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DĂ³lar fecha estĂ¡vel a R$ 4,92 com mercado atento a juros no Brasil e nos EUA

Moeda americana teve alta marginal de 0,05% nesta quinta-feira, em sessĂ£o marcada por exterior firme, DXY levemente positivo e avaliaĂ§Ă£o sobre o diferencial entre Selic e Fed Funds

por Camila Braga
07/05/2026 Ă s 20h28
em DĂ³lar
Dolar - Gazeta Mercantil

O dĂ³lar fechou praticamente estĂ¡vel ante o real nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, com alta marginal de 0,05%, cotado a R$ 4,92, em uma sessĂ£o sem direĂ§Ă£o firme no cĂ¢mbio domĂ©stico. O movimento refletiu a combinaĂ§Ă£o entre a valorizaĂ§Ă£o moderada da moeda americana no exterior, a leitura dos investidores sobre o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos e a expectativa em torno dos prĂ³ximos passos do ComitĂª de PolĂ­tica MonetĂ¡ria (Copom) e do Federal Reserve (Fed).

A estabilidade do dĂ³lar ocorreu em um ambiente de oscilaĂ§Ă£o limitada nos mercados globais. O Ă­ndice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas fortes, avançou 0,12%, aos 98,142 pontos. A alta discreta do indicador ajudou a conter uma apreciaĂ§Ă£o mais forte do real, embora o diferencial de juros ainda funcione como fator de sustentaĂ§Ă£o para o cĂ¢mbio brasileiro.

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No mercado domĂ©stico, operadores avaliaram que o dĂ³lar continuou prĂ³ximo de patamares mais baixos em relaĂ§Ă£o ao observado em perĂ­odos recentes, apoiado pela percepĂ§Ă£o de que a taxa Selic segue oferecendo retorno atrativo em comparaĂ§Ă£o aos juros americanos. Essa diferença tende a favorecer operações de carrego e entrada de capital estrangeiro, ainda que o fluxo cambial permaneça sujeito a mudanças no cenĂ¡rio externo.

Diferencial de juros segue no centro do cĂ¢mbio

A dinĂ¢mica do dĂ³lar nesta quinta-feira foi influenciada diretamente pela leitura sobre os juros no Brasil e nos Estados Unidos. A diferença entre a Selic e os Fed Funds continua sendo um dos principais elementos observados por investidores ao avaliar posições em real.

Leia também: Setor de serviços no Brasil apresenta crescimento de 0,4%, revela IBGE.

Segundo Hugo Queiroz, sĂ³cio e diretor de corporate advisory da L4 Capital, a distĂ¢ncia entre as taxas de juros dos dois paĂ­ses influencia o fluxo cambial e ajuda a manter o cĂ¢mbio em um patamar mais baixo em relaĂ§Ă£o ao ano passado e tambĂ©m no curto prazo.

A avaliaĂ§Ă£o Ă© que, enquanto o Brasil mantiver uma taxa real de juros elevada em relaĂ§Ă£o Ă s economias desenvolvidas, o real tende a encontrar algum suporte. Esse quadro favorece a entrada de recursos para ativos locais, especialmente em estratĂ©gias que buscam capturar rendimento em moeda brasileira.

Ainda assim, esse apoio nĂ£o elimina a volatilidade. O dĂ³lar pode reagir rapidamente a mudanças nas expectativas sobre o Fed, a dados de inflaĂ§Ă£o nos Estados Unidos, Ă  percepĂ§Ă£o de risco fiscal no Brasil ou a eventos geopolĂ­ticos que elevem a busca por ativos considerados mais seguros.

O Copom, ao sinalizar que os cortes de juros podem seguir em ritmo mais cauteloso, contribuiu para manter a percepĂ§Ă£o de retorno relativo do mercado brasileiro. Essa leitura sustenta a visĂ£o de que o diferencial de juros continuarĂ¡ relevante para o comportamento do dĂ³lar nas prĂ³ximas sessões.

Real acompanha movimento externo da moeda americana

Apesar do suporte oferecido pelos juros domĂ©sticos, o real nĂ£o conseguiu se descolar completamente do movimento global do dĂ³lar. A moeda americana avançou frente Ă s principais divisas no exterior, ainda que de forma moderada, e o real acompanhou parcialmente essa tendĂªncia.

Alexandre Viotto, chefe de banking da EQI Investimentos, observou que o dĂ³lar se valorizou contra as principais moedas do mundo, e o real tambĂ©m perdeu valor na sessĂ£o. Para ele, o comportamento da moeda brasileira esteve ligado ao ambiente externo, que apresentou menor otimismo em comparaĂ§Ă£o ao observado na vĂ©spera.

Na quarta-feira, o mercado havia reagido de forma mais favorĂ¡vel Ă  possibilidade de um acordo mais duradouro envolvendo o conflito entre IrĂ£, Estados Unidos e Israel. A expectativa de um cessar-fogo mais consistente reduziu momentaneamente a busca por proteĂ§Ă£o e abriu espaço para moedas emergentes.

Com a perda de força desse otimismo ao longo da quinta-feira, o dĂ³lar voltou a mostrar alguma sustentaĂ§Ă£o. Segundo Viotto, caso o ambiente positivo tivesse se mantido, a moeda americana poderia ter testado patamares mais baixos, prĂ³ximos de R$ 4,85 ou R$ 4,86.

Essa leitura mostra como o cĂ¢mbio brasileiro segue sensĂ­vel Ă  combinaĂ§Ă£o entre fundamentos domĂ©sticos e humor externo. Mesmo quando os juros locais favorecem o real, movimentos globais de aversĂ£o ou alĂ­vio de risco podem alterar rapidamente a direĂ§Ă£o da taxa de cĂ¢mbio.

DXY avança de forma moderada e limita queda do dĂ³lar

O avanço de 0,12% do DXY, aos 98,142 pontos, ajudou a explicar a ausĂªncia de uma queda mais consistente do dĂ³lar contra o real. O Ă­ndice Ă© uma das principais referĂªncias para medir a força global da moeda americana e costuma influenciar diretamente o comportamento de divisas emergentes.

Bruno Perri, economista-chefe e sĂ³cio-fundador da Forum Investimentos, afirmou que Ă© difĂ­cil atribuir grandes causas a uma sessĂ£o em que o movimento nĂ£o apresentou direĂ§Ă£o firme. Ainda assim, ele destacou que a variaĂ§Ă£o do dĂ³lar no Brasil esteve alinhada ao comportamento do DXY, que subiu timidamente no dia.

Quando o DXY avança, a tendĂªncia Ă© que moedas emergentes enfrentem maior dificuldade para se valorizar. Isso ocorre porque investidores globais podem aumentar posições em dĂ³lar diante de incertezas, dados econĂ´micos mais fortes nos Estados Unidos ou expectativa de juros mais altos por mais tempo.

No caso desta quinta-feira, o movimento foi moderado. A alta marginal do dĂ³lar no Brasil indicou que nĂ£o houve pressĂ£o intensa de compra da moeda americana, mas tambĂ©m mostrou que o real nĂ£o encontrou força suficiente para retomar a trajetĂ³ria de valorizaĂ§Ă£o observada em momentos de maior apetite por risco.

A sessĂ£o, portanto, foi marcada por equilĂ­brio. De um lado, o diferencial de juros continuou favorecendo a moeda brasileira. De outro, o exterior impediu uma queda mais acentuada do dĂ³lar.

Mercado monitora prĂ³ximos sinais do Copom

No Brasil, a atenĂ§Ă£o dos investidores segue concentrada na conduĂ§Ă£o da polĂ­tica monetĂ¡ria. O Copom tem indicado cautela no ciclo de cortes da Selic, em meio Ă  necessidade de avaliar a evoluĂ§Ă£o da inflaĂ§Ă£o, das expectativas e da atividade econĂ´mica.

