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Bolha das big techs: investidores institucionais se protegem de possível queda em Wall Street

por Gabriel Monteiro
22/08/2025 às 11h30
em Economia
Bolha Das Big Techs: Investidores Institucionais Se Protegem De Possível Queda Em Wall Street - Gazeta Mercantil - Economia

Bolha das big techs? Investidores institucionais se preparam para queda das ações em Wall Street

Recordes e sinais de alerta

O mercado de tecnologia nos Estados Unidos vive um momento paradoxal. Enquanto o S&P 500 e o Nasdaq renovaram recordes históricos impulsionados pelo grupo conhecido como Magnificent 7 — composto por Alphabet (Google), Amazon, Apple, Meta (Facebook), Microsoft, Nvidia e Tesla — os últimos dias trouxeram uma inversão de tendência que acendeu o alerta entre investidores.

As ações das gigantes de tecnologia começaram a registrar quedas e, ao mesmo tempo, houve um aumento expressivo na compra de puts, opções de venda que funcionam como proteção ou aposta em desvalorização. O movimento sinaliza que o chamado “Smart Money” — fundos, tesourarias e insiders como CEOs e CFOs — começa a se posicionar para uma possível bolha das big techs e consequente correção de preços.

Leia também: Ex-presidente do BRB alertou para possível quebra do Master, aponta investigação.


O que são puts e por que elas importam

A crescente busca por puts se tornou o principal termômetro do sentimento de cautela no mercado. Uma put é um contrato que dá ao investidor o direito de vender um ativo a um preço previamente definido até determinada data.

Na prática, ela pode ser usada de duas formas:

  1. Proteção (hedge): investidores compram puts para evitar perdas em caso de queda no valor de suas ações.

    Leia também: Azul (AZUL4) sofre novo rebaixamento de rating pela Moody’s e enfrenta queda nas ações.

  2. Especulação: quando há expectativa de desvalorização, o investidor aposta na queda e lucra com a diferença entre o preço acordado e o preço de mercado.

O aumento na procura por esses contratos reforça a percepção de risco e alimenta a discussão sobre uma possível bolha das big techs.

Leia também: Bolsa em queda abre janela para Klabin (KLBN11), Smart Fit (SMFT3) e Nubank (ROXO34), dizem gestores.


O peso dos investidores institucionais

De acordo com especialistas do mercado, o investidor de varejo segue amplamente alocado em ações de tecnologia, enquanto grandes players institucionais mostram comportamento oposto.

O Smart Money, formado por fundos, tesourarias e executivos das próprias companhias, parece estar se protegendo ou até mesmo especulando sobre uma correção. Essa divergência de estratégias entre investidores de varejo e institucionais reforça o debate sobre valuations considerados “esticados” demais.

A lógica é simples: quem está dentro das empresas conhece melhor os riscos e a realidade dos balanços. E se esses insiders estão apostando em queda, o mercado entende que há motivos concretos para preocupação.


Correção à vista?

Wall Street tem discutido intensamente a possibilidade de uma correção nas ações de tecnologia. Depois de um ciclo de forte valorização, puxado por resultados robustos, aumento de margens e pela confiança no uso da inteligência artificial (IA) como motor de crescimento, muitos analistas acreditam que os preços perderam a racionalidade.

Esse otimismo exagerado pode estar cobrando a conta agora. O movimento de venda observado nos últimos dias levanta a hipótese de que a euforia deu lugar à cautela, abrindo espaço para a chamada bolha das big techs começar a se desfazer.


Fatores que aumentam o risco da bolha das big techs

Diversos fatores recentes reforçam a tese de que há espaço para correção nas ações de tecnologia:

  • Valuations elevados: após sucessivas altas, os múltiplos de empresas como Nvidia e Tesla estão em patamares considerados irreais por parte dos analistas.

  • Relatório do MIT: um estudo publicado pelo Massachusetts Institute of Technology revelou que 95% das tentativas corporativas de lucrar com IA não geraram resultados concretos. Esse dado lança dúvidas sobre a sustentabilidade do boom da inteligência artificial.

  • Eventos de mercado: o simpósio de Jackson Hole, com falas do presidente do Fed, Jerome Powell, pode influenciar o apetite por risco. Além disso, resultados corporativos de empresas como a Nvidia terão peso crucial nas próximas semanas.

  • Pressão macroeconômica: juros ainda elevados nos EUA e tensões comerciais podem limitar o espaço de crescimento das big techs.


Por que o varejo segue comprado?

Apesar dos sinais de cautela, o investidor pessoa física continua fortemente posicionado nas ações das Magnificent 7. A explicação está no histórico recente: as big techs foram responsáveis por puxar os índices norte-americanos para recordes e entregaram lucros consistentes.

Esse cenário cria a sensação de segurança, levando muitos a acreditarem que a valorização continuará. Porém, especialistas alertam que esse excesso de confiança pode deixar o varejo mais exposto caso a bolha das big techs estoure.


O risco da inteligência artificial como “supervalorização”

A narrativa da IA generativa foi o grande motor da escalada de preços das big techs em 2023, 2024 e 2025. A promessa de transformação de modelos de negócio e criação de novas receitas sustentou o otimismo dos investidores.

Porém, o relatório do MIT expôs um choque de realidade: na prática, a maior parte das empresas ainda não conseguiu extrair valor financeiro significativo da IA. Isso levanta a questão: até que ponto os preços das ações refletem resultados tangíveis ou apenas expectativas?


O impacto para o mercado global

Uma eventual correção das big techs teria repercussão imediata em todo o sistema financeiro global. Como as Magnificent 7 representam peso significativo nos índices de Nova York, qualquer queda mais acentuada pode derrubar o S&P 500 e o Nasdaq, irradiando volatilidade para bolsas de todo o mundo, inclusive o Brasil.

Além disso, fundos de investimento globais com forte exposição ao setor poderiam sofrer perdas relevantes, o que aumentaria a pressão sobre outras classes de ativos, como moedas emergentes e commodities.


O que esperar daqui para frente

Os próximos dias serão decisivos para avaliar se a movimentação atual é apenas uma correção pontual ou o início do esvaziamento da bolha das big techs. Três eventos merecem atenção especial:

  1. Discurso de Jerome Powell em Jackson Hole – pode alterar expectativas sobre juros nos EUA.

  2. Resultados da Nvidia – um dos maiores símbolos do boom da IA.

  3. Fluxos de puts – se a demanda por proteção continuar crescendo, pode indicar que o mercado aposta em uma queda mais profunda.

A recente valorização das Magnificent 7 colocou Wall Street em níveis históricos, mas também levantou a suspeita de que os preços estão inflados. O aumento expressivo de compras de puts por investidores institucionais é um sinal de que o mercado já se prepara para o pior cenário: a explosão de uma bolha das big techs.

Embora os balanços ainda mostrem lucros consistentes, o risco de que expectativas em torno da inteligência artificial tenham criado uma supervalorização é real. Se confirmada, essa bolha pode desencadear um ajuste global, atingindo não apenas as ações de tecnologia, mas todo o sistema financeiro.

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