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Bolsas da Europa fecham em alta com decisão anti-tarifas nos EUA e PMI acima do esperado

por Camila Braga
20/02/2026 às 17h43
em Economia
Bolsas Europeias - Gazeta Mercantil

Bolsas da Europa fecham em alta após decisão da Suprema Corte dos EUA contra tarifas

As Bolsas da Europa encerraram o pregão desta sexta-feira (20) majoritariamente em alta, impulsionadas pela decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou ilegais tarifas impostas pelo governo norte-americano durante a gestão de Donald Trump. O movimento foi interpretado pelo mercado como um sinal de alívio para exportadores europeus, especialmente setores industriais e de tecnologia, altamente expostos ao comércio transatlântico.

O ambiente de maior previsibilidade comercial reforçou o apetite por risco no continente, levando os principais índices acionários a registrar ganhos consistentes no fechamento e acumulados semanais robustos.

Leia também: Acordo Comercial EUA-China: Trump Pressiona por Condições Justas em Meio a Tensões Crescentes

Leia também: Petrobras anuncia alta de R$ 0,48, mas desconto federal reduz aumento para R$ 0,04; entenda.

Em Londres, o FTSE 100 avançou 0,56%, aos 10.686,89 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,81%, aos 25.246,80 pontos. Em Paris, o CAC 40 ganhou 1,39%, aos 8.515,49 pontos. Em Milão, o FTSE MIB registrou alta de 1,48%, aos 46.472,98 pontos. Em Madri, o Ibex 35 avançou 0,82%, aos 18.165,10 pontos. Lisboa destoou levemente, com o PSI 20 recuando 0,05%, aos 9.090,54 pontos.

No acumulado da semana, as Bolsas da Europa mantiveram desempenho positivo: o FTSE 100 subiu 2,3%; o DAX avançou 1,3%; o CAC 40 ganhou 2,5%; Milão acumulou alta de 2,3%; o Ibex 35 registrou 2,8%; e o PSI 20 encerrou com valorização semanal de 1,0%.


Decisão nos EUA reduz incertezas comerciais

A decisão da Suprema Corte norte-americana foi recebida como fator estruturalmente positivo para as Bolsas da Europa. Ao considerar ilegais determinadas tarifas impostas durante o governo Trump, o tribunal sinalizou possível redução de barreiras comerciais que impactavam cadeias globais.

O entendimento judicial pode reduzir custos de exportação para empresas europeias, especialmente fabricantes de bens industriais, equipamentos tecnológicos e produtos de alto valor agregado.

Para analistas, a medida diminui o risco de recrudescimento protecionista no curto prazo e reforça a estabilidade institucional do comércio internacional, elemento central para as Bolsas da Europa em 2026.


Semicondutores lideram ganhos

O setor de tecnologia foi um dos principais vetores de alta nas Bolsas da Europa. Empresas fornecedoras de equipamentos para produção e montagem de semicondutores reagiram positivamente à perspectiva de ambiente tarifário menos restritivo.

As ações da ASML Holding avançaram 1,4%, enquanto a ASM International subiu 1,3%. Já a BE Semiconductor registrou forte valorização de 6,8%.

O movimento ocorre semanas após a União Europeia firmar acordo comercial com os EUA estabelecendo teto tarifário de 15% para exportações de semicondutores do bloco. A combinação entre previsibilidade jurídica e limitação tarifária fortalece a competitividade do setor.

A relevância dos semicondutores para as Bolsas da Europa é estratégica. O segmento representa elo fundamental em cadeias industriais globais, incluindo automotivo, defesa e tecnologia de consumo.


Setor de luxo impulsiona Paris

Outro destaque nas Bolsas da Europa foi o segmento de luxo, altamente dependente de demanda internacional.

A LVMH avançou 4,4%, enquanto a Hermès subiu 3,6%. A Pernod Ricard ganhou 3,5%.

Empresas de luxo são particularmente sensíveis a tensões comerciais e oscilações tarifárias, uma vez que operam com margens elevadas e ampla presença global. A decisão nos EUA foi interpretada como elemento de redução de risco sistêmico para exportações premium.

O desempenho dessas companhias contribuiu decisivamente para o avanço do CAC 40 e reforçou o viés positivo das Bolsas da Europa.


Mineração e indústria também avançam

Em Londres, a mineradora Anglo American subiu 1,33% após divulgação de resultados corporativos considerados consistentes pelo mercado.

O setor de commodities metálicas tem sido sustentado por expectativas de recuperação industrial e demanda chinesa estável. Nas Bolsas da Europa, empresas de mineração frequentemente funcionam como termômetro do ciclo econômico global.

A combinação entre melhora no comércio internacional e dados macroeconômicos positivos favoreceu papéis ligados à indústria pesada e infraestrutura.


PMI reforça leitura construtiva

No campo macroeconômico, o índice de gerentes de compras (PMI) composto da zona do euro superou expectativas, indicando expansão moderada da atividade.

Na Alemanha e no Reino Unido, os indicadores também surpreenderam positivamente. Analistas do Goldman Sachs destacaram que os dados corroboram projeção de melhora gradual da demanda interna na zona do euro, impulsionada pela indústria manufatureira e pela economia alemã.

A leitura de PMI acima do consenso reforça a percepção de que as Bolsas da Europa encontram suporte não apenas em fatores externos, mas também em fundamentos domésticos.

A recuperação do setor industrial alemão, em particular, é vista como crucial para o desempenho do DAX e para a estabilidade do bloco.


Acumulado semanal confirma tendência

O desempenho semanal das Bolsas da Europa indica consolidação de tendência positiva.

O avanço de até 2,8% no Ibex 35 e de 2,5% no CAC 40 reflete fluxo comprador consistente, sustentado por alívio comercial e dados macroeconômicos encorajadores.

Para gestores de recursos, o continente volta a ganhar atratividade relativa diante de mercados emergentes mais voláteis e de incertezas fiscais nos Estados Unidos.

O fortalecimento do euro e a estabilidade das taxas de juros também contribuem para o ambiente favorável às Bolsas da Europa.


Cenário estrutural para 2026

O desempenho recente das Bolsas da Europa deve ser analisado à luz de um cenário global de reequilíbrio comercial.

A redução de incertezas tarifárias pode estimular investimentos industriais e reativar cadeias produtivas impactadas nos últimos anos por tensões geopolíticas.

Ao mesmo tempo, a política monetária europeia mais previsível e a desaceleração inflacionária criam base macroeconômica estável.

Especialistas destacam que a continuidade do movimento dependerá da confirmação de crescimento sustentável e da manutenção do ambiente comercial aberto.


Mercado europeu testa novo patamar de confiança

Com a decisão judicial nos Estados Unidos e dados econômicos positivos na zona do euro, as Bolsas da Europa testam um novo patamar de confiança institucional e econômica.

A convergência entre fundamentos domésticos e redução de riscos externos fortalece o posicionamento do continente no radar global de investimentos.

Se confirmada a trajetória de crescimento industrial e estabilidade comercial, o mercado acionário europeu poderá consolidar ciclo de valorização mais duradouro ao longo de 2026.

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