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Braskem (BRKM5) dobra lucro no 1T26, mas Ebitda fraco e dívida elevada pesam nas ações

Petroquímica teve lucro líquido de R$ 1,45 bilhão no trimestre, mas resultado operacional caiu 24%, receita recuou 20% e alavancagem subiu para 16,81 vezes.

por João Souza - Repórter de Negócios
14/05/2026 às 13h26
em Ibovespa, Mercados, Notícias
Braskem Brkm5 - Gazeta Mercantil

A Braskem (BRKM5) registrou lucro líquido de R$ 1,45 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 107% em relação ao lucro de R$ 698 milhões apurado no mesmo período do ano passado, mas o balanço foi recebido com cautela pelo mercado por causa da queda do resultado operacional, da receita menor e da alavancagem elevada. As ações da companhia ficaram voláteis após a divulgação dos números, alternando alta e queda durante o pregão.

Por volta das 10h15, os papéis da Braskem (BRKM5) subiam 2,54%, cotados a R$ 12,52. Pouco depois, às 10h29, inverteram o sinal, caíam 1,88%, a R$ 11,98, e entraram em leilão. A oscilação refletiu uma leitura dividida dos investidores: o lucro líquido veio forte, mas o desempenho operacional ainda mostrou fragilidades relevantes.

A maior petroquímica da América Latina reportou Ebitda recorrente de R$ 1,01 bilhão entre janeiro e março, queda de 24% na comparação anual. A receita líquida somou R$ 15,49 bilhões, recuo de 20% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

Lucro forte não elimina cautela com o balanço

O lucro líquido da Braskem (BRKM5) mais do que dobrou no primeiro trimestre, mas o avanço não foi suficiente para afastar dúvidas sobre a qualidade da recuperação da companhia.

Parte relevante do resultado positivo veio de efeitos financeiros e cambiais, e não de uma melhora ampla da operação. Segundo análise do Bradesco BBI, o lucro reportado superou as estimativas principalmente por causa de um ganho cambial não monetário decorrente da valorização do real sobre a exposição líquida em dólares da empresa.

A Braskem tinha exposição líquida em dólares de cerca de US$ 10,1 bilhões, ampliada após a descontinuação de aproximadamente US$ 8,4 bilhões em operações de hedge em dezembro de 2025. Com a valorização de cerca de 5% do real no período, a companhia reconheceu impacto positivo no resultado.

Esse efeito ajuda a explicar a diferença entre o lucro líquido elevado e o Ebitda abaixo do esperado. Para o mercado, a distinção é importante porque ganhos cambiais podem melhorar o lucro contábil de um trimestre sem representar, necessariamente, geração operacional recorrente.

Ebitda fica abaixo das projeções

O Ebitda recorrente da Braskem (BRKM5) ficou aquém das expectativas. Analistas esperavam, em média, R$ 1,18 bilhão para o indicador no primeiro trimestre, segundo dados da LSEG.

Na avaliação do Bradesco BBI, o Ebitda recorrente da companhia somou US$ 192 milhões, abaixo da estimativa do banco, de US$ 229 milhões, e também inferior ao consenso da Bloomberg, de US$ 251 milhões.

Apesar disso, houve recuperação em relação ao trimestre imediatamente anterior. O Ebitda avançou 76% na comparação com o quarto trimestre de 2025, sinalizando melhora sequencial depois de um período mais pressionado.

A recuperação, porém, ainda ocorre em nível considerado baixo para uma companhia com a estrutura de capital da Braskem. O resultado mostra que a operação começou a reagir, mas permanece distante de uma normalização plena das margens.

Brasil sustenta melhora sequencial

No Brasil, o Ebitda da Braskem (BRKM5) chegou a US$ 241 milhões, alta de 69% em relação ao trimestre anterior, segundo o Bradesco BBI.

A melhora foi impulsionada por aproximadamente US$ 32 milhões em créditos de PIS/Cofins dentro do regime ampliado do Reiq e por avanço sequencial de 16% nos spreads de resina.

O desempenho brasileiro foi parcialmente compensado por maiores custos de inatividade e manutenção. Ainda assim, a operação doméstica foi uma das principais sustentações do balanço no período.

A relevância do Brasil também aparece na composição da receita. No primeiro trimestre, 59% da receita da Braskem veio do mercado brasileiro. Estados Unidos e Europa responderam por 26%.

A operação local continua sendo central para a empresa, tanto pelo peso na receita quanto pela exposição à demanda industrial, ao câmbio, ao custo de matérias-primas e à política de incentivos ao setor petroquímico.

Estados Unidos e Europa voltam ao positivo

As operações da Braskem (BRKM5) nos Estados Unidos e na Europa também apresentaram recuperação no primeiro trimestre.

O Ebitda da região ficou positivo em US$ 21 milhões, após resultado negativo de US$ 32 milhões no quarto trimestre de 2025. A melhora foi sustentada por avanço de 6% nos spreads de polipropileno e por volumes mais altos.

