terça-feira, 19 de maio de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
Sem resultados
Todos os resultados
GAZETA MERCANTIL
Sem resultados
Todos os resultados
GAZETA MERCANTIL
PUBLICIDADE
Home Política

Ruptura na Direita: Caroline de Toni abandona PL após perder vaga para filho de Bolsonaro

por Carlos Menezes - Repórter de Política
05/02/2026 às 10h35 - Atualizado em 15/05/2026 às 17h05
em Política, Destaque, Notícias
Ruptura Na Direita: Caroline De Toni Abandona Pl Após Perder Vaga Para Filho De Bolsonaro - Gazeta Mercantil

Caroline de Toni formaliza saída do PL após divergências com cúpula nacional e impasses sobre candidatura ao Senado em Santa Catarina

A deputada federal Caroline de Toni comunicou oficialmente, nesta quarta-feira (4), sua desfiliação do Partido Liberal (PL), consolidando uma ruptura anunciada após semanas de tensão interna.

A política catarinense notificou o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, sobre sua decisão irrevogável de deixar a sigla. O movimento ocorre como consequência direta das articulações para a chapa majoritária de 2026 em Santa Catarina, onde a parlamentar foi preterida na disputa pelas duas vagas ao Senado Federal. A direção nacional do partido optou por priorizar uma composição pragmática, selando um acordo que garante as candidaturas de Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente da República, e de Esperidião Amin, atual senador pelo Progressistas (PP) que buscará a reeleição.

A saída de Caroline de Toni representa um revés significativo para a unidade da direita em um dos estados mais conservadores do país. A deputada, que foi a parlamentar mais votada de Santa Catarina em 2022 e presidiu a importante Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, viu seu projeto político colidir com os interesses da realpolitik de Brasília. O acordo costurado entre Valdemar Costa Neto e o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, impôs uma lógica de alianças suprapartidárias que sacrificou as aspirações da base ideológica local em prol de uma coalizão nacional visando o pleito de 2026.

O acordo PL-PP e o isolamento de Caroline de Toni

A arquitetura política que resultou na saída de Caroline de Toni não foi construída isoladamente em Santa Catarina, mas é fruto de uma estratégia nacional. O PL e o PP, duas das maiores potências do “Centrão”, desenharam um mapa eleitoral que envolve trocas de apoio em diversos estados estratégicos, como o Rio Grande do Sul e Goiás. Em território catarinense, a fatura desse acordo cobrou a vaga que Caroline de Toni pleiteava legitimamente, dada sua expressiva votação anterior e fidelidade às pautas conservadoras.

Valdemar Costa Neto, operando com a lógica de maximizar o tempo de televisão e a capilaridade eleitoral, firmou o compromisso de entregar uma das vagas ao Senado para o PP, na figura do veterano Esperidião Amin. A segunda vaga, considerada “da casa”, foi destinada a Carlos Bolsonaro, cuja transferência de domicílio eleitoral para Santa Catarina faz parte de uma estratégia da família Bolsonaro para garantir mandatos no Senado e manter a imunidade parlamentar e a relevância política. Nesse cenário de cartas marcadas, Caroline de Toni ficou sem espaço na chapa majoritária principal.

A deputada Caroline de Toni tentou, até o último momento, reverter a decisão da executiva nacional, argumentando que sua candidatura possuía apelo orgânico junto ao eleitorado bolsonarista raiz. No entanto, a rigidez do acordo com Ciro Nogueira tornou a posição de Valdemar inflexível. Para a cúpula partidária, a aliança com o PP é vital para a manutenção da governabilidade nos estados e para a formação de bancadas robustas no Congresso, superando, na visão pragmática dos dirigentes, os projetos individuais, mesmo de quadros de alta relevância como Caroline de Toni.

