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BRB assume cemitérios em São Paulo após crise do Banco Master e busca vender ativos

por João Souza
08/02/2026 às 12h00
em Negócios
Brb Assume Cemitérios Em São Paulo Após Crise Do Banco Master E Busca Vender Ativos - Gazeta Mercantil

BRB assume cemitérios em São Paulo após colapso do Banco Master e amplia crise no sistema financeiro

O movimento em que o BRB assume cemitérios em São Paulo tornou-se um dos episódios mais simbólicos da crise provocada pelo colapso do Banco Master e pela Operação Compliance Zero. A incorporação dos ativos funerários do Grupo Maya pelo Banco de Brasília (BRB) expõe não apenas a fragilidade das carteiras de crédito negociadas no sistema financeiro, mas também os riscos institucionais, regulatórios e reputacionais que se desdobram a partir de operações malsucedidas envolvendo bilhões de reais.

Ao assumir o controle indireto da concessionária Cemitérios São Paulo S.A., conhecida comercialmente como Grupo Maya, o BRB passou a figurar como proprietário de um conjunto de ativos sensíveis, que vão além do setor financeiro tradicional e atingem serviços públicos essenciais na maior cidade do país. O episódio reforça o debate sobre governança, fiscalização bancária e os limites das operações de compra de carteiras de crédito entre instituições.

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A origem da operação que levou o BRB a assumir cemitérios

O fato de que o BRB assume cemitérios em São Paulo está diretamente ligado à aquisição, por parte do banco público, de carteiras de crédito vendidas pelo Banco Master por cerca de R$ 12 bilhões. Posteriormente, o BRB identificou que grande parte desses créditos era considerada podre, sem lastro efetivo ou com elevada probabilidade de inadimplência.

Diante do rombo, o banco iniciou uma substituição emergencial das garantias oferecidas pelo Master. Nesse processo, recebeu uma ampla gama de ativos, incluindo imóveis, participações societárias, fundos, contas no exterior e empresas operacionais. Entre esses ativos estava o Grupo Maya, responsável pela administração de cinco cemitérios na capital paulista.

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A situação se agravou quando o Banco Master entrou em liquidação extrajudicial, decretada um dia após a prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro, e de outros executivos, no âmbito da Operação Compliance Zero.

Grupo Maya e a administração de cemitérios paulistanos

Com a operação, o BRB assume cemitérios em São Paulo que até então estavam sob gestão privada do Grupo Maya. A empresa administra os cemitérios de Campo Grande, Lageado, Lapa, Parelheiros e Saudade, além de atuar na comercialização de serviços funerários, como coroas de flores, traslados e planos de sepultamento.

Esses cemitérios atendem milhares de famílias todos os anos e fazem parte da infraestrutura urbana essencial da capital paulista. A entrada indireta de um banco público como controlador do grupo levanta questionamentos sobre a adequação institucional e os riscos operacionais dessa transição.

Além disso, o Grupo Maya figura entre os líderes de reclamações nos canais oficiais da Prefeitura de São Paulo, o que adiciona uma camada adicional de complexidade à gestão desses ativos.

Investigações, denúncias e conexões empresariais

O episódio em que o BRB assume cemitérios em São Paulo também está cercado por investigações administrativas e policiais. O Executivo municipal apura a existência de uma possível fusão informal entre o Grupo Maya e a Cortel, outra empresa responsável pela administração de cemitérios na capital.

Durante as apurações, a prefeitura identificou que o Grupo Maya realizou uma série de empréstimos junto ao Banco Master. O dado chamou atenção das autoridades, sobretudo porque Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, aparece no quadro societário da Cortel. Zettel foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero.

Essas conexões reforçam a percepção de que a crise não se limita a um problema pontual de crédito, mas envolve uma rede complexa de relações empresariais, financeiras e familiares.

Estratégia do BRB para se desfazer dos ativos

Embora o fato de que o BRB assume cemitérios em São Paulo tenha causado repercussão nacional, a estratégia do banco é clara: vender esses ativos o mais rápido possível para recompor o caixa e reduzir a exposição a setores fora de seu core business.

