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Brisanet (BRIT3)lucra R$ 19 milhões no 1º trimestre, queda de 6,5% em um ano

Operadora elevou receita em 15,9%, para R$ 453,9 milhões, mas resultado foi pressionado por custos, despesas e investimentos no segmento móvel

por Ana Luiza Farias
12/05/2026 às 23h29
em Empresas
Brisanet Lucra R$ 19 Milhões No 1º Trimestre, Queda De 6,5% Em Um Ano - Gazeta Mercantil

A Brisanet (BRIT3) registrou lucro líquido de R$ 19 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 6,5% em relação ao mesmo período do ano passado, apesar do avanço da receita operacional. A operadora de telecomunicações, com forte presença no Nordeste, faturou R$ 453,9 milhões entre janeiro e março, crescimento anual de 15,9%. O desempenho mostra expansão comercial, mas também evidencia a pressão de custos, despesas operacionais e encargos financeiros sobre o resultado final da companhia.

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A queda do lucro ocorreu em um trimestre marcado pelo aumento dos custos de serviços prestados, pela expansão da base móvel e pelos efeitos de depreciação e amortização associados aos investimentos realizados pela empresa. A Brisanet vem ampliando sua atuação além da banda larga fixa, com foco em serviços móveis, segmento que exige capital intensivo e pode pressionar margens no curto prazo.

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Os custos com serviços prestados somaram R$ 256,5 milhões no primeiro trimestre, alta de 15% em relação aos R$ 222,5 milhões registrados um ano antes. As despesas operacionais também cresceram em ritmo relevante, avançando cerca de 26%, para R$ 130,7 milhões.

Receita cresce com expansão da operação

O crescimento de 15,9% da receita mostra que a Brisanet manteve ritmo de expansão em sua base de negócios. A companhia segue concentrada no mercado de telecomunicações, com atuação relevante em banda larga fixa e avanço no segmento móvel.

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A receita de R$ 453,9 milhões reflete a capacidade da empresa de ampliar sua presença comercial, especialmente em regiões onde construiu escala operacional. O Nordeste continua sendo o principal território estratégico da operadora, que disputa mercado com grandes grupos nacionais e players regionais.

O avanço do faturamento, porém, não foi suficiente para compensar integralmente o aumento de custos e despesas. Esse ponto é relevante para investidores porque mostra que a expansão da companhia ainda exige investimento elevado e maior estrutura operacional.

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Em empresas de telecomunicações, crescimento de receita precisa ser acompanhado de controle de custos, eficiência de rede, redução de churn e maior monetização da base de clientes. Quando a expansão ocorre em segmentos mais intensivos em capital, como telefonia móvel, o impacto sobre margens pode aparecer antes dos ganhos de escala.

Custos sobem com depreciação e base móvel

A pressão sobre o lucro da Brisanet veio principalmente dos custos associados à operação. Os custos com serviços prestados cresceram 15% no primeiro trimestre, para R$ 256,5 milhões.

Segundo a companhia, o aumento foi impulsionado pelos maiores encargos de depreciação e amortização ligados aos investimentos realizados, sobretudo no segmento móvel. A expansão da base móvel também elevou custos variáveis, acompanhando o crescimento da operação.

Esse movimento é comum em ciclos de investimento em telecomunicações. A construção de rede, aquisição de equipamentos, expansão de cobertura e ativação de clientes elevam a base de ativos e, consequentemente, os encargos de depreciação. Ao mesmo tempo, a operação móvel demanda gastos recorrentes com manutenção, interconexão, atendimento, sistemas e suporte.

No curto prazo, esses fatores podem reduzir o lucro líquido mesmo quando a receita cresce. No médio prazo, a tese depende da capacidade da empresa de transformar a base móvel em receita recorrente, ganhos de escala e melhora de rentabilidade.

Ebitda avança 20,4%, mas margem cai

O Ebitda da Brisanet somou R$ 191,8 milhões no primeiro trimestre, alta de 20,4% em relação ao mesmo período de 2025. O indicador mostra crescimento operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização.

Apesar do avanço nominal, a margem Ebitda caiu de 47% no primeiro trimestre de 2025 para 42% no mesmo período de 2026. A redução indica que a companhia precisou gastar mais para sustentar a expansão da operação.

A queda de margem reforça a leitura de que o crescimento da Brisanet está em fase de investimento. A empresa aumentou receita e Ebitda, mas ainda enfrenta pressão de custos relacionados à expansão, especialmente no móvel.

Para o mercado, a margem Ebitda será um indicador central nos próximos trimestres. Caso a base móvel ganhe escala e os custos cresçam em ritmo menor, a companhia poderá recuperar parte da rentabilidade. Se a pressão continuar, o lucro líquido pode seguir limitado mesmo com aumento de receita.

