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Governo tenta adiar classificação de facções como terroristas até encontro entre Lula e Trump

por Carlos Menezes
10/03/2026 às 12h41
em Política
Governo Tenta Adiar Classificação De Facções Como Terroristas Até Encontro Entre Lula E Trump - Gazeta Mercantil

Reprodução

O governo brasileiro atua para postergar a classificação de facções como terroristas pelo Congresso dos Estados Unidos, evitando que a decisão sobre o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) avance antes da reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em Washington. A iniciativa reflete a preocupação diplomática em mostrar, pessoalmente, o esforço brasileiro no combate ao crime organizado.

Segundo informações de fontes da diplomacia, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, entrou em contato com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, solicitando que a medida não seja enviada ao Parlamento norte-americano até a realização do encontro bilateral. O temor é que, uma vez encaminhada, o Congresso dos EUA tenha apenas sete dias para analisar a classificação, acelerando a medida sem a perspectiva brasileira.

Leia também: Datafolha mostra avaliação negativa do governo Lula estável em 39%.


Estratégia diplomática e agenda presidencial

A ação de Mauro Vieira visa garantir que o governo brasileiro apresente a Trump um panorama detalhado das ações de combate às facções criminosas, reforçando a narrativa de eficiência na repressão ao crime organizado. A visita oficial à Casa Branca ainda não tem data definida, em função da dificuldade de conciliar agendas, mas a prioridade do governo é que a reunião ocorra antes de qualquer decisão formal sobre a classificação de facções como terroristas.

Em paralelo, a embaixada brasileira em Washington intensifica o trabalho de lobby junto a parlamentares norte-americanos. Caso Rubio não aceite o pedido inicial, diplomatas do Brasil estão preparados para negociações diretas, argumentando sobre os avanços do país no enfrentamento ao crime organizado.

Leia também: Cláudio Castro vai a Brasília após governo Lula enviar comitiva ao Rio para discutir operação com 64 mortos.


Operação Carbono Oculto como argumento de defesa

O Ministério da Justiça prepara um dossiê detalhado para apresentar ao presidente Donald Trump, incluindo informações sobre a Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto de 2025. A operação, conduzida pela Receita Federal em parceria com o Gaeco e o Ministério Público de São Paulo, desmantelou uma quadrilha ligada ao PCC especializada em lavagem de dinheiro e fraude no setor de combustíveis.

O esquema envolvia importação de metanol para adulterar combustíveis e utilização de fintechs para ocultar lucros, movimentando bilhões de reais. Para o governo brasileiro, essa ação demonstra que o método mais eficaz de combate ao crime organizado é financeiro, sufocando a capacidade operacional das facções criminosas.

Leia também: Campos Neto expressa preocupação com mudança na meta fiscal do governo.


Critérios norte-americanos para designação de terrorismo

O Departamento de Estado dos EUA estabelece três requisitos principais para a classificação de uma organização como terrorista estrangeira:

  1. Ser uma organização estrangeira.

  2. Engajar-se em atividade terrorista, ou demonstrar capacidade e intenção de fazê-lo.

  3. Representar ameaça à segurança de cidadãos norte-americanos ou à segurança nacional, incluindo defesa, relações exteriores ou interesses estratégicos dos EUA.

O processo de classificação envolve a elaboração de um dossiê com informações de fontes abertas e sigilosas, seguido de avaliação pelo secretário de Estado em consulta com os Departamentos de Justiça e Tesouro. O Congresso tem sete dias para analisar a medida antes que ela seja publicada oficialmente. Após a publicação, a organização ainda pode recorrer da decisão e solicitar revisão ou revogação caso as circunstâncias mudem.


Consequências da classificação de facções como terroristas

A designação de grupos como terroristas tem efeitos legais, políticos e econômicos significativos. Entre eles:

  • É crime fornecer “apoio material” às organizações, incluindo financiamento, treinamento, armas ou serviços.

  • Ativos financeiros vinculados aos grupos podem ser bloqueados, e transações relacionadas são proibidas.

  • Membros ou associados podem ter vistos negados ou serem deportados.

  • A classificação ajuda a isolar internacionalmente a facção e reduzir suas fontes de financiamento.

A preocupação do governo brasileiro é que a publicação da medida antes da reunião com Trump possa prejudicar a narrativa diplomática e o diálogo bilateral sobre cooperação no combate ao crime organizado.


O papel estratégico do Brasil no combate às facções

A tentativa de adiar a decisão nos EUA evidencia a estratégia do governo brasileiro em consolidar a imagem de eficiência no enfrentamento do crime organizado. Além da Operação Carbono Oculto, o país vem intensificando a fiscalização de atividades financeiras suspeitas e ações de repressão coordenadas entre órgãos federais e estaduais.

O argumento central é que a melhor forma de reduzir a influência do PCC e do CV é por meio do controle financeiro e operacional, evitando que suas atividades impactem o mercado, a economia e a segurança pública, tanto no Brasil quanto internacionalmente.

essa abordagem permite ao governo apresentar dados concretos e operações bem-sucedidas, reforçando a posição do país no cenário diplomático e oferecendo ao presidente Lula argumentos sólidos para a reunião com Trump.


Diplomacia e política externa em pauta

O adiamento da classificação de facções como terroristas também reforça o papel estratégico da diplomacia brasileira, que busca equilíbrio entre pressões externas e interesses internos. Ao gerenciar o timing da decisão norte-americana, o Brasil mantém espaço para negociar cooperação bilateral, demonstrando compromisso com a segurança regional e a estabilidade das relações internacionais.

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