A rede de cafeterias Cheirin Bão projeta faturamento de pelo menos R$ 500 milhões em 2026 e prepara uma expansão que poderá transformar seu modelo de negócios nos próximos cinco anos. A empresa pretende instalar até 15 mil máquinas automáticas de bebidas quentes no Brasil, ampliando sua presença para além das cafeterias tradicionais. O plano também inclui investimentos em tecnologia, diversificação do cardápio e a abertura da primeira unidade internacional, prevista para novembro, na região de Boston, nos Estados Unidos. A estratégia foi detalhada pelo CEO e cofundador da companhia, Wilton Bezerra, em declarações públicas sobre o crescimento da rede.
O projeto representa uma mudança na forma de distribuição dos produtos. Em vez de depender exclusivamente da abertura de lojas em shoppings e centros comerciais, a Cheirin Bão pretende ampliar as vendas em escritórios, empresas, consultórios, indústrias e outros locais de circulação de pessoas. Os equipamentos oferecem cafés especiais, cappuccinos e chocolates quentes preparados com formulações desenvolvidas pela rede. A empresa acredita que o novo canal poderá contribuir para dobrar seus resultados em cinco anos, embora a expansão exija investimentos expressivos.
A Cheirin Bão encerrou 2024 com faturamento de R$ 400 milhões e registrou crescimento de 10,5% em 2025, alcançando aproximadamente R$ 442 milhões. A meta de R$ 500 milhões para 2026 representaria avanço de 13,1% sobre o ano anterior. Em comunicações empresariais divulgadas em outubro, a companhia também apresentou uma projeção mais elevada, de R$ 550 milhões, equivalente a crescimento de 24,4%. Os dois valores devem ser tratados como estimativas, uma vez que o exercício financeiro ainda não foi concluído.
Máquinas automáticas são a principal aposta de expansão
A nova estratégia comercial começou a ganhar escala em setembro, com o lançamento de um modelo de microfranquia voltado à operação de máquinas automáticas. Diferentemente das cafeterias convencionais, o formato não exige a manutenção de um ponto comercial próprio. Os equipamentos poderão ser instalados diretamente em empresas que desejem oferecer bebidas a funcionários e visitantes. A proposta é atender ambientes onde a demanda por café existe, mas a abertura de uma loja completa não seria economicamente viável.
Segundo Wilton Bezerra, a empresa estabeleceu como objetivo alcançar 15 mil equipamentos em território brasileiro ao longo de cinco anos. Para o período inicial, o planejamento divulgado no lançamento do novo formato prevê a instalação de 3 mil máquinas em dois anos. Essas metas representam etapas diferentes do mesmo projeto e ainda dependem da contratação de franqueados, da aquisição de equipamentos e da disponibilidade de locais adequados. Não se trata, portanto, de máquinas já instaladas ou em operação.
O novo sistema utiliza equipamentos conectados a uma central de monitoramento remoto. A tecnologia permite acompanhar consumo, funcionamento, dosagem de ingredientes e necessidade de manutenção. A companhia estima que entre 80% e 85% das ocorrências técnicas poderão ser resolvidas remotamente. O objetivo é reduzir interrupções de funcionamento e padronizar as bebidas, independentemente da localização da máquina.
A operação inclui oito opções de bebidas, entre cafés coados, espressos, cappuccinos e chocolates quentes. A rede utiliza grãos de café especial produzidos no Sul de Minas Gerais e adapta receitas próprias ao preparo automatizado. Essa padronização será importante para manter características associadas à marca em pontos que não contam com atendimento presencial. O desempenho comercial dependerá, entretanto, da frequência de consumo, do preço das bebidas e da localização de cada equipamento.
Cheirin Bão prevê R$ 58 milhões em investimentos
A implantação da nova operação exigirá investimentos em máquinas, tecnologia e infraestrutura de distribuição. Segundo informações empresariais divulgadas no Portal do Franchising, a Cheirin Bão prevê destinar R$ 58 milhões ao projeto em três anos, depois de aplicar R$ 5 milhões em sua estruturação. A companhia também adquiriu um lote inicial de 300 equipamentos para testar receitas e sistemas operacionais. A ampliação dependerá da capacidade de transformar os testes em contratos comerciais sustentáveis.
O CEO reconhece que a expansão poderá pressionar temporariamente a liquidez da empresa. Isso ocorre porque os desembolsos com equipamentos e infraestrutura precisam ser realizados antes que a nova operação gere receitas suficientes para compensá-los. A expectativa da administração é que, a partir do terceiro ano, parte dos investimentos passe a ser financiada pelos resultados produzidos pelas próprias máquinas. Essa projeção dependerá do ritmo de instalação e da rentabilidade efetiva dos pontos.
