Forças Armadas da Venezuela reconhecem Delcy Rodríguez como presidente interina após prisão de Maduro
A crise política na Venezuela entrou em um novo e delicado capítulo neste domingo com o reconhecimento formal, pelas Forças Armadas venezuelanas, da vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país. A decisão ocorre após a prisão de Nicolás Maduro em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos, fato que provocou forte instabilidade institucional, reações internacionais imediatas e uma reconfiguração do poder em Caracas.
Em nota oficial assinada pelo ministro da Defesa, Vladímir Padrino López, os militares informaram que Rodríguez assume “todos os poderes, deveres e faculdades de presidente”, em cumprimento a uma determinação da Suprema Corte da Venezuela. O tribunal decidiu pela sucessão interina ainda na noite de sábado, poucas horas após o ataque americano, justificando a medida como necessária “em vista da agressão militar estrangeira”.
A medida consolida um movimento de transição institucional em meio à crise política na Venezuela, marcada por décadas de tensão entre governo, oposição, sanções internacionais e denúncias de autoritarismo, corrupção e violações de direitos humanos.
Decisão judicial e respaldo militar selam sucessão interina
A Suprema Corte venezuelana, alinhada ao regime bolivariano, fundamentou sua decisão no argumento de preservação da ordem constitucional diante de um cenário excepcional. Para os magistrados, a captura de Maduro por forças estrangeiras criou um vácuo de poder que exigia resposta imediata do Estado.
O reconhecimento de Delcy Rodríguez pelas Forças Armadas foi decisivo para consolidar sua posição. Historicamente, o apoio militar é o principal pilar de sustentação do poder na Venezuela. Ao reafirmar lealdade à estrutura institucional vigente, os militares buscam transmitir uma imagem de estabilidade em meio à crise política na Venezuela, ainda que o contexto seja de forte contestação interna e externa.
Na mesma nota, o Alto Comando Militar respaldou o Decreto de Comoção Externa editado após o ataque de sábado, instrumento que amplia poderes do Executivo e autoriza medidas excepcionais em nome da segurança nacional.
Prisão de Maduro e acusações nos Estados Unidos
Após ser capturado em Caracas, Nicolás Maduro foi transferido para uma prisão federal em Nova York. Segundo autoridades americanas, o ex-presidente venezuelano enfrenta acusações formais relacionadas a narcotráfico e terrorismo, acusações que o regime sempre classificou como perseguição política.
A prisão de Maduro representa um marco histórico na crise política na Venezuela, ao retirar do poder, de forma abrupta, o líder que governava o país desde 2013. Para aliados do chavismo, trata-se de um “sequestro covarde”. Para críticos do regime, a prisão simboliza o colapso de um modelo político acusado de aprofundar a crise econômica e social.
Governo interino promete governabilidade e ordem interna
Em pronunciamento oficial, o ministro da Defesa afirmou que o governo interino garantirá a governabilidade do país. Segundo ele, as Forças Armadas continuarão empregando “todas as suas capacidades disponíveis para a defesa militar, a manutenção da ordem interna e a preservação da paz”.
O discurso busca acalmar a população em meio à crise política na Venezuela, marcada por incertezas sobre abastecimento, serviços públicos, sistema financeiro e funcionamento da economia. Ainda neste domingo, Padrino López pediu que os cidadãos retomassem suas atividades econômicas, trabalhistas e educacionais, sinalizando a intenção de preservar uma aparência de normalidade institucional.
Pronunciamento de Delcy Rodríguez e defesa do legado bolivariano
Antes de assumir formalmente a Presidência interina, Delcy Rodríguez fez um pronunciamento à imprensa no qual exigiu a libertação imediata de Nicolás Maduro. Para ela, a operação militar americana teve como objetivo promover uma mudança de regime e capturar os recursos energéticos, minerais e naturais da Venezuela.
Apesar de assumir o cargo, Rodríguez afirmou que “só existe um presidente da Venezuela”, referindo-se a Maduro. A declaração evidencia a complexidade da crise política na Venezuela, na qual a sucessão interina ocorre sem o reconhecimento de legitimidade plena por parte da própria sucessora.
Rodríguez pediu calma, unidade nacional e mobilização em defesa da soberania. Em seu discurso, buscou reforçar a narrativa de resistência histórica do povo venezuelano e a ideia de que o país enfrentaria mais um episódio de pressão estrangeira.
Reações dos Estados Unidos e o papel de Donald Trump
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump confirmou que o secretário de Estado, Marco Rubio, manteve conversas com Delcy Rodríguez após a prisão de Maduro. Segundo Trump, a dirigente venezuelana teria se mostrado disposta a “fazer o que for preciso” para viabilizar uma nova fase para o país.
As declarações de Trump reforçam a centralidade da crise política na Venezuela na agenda internacional e levantam questionamentos sobre o grau de autonomia do governo interino. Para analistas, a retórica americana sugere pressão direta por mudanças estruturais, especialmente no setor energético, estratégico para os interesses globais.
Impactos econômicos e incertezas sobre o futuro
A transição de poder ocorre em um país que já enfrentava profunda crise econômica, hiperinflação, retração do PIB e êxodo de milhões de cidadãos. A crise política na Venezuela tende a gerar impactos imediatos nos mercados regionais, no comércio internacional e nas relações diplomáticas da América Latina.
Empresas estrangeiras acompanham com cautela os desdobramentos, sobretudo no setor de petróleo, responsável por parcela significativa das receitas do país. A expectativa é de volatilidade cambial, instabilidade regulatória e possíveis mudanças na política de sanções.
Comunidade internacional observa com cautela
Governos estrangeiros ainda avaliam como reagir ao novo cenário. Países aliados ao regime bolivariano tendem a denunciar a intervenção americana, enquanto nações críticas a Maduro veem a prisão como uma oportunidade de reconfiguração política.
A crise política na Venezuela também reacende debates sobre soberania, direito internacional e os limites da atuação militar estrangeira em conflitos internos.
Um país diante de uma encruzilhada histórica
A ascensão interina de Delcy Rodríguez, respaldada pelas Forças Armadas e pelo Judiciário, não encerra a crise política na Venezuela. Ao contrário, inaugura uma fase ainda mais complexa, marcada por disputas de legitimidade, pressão internacional e expectativas de mudança.
O futuro do país dependerá da capacidade do governo interino de manter a coesão interna, evitar confrontos civis, negociar com atores internacionais e responder às demandas urgentes da população. Em jogo estão não apenas os rumos políticos da Venezuela, mas também sua estabilidade econômica e social em um cenário global cada vez mais polarizado.