O Grupo Maya integra o pacote de ativos que o BRB pretende alienar. Na última semana, o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, esteve na região da Faria Lima, em São Paulo, em busca de investidores interessados na compra desses bens.

Além dos cemitérios, o pacote inclui um terreno próximo à região da Cidade Jardim, área nobre da capital paulista, restaurantes e outros ativos imobiliários e empresariais. O valor total do conjunto é estimado em R$ 21,9 bilhões.

Pressão regulatória e exigências do Banco Central

O episódio em que o BRB assume cemitérios em São Paulo ocorre sob forte pressão regulatória. O Banco Central determinou que o BRB fizesse um provisionamento de R$ 2,6 bilhões ainda em janeiro, refletindo os riscos associados à operação com o Banco Master.

Para atender às exigências do regulador e recompor seu capital, o BRB apresentou um plano que envolve diferentes alternativas. Entre elas estão a contratação de empréstimos junto a um consórcio de bancos, a possibilidade de apoio do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), a estruturação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) com ativos do Governo do Distrito Federal e, principalmente, a venda dos ativos adquiridos do Banco Master.

Nesse contexto, a alienação dos cemitérios administrados pelo Grupo Maya torna-se uma peça-chave da estratégia financeira do banco.

Impactos institucionais e riscos reputacionais

O fato de que o BRB assume cemitérios em São Paulo gera impactos que vão além do balanço financeiro. Há um componente reputacional relevante para uma instituição financeira pública que, de forma indireta, passa a controlar serviços funerários em uma metrópole como São Paulo.

Especialistas avaliam que, embora a posse desses ativos seja transitória, a situação expõe fragilidades nos mecanismos de avaliação de risco e de due diligence adotados em operações de grande porte. Também reacende o debate sobre a atuação de bancos públicos em operações complexas com instituições privadas de menor transparência.

Reflexos no mercado financeiro e no setor público

A crise que levou ao cenário em que o BRB assume cemitérios em São Paulo repercute no mercado financeiro como um alerta sobre a qualidade das carteiras de crédito negociadas entre bancos. Investidores e analistas passaram a olhar com mais cautela para operações estruturadas envolvendo ativos de difícil mensuração e garantias pouco líquidas.

No setor público, o episódio reforça a necessidade de aprimoramento da governança e da fiscalização sobre bancos controlados por entes federativos, especialmente quando realizam operações fora de seus mercados tradicionais.

Serviços essenciais e continuidade operacional

Apesar das turbulências financeiras, a administração municipal acompanha de perto a situação para garantir que os serviços funerários não sofram interrupções. O fato de que o BRB assume cemitérios em São Paulo não altera, no curto prazo, o funcionamento dos cemitérios, que continuam operando normalmente.

No entanto, a indefinição sobre o futuro controlador do Grupo Maya gera incertezas para funcionários, fornecedores e usuários dos serviços. A expectativa é de que a venda dos ativos ocorra de forma célere, minimizando impactos operacionais.

Um episódio emblemático da crise bancária recente

O caso em que o BRB assume cemitérios em São Paulo já é tratado nos bastidores como um dos episódios mais emblemáticos da crise bancária recente no Brasil. Ele reúne elementos de má gestão de risco, fragilidade regulatória, conexões empresariais controversas e impactos diretos sobre serviços públicos sensíveis.

Para o BRB, o desafio é duplo: recuperar o equilíbrio financeiro e preservar sua credibilidade institucional. Para o sistema financeiro, o episódio serve como lição sobre os riscos de operações bilionárias sem garantias sólidas e transparência adequada.

Venda dos ativos e próximos capítulos

O desfecho do episódio em que o BRB assume cemitérios em São Paulo dependerá da capacidade do banco de encontrar compradores dispostos a absorver esses ativos em um ambiente de escrutínio elevado. A alienação bem-sucedida pode reduzir significativamente os impactos financeiros da crise.

Enquanto isso, o caso segue no radar das autoridades regulatórias, do mercado e da opinião pública, como um símbolo dos desafios enfrentados pelo sistema financeiro brasileiro em um cenário de maior rigor regulatório e cobrança por responsabilidade institucional.

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