Despesas operacionais crescem 26%

As despesas operacionais chegaram a R$ 130,7 milhões no trimestre, alta de aproximadamente 26% na comparação anual. O crescimento das despesas também contribuiu para a queda do lucro líquido.

O aumento pode refletir maior estrutura comercial, custos administrativos, atendimento, tecnologia, marketing, expansão geográfica e suporte à operação móvel. Em telecomunicações, despesas operacionais tendem a subir quando a empresa amplia base de clientes e diversifica produtos.

O desafio da Brisanet será diluir essas despesas com maior escala. A companhia precisa converter crescimento de clientes e receita em eficiência operacional, evitando que o avanço da estrutura comprometa margens.

Esse ponto é especialmente importante em um setor competitivo. Operadoras disputam clientes em preço, qualidade de rede, atendimento e cobertura. Empresas regionais, como a Brisanet, precisam equilibrar expansão e disciplina financeira para competir com grupos de maior porte.

Resultado financeiro piora 28,1%

O resultado financeiro líquido da Brisanet ficou negativo em R$ 46,7 milhões no primeiro trimestre, piora de 28,1% em relação ao mesmo período de 2025.

A despesa financeira maior também pressionou o lucro. Em um ambiente de juros elevados, empresas com dívida relevante enfrentam custo financeiro mais pesado. Esse efeito é particularmente sensível em setores intensivos em investimento, como telecomunicações.

A companhia encerrou março com dívida líquida de R$ 1,69 bilhão, valor 2,3% superior ao registrado no fim de dezembro de 2025. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses, ficou em 2,24 vezes, ante 2,21 vezes ao final de 2025.

O aumento é moderado, mas mantém atenção sobre a estrutura de capital. A Brisanet precisa financiar investimentos, sustentar expansão e preservar capacidade de pagamento em um cenário de custo de dívida elevado.

Alavancagem segue controlada, mas exige atenção

A alavancagem de 2,24 vezes dívida líquida/Ebitda indica que a Brisanet mantém uma estrutura financeira administrável, mas não imune a riscos. O patamar é relevante para uma empresa em expansão e deve ser acompanhado junto à geração de caixa.

Em telecomunicações, o endividamento costuma fazer parte da estratégia de crescimento, dado o volume de capital necessário para rede, equipamentos e tecnologia. O risco aparece quando a geração de caixa não cresce na mesma velocidade ou quando os juros elevam o custo da dívida.

No caso da Brisanet, o avanço do Ebitda ajuda a sustentar a alavancagem. Ainda assim, a queda do lucro líquido e a piora do resultado financeiro mostram que a estrutura financeira tem impacto direto sobre a última linha do balanço.

Investidores devem observar nos próximos trimestres se a empresa conseguirá manter crescimento de receita, estabilizar margens e reduzir a pressão financeira. A evolução da operação móvel será decisiva para essa leitura.

Expansão móvel pressiona curto prazo e mira crescimento futuro

A aposta no segmento móvel é um dos principais vetores estratégicos da Brisanet. A companhia busca ampliar sua atuação em telecomunicações e capturar novas fontes de receita, indo além da banda larga fixa.

O movimento, porém, exige investimentos relevantes. A operação móvel envolve rede, espectro, infraestrutura, sistemas, atendimento, ativação de clientes e custos variáveis. Antes de atingir escala, a margem pode ficar pressionada.

Essa dinâmica explica parte do balanço do primeiro trimestre. A Brisanet cresceu em receita e Ebitda, mas o lucro líquido caiu devido ao aumento de custos, despesas e encargos financeiros.

O sucesso da estratégia dependerá da velocidade de expansão da base móvel, da capacidade de monetizar clientes, da retenção da base e da eficiência operacional. Caso consiga capturar escala, a companhia poderá transformar o investimento atual em crescimento recorrente.

Balanço mostra crescimento com pressão sobre rentabilidade

O resultado da Brisanet no primeiro trimestre mostra uma companhia em expansão, mas em fase de maior pressão sobre rentabilidade. A receita cresceu 15,9%, o Ebitda avançou 20,4% e a operação continuou ganhando escala. Ao mesmo tempo, o lucro líquido caiu 6,5%, a margem Ebitda recuou e o resultado financeiro piorou.

Para investidores, o balanço traz uma leitura mista. O crescimento da receita confirma demanda pelos serviços da companhia e avanço da operação. A queda do lucro, por outro lado, mostra que a expansão ainda tem custo elevado.

A Brisanet entra nos próximos trimestres com o desafio de equilibrar crescimento e rentabilidade. O foco estará na evolução do segmento móvel, no controle das despesas operacionais, na alavancagem e na capacidade de recuperar margens.

Se os investimentos recentes resultarem em maior escala e geração de caixa, a companhia poderá melhorar a trajetória de lucro. Se a pressão de custos persistir, o crescimento de receita pode continuar sem se traduzir integralmente em resultado final.

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