O Brasil alcançou 168,7 milhões de usuários de internet em 2025, o equivalente a 90,5% da população com dez anos ou mais, mas a expansão do acesso não eliminou as desigualdades na utilização de tecnologias digitais. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostram que o país continua enfrentando limitações relacionadas à qualidade das conexões, à disponibilidade de computadores e às habilidades necessárias para aproveitar serviços digitais e ferramentas de inteligência artificial.
O contraste aparece no uso da internet móvel. Pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) identificou aproximadamente 64 milhões de brasileiros que tiveram o pacote de dados do celular esgotado pelo menos uma vez durante os três meses anteriores à entrevista. O grupo representa 39% das pessoas que possuíam telefone celular no levantamento. Entre os afetados, parte deixou de acessar aplicativos que utilizava habitualmente, mesmo permanecendo em áreas com infraestrutura de telecomunicações.
A diferença também alcança os dispositivos disponíveis. Enquanto 97% dos domicílios da classe A possuem computador, apenas 10% das residências das classes D e E contam com esse tipo de equipamento. Nos domicílios rurais, a proporção é de 15%. Esses indicadores ajudam a explicar por que a ampliação da cobertura de internet não produz necessariamente as mesmas oportunidades de educação, trabalho e participação econômica para todos os usuários.
O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou ainda problemas na coordenação das políticas destinadas a reduzir essas desigualdades. Levantamento analisado em setembro de 2026 encontrou 207 iniciativas federais e 211 políticas estaduais e municipais de inclusão digital, além de dificuldades para integrar informações, identificar sobreposições e estabelecer mecanismos permanentes de financiamento.
Os resultados apontam para uma mudança nas necessidades da digitalização brasileira. A infraestrutura continua sendo necessária, especialmente fora dos centros urbanos, mas o acesso efetivo também depende de equipamentos, condições financeiras, segurança e conhecimentos para utilizar a tecnologia.
Internet alcança 90,5% da população, mas 17,7 milhões continuam sem acesso
O avanço da conectividade brasileira aparece na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Segundo o IBGE, a proporção de pessoas com dez anos ou mais que utilizaram a internet aumentou de 66% em 2016 para 90,5% em 2025, crescimento de 24,5 pontos percentuais em nove anos.
Em números absolutos, a quantidade de usuários alcançou 168,7 milhões, considerando uma população estimada de 186,4 milhões de pessoas nessa faixa etária. Apesar do crescimento, 17,7 milhões não haviam utilizado a internet nos três meses anteriores à pesquisa.
A diferença de acesso entre áreas urbanas e rurais permanece relevante. Nas cidades, 91,5% das pessoas utilizaram a rede em 2025, enquanto nas áreas rurais o percentual chegou a 83%. A distância de 8,5 pontos percentuais demonstra que o avanço nacional ainda apresenta distribuição desigual.
A escolaridade também influencia a utilização dos serviços. Entre pessoas sem instrução, a proporção de usuários ficou em 50,1%, enquanto alcançou 97,4% entre aquelas com ensino superior completo. A diferença de 47,3 pontos percentuais indica que o acesso à internet está associado a condições educacionais que vão além da disponibilidade física de uma conexão.
Entre os brasileiros que não utilizaram a rede, 44,9% apontaram como principal motivo a falta de conhecimento para navegar na internet. Esse obstáculo foi particularmente relevante entre pessoas com 60 anos ou mais, grupo no qual 66,5% dos não usuários mencionaram a dificuldade de utilização.
O IBGE também verificou que 95% dos domicílios brasileiros utilizavam internet em 2025, correspondendo a aproximadamente 76 milhões de residências. O percentual representa crescimento de 1,3 ponto percentual em relação ao ano anterior.
Os indicadores domiciliares e individuais medem situações diferentes. Uma residência pode possuir conexão sem que todos os moradores utilizem regularmente os serviços digitais, assim como uma pessoa pode acessar a rede em locais externos ao domicílio.
Apenas 32% dos domicílios possuem computador
A disponibilidade de equipamentos constitui outra dimensão da desigualdade. A pesquisa TIC Domicílios 2025, conduzida pelo Cetic.br, identificou computadores em 32% das residências brasileiras, incluindo computadores de mesa, notebooks e tablets.