As ofertas recusadas e a questão da autonomia política

Na tentativa de evitar a perda de um quadro com o potencial de votos de Caroline de Toni, a direção nacional do PL colocou sobre a mesa diversas alternativas de “compensação”. Durante as negociações que precederam o anúncio de saída, Valdemar Costa Neto ofereceu à deputada a posição de vice-governadora na chapa de reeleição de Jorginho Mello. Essa oferta, teoricamente prestigiosa, foi prontamente recusada pela parlamentar.

Aliados próximos relatam que Caroline de Toni interpretou a oferta da vice-governadoria como uma tentativa de neutralizar sua influência e submetê-la a uma posição decorativa, sem poder real de agenda. Aceitar a vice significaria, na prática, abrir mão de um mandato legislativo ativo, onde ela tem se destacado na defesa de pautas de costumes e fiscalização do Executivo, para assumir uma função de expectativa de poder. Para uma política em ascensão como Caroline de Toni, o movimento seria um retrocesso estratégico.

Além da vaga no Executivo estadual, foi ventilada a promessa de que Caroline de Toni assumiria a liderança do PL na Câmara dos Deputados a partir de 2027, caso aceitasse disputar a reeleição como deputada federal. Essa proposta visava manter sua capacidade de puxar votos para a legenda, ajudando a eleger outros deputados através do quociente eleitoral. Contudo, a recusa de Caroline de Toni demonstra que seu objetivo central é, de fato, a mudança para a Câmara Alta (Senado), e que a permanência na Câmara dos Deputados já não contempla suas ambições políticas para o próximo ciclo. A deputada entendeu que chancelar o acordo PL-PP seria trair a expectativa de suas bases, que clamam por uma renovação no Senado e rejeitam alianças com a “velha política” representada, na visão de parte do eleitorado, por figuras tradicionais do PP.

O dilema do Governador Jorginho Mello

A crise que culminou na desfiliação de Caroline de Toni colocou o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), em uma posição delicada. Na terça-feira (3), véspera do anúncio, Jorginho havia declarado publicamente, em um evento em Brasília, que seus candidatos ao Senado seriam Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro. O governador defendia a tese da “chapa pura”, argumentando que o PL catarinense tinha força suficiente para eleger os dois senadores sem depender da composição com o PP na majoritária.

Essa declaração de Jorginho Mello foi um último gesto de lealdade a Caroline de Toni e uma tentativa de pressionar Valdemar Costa Neto. No entanto, a resposta da direção nacional foi contundente. Valdemar ameaçou intervir no diretório estadual do PL em Santa Catarina caso o acordo com o PP não fosse respeitado. A ameaça de intervenção – um instrumento drástico onde a executiva nacional destitui a direção local e nomeia uma comissão provisória – esvaziou a autoridade do governador sobre a montagem da chapa.

Ao perceber que o governador não teria força política para bancar sua candidatura contra a vontade de Brasília, Caroline de Toni compreendeu que sua permanência no partido se tornara insustentável. A situação expôs a fragilidade da autonomia dos diretórios estaduais frente ao comando centralizado das legendas brasileiras. Mesmo governando o estado, Jorginho Mello viu-se refém das amarras nacionais, o que acelerou o processo de saída de Caroline de Toni. O episódio deixa cicatrizes na relação entre o governador e sua base mais ideológica, que via na deputada a representante legítima de suas pautas.

O fator Michelle Bolsonaro e a divisão interna

Um elemento que adiciona complexidade à saída de Caroline de Toni é o apoio explícito recebido pela ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Ainda na quarta-feira, Michelle utilizou suas redes sociais para publicar imagens ao lado da deputada e do ex-presidente Jair Bolsonaro, com a legenda “estaremos com você”. Esse gesto público é carregado de simbolismo e indica que a família Bolsonaro não opera em uníssono absoluto com as decisões burocráticas de Valdemar Costa Neto.

