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Dólar fecha estável a R$ 4,89 com mercado atento ao Oriente Médio

Moeda americana terminou o pregão em leve queda de 0,05%, enquanto investidores acompanharam tensão entre Estados Unidos e Irã, alta do petróleo e nova piora nas expectativas de inflação.

por Camila Braga
11/05/2026 às 22h10
em Dólar
Dólar - Gazeta Mercantil

O dólar hoje fechou praticamente estável nesta segunda-feira, 11 de maio, em um pregão de baixa liquidez e de atenção elevada aos desdobramentos da crise no Oriente Médio. A moeda americana à vista terminou negociada a R$ 4,8914, com leve queda de 0,05%, apesar do fortalecimento global do dólar e do avanço das incertezas geopolíticas.

O comportamento do câmbio brasileiro destoou parcialmente do exterior. O DXY, índice que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, como euro e libra, operava em alta de 0,06%, aos 97.964 pontos, por volta das 17h, no horário de Brasília.

Leia também: Dólar hoje fecha em leve queda frente ao real e contraria exterior

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A estabilidade do real ocorreu em meio a um ambiente externo mais cauteloso, marcado por novas tensões entre Estados Unidos e Irã, alta do petróleo e preocupação com o risco de interrupção no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de energia.

Dólar perde força no Brasil apesar de alta no exterior

O dólar iniciou a sessão acompanhando o movimento global de fortalecimento da moeda americana, mas perdeu força ao longo do pregão. A baixa liquidez ajudou a limitar movimentos mais intensos no mercado doméstico.

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a moeda americana abriu o dia refletindo a cautela internacional com o impasse entre Estados Unidos e Irã e com o petróleo ainda acima de US$ 100. O movimento, porém, perdeu intensidade no decorrer da sessão.

Esse comportamento indica que o mercado local não acompanhou integralmente o aumento da aversão a risco observado no exterior. Mesmo com a piora geopolítica, o dólar permaneceu próximo da estabilidade frente ao real.

A sessão também mostrou que o câmbio brasileiro segue influenciado por fatores mistos. De um lado, o risco externo favorece o dólar. De outro, o patamar ainda elevado dos juros domésticos e o fluxo financeiro podem ajudar a conter pressões mais fortes sobre a moeda brasileira.

Oriente Médio segue no centro das atenções

O principal fator de cautela no mercado foi a escalada das tensões no Oriente Médio. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a resposta do Irã a uma proposta de paz apresentada por Washington, o que aumentou a incerteza sobre a possibilidade de cessar-fogo.

Trump afirmou que o cessar-fogo com o Irã está “respirando por aparelhos” e cogitou retomar o chamado “Projeto Liberdade”, iniciativa voltada a garantir a passagem segura de navios no Estreito de Ormuz.

O Irã, por sua vez, segundo a agência Tasnim, posicionou submarinos da classe Ghadir na região do estreito. A movimentação elevou a preocupação com um possível bloqueio ou restrição prolongada ao tráfego marítimo em uma das rotas mais importantes para o comércio global de petróleo.

O conflito, que já dura cerca de dois meses e meio, ampliou a volatilidade nos mercados de energia. Qualquer ameaça ao Estreito de Ormuz tende a pressionar preços do petróleo, custos de transporte, inflação global e expectativas de juros.

Petróleo acima de US$ 100 amplia preocupação inflacionária

A rejeição da proposta pelo Irã provocou nova alta nos preços do petróleo, aumentando a preocupação de investidores com os efeitos sobre inflação e política monetária.

O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais sensíveis do mercado global de energia. Um bloqueio prolongado ou interrupção relevante no tráfego marítimo poderia reduzir a oferta disponível de petróleo e derivados, pressionando preços em diferentes economias.

Para países importadores ou dependentes de combustíveis, o impacto tende a aparecer em custos de transporte, energia elétrica, cadeias produtivas e inflação ao consumidor. Mesmo em países produtores, a alta do petróleo pode gerar efeitos indiretos sobre combustíveis, fretes e expectativas.

No Brasil, a alta do petróleo também tem impacto sobre projeções de inflação e sobre a percepção do mercado em relação ao Banco Central. Se os preços de energia continuarem pressionados, a autoridade monetária pode ter menos espaço para acelerar cortes de juros.

Focus mostra nova alta na projeção de inflação

No cenário doméstico, investidores acompanharam o Boletim Focus do Banco Central. Pela nona semana consecutiva, os economistas elevaram a projeção para a inflação de 2026, em meio ao avanço dos preços de petróleo e energia.

A estimativa para o IPCA de 2026 subiu de 4,89% para 4,91%, ficando acima do teto da meta de inflação, definido em 4,5%. Para os anos seguintes, as projeções permaneceram em 4,00% para 2027, 3,64% para 2028 e 3,50% para 2029.

A piora nas expectativas reforça a cautela do mercado. Quando as projeções de inflação sobem, investidores passam a recalibrar expectativas para juros, câmbio e ativos de risco.

No câmbio, inflação mais alta pode ter efeitos contraditórios. Por um lado, aumenta a percepção de risco doméstico. Por outro, pode levar o mercado a esperar juros mais elevados por mais tempo, o que tende a sustentar o diferencial de juros a favor do real.

Juros e risco externo limitam direção do câmbio

O dólar fechou próximo da estabilidade porque fatores de sinal oposto atuaram sobre o mercado. O risco geopolítico e o avanço do dólar no exterior favoreciam alta da moeda americana. Já o diferencial de juros brasileiro e a baixa liquidez ajudaram a conter o movimento.

O Brasil ainda oferece juros elevados em relação a economias desenvolvidas. Esse diferencial pode atrair operações de carry trade, nas quais investidores captam recursos em moedas de juros baixos e aplicam em países com retorno maior.

No entanto, esse fluxo depende do apetite por risco. Em momentos de estresse internacional, investidores podem reduzir exposição a emergentes, mesmo quando o retorno nominal é atrativo.

Por isso, o comportamento do dólar nos próximos dias dependerá da combinação entre Oriente Médio, petróleo, juros americanos, expectativas de inflação no Brasil e fluxo de capital estrangeiro.

Real resiste, mas cenário segue sensível

A leve queda do dólar para R$ 4,8914 mostra que o real resistiu ao aumento da tensão externa nesta segunda-feira. O movimento, porém, não elimina o risco de volatilidade nos próximos pregões.

Uma escalada militar no Oriente Médio, novas ameaças ao Estreito de Ormuz ou nova disparada do petróleo poderiam reacender a busca por proteção em dólar. Da mesma forma, novas altas nas projeções de inflação podem alterar expectativas para a política monetária brasileira.

Por enquanto, o mercado de câmbio opera em equilíbrio frágil. A moeda americana segue abaixo de R$ 4,90, mas investidores continuam atentos aos sinais vindos do exterior e às decisões de política econômica no Brasil.

O fechamento desta segunda-feira indica que o câmbio local ainda encontra suporte em fundamentos domésticos, mas permanece vulnerável a choques externos. O Oriente Médio, o petróleo e o Boletim Focus devem continuar no centro das atenções do mercado nos próximos dias.

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