quinta-feira, 17 de setembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Negócios

Compra da Eletronuclear pela J&F marca entrada histórica do grupo na energia nuclear

por Gabriel Monteiro
15/10/2025 às 15h57
em Negócios
Compra Da Eletronuclear Pela J&Amp;F Marca Entrada Histórica Do Grupo Na Energia Nuclear - Gazeta Mercantil - Negócios

J&F aposta em energia nuclear e amplia presença no setor com a compra da Eletronuclear

A compra da Eletronuclear pela J&F representa um marco na história recente do setor energético brasileiro. O movimento consolida a presença do grupo dos irmãos Wesley e Joesley Batista em um dos segmentos mais estratégicos da economia: a energia nuclear, vital para o futuro da matriz elétrica nacional e para os planos de transição energética global.

O negócio, realizado por meio da Âmbar Energia, subsidiária da J&F, envolve a aquisição de 68% do capital total e 35,3% do capital votante da Eletronuclear, que continua sob controle estatal, por meio da ENBPar, empresa vinculada ao governo federal.

Mais do que uma transação financeira, a compra da Eletronuclear pela J&F é vista por analistas e especialistas como um passo ousado em direção à consolidação de um portfólio diversificado e resiliente de geração elétrica. A entrada da Âmbar nesse setor coloca o grupo como o único player privado com participação direta na energia nuclear brasileira — um mercado até então restrito ao Estado.


A estratégia por trás da compra da Eletronuclear pela J&F

Segundo executivos da Âmbar Energia, o objetivo é ampliar a presença em segmentos com alto potencial de crescimento e estabilidade. A empresa já atua em múltiplas fontes de energia, incluindo hidrelétricas, solares, térmicas a gás natural, biomassa, biogás e biodiesel, totalizando mais de 50 unidades geradoras em operação ou em fase de integração.

Com a compra da Eletronuclear pela J&F, o grupo entra em uma nova era, marcada pela busca por segurança energética, previsibilidade de receitas e diversificação de matriz. A decisão acompanha uma tendência global: o retorno da energia nuclear ao centro das discussões sobre sustentabilidade e descarbonização, especialmente em meio ao avanço da inteligência artificial e da digitalização, que ampliam a demanda por fontes estáveis e contínuas de energia.

Além disso, a aquisição fortalece a posição da Âmbar como uma das companhias mais relevantes do setor elétrico privado no Brasil, expandindo seu alcance em um segmento que movimenta bilhões e exige alto padrão técnico e regulatório.


O papel da Eletronuclear no sistema elétrico brasileiro

A Eletronuclear é responsável pela operação e manutenção das usinas Angra 1 e Angra 2, ambas localizadas no município de Angra dos Reis (RJ). Juntas, elas somam quase 2.000 megawatts (MW) de potência instalada — energia suficiente para abastecer milhões de residências.

Além disso, a empresa conduz o projeto de Angra 3, com capacidade planejada de 1.405 MW, que deve ampliar consideravelmente o fornecimento de energia firme para o Sistema Interligado Nacional (SIN).

A compra pela J&F confere à Âmbar Energia uma fatia estratégica da infraestrutura nuclear brasileira, que possui contratos de longo prazo garantidos até 2044 (Angra 1) e 2040 (Angra 2). Isso significa receitas previsíveis e fluxo estável de caixa, mesmo em períodos de volatilidade do mercado elétrico.

De acordo com dados recentes, a Eletronuclear registrou receita líquida de R$ 4,7 bilhões em 2024 e lucro líquido de R$ 545 milhões, evidenciando o potencial de rentabilidade do ativo.


Como fica a Eletrobras com a venda

Para a Eletrobras (ELET3), o negócio é igualmente positivo. Ao vender sua participação na Eletronuclear, a companhia reduz riscos financeiros e operacionais associados ao projeto de Angra 3 — um empreendimento de alto custo e longa maturação, que enfrentou diversas paralisações ao longo dos anos.

A transação foi estruturada no formato de “porteira fechada”, o que significa que a Eletrobras não terá mais obrigações futuras relacionadas ao ativo e que todas as responsabilidades anteriores — incluindo dívidas e garantias — passam a ser assumidas pela compradora.

Com isso, a estatal se livra de obrigações estimadas em mais de R$ 9 bilhões, entre debêntures e financiamentos junto ao BNDES e à Caixa Econômica Federal.

Ainda que o preço de venda (R$ 535 milhões) seja inferior ao valor contábil do ativo (cerca de R$ 7,5 bilhões), analistas do mercado financeiro destacam que o impacto líquido é positivo, pois elimina um dos últimos grandes riscos da tese de investimento da empresa privatizada.

Para investidores, a operação reforça a percepção de que a Eletrobras caminha para um perfil mais enxuto, voltado a negócios rentáveis e menos expostos a passivos históricos.


O avanço da J&F no setor energético

O conglomerado J&F Investimentos tem expandido sua presença em diferentes ramos da economia brasileira. Originalmente conhecido pela atuação no setor de alimentos e proteína animal, por meio da JBS, o grupo vem ampliando sua atuação em segmentos estratégicos, como energia, papel e celulose, mineração e finanças.

A Âmbar Energia é hoje uma das principais plataformas desse novo ciclo de expansão. Com a compra da Eletronuclear pela J&F, a companhia reforça sua estratégia de longo prazo baseada em energia limpa, previsibilidade de caixa e inovação tecnológica.