Para o cĂ¢mbio, o ritmo de queda dos juros Ă© determinante. Cortes mais acelerados poderiam reduzir a atratividade relativa do real, especialmente se o Fed mantiver os juros americanos em patamar elevado por mais tempo. JĂ¡ uma conduĂ§Ă£o gradual tende a preservar parte do diferencial que sustenta a moeda brasileira.

A Selic continua sendo um dos principais instrumentos de ancoragem do cĂ¢mbio no curto prazo. Quanto maior o prĂªmio oferecido pelo Brasil em relaĂ§Ă£o aos Estados Unidos, maior tende a ser o interesse de investidores estrangeiros por ativos locais, desde que o risco fiscal e polĂ­tico nĂ£o se deteriore.

Esse equilĂ­brio, porĂ©m, Ă© delicado. Juros elevados ajudam a atrair capital, mas tambĂ©m encarecem o crĂ©dito, afetam empresas endividadas e reduzem o impulso da atividade econĂ´mica. Por isso, o mercado acompanha nĂ£o apenas o nĂ­vel da Selic, mas tambĂ©m a comunicaĂ§Ă£o do Banco Central sobre os prĂ³ximos movimentos.

No cĂ¢mbio, a sinalizaĂ§Ă£o Ă© tĂ£o importante quanto a decisĂ£o. Quando o Copom indica previsibilidade e cautela, o mercado tende a ajustar as expectativas de maneira mais ordenada. Quando hĂ¡ ruĂ­do ou mudança abrupta de direĂ§Ă£o, o dĂ³lar pode reagir com maior volatilidade.

Fed mantém peso sobre moedas emergentes

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve continua sendo peça central para o comportamento global do dĂ³lar. A expectativa sobre os Fed Funds influencia o rendimento dos tĂ­tulos do Tesouro americano, o apetite por risco e a direĂ§Ă£o dos fluxos para mercados emergentes.

Se o Fed mantiver juros elevados por perĂ­odo prolongado, o dĂ³lar tende a encontrar suporte no exterior. Nesse cenĂ¡rio, moedas como o real podem enfrentar pressĂ£o, especialmente se houver reduĂ§Ă£o do diferencial de juros ou aumento da percepĂ§Ă£o de risco global.

Por outro lado, qualquer sinalizaĂ§Ă£o de corte de juros nos Estados Unidos pode favorecer moedas emergentes. Uma polĂ­tica monetĂ¡ria menos restritiva no mercado americano tende a reduzir a atratividade dos ativos denominados em dĂ³lar e abrir espaço para busca de retorno em paĂ­ses com juros reais mais altos.

A taxa de cĂ¢mbio brasileira, portanto, segue condicionada a uma combinaĂ§Ă£o de fatores. O investidor observa decisões do Banco Central do Brasil, comunicações do Fed, dados de inflaĂ§Ă£o, atividade econĂ´mica, risco fiscal, commodities e cenĂ¡rio geopolĂ­tico.

Essa multiplicidade de vetores ajuda a explicar sessões como a desta quinta-feira, em que o dĂ³lar fechou quase estĂ¡vel, sem predominĂ¢ncia clara de compradores ou vendedores.

GeopolĂ­tica adiciona volatilidade ao mercado

AlĂ©m dos juros, o ambiente geopolĂ­tico tambĂ©m permaneceu no radar. A expectativa de um cessar-fogo mais consistente no conflito envolvendo IrĂ£, Estados Unidos e Israel havia contribuĂ­do para um tom mais positivo nos mercados na sessĂ£o anterior.

Quando tensões geopolĂ­ticas diminuem, investidores tendem a reduzir posições defensivas em dĂ³lar e buscar ativos de maior risco, incluindo moedas de paĂ­ses emergentes. Esse movimento pode beneficiar o real, sobretudo quando combinado a juros domĂ©sticos elevados.