A distinção entre crescimento de faturamento e geração de caixa será um dos principais desafios financeiros do projeto. Mesmo uma operação com vendas crescentes pode demandar capital adicional quando precisa adquirir grande quantidade de equipamentos antecipadamente. A utilização de franquias transfere parte dos investimentos aos operadores locais, mas não elimina os custos da franqueadora com logística, tecnologia e suporte. O equilíbrio entre expansão e necessidade de capital determinará a capacidade de manter o ritmo planejado.
Microfranquia exige investimento a partir de R$ 80 mil
O novo modelo foi desenvolvido para ampliar a participação de empreendedores na rede. Segundo as condições comerciais divulgadas no lançamento, o investimento inicial parte de R$ 80 mil, com contrato de cinco anos que permite a operação de até 30 máquinas. O formato não prevê cobrança de royalties mensais e oferece treinamento comercial e suporte técnico. As condições são diferentes das exigidas para a abertura de uma cafeteria convencional.
A Cheirin Bão oferece duas modalidades operacionais. Na primeira, o franqueado prospecta empresas interessadas e administra os relacionamentos comerciais, enquanto a franqueadora coordena o abastecimento e a manutenção. Na segunda, o operador também assume a gestão direta dos equipamentos e dos insumos. A escolha influencia os custos, as responsabilidades e a margem potencial do negócio.
A rede informou que o formato começou com 35 contratos assinados e estabeleceu a meta de alcançar 100 franqueados até o encerramento de 2026. As estimativas comerciais apresentadas pela companhia indicam prazo de retorno do investimento entre dez e 11 meses, dependendo da operação. Esses valores são projeções da franqueadora, não garantias de rentabilidade. O resultado efetivo dependerá das condições contratuais, da demanda e das despesas de cada franqueado.
O novo canal também poderá ampliar a presença da Cheirin Bão entre consumidores que não frequentam regularmente suas lojas. Uma pessoa que experimente os produtos no ambiente de trabalho poderá posteriormente reconhecer a marca em cafeterias ou estabelecimentos comerciais. Esse possível efeito de divulgação é um benefício adicional pretendido pela empresa, mas ainda não foi quantificado publicamente. A estratégia combina distribuição de bebidas e exposição da marca.
Rede ultrapassa 600 lojas e está presente em mais de 300 cidades
A expansão das máquinas ocorre sobre uma rede física já consolidada. A Cheirin Bão encerrou 2025 com 588 operações, segundo o ranking oficial da Associação Brasileira de Franchising (ABF), ocupando a 42ª posição entre as 50 maiores redes do país. O número representou crescimento de 6,3% em relação às 553 unidades registradas no levantamento anterior. Em 2026, a companhia informou ter ultrapassado 600 estabelecimentos, distribuídos por mais de 300 cidades brasileiras.
O avanço da rede ocorreu tanto pela abertura de novos pontos quanto pela expansão de franqueados que passaram a administrar várias unidades. Essa estrutura oferece à empresa operadores com experiência na gestão de lojas e conhecimento dos mercados locais. Parte deles poderá participar da implantação das máquinas automáticas, utilizando relacionamentos comerciais já estabelecidos. A estratégia permite explorar novos canais sem depender exclusivamente da entrada de franqueados iniciantes.
O interior do Brasil permanece entre as prioridades comerciais da rede. A companhia identifica oportunidades em cidades nas quais o consumo de cafés especiais está em expansão e o investimento necessário para abrir uma loja pode ser inferior ao de determinados pontos comerciais nas capitais. O desenvolvimento de formatos menores também amplia as alternativas para diferentes perfis de mercado. A viabilidade, contudo, continua condicionada ao fluxo de consumidores e aos custos operacionais.
Primeira loja nos Estados Unidos está prevista para novembro
A internacionalização constitui outra frente de crescimento da Cheirin Bão. A companhia pretende inaugurar sua primeira unidade fora do Brasil em 20 de novembro de 2026, na região de Boston, nos Estados Unidos. Para 2027, a empresa planeja abrir outras três ou quatro lojas no mercado americano. O objetivo inicial é testar a aceitação dos produtos e compreender as exigências comerciais antes de acelerar a expansão.
A estratégia será direcionada principalmente à comunidade brasileira residente nos Estados Unidos, com atenção especial aos consumidores familiarizados com a culinária mineira. O cardápio preservará características da marca, incluindo cafés especiais e alimentos inspirados em receitas tradicionais de Minas Gerais. A empresa pretende utilizar essa identificação cultural como ponto de entrada no mercado. Adaptações para o público americano poderão ocorrer conforme a experiência das primeiras unidades.
Boston foi escolhida como ponto inicial de uma operação que poderá alcançar outros mercados americanos. Flórida, Miami, Orlando e Nova Jersey estão entre os locais mencionados pela companhia em seus estudos de expansão. A rede também acompanha oportunidades no Chile e na Colômbia. Nenhuma dessas possibilidades representa, por enquanto, uma rede internacional já estabelecida.
