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China libera frigoríficos brasileiros e retoma compra de carne bovina após um ano

Reabertura inclui unidade da JBS em Goiás e ocorre enquanto governo brasileiro negocia habilitação de 33 novas plantas exportadoras.

por Daniel Wicker
20/05/2026 às 17h49
em Agronegócio
China Libera Frigoríficos Brasileiros E Retoma Compra De Carne Bovina Após Um Ano-Gazeta Mercantil

A China autorizou nesta quarta-feira (20) a retomada das exportações de carne bovina de três frigoríficos brasileiros que estavam suspensos desde março de 2025, em uma decisão considerada estratégica para o agronegócio nacional e para a indústria de proteína animal. A medida foi anunciada após reuniões entre autoridades brasileiras e chinesas em Pequim e ocorre em meio aos esforços do governo federal para ampliar o acesso do setor agropecuário brasileiro ao principal mercado consumidor do mundo.

Entre as plantas liberadas está a unidade de Mozarlândia (GO), da JBS, considerada a maior processadora de carne bovina do mundo. Também voltaram a ser habilitadas uma unidade da Frisa, em Nanuque (MG), e uma planta da Bon-Marte, em Presidente Prudente (SP). As três empresas haviam sido bloqueadas pela Administração-Geral de Aduanas da China (GACC) sob alegação de “não conformidade” com requisitos regulatórios chineses relacionados ao registro de estabelecimentos estrangeiros.

Leia também: Quaest: 5% dos Brasileiros Temem Guerra em Meio ao Tarifaço Brasil-EUA.

A retomada das operações representa um alívio para o setor exportador brasileiro, especialmente em um momento de elevada dependência do mercado chinês. O país asiático é atualmente o principal destino da carne bovina brasileira e responde por parcela relevante da receita das exportações do agronegócio nacional.

A decisão também ocorre durante visita oficial do ministro da Agricultura, André de Paula, à China. Paralelamente à reabertura das três unidades, o Ministério da Agricultura solicitou às autoridades chinesas a habilitação de 33 novos frigoríficos brasileiros para exportação.

O movimento é interpretado pelo setor como um sinal de aproximação comercial e de fortalecimento da confiança chinesa no sistema sanitário brasileiro.

Reabertura fortalece exportações do agronegócio

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que a decisão chinesa representa uma “importante conquista” para o setor de proteína animal brasileiro.

Segundo a entidade, a autorização reforça o reconhecimento da qualidade sanitária da carne bovina produzida no Brasil e demonstra que o país continua sendo um parceiro estratégico para o abastecimento chinês.

A suspensão aplicada em março do ano passado havia provocado preocupação entre frigoríficos e exportadores. Na ocasião, a autoridade sanitária chinesa não detalhou quais critérios específicos teriam motivado a decisão, limitando-se a mencionar problemas relacionados aos registros das unidades.

O bloqueio afetou diretamente plantas relevantes para a cadeia exportadora brasileira, sobretudo em estados com forte participação na pecuária bovina.

No caso da unidade da JBS em Mozarlândia, a paralisação das vendas à China teve impacto relevante porque a planta está entre as principais estruturas industriais do grupo voltadas à exportação de carne bovina.

Analistas do setor avaliam que a reabertura pode contribuir para recompor margens da indústria frigorífica, em um momento marcado pela volatilidade dos preços internacionais da proteína animal e pelo aumento da concorrência global.

China segue como principal mercado da carne brasileira

A relação comercial entre Brasil e China tornou-se central para o agronegócio brasileiro nos últimos anos. Atualmente, a China concentra uma fatia significativa das compras externas de carne bovina produzida no país.

A dependência do mercado chinês é acompanhada de perto por frigoríficos, produtores rurais e investidores do setor agropecuário, uma vez que qualquer alteração sanitária, diplomática ou regulatória tende a produzir efeitos imediatos sobre preços, produção e exportações.

A forte demanda chinesa ajudou a consolidar o Brasil como maior exportador mundial de carne bovina. Além da competitividade de preços, o país se beneficia da elevada capacidade produtiva e da expansão do rebanho bovino.

Nos últimos anos, porém, o mercado passou a conviver com episódios recorrentes de embargos temporários, suspensões sanitárias e revisões técnicas por parte das autoridades chinesas.

O histórico inclui interrupções relacionadas a casos atípicos de encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como “mal da vaca louca”, além de auditorias sanitárias em plantas frigoríficas brasileiras.

Mesmo diante desses episódios, o fluxo comercial entre os dois países continuou crescendo, sustentado pela necessidade chinesa de ampliar a oferta de proteína animal para abastecer sua população.

Governo busca habilitação de 33 novas plantas

Além da retomada das três unidades suspensas, o governo brasileiro tenta ampliar a presença da indústria nacional no mercado chinês.

Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, o Brasil solicitou a habilitação de 33 novos frigoríficos para exportação à China.

O pedido envolve 20 plantas de carne bovina, 11 unidades de aves e duas de suínos.