O resultado apresenta diferenças expressivas entre classes sociais. Na classe A, 97% dos domicílios possuem ao menos um desses equipamentos. Na classe B, o percentual cai para 78%, enquanto na classe C chega a 34%. Nas classes D e E, apenas 10% dos domicílios possuem computador.
A distância entre os extremos é de 87 pontos percentuais. Isso significa que a presença de computadores nas residências de maior renda é quase dez vezes superior à observada nas classes de menor poder aquisitivo.
A desigualdade permanece quando se considera a presença simultânea de computador e internet. Segundo o Cetic.br, 97% dos domicílios da classe A possuem os dois recursos, contra apenas 9% nas classes D e E.
O levantamento mostra ainda que 64% das residências das classes D e E possuem internet, mas não contam com computador. Essa configuração indica que a conectividade pode estar disponível principalmente por meio de smartphones e outros dispositivos móveis.
Os telefones celulares oferecem recursos suficientes para diversas atividades cotidianas, como comunicação, pagamentos e consultas. Entretanto, determinadas tarefas educacionais e profissionais podem exigir telas maiores, programas específicos e capacidade de edição de arquivos que nem sempre são igualmente acessíveis nesses aparelhos.
A diferença entre possuir internet e dispor de equipamentos adequados é relevante para estudantes, trabalhadores e pequenos empreendedores que dependem de ferramentas digitais para produzir documentos, acessar sistemas especializados e desenvolver atividades econômicas.
Pacote de internet acaba para 64 milhões de brasileiros
A pesquisa TIC Domicílios 2025 identificou uma limitação que não aparece nos indicadores tradicionais de cobertura: a interrupção do acesso decorrente do esgotamento da franquia de dados móveis.
Cerca de 64 milhões de brasileiros, equivalentes a 39% das pessoas com telefone celular consideradas no levantamento, informaram que seu pacote de dados terminou pelo menos uma vez nos três meses anteriores à entrevista.
O problema atingiu com maior intensidade os usuários de planos pré-pagos. Nesse grupo, 52% relataram o esgotamento da franquia, ante proporção menor entre usuários de outras modalidades de contratação.
Nas classes D e E, 61% das pessoas com celular utilizavam planos pré-pagos. A dependência dessa modalidade amplia a exposição de usuários de menor renda às limitações associadas ao consumo de dados.
Entre os entrevistados que tiveram a franquia esgotada, 41% conseguiram continuar utilizando apenas determinados aplicativos, enquanto 39% ficaram impedidos de acessar aplicações que costumavam utilizar.
Essas restrições demonstram que a presença de sinal de telefonia móvel não garante uso contínuo da internet. Para determinadas famílias, o custo do pacote contratado e a quantidade de dados disponíveis podem limitar a utilização de serviços essenciais, plataformas educacionais e ferramentas profissionais.
O conceito de conectividade significativa, adotado pelo Cetic.br e por organismos internacionais, procura incorporar fatores como qualidade, disponibilidade, equipamentos, acessibilidade financeira e capacidade de utilização dos serviços.
Cobertura 4G supera 99% nas cidades, mas não chega à metade dos moradores rurais
A infraestrutura de telecomunicações também apresenta diferenças importantes entre os territórios brasileiros. O Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações 2025–2029, elaborado pela Anatel, informa que a tecnologia 4G alcançava 92,56% dos moradores do país em junho de 2025.
Nas áreas urbanas, a cobertura estimada chegava a 99,45% da população. Já nas áreas rurais, apenas 44,72% dos moradores estavam abrangidos pelo sinal dessa tecnologia.
A diferença de aproximadamente 54,7 pontos percentuais mostra que a cobertura quase universal nas cidades não se reproduz no campo. Embora todos os municípios brasileiros possuíssem alguma cobertura 4G, a existência de sinal em determinado município não significa atendimento integral de suas comunidades e propriedades rurais.
