmera passa de 13 MP para 50 MP
Outro salto aparece nas câmeras. O Passport original utilizava uma câmera traseira de 13 megapixels e uma frontal de 2 megapixels. No P26, a Zinwa adota uma câmera principal de 50 MP e uma frontal de 8 MP.
A diferença de resolução é expressiva no papel. A câmera traseira passa a oferecer quase quatro vezes o número nominal de megapixels do modelo de 2014, enquanto a câmera frontal quadruplica de 2 MP para 8 MP.
Megapixels, isoladamente, não determinam a qualidade final das fotografias. Processamento de imagem, tamanho e qualidade do sensor, lentes e software também exercem influência direta no resultado. Por isso, o aumento da resolução não significa necessariamente que o P26 tenha desempenho fotográfico comparável ao de smartphones atuais de preço semelhante.
A bateria também foi substituída. O Passport utilizava uma unidade de 3.450 mAh, enquanto o P26 recebe uma bateria nova de 3.900 mAh. O aumento é de aproximadamente 13%.
A antiga conexão micro-USB dá lugar ao USB-C, adequando o aparelho ao padrão utilizado pela maior parte dos dispositivos atuais. O conjunto também mantém características valorizadas por usuários de modelos mais antigos, incluindo a entrada de 3,5 milímetros para fones de ouvido.
Tela touch já existia no BlackBerry Passport original
A tela sensível ao toque não é uma novidade introduzida pelo P26. O BlackBerry Passport lançado em 2014 já utilizava um painel LCD quadrado de 4,5 polegadas, resolução de 1.440 por 1.440 pixels e suporte a multitoque.
O próprio teclado físico era uma das inovações do Passport. Além das teclas mecânicas, sua superfície reconhecia gestos, permitindo ao usuário navegar por páginas e conteúdos deslizando os dedos sobre o teclado.
A proposta da Zinwa é justamente preservar esses elementos físicos e atualizar o que se tornou tecnologicamente defasado ao longo dos últimos 12 anos.
Isso também diferencia o aparelho de projetos que apenas reproduzem visualmente os antigos celulares BlackBerry. No P26 montado, a própria Zinwa informa utilizar um Passport original em boas condições e instalar a nova placa-mãe e os demais componentes.
Consequentemente, não se trata de um smartphone completamente novo saindo de uma linha de produção da BlackBerry.
Quanto custa o Zinwa P26?
O aparelho completo está anunciado por US$ 420 durante a pré-venda. Pela referência cambial próxima de R$ 5 por dólar, isso coloca o valor básico ao redor de R$ 2,1 mil.
Esse número não representa, porém, necessariamente o custo final para um consumidor brasileiro. Como a comercialização é internacional, uma eventual importação pode ficar sujeita à tributação aplicável, além da conversão feita pelo meio de pagamento e outras despesas relacionadas à compra no exterior.
A Zinwa informa frete gratuito no anúncio internacional do produto, mas isso não elimina os tributos que possam ser cobrados no país de destino.
Para quem já possui um Passport, há uma segunda alternativa. O P26 Pro Kit custa US$ 350 e inclui a placa-mãe com o MediaTek Helio G99, 12 GB de RAM e 256 GB de armazenamento, além das novas câmeras e da bateria de 3.900 mAh.
A diferença entre os dois produtos é de US$ 70, ou aproximadamente 20% sobre o preço do kit. No modelo de US$ 420, o comprador recebe o dispositivo já montado sobre um Passport em boas condições. No kit, é necessário ter um aparelho compatível e realizar a conversão.
O que muda do BlackBerry Passport para o Zinwa P26
| Característica | BlackBerry Passport | Zinwa P26 |
|---|---|---|
| Lançamento/projeto | 2014 | 2026 |
| Sistema | BlackBerry 10 | Android 14 |
| Processador | Snapdragon 801 | MediaTek Helio G99 |
| RAM | 3 GB | 12 GB |
| Armazenamento | 32 GB | 256 GB |
| Câmera traseira | 13 MP | 50 MP |
| Câmera frontal | 2 MP | 8 MP |
| Bateria | 3.450 mAh | 3.900 mAh |
| Conector | micro-USB | USB-C |
| Teclado físico | Sim | Sim |
| Tela touch | Sim | Sim |
| Preço atual | Descontinuado | US$ 420 montado |
A comparação mostra que a principal transformação não está no desenho externo, mas no interior. A RAM cresce 300% sobre a capacidade original, o armazenamento passa de 32 GB para 256 GB e a bateria recebe aproximadamente 450 mAh adicionais.
O próprio posicionamento do produto deixa isso evidente. A Zinwa não tenta substituir o formato criado pela BlackBerry, mas prolongar sua utilização com componentes capazes de operar aplicações contemporâneas.
BlackBerry não voltou a fabricar celulares
A distinção é importante porque a marca BlackBerry continua existindo, mas hoje sua atividade está concentrada principalmente em software, segurança e tecnologias corporativas. A empresa canadense deixou de produzir seus próprios smartphones anos atrás e o P26 não altera essa estratégia.
A BlackBerry Limited continua sendo proprietária das marcas BlackBerry e BlackBerry Passport. O aparelho colocado em pré-venda é um produto da Zinwa Technologies construído a partir da plataforma física do Passport, e não um novo celular anunciado pela companhia canadense.
Por isso, dizer simplesmente que “o BlackBerry voltou” pode transmitir a impressão de que a fabricante retomou a produção do aparelho. O que efetivamente voltou ao mercado é uma versão modernizada do Passport preparada por uma empresa independente.
A diferença também ajuda a explicar por que o P26 preserva tantos componentes e características do modelo de 2014. Seu principal público são usuários que ainda valorizam o formato largo, o teclado físico e a experiência de digitação dos antigos BlackBerry, mas não querem ficar presos ao hardware e ao sistema operacional de mais de uma década atrás.
O interesse por esse nicho é suficiente para a Zinwa desenvolver não apenas os kits de conversão, mas também oferecer unidades completas já preparadas para uso.
A pré-venda está aberta e, segundo o cronograma informado pela empresa, os primeiros P26 devem começar a ser enviados no fim de outubro. Até lá, o aparelho permanece como uma combinação incomum entre um dos desenhos mais característicos da era BlackBerry e componentes muito mais recentes.
Fontes
Zinwa Technologies — página oficial do P26 Full Device e P26 Pro Kit
BlackBerry Limited — informações institucionais e registros de marca
BlackBerry — documentação técnica do Passport
PhoneArena — especificações e informações sobre a pré-venda do P26
Documentação técnica do BlackBerry Passport










