segunda-feira, 2 de novembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Mercados Dólar

Dólar abaixo de R$ 4,90: queda pode continuar ou chegou ao limite?

por Álvaro Lima
09/05/2026 às 11h16
em Dólar
Dólar Abaixo De R$ 4,90: Queda Pode Continuar Ou Chegou Ao Limite? - Gazeta Mercantil - Dólar

Análise: real ganhou força com fluxo estrangeiro, juros altos no Brasil e alívio externo, mas mercado ainda projeta câmbio acima de R$ 5 no médio prazo

O dólar abaixo de R$ 4,90 é mais do que uma marca simbólica para o mercado brasileiro. O fechamento da moeda norte-americana a R$ 4,8942 nesta sexta-feira (8), no menor patamar desde janeiro de 2024, mostra uma mudança relevante na percepção dos investidores sobre o Brasil. Depois de ter ultrapassado R$ 6 no fim de 2024, o câmbio voltou a refletir entrada de capital estrangeiro, diferencial de juros favorável ao real e melhora do apetite por ativos locais.

Leia também: Euro hoje dispara e atinge maior nível em 4 anos frente ao dólar com expectativa sobre juros do Fed.

A queda, porém, ainda não permite afirmar que o Brasil entrou em um ciclo estrutural de moeda forte. O movimento atual alivia a inflação, melhora custos de importação e favorece parte das empresas, mas depende de condições que podem mudar rapidamente: juros nos Estados Unidos, trajetória da Selic, risco fiscal, commodities e fluxo estrangeiro para a B3.

No acumulado de 12 meses, o dólar já recua mais de 13% frente ao real. Em 2026, a baixa supera 10%. O dado é expressivo e ajuda a explicar o alívio recente em expectativas de inflação e em ativos brasileiros. Ainda assim, o Boletim Focus segue projetando dólar acima do patamar atual no médio prazo, com estimativa de R$ 5,25 no fechamento de 2026, R$ 5,30 em 2027, R$ 5,39 em 2028 e R$ 5,40 em 2029.

A leitura é clara: o mercado reconhece a melhora do real no curto prazo, mas ainda não comprou a tese de dólar permanentemente abaixo de R$ 5.

Queda do dólar reflete volta do estrangeiro ao Brasil

O principal combustível para a valorização do real é o retorno do capital estrangeiro. Investidores internacionais já aportaram R$ 54,390 bilhões na B3 em 2026 até 6 de maio, revertendo o saldo negativo de R$ 24,1 bilhões registrado em todo o ano de 2024.

Quando o investidor estrangeiro compra ativos brasileiros, precisa converter dólares em reais. Esse fluxo aumenta a demanda pela moeda local e pressiona a cotação do dólar para baixo. É uma dinâmica simples, mas poderosa, especialmente quando ocorre em volume relevante.

Essa entrada de capital não acontece por acaso. O Brasil voltou a oferecer uma combinação atraente para o investidor global: Bolsa ainda descontada em alguns setores, juros reais elevados, commodities relevantes e expectativa de melhora no ambiente econômico.

O problema é que fluxo estrangeiro pode mudar de direção com rapidez. Uma piora no cenário fiscal, uma reprecificação dos juros americanos ou um aumento da aversão a risco global podem interromper essa entrada e devolver pressão ao câmbio.

Câmbio menor ajuda o Banco Central

O dólar mais baixo é uma boa notícia para o Banco Central. Um real mais forte reduz o custo de produtos importados, insumos industriais, máquinas, equipamentos, combustíveis e componentes cotados em moeda estrangeira.

Esse efeito ajuda a conter a chamada inflação importada. Quando o dólar cai, empresas que dependem de itens comprados no exterior tendem a ter custos menores. Parte desse alívio pode chegar ao consumidor, embora o repasse não seja automático.

André Matos, CEO da MA7 Negócios, define o câmbio apreciado como um “desinflacionário natural”. A avaliação é correta. Dólar menor reduz pressão sobre combustíveis, importações e cadeias industriais, ajudando o Banco Central na tarefa de aproximar o IPCA da meta.

Mas o câmbio sozinho não resolve a inflação. Serviços, alimentos, salários, petróleo e expectativas fiscais também pesam. Se esses vetores pressionarem os preços, o dólar abaixo de R$ 4,90 pode ajudar, mas não será suficiente para garantir alívio sustentado.

Selic alta ainda sustenta o real

Parte da força do real vem do diferencial de juros. O Brasil ainda oferece remuneração elevada em comparação a economias desenvolvidas. Isso atrai investidores interessados em operações de renda fixa e estratégias de carrego.