Os dados também precisam ser diferenciados dos indicadores de utilização da internet domiciliar. A PNAD Contínua registrou acesso à internet em 88% das residências rurais em 2025, mas esse acesso pode ocorrer por tecnologias diferentes do 4G, incluindo redes fixas, conexões via rádio e serviços de comunicação por satélite.
A Anatel mantém compromissos regulatórios para expansão das redes em localidades e rodovias ainda não atendidas. Entre as iniciativas, estão obrigações estabelecidas em licitações de radiofrequência e projetos destinados a regiões com menor atratividade econômica para investimentos privados.
Em fevereiro de 2026, a agência anunciou uma licitação da faixa de 700 MHz, com previsão de investimentos de R$ 2 bilhões para ampliar a cobertura de telefonia móvel e alcançar comunidades e trechos rodoviários sem atendimento adequado.
O desenvolvimento dessas redes poderá ampliar as possibilidades de acesso em áreas onde a infraestrutura permanece limitada, mas não elimina os problemas de custo, disponibilidade de aparelhos e capacitação identificados nas pesquisas.
Inteligência artificial chega a 50 milhões de brasileiros e amplia diferença entre classes sociais
A expansão da inteligência artificial generativa acrescentou uma nova dimensão à desigualdade digital. Segundo a TIC Domicílios 2025, aproximadamente 50 milhões de brasileiros com dez anos ou mais utilizaram ferramentas dessa categoria, correspondendo a 32% dos usuários de internet considerados pela pesquisa.
A adoção foi significativamente maior entre pessoas de renda elevada e escolaridade superior. Na classe A, 69% dos usuários de internet utilizaram ferramentas de IA generativa, enquanto nas classes D e E a proporção ficou em 16%.
A diferença de 53 pontos percentuais mostra que a incorporação dessas tecnologias ocorre em ritmos distintos conforme as condições socioeconômicas.
Entre usuários com ensino superior, 59% declararam ter utilizado inteligência artificial generativa. No grupo com ensino fundamental, o percentual foi de 17%, diferença de 42 pontos percentuais.
O uso declarado foi predominantemente pessoal, citado por 84% daqueles que utilizaram a tecnologia. Entre estudantes de escolas e universidades que recorreram à IA, 86% mencionaram pesquisas ou trabalhos acadêmicos.
A falta de habilidades também aparece como obstáculo. Entre os não usuários de IA com escolaridade até o ensino fundamental, 65% apontaram dificuldades relacionadas ao conhecimento necessário para utilizar essas ferramentas.
Os dados não permitem concluir que o uso de inteligência artificial tenha produzido ganhos específicos de produtividade ou renda para os grupos pesquisados. Eles demonstram, entretanto, que a oportunidade de experimentar essas ferramentas está distribuída de maneira desigual.
A distância entre os grupos pode adquirir importância econômica à medida que aplicações de inteligência artificial passam a integrar atividades profissionais, sistemas educacionais e serviços empresariais.
Apenas 13,6% dos brasileiros apresentam habilidades digitais acima do nível básico
Um estudo divulgado pela Anatel em maio de 2026 mostra que o desenvolvimento de competências digitais não acompanha automaticamente a expansão do número de usuários de internet.
A agência passou a utilizar uma metodologia alinhada às diretrizes da União Internacional de Telecomunicações (UIT), com 20 indicadores distribuídos em cinco áreas: informação e dados, comunicação e colaboração, criação de conteúdo digital, segurança e resolução de problemas.
Segundo o levantamento, 21,3% da população apresentava nível agregado básico de habilidades digitais em 2025, ante 18,3% em 2022. Já a parcela com nível acima do básico recuou de 14,1% para 13,6% no mesmo intervalo.
O estudo também identificou dificuldades nas competências relacionadas à segurança digital e à criação de conteúdo, atividades que exigem conhecimentos mais específicos do que a utilização cotidiana de aplicativos.
As diferenças foram observadas principalmente entre faixas de escolaridade, classes sociais, regiões e grupos etários. Pessoas residentes nas regiões Norte e Nordeste, em áreas rurais e pertencentes às classes de menor renda apresentaram, de maneira geral, indicadores inferiores aos dos grupos com melhores condições socioeconômicas.