O apoio de Michelle sugere que, embora Carlos Bolsonaro seja o beneficiário direto da vaga no PL, existe um reconhecimento do valor e da lealdade de Caroline de Toni por parte do clã. Isso cria uma situação inusitada: a candidata preterida pelo partido do ex-presidente recebe o aval moral da esposa do ex-presidente para buscar seu caminho em outra legenda. Para Caroline de Toni, esse endosso é fundamental, pois permite que ela dispute o Senado por outro partido sem ser rotulada como traidora do bolsonarismo.

A atitude de Michelle também expõe a constante tensão entre a ala ideológica (representada por Caroline de Toni) e a ala pragmática (representada por Valdemar e o Centrão) dentro do PL. Enquanto Valdemar foca em alianças e tempo de TV, a base eleitoral e figuras como Michelle priorizam a coerência ideológica. A saída de Caroline de Toni pode ser lida como um sinal de que a ala ideológica está disposta a buscar novos veículos partidários se o PL continuar a sufocar suas lideranças em nome de acordos tradicionais.

O mercado partidário e o futuro de Caroline de Toni

Com o passe livre no mercado político, Caroline de Toni tornou-se alvo imediato de diversas legendas que enxergam nela um potencial de votos massivo. Antes mesmo de oficializar a saída, a deputada revelou que foi procurada por seis partidos: Avante, Podemos, PRD, Novo, MDB e PSD. A escolha da nova casa será determinante para a viabilidade de sua candidatura ao Senado e para a configuração das alianças em Santa Catarina.

O Partido Novo surge como um destino ideologicamente coerente para Caroline de Toni, dado o alinhamento em pautas econômicas liberais e conservadorismo nos costumes. No entanto, o Novo já possui pré-candidatos, como Gilson Marques, o que exigiria novas composições internas. O MDB e o PSD, partidos com grandes máquinas estaduais, ofereceriam estrutura robusta, mas cobrariam um preço em termos de coerência discursiva, já que muitas vezes compõem com o governo federal do PT em Brasília, algo que a deputada combate ferrenhamente.

A ida de Caroline de Toni para legendas menores, como PRD ou Avante, garantiria a ela total autonomia e a legenda para o Senado, mas com menor tempo de televisão e recursos do fundo partidário. A decisão de Caroline de Toni deverá ser calculada para maximizar suas chances na eleição majoritária, mantendo a narrativa de independência que construiu ao recusar a vice-governadoria. A parlamentar sabe que, em uma eleição para o Senado, a “persona” política muitas vezes pesa mais que a estrutura partidária, especialmente em um eleitorado de opinião como o de Santa Catarina.

Desdobramentos eleitorais e a fragmentação da direita em 2026

A confirmação da candidatura avulsa de Caroline de Toni ao Senado por outra sigla redesenha completamente o cenário para 2026 em Santa Catarina. O estado, que elegerá dois senadores, terá agora uma superoferta de nomes no espectro da direita e centro-direita. A chapa oficial do governador terá Carlos Bolsonaro (PL) e Esperidião Amin (PP). Correndo por fora, mas com força eleitoral comprovada, estará Caroline de Toni. Além deles, nomes como Gilson Marques (Novo) podem estar na disputa.

Essa fragmentação da direita é o pesadelo estratégico que Valdemar tentava evitar, mas que acabou provocando. Com os votos conservadores divididos entre Carlos, Amin e Caroline de Toni, abre-se uma brecha matemática para candidaturas de oposição, como a de Décio Lima (PT) ou de outros nomes da esquerda e centro-esquerda, que podem se beneficiar da dispersão de votos do eleitorado governista. A presença de Caroline de Toni na urna, com o apoio tácito de alas do bolsonarismo e a imagem de “injustiçada” pela máquina partidária, tem potencial para drenar votos tanto de Amin quanto de Carlos Bolsonaro.

