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Direcional (DIRR3) tem 1T26 sólido e lucro acima do esperado, diz BofA

Banco mantém recomendação de compra para Direcional (DIRR3), com preço-alvo de R$ 18, após resultado marcado por margens resilientes e avanço operacional

por João Souza
12/05/2026 às 19h14
em Empresas
Direcional (Dirr3) Tem 1T26 Sólido E Lucro Acima Do Esperado, Diz Bofa - Gazeta Mercantil

A Direcional (DIRR3) apresentou um resultado considerado sólido no primeiro trimestre de 2026, com lucro líquido acima do esperado pelo Bank of America (BofA), margens estáveis e sinais de resiliência operacional em meio à pressão de custos no setor de construção. A avaliação consta de relatório dos analistas Victor Tapia e Carlos Peyrelongue, que mantiveram recomendação de compra para a ação e preço-alvo de R$ 18.

O balanço da Direcional (DIRR3) reforçou a percepção de que a companhia segue entre as operadoras mais bem posicionadas no segmento de baixa renda e habitação econômica. A empresa reportou lucro líquido de R$ 213,2 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 29,6% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto a receita líquida avançou 30,2%, para R$ 1,164 bilhão.

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O Ebitda da construtora somou R$ 315 milhões no trimestre, crescimento de 47% na comparação anual. A receita operacional líquida foi beneficiada pela expansão das operações, pelo ritmo de vendas e pelo avanço da execução de obras.

Na avaliação do BofA, o lucro líquido ficou 5% acima das estimativas do banco. O desempenho foi sustentado por margens ainda robustas, controle de despesas e efeito positivo não recorrente em outras receitas e despesas operacionais.

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Lucro supera estimativa do banco

No detalhamento do resultado, os analistas do BofA destacaram a linha de outras receitas e despesas operacionais. O item ficou negativo em R$ 13 milhões, resultado melhor que a estimativa do banco, que previa impacto negativo de R$ 26 milhões.

A diferença ajudou o lucro líquido a superar as projeções. Segundo o relatório, a linha foi beneficiada por um resultado positivo não recorrente de transações corporativas, no valor de R$ 13 milhões.

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Mesmo sem esse efeito, a leitura do banco para o trimestre foi positiva. O resultado indicou consistência operacional, especialmente em um ambiente no qual o mercado acompanha com atenção a inflação de custos de construção, o preço de insumos, a mão de obra e a capacidade das incorporadoras de preservar margens.

Para investidores, o ponto central do balanço é a combinação entre crescimento e rentabilidade. A Direcional (DIRR3) conseguiu expandir receita e lucro sem apresentar deterioração relevante das margens, um fator considerado importante em um setor sensível a juros, crédito imobiliário e custos de obra.

A reação dos analistas também reflete a posição da companhia no segmento econômico, que segue apoiado pela demanda habitacional e pelo programa Minha Casa Minha Vida. Empresas com operação eficiente nesse nicho tendem a apresentar maior previsibilidade de vendas e repasses, embora continuem expostas a custos de construção e condições de financiamento.

Margem bruta permanece em patamar elevado

Um dos pontos mais observados pelo BofA foi a margem bruta. Segundo o relatório, a margem ficou em 43%, alta de 10 pontos-base em relação ao trimestre anterior e avanço de 130 pontos-base na comparação anual.

O desempenho indica que a Direcional (DIRR3) conseguiu preservar rentabilidade mesmo diante de preocupações com inflação de custos. A manutenção da margem em patamar elevado reforça a leitura de que a companhia tem conseguido administrar preços, orçamento de obras e execução.

A margem bruta ajustada também foi destacada em outras leituras de mercado. O indicador ficou próximo de 42,9%, avanço de 1,3 ponto percentual na comparação anual, renovando patamar recorde para a companhia.

Para uma incorporadora, margem bruta é uma métrica crucial. Ela mostra a diferença entre receita e custo direto dos empreendimentos, antes de despesas administrativas, comerciais e financeiras. Quando esse indicador se mantém forte, o mercado tende a enxergar maior capacidade de geração de valor nos projetos.

No caso da Direcional (DIRR3), a margem elevada também sugere disciplina na escolha de terrenos, controle de orçamento e boa capacidade de repassar custos aos preços finais. Esse conjunto é especialmente relevante em habitação econômica, segmento no qual o preço do imóvel tem limites mais sensíveis para o comprador.

Backlog reforça visibilidade de receita

Além das margens, o BofA chamou atenção para o backlog da companhia, apontado em 45%. O indicador teve leve queda de 20 pontos-base ante o trimestre anterior, mas alta de 30 pontos-base na comparação anual.

O backlog representa receitas a reconhecer a partir de projetos já vendidos ou em andamento. Em empresas de construção e incorporação, esse indicador é importante porque oferece visibilidade sobre o fluxo futuro de receita.

Um backlog robusto reduz incertezas sobre os próximos trimestres, desde que a execução das obras avance dentro do cronograma e os custos permaneçam controlados. Para os analistas, a manutenção desse indicador em patamar sólido reforça a qualidade do resultado da Direcional (DIRR3).

A combinação de backlog elevado e margens estáveis dá suporte à visão de que a companhia poderá continuar convertendo vendas em receita ao longo dos próximos períodos. Esse ponto será acompanhado de perto pelo mercado, especialmente porque a velocidade de execução de obras influencia diretamente o reconhecimento contábil.

O crescimento da receita, portanto, dependerá não apenas do volume de vendas, mas também da capacidade de construção e entrega. Esse é um dos pontos listados pelo BofA como variável importante para os próximos trimestres.

Custos de construção seguem no radar

Apesar da avaliação positiva, os analistas mantêm atenção sobre a inflação de custos de construção. Esse é um dos principais riscos para incorporadoras e construtoras em 2026, sobretudo em segmentos com maior sensibilidade de preço.