A Anatel considera que o desenvolvimento dessas habilidades é necessário para ampliar a capacidade da população de utilizar serviços financeiros, identificar riscos digitais, proteger dados pessoais e aproveitar ferramentas de produtividade.
O diagnóstico também fornece informações para políticas de formação profissional e educação digital. A agência estabeleceu metas de longo prazo e defendeu a concentração de esforços em grupos com maiores dificuldades de acesso e utilização.
Gov.br reúne 177 milhões de usuários, mas TCU identifica riscos de exclusão
A digitalização do setor público brasileiro avançou com a expansão do Gov.br, plataforma que centraliza a identificação digital e o acesso a milhares de serviços governamentais.
Segundo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o sistema alcançou aproximadamente 177 milhões de usuários em 2026. A plataforma reúne serviços federais e permite a integração com sistemas estaduais e municipais, incluindo funcionalidades relacionadas à Previdência Social, saúde, educação, trabalho e documentação.
O crescimento reduziu a necessidade de deslocamento presencial em diferentes procedimentos administrativos. Entretanto, a ampliação da oferta digital também cria exigências relacionadas à autenticação, à segurança das contas e à capacidade dos usuários de operar os sistemas.
Em auditoria divulgada em agosto, o Tribunal de Contas da União examinou a gestão de identidade e os mecanismos de proteção das contas Gov.br. O trabalho identificou riscos relacionados ao uso inadequado de senhas, à exposição a fraudes e às dificuldades de parte da população para utilizar os recursos de segurança.
A avaliação destacou a necessidade de melhorar a experiência dos usuários e ampliar orientações sobre os mecanismos de autenticação.
Em outra análise, divulgada em setembro, o TCU apontou que iniciativas de inclusão digital precisam considerar os cidadãos que não conseguem utilizar os canais eletrônicos. A instituição identificou riscos quando a participação da população e o acesso às informações dependem exclusivamente de meios digitais.
O problema envolve a necessidade de preservar alternativas de atendimento e desenvolver serviços acessíveis para pessoas com diferentes níveis de familiaridade tecnológica.
TCU identifica 418 iniciativas públicas e dificuldades de coordenação
O levantamento apresentado pelo Tribunal de Contas da União em setembro de 2026 identificou 207 iniciativas federais e 211 políticas estaduais e municipais relacionadas à inclusão digital.
Entre as ações federais, aproximadamente 40% estavam vinculadas à digitalização de serviços públicos e à transformação do Estado. Outras iniciativas contemplavam desenvolvimento de habilidades digitais, expansão da infraestrutura e acesso a equipamentos.
Nos estados e municípios, a distribuição apresentou maior concentração em infraestrutura, responsável por cerca de 40% das políticas identificadas. O desenvolvimento de habilidades digitais correspondeu a 35%, enquanto ações voltadas a equipamentos representaram 19%.
A auditoria encontrou dificuldades relacionadas à padronização das informações e à inexistência de um sistema centralizado para registrar as iniciativas. Segundo o tribunal, essas limitações podem provocar sobreposição de esforços, dificultar a identificação de localidades não atendidas e prejudicar a avaliação dos resultados.
Foram identificados quatro grupos principais de riscos para a formulação do Plano Nacional de Inclusão Digital: indefinição de conceitos, insuficiência de informações, participação federativa e social limitada e ausência de fontes recorrentes de financiamento.
Para apoiar a avaliação de políticas públicas, o TCU desenvolveu, em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), um módulo da Plataforma Inclua destinado à identificação de riscos de exclusão digital.
O diagnóstico demonstra que a coordenação das ações públicas é um componente adicional da expansão tecnológica. Sem informações integradas sobre investimentos, beneficiários e resultados, diferentes programas podem atender às mesmas demandas enquanto outras permanecem descobertas.
Redata cria incentivos para expansão de data centers no Brasil
Além das políticas de acesso e capacitação, o governo federal passou a adotar medidas para ampliar a infraestrutura de processamento e armazenamento de dados no território nacional.
Em setembro de 2026, foi sancionada a Lei nº 15.504, que instituiu o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata). A legislação estabelece incentivos tributários destinados à instalação e expansão de centros de processamento de dados, incluindo estruturas utilizadas para computação em nuvem e inteligência artificial.