Enquanto a Selic permanece alta, o real ganha suporte. O investidor estrangeiro encontra no Brasil retorno superior ao de outros mercados, especialmente quando o ambiente externo permite maior apetite por risco.

Essa vantagem, porém, pode diminuir se o Banco Central brasileiro avançar em cortes de juros enquanto o Federal Reserve mantiver os juros americanos elevados por mais tempo. Nesse caso, o diferencial entre Brasil e Estados Unidos encolhe, reduzindo o incentivo para parte do fluxo estrangeiro.

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, observa que a continuidade da queda da Selic será determinante para a descompressão dos spreads de crédito. A mesma lógica vale para o câmbio: cortes de juros podem ajudar a economia real, mas também reduzem parte do prêmio que hoje sustenta o real.

Risco fiscal segue como principal ameaça

O maior risco para a continuidade da queda do dólar está no fiscal. O câmbio brasileiro costuma reagir de forma intensa a dúvidas sobre contas públicas, trajetória da dívida e capacidade do governo de cumprir metas.

Se o mercado perceber aumento de gastos, perda de controle fiscal ou dificuldade de estabilizar a dívida pública, o prêmio de risco sobe. Quando isso acontece, o dólar tende a se valorizar, mesmo que os juros domésticos continuem altos.

A experiência recente mostra isso. No fim de 2024, o dólar passou de R$ 6 em meio a uma combinação de estresse fiscal, incerteza externa e fuga de capital. A melhora atual não elimina essa memória.

Por isso, dólar abaixo de R$ 4,90 deve ser visto como janela de oportunidade, não como garantia. Para sustentar o real valorizado, o país precisa entregar previsibilidade fiscal, estabilidade institucional e confiança na condução econômica.

Bolsa se beneficia, mas nem todos ganham

A queda do dólar também altera a leitura para a Bolsa. Empresas importadoras, varejistas e companhias com custos em moeda estrangeira tendem a se beneficiar de um real mais forte.

Setores que dependem de insumos importados podem ter alívio de margem. Empresas com dívida em dólar também podem ser favorecidas, dependendo da estrutura de proteção cambial.

Já exportadoras podem enfrentar efeito oposto. Companhias que vendem em dólar e têm custos em reais perdem parte da vantagem cambial quando a moeda americana cai. Isso afeta setores como commodities, proteína animal, papel e celulose e parte da indústria exportadora.

Para a B3, o efeito líquido depende do fluxo estrangeiro. Se a queda do dólar vier acompanhada de entrada de capital e maior apetite por risco, a Bolsa tende a se beneficiar. Se vier de forma desorganizada ou acompanhada de queda forte em commodities, o impacto pode ser mais desigual.

Focus mostra que mercado ainda vê dólar acima de R$ 5

O ponto que impede uma leitura excessivamente otimista é o Boletim Focus. Mesmo após revisões para baixo, as projeções seguem indicando dólar acima de R$ 5 no fim de 2026 e nos anos seguintes.

Isso significa que a cotação atual está abaixo do que o mercado considera provável para o médio prazo. A diferença entre o preço de tela e as projeções mostra que investidores ainda veem riscos de recomposição da moeda americana.

Essa cautela faz sentido. O câmbio é uma das variáveis mais sensíveis da economia brasileira. Ele responde a decisões do Federal Reserve, preços de commodities, fluxo estrangeiro, política fiscal, ruídos políticos e percepção de risco global.

O dólar pode até cair mais no curto prazo se o fluxo continuar positivo e o exterior ajudar. Mas, para permanecer abaixo de R$ 5, o Brasil terá de mostrar fundamentos mais consistentes.

Até onde pode ir a queda do dólar?

No curto prazo, o dólar pode testar níveis mais baixos se três condições forem mantidas: entrada de estrangeiros na B3, dólar fraco no exterior e commodities firmes. Esse conjunto favorece moedas emergentes e dá suporte ao real.

Mas há limites. Se os juros americanos permanecerem altos por mais tempo, o dólar global pode voltar a se fortalecer. Se a Selic cair mais rápido do que o esperado, o real pode perder parte do prêmio. Se o fiscal piorar, o câmbio pode reagir de forma imediata.

A queda abaixo de R$ 4,90 é relevante, mas não muda sozinha a tendência estrutural. O mercado quer evidências de que o Brasil consegue combinar inflação controlada, responsabilidade fiscal e crescimento sem deteriorar as contas públicas.

Sem isso, a valorização do real pode ser tratada como movimento tático, sustentado por fluxo e juros, mas vulnerável a choques.