O CEO da Âmbar Energia, Marcelo Zanatta, destacou que o avanço tecnológico e o crescimento da demanda global por energia segura e sustentável tornam a energia nuclear uma peça-chave da matriz mundial. Ele enfatizou que a Âmbar está preparada para contribuir com a transição energética, integrando inovação e estabilidade em seus projetos.


Energia nuclear: um ativo estratégico no cenário global

A energia nuclear vive um novo momento no mundo. Após décadas de estagnação, países como França, Estados Unidos, China, Canadá e Reino Unido estão retomando investimentos no setor, impulsionados pela urgência de reduzir emissões e garantir fornecimento contínuo de eletricidade.

No contexto brasileiro, a compra da Eletronuclear pela J&F insere o país novamente no radar de investimentos em tecnologia nuclear civil, com potencial de gerar empregos, atrair parcerias internacionais e fortalecer a segurança energética nacional.

Além disso, a entrada de um grupo privado robusto no setor tende a dinamizar a gestão e acelerar projetos como o de Angra 3, que é considerado fundamental para atender à crescente demanda energética e manter o equilíbrio entre sustentabilidade e competitividade industrial.


Regulação e próximos passos

A conclusão da compra da Eletronuclear pela J&F ainda depende da aprovação de órgãos reguladores e do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O modelo da operação foi desenhado para garantir que o controle estatal da Eletronuclear permaneça com a ENBPar, conforme determina a Constituição, que restringe a exploração da energia nuclear ao Estado brasileiro.

A Âmbar Energia, portanto, atuará como acionista relevante, mas sem poder decisório sobre a operação nuclear propriamente dita. Sua função será fortalecer a gestão financeira e o planejamento estratégico, contribuindo com investimentos e know-how técnico.

A expectativa do mercado é de que o negócio seja aprovado ainda em 2025, com potencial de movimentar novos investimentos no setor e abrir caminho para futuras parcerias público-privadas em infraestrutura nuclear.


Impactos econômicos e ambientais

Além dos ganhos corporativos, a compra da Eletronuclear pela J&F traz impactos positivos para a economia e o meio ambiente. A energia nuclear é uma das fontes com menor emissão de gases de efeito estufa, sendo considerada fundamental para o cumprimento das metas de neutralidade de carbono até 2050.

Do ponto de vista econômico, o investimento fortalece a cadeia produtiva nacional, movimentando setores como engenharia, tecnologia, manutenção industrial e transporte de insumos.

Especialistas também apontam que a presença da J&F pode contribuir para modernizar a governança e acelerar o cronograma de conclusão de Angra 3, projeto que, quando finalizado, colocará o Brasil em posição de destaque no fornecimento de energia limpa e contínua na América Latina.

A compra da Eletronuclear pela J&F é mais do que um movimento empresarial: é um símbolo da nova fase do setor energético brasileiro. Ela une a força do capital privado à relevância estratégica de um ativo estatal, apontando para um futuro em que o Brasil poderá combinar inovação, sustentabilidade e segurança energética.

Para a J&F, o negócio reforça sua transformação em um grupo de alcance global, com investimentos que vão muito além do agronegócio. Para o país, representa uma oportunidade de reindustrialização verde, com base em uma matriz diversificada e tecnologicamente avançada.

LEIA MAIS

Varejo Brasileiro Enfrenta Juros Altos E Muda Foco Para Geração De Caixa E Produtividade-Gazeta Mercantil
Economia

Varejo brasileiro enfrenta juros altos e muda foco para geração de caixa e produtividade

O varejo brasileiro entrou em uma fase em que faturamento e participação de mercado deixaram de ser suficientes para medir a saúde de uma operação. Com a Selic...

Leia MaisDetails
Uhe Itapiranga De 724 Mw No Rio Uruguai Está Paralisada Desde 2011 E É A Última Barragem Prevista No Rio-Gazeta Mercantil
Economia

Usina Hidrelétrica de Itapiranga avança nos estudos após 14 anos de impasse ambiental

A Usina Hidrelétrica de Itapiranga, projetada para o Rio Uruguai na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, registrou em 2026 um avanço no processo de...

Leia MaisDetails
Exploração De Minerais Críticos Evidencia Racismo Ambiental - Gazeta Mercantil
Economia

Senado aprova política de minerais críticos com até R$ 7 bilhões em incentivos

O Senado aprovou nesta quarta-feira, 2 de setembro, a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, um marco destinado a ampliar investimentos em pesquisa, mineração, processamento...

Leia MaisDetails
Bndes - Gazeta Mercantil
Negócios

BNDES eleva Brasil Soberano 3 a R$ 22,6 bilhões; pedidos começam em até 15 dias

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ampliou nesta terça-feira, 1º de setembro, em R$ 4,1 bilhões sua participação no Brasil Soberano 3, elevando para R$ 22,6...

Leia MaisDetails
Bb Investimentos Recomenda - Gazeta Mercantil
Mercados

BB Investimentos troca Localiza por Direcional e indica 10 ações para setembro

O BB Investimentos fez apenas uma alteração em sua carteira fundamentalista para setembro: retirou Localiza (RENT3) e incluiu Direcional (DIRR3). O restante do portfólio permanece formado por Alupar...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

08:21:40
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Flávio Bolsonaro Usou Recentemente Apartamento Que Pertenceu A Cunhado De Vorcaro
Política

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Leia MaisDetails
Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Negócios
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

Leia MaisDetails
Brb Recebe R$ 376 Milhões Da Xp Por Créditos Ligados Ao Banco Master-Gazeta Mercantil
Empresas

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP