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Dólar fecha abaixo de R$ 5 e Ibovespa bate recorde em sessão marcada por tensão no Oriente Médio

por Camila Braga
13/04/2026 às 20h57
em Economia
Dólar Fecha Abaixo De R$ 5 E Ibovespa Bate Recorde Em Sessão Marcada Por Tensão No Oriente Médio - Gazeta Mercantil

O dólar fechou abaixo de R$ 5 nesta segunda-feira (13) pela primeira vez em mais de dois anos, em um movimento que reposiciona o câmbio no centro do noticiário econômico e reforça a percepção de fortalecimento dos ativos brasileiros no curto prazo. A moeda norte-americana encerrou o pregão cotada a R$ 4,9969, com queda de 0,29%, enquanto o Ibovespa subiu 0,34%, aos 198.001 pontos, e renovou seu recorde histórico.

A marca tem peso simbólico e prático. No mercado financeiro, o nível de R$ 5 funciona como uma barreira psicológica relevante para investidores, empresas e consumidores. Quando o dólar rompe esse piso no fechamento, o movimento ganha leitura imediata de alívio cambial, maior entrada de capital e melhora relativa da percepção de risco sobre o Brasil.

O fechamento desta segunda não ocorreu isoladamente. Ele veio acompanhado de máxima histórica da bolsa, valorização de blue chips e maior apetite por ativos brasileiros, em um pregão que começou pressionado pelo noticiário geopolítico, mas terminou com melhora do humor dos investidores.

Dólar abaixo de R$ 5 recoloca o câmbio como protagonista do mercado

A expressão “dólar abaixo de R$ 5” volta a dominar o debate econômico por representar um ponto de inflexão importante para o mercado. Não se trata apenas de um número redondo. É uma referência que impacta expectativas sobre inflação, juros, custo de importação, fluxo estrangeiro e até a percepção pública sobre a economia.

A última vez em que a moeda norte-americana havia fechado abaixo desse patamar foi em 27 de março de 2024, quando encerrou a sessão cotada a R$ 4,979. Desde então, o câmbio atravessou períodos de pressão global, incertezas fiscais e oscilações na curva de juros, o que torna o retorno a essa faixa ainda mais relevante.

No acumulado de 2026, o dólar já exibe queda expressiva. Esse movimento reflete uma combinação entre entrada de recursos no mercado brasileiro, força das commodities, comportamento do investidor estrangeiro e manutenção do diferencial de juros em patamar ainda atrativo.

Guerra no Oriente Médio e falas de Trump mexeram com o mercado

O pregão desta segunda foi atravessado por forte volatilidade internacional. O mercado abriu em tom defensivo após o fracasso das negociações por um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã no fim de semana. A tensão geopolítica elevou a cautela dos investidores e pressionou ativos globais logo nas primeiras horas do dia.

Ao longo da sessão, porém, o humor melhorou. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter recebido contato das “pessoas certas do Irã” e disse que os iranianos “querem muito fechar um acordo”. A fala reduziu parte da aversão ao risco, embora não tenha eliminado as incertezas no cenário externo.

Na sequência, Trump voltou a endurecer o discurso ao afirmar que, se não houver acordo, o resultado “não será agradável”. O Irã também se manifestou, ampliando o ambiente de tensão. Ao mesmo tempo, entrou em vigor o bloqueio anunciado pelos Estados Unidos a navios que circulem pela rota de ou para portos iranianos, medida que abalou o transporte marítimo em uma das regiões mais sensíveis do comércio global.

Esse contexto afetou diretamente o petróleo, que subiu em meio ao temor de interrupções de oferta e de agravamento da crise na região. Mesmo assim, o mercado brasileiro conseguiu sustentar trajetória positiva no câmbio e na bolsa ao longo da tarde.

Petróleo em alta reforçou peso de Petrobras (PETR3) e Petrobras (PETR4)

A disparada do petróleo foi um dos elementos centrais da sessão. O barril do Brent, referência global, subia 3,27% por volta das 16h, negociado a US$ 98,31. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 1,35%, a US$ 97,87.

Esse movimento ajudou a fortalecer a bolsa brasileira, em especial as ações da Petrobras (PETR3) e Petrobras (PETR4), que seguem entre os papéis de maior peso do Ibovespa. Em paralelo, Vale (VALE3) também contribuiu para sustentar o índice, em um ambiente ainda favorável às commodities e ao fluxo estrangeiro.

Com isso, o mercado viu uma combinação importante: alta das ações de maior liquidez, recorde do Ibovespa e queda do dólar. Quando esses três vetores se alinham no mesmo pregão, o resultado costuma ser interpretado como um sinal de confiança mais ampla nos ativos locais.