Câmbio abre janela positiva para o Brasil

O dólar abaixo de R$ 4,90 cria uma janela favorável para a economia brasileira. Ele reduz pressões inflacionárias, melhora custos de importação, ajuda empresas endividadas em moeda estrangeira e reforça a percepção de que ativos locais voltaram a atrair capital.

Mas a continuidade desse movimento dependerá da capacidade do país de transformar fluxo de curto prazo em confiança duradoura. O real não se sustenta apenas com juros altos. Ele precisa de fiscal crível, inflação controlada e ambiente institucional previsível.

A queda do dólar é positiva, mas ainda frágil. O câmbio atual mostra que o mercado está disposto a olhar novamente para o Brasil. A dúvida é se o país conseguirá entregar fundamentos suficientes para manter esse interesse quando os juros começarem a cair e o cenário externo voltar a ficar menos favorável.

Leia também

  • Dólar hoje abre em alta com foco no boletim Focus e no PMI
  • Cortes de Juros: Ex-Diretores do BC Veem Espaço para Queda da Selic

LEIA MAIS

Bitcoin (Btc) E Criptomoedas (Imagem: Canva Pro)
Criptomoedas

Binance registra saída de US$ 4,72 bilhões após ataque hacker de US$ 6,3 bilhões

Binance registra saída de US$ 4,72 bilhões após ataque hacker de US$ 6,3 bilhões atribuído à Coreia do Norte. Corretora promete cobrir perdas dos clientes.

Leia MaisDetails
Ouro Hoje - Gzt - Gazeta Mercantil
Mercados

Ouro sobe quase 2% com queda do petróleo e fecha a US$ 3.969,60

Ouro sobe 1,81% e fecha a US$ 3.969,60 com queda do petróleo. Mercado acompanha negociações entre Irã e EUA e próximos passos do Federal Reserve.

Leia MaisDetails
Imposto De 12% Sobre Exportação De Petróleo É Estendido Por 60 Dias
Mercados

Petróleo despenca mais de 8% com negociações entre Irã e EUA; Brent se aproxima de US$ 100

Petróleo despenca mais de 8% com negociações entre Irã e EUA. Brent cai a US$ 104,09 e mercado acompanha possível reabertura do Estreito de Ormuz.

Leia MaisDetails
Chilli Beans Pede Recuperação Extrajudicial E Amplia Lista De Empresas Em Crise Em 2026 - Gazeta Mercantil - Dólar
Empresas

Chilli Beans pede recuperação extrajudicial e amplia lista de empresas em crise em 2026

Chilli Beans pede recuperação extrajudicial em 2026. Veja outras empresas em crise, como Braskem, Casas Bahia, Oncoclínicas e St. Marche.

Leia MaisDetails
Mercados - Gazeta Mercantil
Mercados

Ações da B3: MRSA3B sobe 16,49% e GEPA4 cai 12,57% no último pregão de outubro

Veja as ações que mais subiram e caíram na B3 no último pregão de outubro de 2026: MRSA3B avançou 16,49%, enquanto GEPA4 recuou 12,57%.

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

19:58:21
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Admin Ajax 2025 12 11T094346.625 (1)
Economia

Nota fiscal do Simples Nacional mudou: veja 4 passos para emitir NFS-e no novo sistema

Leia MaisDetails
Telemarketing - Gazeta Mercantil
Economia

SAC terá atendimento humano obrigatório a partir de hoje; veja as novas regras

Leia MaisDetails
Bitcoin (Btc) E Criptomoedas (Imagem: Canva Pro)
Criptomoedas

Binance registra saída de US$ 4,72 bilhões após ataque hacker de US$ 6,3 bilhões

Leia MaisDetails
Embraer (Embj3) Salta Quase 8% E Lidera Ibovespa Com Expectativa De Novos Contratos-Gazeta Mercantil
Empresas

Embraer (EMBJ3) fecha acordo para até seis aviões KC-390 à Grécia; contrato inicial soma € 590 milhões

Leia MaisDetails
Ouro Hoje - Gzt - Gazeta Mercantil
Mercados

Ouro sobe quase 2% com queda do petróleo e fecha a US$ 3.969,60

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Nota fiscal do Simples Nacional mudou: veja 4 passos para emitir NFS-e no novo sistema

SAC terá atendimento humano obrigatório a partir de hoje; veja as novas regras

Binance registra saída de US$ 4,72 bilhões após ataque hacker de US$ 6,3 bilhões

Embraer (EMBJ3) fecha acordo para até seis aviões KC-390 à Grécia; contrato inicial soma € 590 milhões

Ouro sobe quase 2% com queda do petróleo e fecha a US$ 3.969,60

Hackers atacam supermercados na Europa e elevam temperatura de freezers a 50°C

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

Últimas notícias da Gazeta Mercantil