A reversão para o campo positivo reduz parte da pressão sobre o resultado consolidado, mas ainda não representa uma recuperação completa. O setor petroquímico global segue marcado por excesso de oferta em algumas cadeias, demanda irregular e margens apertadas.

Para a Braskem, a melhora fora do Brasil é relevante porque amplia a diversificação geográfica da geração operacional. Ainda assim, o resultado consolidado mostra que a empresa continua exposta a um ciclo internacional desafiador.

México pesa sobre a operação da Braskem Idesa

O México foi o principal ponto fraco do balanço. A utilização da operação caiu 30 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, para 55%, afetada pela redução no fornecimento de etano pela Pemex e por restrições de liquidez da Braskem Idesa.

Com isso, o Ebitda do segmento ficou negativo em US$ 15 milhões.

A operação mexicana segue sendo acompanhada de perto por investidores por causa de seu impacto no resultado consolidado e no nível de risco da companhia. Baixa utilização, problemas de fornecimento e restrições financeiras reduzem eficiência, pressionam margens e dificultam a recuperação operacional.

A normalização da Braskem Idesa é considerada uma peça importante para uma melhora mais consistente da Braskem (BRKM5), mas ainda depende de maior previsibilidade no suprimento de matéria-prima e de uma estrutura financeira mais equilibrada.

Alavancagem sobe e vira principal alerta

A alavancagem financeira segue como um dos pontos mais sensíveis do balanço da Braskem (BRKM5). A companhia encerrou março com alavancagem de 16,81 vezes quando medida em dólares, acima das 7,98 vezes registradas no fim do primeiro trimestre de 2025.

O aumento do indicador reforça a pressão sobre a estrutura de capital da petroquímica. Em empresas cíclicas, uma alavancagem elevada amplia a vulnerabilidade a oscilações de câmbio, queda de spreads, aumento de custos e períodos de demanda mais fraca.

Esse fator ajuda a explicar a postura cautelosa de parte dos analistas. Mesmo com a possibilidade de melhora operacional no segundo trimestre, a empresa ainda enfrenta a necessidade de ajustar sua estrutura financeira.

O Bradesco BBI avalia que a Braskem precisará remodelar sua estrutura de capital considerando os fundamentos após o atual choque de mercado. A instituição vê risco de diluição para acionistas e manteve recomendação de venda para as ações.

Mudança societária aumenta atenção do mercado

A Braskem (BRKM5) também atravessa um processo de mudança societária com a entrada do grupo de investimentos IG4 em seu grupo de controle.

Esse movimento adiciona incerteza à leitura do balanço, porque pode influenciar decisões sobre desalavancagem, venda de ativos, governança, investimentos, política financeira e estratégia de longo prazo.

A companhia tem papel estratégico na indústria brasileira, com atuação em resinas, insumos petroquímicos e produtos usados por setores como embalagens, construção, automóveis, saúde, bens de consumo e agronegócio.

Por isso, a definição da nova estrutura de controle será acompanhada não apenas por acionistas, mas também por clientes, fornecedores, credores e agentes do setor industrial.

Analistas veem melhora no 2T26, mas risco permanece

Apesar do resultado abaixo das estimativas, o Bradesco BBI projeta melhora relevante no Ebitda da Braskem (BRKM5) no segundo trimestre de 2026.

A expectativa é que a companhia se beneficie de aumento nos spreads petroquímicos provocado por choques no mercado internacional. Segundo o banco, o Ebitda da empresa poderia superar US$ 2 bilhões em 2026 caso os efeitos favoráveis se estendam ao segundo semestre.

A avaliação positiva para o curto prazo, porém, não elimina os riscos estruturais. Para o banco, a melhora cíclica dos spreads não resolve sozinha o problema de alavancagem da companhia.

O ponto central para os investidores será saber se a Braskem conseguirá transformar uma eventual recuperação de margens em geração de caixa suficiente para reduzir dívida, preservar liquidez e evitar medidas que possam diluir acionistas.

Ações refletem dúvida sobre recuperação da Braskem

A volatilidade das ações da Braskem (BRKM5) após o balanço resumiu a leitura do mercado sobre o trimestre. O lucro líquido forte chamou atenção, mas a queda do Ebitda, o recuo da receita, a piora da alavancagem e o risco de reestruturação financeira limitaram o entusiasmo dos investidores.

O balanço trouxe sinais de recuperação sequencial, especialmente no Brasil e nas operações dos Estados Unidos e Europa. Ao mesmo tempo, mostrou que a empresa ainda opera sob forte pressão financeira e depende de melhora mais consistente do setor petroquímico global.

Para que a tese de recuperação ganhe força, a Braskem terá de mostrar avanço recorrente de margens, normalização da operação no México, redução da alavancagem e maior clareza sobre os efeitos da mudança societária.

O primeiro trimestre de 2026 marcou uma melhora parcial, mas não encerrou as dúvidas sobre a companhia. A Braskem (BRKM5) segue no centro das atenções da Bolsa por combinar lucro contábil elevado, dívida alta, controle em transformação e forte exposição aos ciclos de petróleo, resinas, câmbio e juros.

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Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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