Para Esperidião Amin, a candidatura de Caroline de Toni é particularmente perigosa. Ambos disputam o voto conservador tradicional e antipetista. A deputada, com uma retórica mais jovem e agressiva, pode atrair o eleitor que considera Amin parte do “sistema”. Já para Carlos Bolsonaro, o desafio será provar que a transferência de votos do pai é suficiente para elegê-lo em um estado onde ele não construiu carreira, enfrentando uma adversária local com forte recall como Caroline de Toni.

O rompimento de Caroline de Toni com o PL não é apenas uma mudança de sigla; é um sintoma da dificuldade do bolsonarismo em acomodar suas múltiplas correntes dentro de uma estrutura partidária pragmática. A eleição de 2026 em Santa Catarina será o laboratório onde se testará se a fidelidade partidária ao PL de Valdemar Costa Neto é mais forte do que a identificação ideológica direta com representantes como Caroline de Toni. Ao priorizar o acordo de cúpula, o PL pode ter criado uma adversária formidável dentro de seu próprio reduto eleitoral, transformando uma eleição que parecia ganha em uma disputa aberta e imprevisível.

Tags: Carlos BolsonaroCaroline De TonidireitaEleições 2026Esperidião AminJorginho MelloPLPolíticaSanta CatarinaSenado 2026Valdemar Costa Neto

LEIA MAIS

Galípolo Vai Ao Senado Nesta Terça Para Falar Sobre Juros, Autonomia Do Bc E Banco Master - Gazeta Mercantil
Política

Galípolo vai ao Senado nesta terça para falar sobre juros, autonomia do BC e Banco Master

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, será ouvido nesta terça-feira, 19 de maio, pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, em audiência marcada para as 10h....

Leia Maisdetalhes
Daniel Vorcaro É Transferido Para Cela Comum Da Pf Enquanto Delação É Analisada - Gazeta Mercantil
Destaque

Daniel Vorcaro é transferido para cela comum da PF enquanto delação é analisada

O banqueiro Daniel Vorcaro foi transferido internamente para uma cela comum na carceragem da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal enquanto aguarda a análise de sua proposta...

Leia Maisdetalhes
Flávio Dino Relata Ameaça De Funcionária De Companhia Aérea E Pede Campanhas Cívicas - Gazeta Mercantil - Política
Política

Flávio Dino relata ameaça de funcionária de companhia aérea e pede campanhas cívicas

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), relatou nesta segunda-feira (18) ter sido alvo de uma ameaça atribuída a uma funcionária de uma companhia aérea por...

Leia Maisdetalhes
Pgr Diz Que Zambelli Não Cumpriu Plano E Moraes Arquiva Inquérito Por Coação E Obstrução
Política

Zambelli enviou R$ 2 milhões em emenda para entidade ligada a produtora de filme sobre Bolsonaro

A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) destinou R$ 2 milhões em emenda parlamentar à Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade presidida por Karina Ferreira da Gama, produtora ligada...

Leia Maisdetalhes
Pf Aciona Interpol Para Incluir Dono Da Refit Na Lista De Foragidos Internacionais - Ricardo Magro
Política

PF aciona Interpol para incluir dono da Refit na lista de foragidos internacionais

A Polícia Federal acionou a Interpol para incluir o empresário Ricardo Magro, dono do grupo Refit, na lista de foragidos internacionais, após decisão do ministro Alexandre de Moraes,...

Leia Maisdetalhes

Veja Também

Imposto De Renda 2026 - Gzt - Gazeta Mercantil
Economia

Imposto de Renda 2026: contribuinte precisa pagar DARF menor que R$ 10?