Caso as habilitações avancem, o setor poderá ampliar significativamente a capacidade de exportação para o mercado asiático, em um cenário de aumento global da demanda por proteínas.

A estratégia do governo brasileiro busca diversificar a base exportadora e reduzir a concentração das vendas em um número limitado de frigoríficos habilitados.

Executivos do setor avaliam que novas autorizações podem elevar a competitividade das empresas brasileiras e ampliar o volume de embarques nos próximos anos.

A abertura de mercado também é vista como importante para estados produtores que dependem da exportação de proteína animal como motor econômico.

JBS mantém protagonismo no mercado global de proteína animal

A retomada da unidade de Mozarlândia recoloca a JBS no centro das exportações brasileiras para a China.

A companhia possui operações em diversos países e atua nos segmentos de bovinos, aves, suínos e alimentos processados. No Brasil, a empresa mantém presença relevante na cadeia de exportação de proteína animal e figura entre os principais grupos do agronegócio nacional.

A reabertura da planta ocorre em um momento importante para a estratégia internacional da companhia, diante da crescente demanda asiática e das disputas comerciais envolvendo grandes exportadores globais.

Para investidores e agentes do mercado financeiro, decisões regulatórias chinesas costumam ser acompanhadas com atenção porque têm potencial para influenciar receitas, volumes exportados e margens operacionais dos frigoríficos brasileiros.

Empresas do setor frequentemente enfrentam oscilações nas ações em função de notícias relacionadas à China, especialmente em casos envolvendo habilitações sanitárias ou restrições comerciais.

Além da JBS, companhias brasileiras do setor de proteína animal monitoram de perto as negociações diplomáticas e técnicas conduzidas entre Brasília e Pequim.

Questões sanitárias seguem no centro das negociações

As relações comerciais entre Brasil e China no agronegócio dependem fortemente da confiança sanitária entre os dois países.

A Administração-Geral de Aduanas da China adota critérios rígidos de fiscalização e costuma exigir protocolos específicos relacionados à rastreabilidade, segurança alimentar e certificações técnicas.

Por isso, auditorias, inspeções e revisões regulatórias tornaram-se parte permanente da rotina dos frigoríficos exportadores.

A suspensão aplicada às três unidades brasileiras em 2025 ocorreu sob alegação de descumprimento de requisitos relacionados ao registro de estabelecimentos estrangeiros.

Embora as autoridades chinesas não tenham detalhado publicamente os pontos específicos de inconformidade, o episódio reforçou a necessidade de adequação contínua das plantas brasileiras aos padrões exigidos pelo mercado asiático.

Especialistas em comércio exterior observam que a China utiliza mecanismos sanitários tanto para controle técnico quanto como instrumento estratégico nas relações comerciais internacionais.

Apesar disso, o Brasil continua sendo considerado um fornecedor prioritário devido à escala de produção e à competitividade da carne bovina brasileira.

Exportações de carne bovina ganham peso na balança comercial

O agronegócio segue como um dos principais pilares da balança comercial brasileira, e a carne bovina ocupa posição de destaque entre os produtos exportados.

A retomada das compras por parte da China tende a fortalecer as perspectivas de embarques ao longo de 2026, especialmente em um cenário de demanda internacional resiliente.

Economistas do setor agropecuário apontam que a ampliação das exportações pode contribuir para geração de divisas, aumento da atividade industrial e fortalecimento da cadeia pecuária.

O movimento também ocorre em um momento de atenção global sobre segurança alimentar e abastecimento de proteínas.

A China, maior consumidora mundial de carne, mantém política de diversificação de fornecedores, mas o Brasil segue entre os parceiros considerados estratégicos.

Além do impacto comercial, a retomada das habilitações possui efeito institucional relevante ao sinalizar estabilidade nas relações bilaterais entre Brasília e Pequim.

Nos bastidores do setor, a expectativa é que novas liberações possam ocorrer nos próximos meses, especialmente caso avancem as negociações envolvendo as 33 plantas indicadas pelo Ministério da Agricultura.

Liberação chinesa amplia expectativa por novos embarques brasileiros

A autorização concedida pela China para três frigoríficos brasileiros encerra mais de um ano de suspensão e reforça o peso estratégico do mercado asiático para a indústria nacional de proteína animal.

O setor agora acompanha os desdobramentos das negociações conduzidas pelo governo brasileiro em Pequim, especialmente em relação ao pedido de habilitação de novas unidades exportadoras.

A avaliação de entidades do agronegócio é que a retomada pode representar não apenas a recuperação de volumes perdidos, mas também a abertura de espaço para expansão adicional das exportações brasileiras de carne bovina, aves e suínos.

Com a China consolidada como principal parceira comercial do agronegócio brasileiro, decisões sanitárias e regulatórias do país asiático continuarão exercendo influência direta sobre frigoríficos, produtores rurais, investidores e sobre o desempenho das exportações do Brasil.

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