A entrada nos Estados Unidos exigirá adaptação a regras sanitárias, padrões de consumo e condições comerciais diferentes das brasileiras. A competição também envolve grandes redes internacionais e cafeterias independentes com presença consolidada. Para a Cheirin Bão, o desafio será preservar sua identidade mineira sem ignorar as preferências dos consumidores locais. O desempenho das primeiras unidades deverá orientar o ritmo de novos investimentos.
Alta do café exige compras antecipadas e controle de custos
A expansão ocorre em um período de volatilidade dos preços do café, matéria-prima essencial para a operação da rede. Segundo Wilton Bezerra, os custos dos grãos especiais aumentaram significativamente nos últimos dois anos, pressionados por condições de safra e oscilações do mercado. O executivo afirmou que determinados cafés chegaram a praticamente dobrar de preço no período. A valorização do dólar também influenciou os custos de aquisição e a formação de preços.
Para reduzir essas oscilações, a Cheirin Bão utiliza compras antecipadas e procura formar preços médios de aquisição ao longo do tempo. A estratégia permite adquirir lotes em momentos diferentes, diminuindo a exposição a uma única cotação. Também contribui para evitar alterações frequentes nos preços cobrados pelas cafeterias. Segundo o executivo, a rede realizou apenas um reajuste no preço do café nos últimos 18 meses.
A política de compras oferece maior previsibilidade, mas não elimina os riscos de mercado. A aquisição antecipada exige disponibilidade financeira e pode gerar custos de armazenagem e manutenção de estoques. Além disso, contratos fechados antes de uma eventual queda dos preços podem se tornar menos vantajosos que compras realizadas posteriormente. A eficiência desse mecanismo dependerá do planejamento de demanda e das condições de fornecimento.
Cardápio e licenciamento ampliam possibilidades de receita
A diversificação de produtos integra o planejamento de expansão. A Cheirin Bão mantém bebidas e alimentos inspirados na culinária mineira, incluindo cappuccino com paçoca, sanduíches de pão de queijo e outras receitas próprias. A empresa também passou a desenvolver opções associadas a hábitos de consumo mais saudáveis. A intenção é ampliar o público sem abandonar os produtos que caracterizam a marca.
Outro caminho estudado é o licenciamento de produtos para comercialização fora das cafeterias. A rede já desenvolveu iniciativas em parceria com outras empresas e avalia novas colaborações em segmentos como sorvetes e alimentos. Esse modelo permitiria ampliar a presença comercial sem depender diretamente da abertura de lojas. As negociações ainda não anunciadas não devem, entretanto, ser tratadas como contratos concluídos.
A diferenciação também envolve o atendimento nas unidades físicas. A empresa busca oferecer uma experiência de cafeteria com características de serviço de restaurante, incluindo preparo de bebidas diante do consumidor e atendimento à mesa. Esse posicionamento contrasta com o funcionamento das máquinas automáticas, voltadas à conveniência e à rapidez. A combinação indica uma estratégia de dois canais: experiência presencial nas cafeterias e acesso facilitado aos produtos em ambientes de trabalho e circulação.
Expansão dependerá de execução e geração de caixa
A Cheirin Bão entra em uma nova fase de crescimento ao combinar franquias tradicionais, máquinas automáticas e internacionalização. A meta de 15 mil equipamentos representa uma ampliação expressiva da presença comercial da marca, mas exigirá investimento contínuo, capacidade logística e contratos suficientes para sustentar a operação. O projeto de autosserviço poderá criar novas fontes de receita e reduzir a dependência da abertura de lojas completas. Seu resultado dependerá, sobretudo, da capacidade de manter os equipamentos funcionando e gerar vendas recorrentes.
A meta de faturamento para 2026 também precisará ser acompanhada à luz das projeções divulgadas pela companhia. A diferença entre os R$ 500 milhões inicialmente mencionados e os R$ 550 milhões apresentados em comunicações recentes demonstra que as expectativas foram atualizadas ao longo do ano. O desempenho efetivo só poderá ser confirmado com os números consolidados do exercício. Enquanto isso, os investimentos em máquinas, a abertura da unidade de Boston e a evolução das lojas brasileiras serão os principais indicadores para avaliar a execução da estratégia.
Fontes
Cheirin Bão — Declarações públicas do CEO e cofundador Wilton Bezerra sobre metas de faturamento, expansão das máquinas automáticas, internacionalização e estratégia comercial, outubro de 2026.
Associação Brasileira de Franchising (ABF) — Ranking oficial das 50 Maiores Franquias do Brasil de 2025, divulgado em março de 2026.
Portal do Franchising, da ABF — Informações e declarações empresariais sobre o lançamento da microfranquia de máquinas automáticas, investimentos, contratos e condições comerciais, outubro de 2026.
Cheirin Bão — Portal institucional, informações sobre franquias, cadeia de fornecimento e portfólio de produtos.
Cheirin Bão — Comunicações empresariais de outubro de 2026 sobre projeção de faturamento e expansão internacional.