O regime prevê benefícios fiscais sobre a aquisição de determinados equipamentos, condicionados ao cumprimento de requisitos legais.
Entre as contrapartidas, as empresas participantes deverão disponibilizar pelo menos 10% de sua capacidade de processamento, armazenamento e tratamento de dados ao mercado brasileiro. A legislação também estabelece obrigações relacionadas a pesquisa e desenvolvimento, sustentabilidade e utilização de fontes de energia de baixa emissão.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, aproximadamente 60% das cargas digitais brasileiras dependem de serviços prestados no exterior, situação que contribui para o déficit comercial de serviços tecnológicos.
O Redata procura estimular investimentos em infraestrutura nacional e ampliar a disponibilidade de capacidade computacional no país. A implementação, entretanto, dependerá da habilitação das empresas, do cumprimento das obrigações e das condições econômicas dos projetos.
A existência de incentivos tributários não garante automaticamente novos investimentos ou a redução dos preços finais dos serviços digitais. Os efeitos dependerão da implantação efetiva dos empreendimentos e de sua utilização pelos setores produtivos.
Expansão digital passa a depender de infraestrutura, equipamentos e formação
Os indicadores brasileiros mostram avanços simultâneos e limitações persistentes. O país ultrapassou 90% de usuários de internet entre pessoas com dez anos ou mais, mas a presença de computadores continua concentrada nos domicílios de maior renda. A utilização de inteligência artificial cresce, enquanto uma parcela expressiva da população enfrenta dificuldades para operar ferramentas digitais.
As diferenças entre os indicadores do IBGE e do Cetic.br também exigem atenção. Embora ambas as instituições produzam estatísticas sobre conectividade, utilizam metodologias, conceitos e procedimentos amostrais próprios. Por isso, os 168,7 milhões de usuários identificados pelo IBGE e os aproximadamente 157 milhões apontados pela TIC Domicílios não devem ser tratados como resultados diretamente equivalentes.
O mesmo cuidado é necessário na avaliação das políticas públicas. Ampliar a infraestrutura disponível, reduzir interrupções de acesso, oferecer equipamentos e desenvolver competências digitais são objetivos distintos, embora relacionados.
As próximas etapas da digitalização brasileira poderão ser acompanhadas por indicadores que vão além da quantidade de conexões. Entre eles estão a continuidade do acesso móvel, a disponibilidade de computadores, as habilidades da população para utilizar serviços digitais, a inclusão de estudantes e trabalhadores e a capacidade de empresas adotarem novas tecnologias.
Os resultados dessas medidas dependerão de investimentos, execução dos programas e acompanhamento de seus efeitos sobre a população. O crescimento da conectividade estabelece a base técnica para a transformação digital, mas a utilização efetiva dessa infraestrutura permanece desigual entre os brasileiros.
Fontes:
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — PNAD Contínua 2025, divulgada em julho de 2026, com indicadores de uso da internet, posse de telefone celular, acesso domiciliar e desigualdades regionais e educacionais.
Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e Cetic.br — pesquisa TIC Domicílios 2025, com dados sobre equipamentos, planos de internet móvel, inteligência artificial generativa e diferenças socioeconômicas.
Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) — Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações 2025–2029, com indicadores de cobertura 4G nas áreas urbanas e rurais.
Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) — estudo Habilidades Digitais no Brasil: Uma Nova Abordagem, divulgado em maio de 2026.
Tribunal de Contas da União (TCU) — Acórdão nº 2557/2026, processo TC 018.882/2025-0, e levantamento sobre políticas de inclusão digital apresentado em setembro de 2026.
Tribunal de Contas da União (TCU) — auditoria operacional de agosto de 2026 sobre segurança e gestão de identidade na plataforma Gov.br.
Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos — informações institucionais de 2026 sobre usuários, serviços e expansão da plataforma Gov.br.
Senado Federal — Lei nº 15.504, de 15 de setembro de 2026, que instituiu o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter.
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — comunicado de setembro de 2026 sobre os incentivos, contrapartidas e objetivos econômicos do Redata.