Custos com materiais, mão de obra, terrenos, logística e financiamento podem pressionar margens se avançarem em ritmo superior ao previsto nos orçamentos. Para empresas de habitação econômica, o desafio é ainda maior porque a capacidade de repasse ao comprador costuma ser limitada por renda, subsídios e condições de crédito.

O BofA destacou que a sustentabilidade das margens brutas será um dos principais pontos a monitorar daqui para frente. A Direcional (DIRR3) tem conseguido administrar esse risco, mas a continuidade do desempenho dependerá do ambiente de custos e da disciplina operacional.

Outro ponto relevante é a velocidade das vendas. Segundo o banco, esse fator pode funcionar como gatilho para uma geração de caixa mais forte ou para revisão dos volumes de lançamentos.

Em outras palavras, se as vendas continuarem em ritmo robusto, a empresa poderá acelerar lançamentos e fortalecer geração de caixa. Se houver desaceleração, poderá ser necessário ajustar o pipeline para preservar rentabilidade e evitar acúmulo de estoques.

BofA vê Direcional como operadora de qualidade

O BofA elevou recentemente a recomendação da Direcional (DIRR3) para compra, ante neutra anteriormente. A justificativa do banco é que a companhia permanece entre as operadoras de maior qualidade do setor e tem administrado de forma eficiente as pressões de custo observadas desde a pandemia.

Na avaliação dos analistas, essa capacidade funciona como atributo defensivo no atual ambiente inflacionário. Empresas com melhor execução tendem a sofrer menos em períodos de alta de custos, juros elevados ou maior seletividade do crédito.

O setor de construção civil tem enfrentado um cenário misto. De um lado, programas habitacionais, demanda reprimida e subsídios sustentam parte relevante do mercado de baixa renda. De outro, juros altos, custo de obra e restrições de renda continuam limitando o avanço de segmentos mais dependentes de financiamento privado.

Nesse contexto, a Direcional (DIRR3) se beneficia de seu posicionamento no segmento econômico, da escala operacional e da capacidade de manter margens. Esses fatores ajudam a explicar a visão mais construtiva do BofA.

A companhia também aparece entre as construtoras mais acompanhadas por analistas no mercado brasileiro. Dados de cobertura compilados pela própria Direcional mostram predominância de recomendações de compra entre corretoras, com preço-alvo médio superior ao preço-alvo do BofA.

Valuation sustenta recomendação de compra

Outro argumento do BofA para a recomendação positiva é o valuation. O banco calcula que a Direcional (DIRR3) negocia a 6,3 vezes a relação entre preço e lucro estimado para 2027.

Esse múltiplo estaria 18% abaixo da média de cinco anos da companhia, o que, na leitura dos analistas, oferece suporte para a recomendação de compra. A avaliação indica que o mercado ainda não teria precificado integralmente a qualidade operacional da empresa e a resiliência dos resultados.

O preço-alvo definido pelo BofA é de R$ 18 por ação. Considerando o último fechamento informado de R$ 12,85, o potencial de valorização seria de 40,07%.

Esse tipo de projeção, porém, depende de premissas sobre lucro futuro, margens, crescimento de receita, ambiente de juros, custo de capital e percepção de risco do setor. Mudanças nessas variáveis podem alterar o preço-alvo e a recomendação.

Para investidores, o caso da Direcional (DIRR3) combina uma tese de crescimento com uma tese de eficiência. A empresa precisa continuar expandindo vendas e receita, mas sem perder controle sobre custos e margens.

Minha Casa Minha Vida segue como vetor do setor

O segmento econômico continua sendo um dos principais motores para incorporadoras como a Direcional (DIRR3). A demanda por moradia popular permanece elevada no Brasil, enquanto programas habitacionais ajudam a viabilizar o acesso ao crédito para famílias de menor renda.

O Minha Casa Minha Vida tem papel relevante nesse ambiente. Ao oferecer subsídios, faixas de renda e condições específicas de financiamento, o programa sustenta parte do volume de vendas das empresas focadas em habitação econômica.

Para a Direcional (DIRR3), esse mercado oferece escala e previsibilidade, mas exige execução rigorosa. Margens podem ser pressionadas se houver desequilíbrio entre custo de obra, preço final e condições de financiamento.

A companhia também precisa manter velocidade de vendas suficiente para sustentar o ciclo de lançamentos. Em incorporação imobiliária, o volume vendido antes e durante a construção ajuda a reduzir risco de estoque e melhora a geração de caixa.

Por isso, os próximos trimestres serão importantes para confirmar se o bom desempenho do primeiro trimestre se traduzirá em continuidade operacional. O BofA indicou justamente esse ponto ao listar crescimento de receita, margens e velocidade de vendas como variáveis-chave.

Resultado reforça tese defensiva em construção civil

O resultado do primeiro trimestre reforça a tese de que a Direcional (DIRR3) pode continuar se destacando no setor de construção civil, especialmente em um ambiente de custos ainda pressionados e juros elevados. A companhia apresentou crescimento relevante de lucro, expansão de receita e margens em patamar considerado saudável.

A recomendação de compra do BofA reflete essa combinação entre qualidade operacional, valuation abaixo da média histórica e potencial de valorização. Ainda assim, a tese exige acompanhamento de riscos, principalmente inflação de custos, execução de obras, geração de caixa e velocidade de vendas.

Para o mercado, o balanço reduz preocupações de curto prazo sobre deterioração de margens. Para investidores, a ação segue associada a uma tese de exposição ao segmento econômico da construção, com potencial de ganho se a companhia mantiver disciplina operacional e se o cenário de crédito imobiliário continuar favorável.

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