Na quinta-feira, porĂ©m, o otimismo perdeu força. A ausĂªncia de avanço claro em torno de um acordo mais duradouro limitou o apetite por risco e favoreceu uma postura mais conservadora no mercado de cĂ¢mbio.

A reaĂ§Ă£o do dĂ³lar a eventos internacionais tende a ser imediata porque a moeda americana funciona como ativo de proteĂ§Ă£o em momentos de incerteza. Mesmo notĂ­cias ainda preliminares podem provocar ajustes rĂ¡pidos em posições cambiais, especialmente quando envolvem regiões estratĂ©gicas para energia, comĂ©rcio global ou segurança internacional.

Para o real, essa sensibilidade Ă© ampliada pelo fato de o Brasil integrar o grupo de mercados emergentes. Embora o paĂ­s tenha fundamentos prĂ³prios, a moeda brasileira costuma reagir ao humor global, principalmente quando hĂ¡ reprecificaĂ§Ă£o de risco.

DĂ³lar permanece perto de patamar mais baixo

Apesar da leve alta, o dĂ³lar permaneceu em nĂ­vel considerado mais baixo em comparaĂ§Ă£o ao observado no ano anterior. A cotaĂ§Ă£o de R$ 4,92 mantĂ©m a moeda em uma faixa que reflete maior equilĂ­brio entre juros domĂ©sticos elevados, entrada de recursos e reduĂ§Ă£o parcial de pressões externas.

Para empresas importadoras, um dĂ³lar mais comportado ajuda a reduzir custos de insumos, mĂ¡quinas, componentes e produtos comprados no exterior. Para exportadores, por outro lado, uma moeda americana mais baixa pode reduzir receitas em reais, especialmente em setores com forte exposiĂ§Ă£o ao comĂ©rcio internacional.

No mercado financeiro, a taxa de cĂ¢mbio tambĂ©m afeta ações de companhias exportadoras, empresas com dĂ­vida em dĂ³lar, fundos cambiais, inflaĂ§Ă£o de bens comercializĂ¡veis e expectativas para os preços de combustĂ­veis e alimentos.

Leia tambĂ©m: Ibovespa B3 fecha acima dos 182 mil pontos com apoio de ItaĂº e pressĂ£o das commodities

A estabilidade do dĂ³lar em R$ 4,92 indica que os investidores ainda nĂ£o enxergam um gatilho suficiente para uma mudança brusca de direĂ§Ă£o. O mercado segue calibrando posições conforme novas informações sobre juros, inflaĂ§Ă£o, Fed, Copom e cenĂ¡rio externo.

CĂ¢mbio fecha sem direĂ§Ă£o firme em sessĂ£o de cautela

O fechamento do dĂ³lar com alta marginal de 0,05% mostrou um mercado cauteloso e sem convicĂ§Ă£o direcional nesta quinta-feira. A moeda americana foi sustentada pela valorizaĂ§Ă£o moderada no exterior, enquanto o real encontrou apoio no diferencial de juros ainda favorĂ¡vel ao Brasil.

A combinaĂ§Ă£o entre DXY levemente positivo, incertezas geopolĂ­ticas e expectativa sobre os prĂ³ximos passos da polĂ­tica monetĂ¡ria manteve o cĂ¢mbio em faixa estreita. O resultado foi uma sessĂ£o de estabilidade, com os investidores evitando apostas mais agressivas antes de novos sinais do Banco Central brasileiro e do Federal Reserve.

Nos prĂ³ximos pregões, o mercado deve continuar atento Ă  evoluĂ§Ă£o dos juros no Brasil e nos Estados Unidos, ao comportamento do dĂ³lar global e ao apetite por risco nos mercados internacionais. Enquanto esses vetores permanecerem em equilĂ­brio, a cotaĂ§Ă£o tende a oscilar prĂ³xima dos nĂ­veis atuais, com movimentos mais fortes dependentes de novos dados econĂ´micos ou de mudanças relevantes no cenĂ¡rio externo.

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