Ibovespa em recorde reforça leitura positiva sobre o Brasil

O avanço do Ibovespa para 198.001 pontos reforça que o movimento do dólar não foi um evento isolado. A bolsa brasileira subiu apoiada pelas grandes companhias exportadoras e ligadas a commodities, em um dia em que o investidor voltou a comprar risco doméstico mesmo sob um pano de fundo internacional conturbado.

Esse tipo de composição costuma fortalecer o real. Quando há entrada de recursos para renda variável e para ações de grande capitalização, o mercado passa a enxergar mais demanda por ativos brasileiros, o que favorece a moeda local.

A máxima histórica do índice também ajuda a sustentar a narrativa de que o Brasil continua se beneficiando de uma combinação relevante entre juros reais elevados, exposição a commodities e liquidez de mercado. Essa leitura não elimina os riscos, mas aumenta a atratividade relativa do país em comparação com outros emergentes.

Focus traz alerta para inflação e impõe cautela ao mercado

Se o cenário cambial foi positivo, o pano de fundo inflacionário continua exigindo atenção. No mercado interno, o principal destaque macroeconômico do dia foi o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, que mostrou piora nas expectativas de inflação para 2026.

A projeção do IPCA voltou a superar o teto da meta, refletindo a percepção de que o ambiente internacional segue pressionando preços, especialmente diante do risco de encarecimento da energia com a guerra no Oriente Médio. Para este ano, a expectativa para a inflação subiu a 4,71%, ante 4,36%, na quinta alta consecutiva.

Esse dado impõe um limite importante para interpretações excessivamente otimistas sobre o dólar abaixo de R$ 5. O alívio cambial ajuda a conter parte da pressão inflacionária, mas não resolve sozinho o impacto potencial do petróleo mais caro, nem o efeito das incertezas externas sobre expectativas e política monetária.

Gabriel Galípolo também entrou no radar dos investidores

O mercado também repercutiu declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante eventos do Banco Mundial e do FMI. Em um contexto de inflação ainda pressionada e incerteza geopolítica elevada, qualquer sinalização da autoridade monetária ganha peso adicional sobre os preços dos ativos.

As falas de Galípolo foram acompanhadas de perto porque o câmbio, a curva de juros e a bolsa estão cada vez mais interligados. Um dólar mais comportado pode ajudar o Banco Central em sua estratégia de controle inflacionário, mas choques externos persistentes podem manter a autoridade monetária em posição de cautela.

Por isso, o fechamento da moeda abaixo de R$ 5 deve ser visto como um marco relevante, mas ainda sujeito a teste nas próximas sessões. O mercado vai observar se esse patamar se sustenta ou se foi apenas uma reação pontual a um pregão de recomposição de posições.

O que o dólar abaixo de R$ 5 muda na economia real

Na economia prática, o dólar abaixo de R$ 5 tende a ser bem recebido por setores dependentes de importação, empresas com dívida em moeda estrangeira e segmentos que sofrem mais diretamente com insumos dolarizados. Um câmbio mais baixo pode aliviar custos e reduzir parte da pressão sobre preços de bens importados, tecnologia, equipamentos e componentes industriais.

Para o consumidor, o impacto não é automático, mas a cotação mais baixa costuma melhorar as perspectivas para itens com forte componente externo, além de viagens internacionais e serviços cotados em dólar. Ainda assim, o repasse depende de estoques, dinâmica concorrencial e duração do novo patamar cambial.

Já para o investidor, a nova marca reforça a importância de acompanhar o fluxo estrangeiro, o comportamento do petróleo, a política monetária e os desdobramentos no Oriente Médio. Em momentos de tensão global, o mercado pode mudar rapidamente de direção.

Queda do dólar vira marco do ano para o mercado brasileiro

O fechamento abaixo de R$ 5 transforma esta segunda-feira em uma data de referência para o câmbio em 2026. A moeda rompeu uma barreira que vinha sendo acompanhada com atenção pelo mercado, enquanto a bolsa renovou recorde e as ações ligadas a commodities deram suporte ao apetite por risco.

Mais do que o valor em si, o movimento chama atenção pela combinação dos fatores que o cercaram: guerra no Oriente Médio, petróleo em alta, revisão de expectativas de inflação no Brasil e, ainda assim, fortalecimento do real no encerramento da sessão.

O recado do mercado foi claro. Mesmo em um ambiente global instável, o Brasil conseguiu atrair fluxo, sustentar a bolsa em máxima e recolocar o dólar abaixo de R$ 5 no radar. Agora, o desafio será medir se essa nova faixa cambial terá força para permanecer de pé nos próximos pregões ou se a volatilidade internacional voltará a ditar o ritmo.

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