Leia Maisdetalhes
Bolsa Família De Maio Começa A Ser Pago Para 19 Milhões De Famílias - Gazeta Mercantil
Brasil

Bolsa Família de maio começa a ser pago para 19 milhões de famílias

Leia Maisdetalhes
Fiis Fundos Imobiliários (Imagem: Jabkitticha/ Istockphoto)
Fundos Imobiliários

IBBP11 amplia portfólio com ativos do XPIN11 e entrega yield anualizado de 11,3%

Leia Maisdetalhes
Galípolo Vai Ao Senado Nesta Terça Para Falar Sobre Juros, Autonomia Do Bc E Banco Master - Gazeta Mercantil
Política

Galípolo vai ao Senado nesta terça para falar sobre juros, autonomia do BC e Banco Master

Leia Maisdetalhes
Empresa Que Teria Comprado Naskar Tem Perfil Recente E Não Informa Executivos No Site Azara Capital Afirma Que Assumiu A Fintech Para Ressarcir Investidores, Mas Apresenta Poucas Informações Públicas, Endereço Associado A Outro Banco E Ausência De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Dos Eua A Azara Capital Llc, Empresa Que Teria Comprado A Naskar Gestão De Ativos Em Uma Operação Estimada Em R$ 1,2 Bilhão Para Tentar Sanar A Crise Da Fintech Brasileira, Reúne Poucas Informações Públicas, Não Informa Executivos Em Seu Site E Apresenta Inconsistências Em Dados De Endereço E Presença Digital. A Instituição Ganhou Visibilidade Nesta Quinta-Feira (14) Após Ser Apontada Como Compradora Da Naskar, Que Deixou De Pagar Rendimentos A Cerca De 3 Mil Investidores E Interrompeu O Funcionamento Do Aplicativo Usado Por Clientes Para Acompanhar Seus Recursos. A Suposta Aquisição Foi Anunciada Em Meio À Pressão De Investidores Que Cobram A Devolução De Valores Aplicados Na Naskar. Segundo A Versão Divulgada Pela Fintech, A Azara Capital Teria Adquirido A Naskar E Outras Empresas Do Grupo, Como 7Trust E Next, Assumindo A Responsabilidade Por Tratativas Voltadas Ao Ressarcimento Dos Clientes. O Caso, Porém, Passou A Levantar Questionamentos Sobre A Própria Azara Capital. A Empresa Não Apresenta Em Seu Site Nomes De Presidente, Diretores, Sócios Ou Responsáveis Pela Gestão. A Página Informa Um Endereço Em Miami, Nos Estados Unidos, Mas A Localização Indicada Aparece Associada Ao Ocean Bank, Banco Comercial Independente Da Flórida. Em Buscas Por “Azara Capital” Em Plataformas De Geolocalização, Não Há Indicação Clara De Sede Própria Da Companhia. Além Disso, A Presença Digital Da Empresa É Recente. O Perfil Da Azara Capital No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E, Até A Manhã Desta Quinta-Feira, Contava Com Apenas Três Publicações. Após A Repercussão Da Suposta Compra Da Naskar, O Perfil Passou Por Alterações, Incluindo Arquivamento De Postagem, Mudanças Na Biografia, Remoção De Contas Seguidas E Bloqueio De Comentários. Naskar Deixou Investidores Sem Acesso Ao Aplicativo A Crise Da Naskar Começou Após A Fintech Não Realizar O Pagamento Mensal De Rendimentos Previsto Para 4 De Maio. Clientes Tentaram Contato Com Os Sócios Da Empresa Para Entender O Motivo Do Atraso, Mas, Segundo Relatos Reunidos No Texto-Base, Não Obtiveram Resposta. A Situação Se Agravou Quando O Aplicativo Da Naskar, Usado Pelos Investidores Para Acompanhar O Patrimônio Aplicado, Deixou De Funcionar Em 6 De Maio. Desde Então, Clientes Passaram A Relatar Dificuldade Para Acessar Informações Sobre Seus Saldos, Rendimentos E Eventual Cronograma De Devolução. A Naskar Atuava Há 13 Anos Captando Recursos De Clientes Com Promessa De Retorno De 2% Ao Mês, Patamar Muito Superior Ao Praticado Em Produtos Financeiros Tradicionais. Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. O Site Da Empresa Não Informa Quem Ocupa Cargos De Comando, Quais São Os Responsáveis Pela Operação, Qual É A Estrutura Societária Ou Quais Executivos Responderiam Pelo Processo De Aquisição Da Naskar. Em Uma Operação Que Envolveria Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão E A Assunção De Passivos Com Milhares De Investidores, A Ausência De Dados Públicos Sobre Governança Amplia A Incerteza. Para Investidores E Credores, A Identificação Dos Responsáveis Pela Empresa É Elemento Básico Para Avaliar Capacidade Financeira, Histórico, Experiência E Responsabilidade Sobre Compromissos Assumidos. Outro Ponto Citado No Texto-Base Envolve O Endereço Físico Informado Pela Azara Capital. A Localização Indicada Em Miami Aparece Associada Ao Ocean Bank, Não A Uma Sede Própria Identificável Da Empresa. Buscas Por “Azara Capital” Em Aplicativos E Sites De Geolocalização Também Não Retornariam Resultados Consistentes. A Ausência De Presença Consolidada Em Plataformas Públicas Não Comprova, Por Si Só, Irregularidade. Ainda Assim, Em Uma Transação De Grande Porte Envolvendo Investidores Prejudicados, A Falta De Dados Verificáveis Aumenta A Necessidade De Esclarecimentos. A Reportagem Também Aponta Que A Azara Capital Não Aparece Como Regulada Ou Cadastrada Em Órgãos De Fiscalização Americanos Como A Securities And Exchange Commission E A Financial Industry Regulatory Authority. Essas Informações São Relevantes Porque A Empresa Se Apresenta Como Sediada Nos Estados Unidos E Vinculada Ao Mercado Financeiro. Perfil Em Rede Social Passou Por Mudanças Após Repercussão A Presença Da Azara Capital Em Redes Sociais Também Entrou No Centro Das Dúvidas. O Perfil Da Empresa No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E Exibia Poucas Publicações Até A Divulgação Da Suposta Transação Envolvendo A Naskar. Durante A Quinta-Feira, Após O Nome Da Empresa Ganhar Repercussão, Foram Observadas Mudanças No Perfil. Uma Publicação Que Mencionava “Capital Rápido Para Negócios Imobiliários” Teria Sido Arquivada. A Conta, Que Seguia 18 Perfis, Deixou De Seguir Todos Eles. A Opção De Comentários Nas Publicações Também Foi Bloqueada. O Perfil Da Empresa Não Teria Conta Correspondente No Linkedin, Plataforma Normalmente Usada Por Instituições Financeiras, Gestoras E Empresas De Serviços Corporativos Para Apresentar Equipe, Histórico, Área De Atuação E Estrutura De Negócios. As Alterações Nas Redes Sociais Não Significam, Isoladamente, Irregularidade. No Entanto, Em Um Contexto De Crise Envolvendo Quase R$ 1 Bilhão Em Recursos De Investidores, Mudanças Rápidas Em Canais Públicos De Comunicação Tendem A Reforçar A Pressão Por Transparência. Para Os Clientes Da Naskar, A Principal Preocupação É Saber Quem Assumirá A Responsabilidade Pelos Valores Aplicados, De Onde Virão Os Recursos Para Eventual Devolução E Qual Será O Prazo Real Para O Início Dos Pagamentos. Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
Empresas

Empresa que teria comprado Naskar tem perfil recente e não informa executivos no site

Leia Maisdetalhes

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Imposto de Renda 2026: contribuinte precisa pagar DARF menor que R$ 10?

Bolsa Família de maio começa a ser pago para 19 milhões de famílias

IBBP11 amplia portfólio com ativos do XPIN11 e entrega yield anualizado de 11,3%

UFG recebe Drone Day com palestras e demonstrações de drones em Goiânia

Galípolo vai ao Senado nesta terça para falar sobre juros, autonomia do BC e Banco Master

Empresa que teria comprado Naskar tem perfil recente e não informa executivos no site

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com

Sem resultados
Todos os resultados
  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com