Dólar Hoje: Moeda Abre em Queda com Mercado à Espera de Powell em Jackson Hole
O dólar hoje iniciou a sexta-feira (22) em queda frente ao real, refletindo o clima de expectativa dos investidores globais em torno do aguardado discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), durante o simpósio anual de Jackson Hole, nos Estados Unidos.
Às 9h, a moeda americana recuava 0,23%, cotada a R$ 5,466, em um dia de agenda esvaziada e de cautela nos mercados. O tom adotado por Powell poderá definir o rumo não apenas do câmbio, mas de diversos ativos financeiros ao redor do mundo.
Dólar Hoje: Movimentos Iniciais e Contexto
O movimento do dólar hoje reflete uma série de fatores locais e externos. De um lado, o ambiente doméstico segue influenciado por notícias políticas e dados econômicos. De outro, a cena internacional concentra suas atenções nas sinalizações do Fed, em meio às pressões do ex-presidente Donald Trump para que o banco central americano reduza os juros.
Trump, em declarações recentes, elevou o tom contra Jerome Powell e chegou a cobrar a saída da diretora Lisa Cook, que resistiu às pressões. Essa tensão política entre o Executivo americano e o Federal Reserve adiciona volatilidade ao mercado de câmbio.
Enquanto isso, investidores calculam a probabilidade de cortes de juros na próxima reunião do FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto), prevista para setembro.
Expectativas para a Política Monetária dos EUA
Segundo dados da plataforma CME Fed Watch, cerca de 69,5% dos analistas projetam um corte de 0,25 ponto percentual nos juros americanos, enquanto 30,5% acreditam na manutenção da taxa entre 4,25% e 4,5%.
Essa divisão reflete a incerteza sobre o ritmo de desaceleração da economia dos Estados Unidos e a persistência da inflação, especialmente nos setores de serviços.
O dólar hoje responde diretamente a essas expectativas: juros mais altos tendem a fortalecer a moeda americana, enquanto cortes aumentam o apetite por risco e podem favorecer o real e outras moedas emergentes.
Powell em Jackson Hole: O Discurso Mais Aguardado do Ano
Jerome Powell deve discursar às 11h (horário de Brasília), em um dos momentos mais aguardados do simpósio de Jackson Hole, evento que reúne líderes de bancos centrais e economistas renomados do mundo inteiro.
Investidores esperam que Powell adote um tom cauteloso, sem se comprometer de imediato com cortes agressivos. A combinação entre sinais de desaceleração econômica e a pressão inflacionária — agravada pelos efeitos das tarifas comerciais impostas pelos EUA — torna a comunicação do Fed ainda mais delicada.
Um discurso mais duro pode impulsionar o dólar globalmente. Já uma sinalização de flexibilização monetária tende a pressionar o dólar hoje para baixo frente ao real.
Declarações Recentes de Dirigentes do Fed
A incerteza se intensifica com as falas divergentes de dirigentes regionais do Fed.
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Austan Goolsbee, do Fed de Chicago, alertou para a persistência da inflação de serviços, sem indicar cortes imediatos.
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Susan Collins, do Fed de Boston, reconheceu a possibilidade de redução dos juros caso haja enfraquecimento do mercado de trabalho.
Essas declarações reforçam que o dólar hoje seguirá reagindo a cada nuance da comunicação oficial do banco central.
Dólar Hoje no Brasil: Influência Política e Econômica
No cenário doméstico, o dólar hoje também reflete os desdobramentos políticos e os dados fiscais. Ontem (21), a moeda fechou em leve alta de 0,11%, a R$ 5,4791, em meio a uma agenda carregada de notícias econômicas e políticas.
Na semana, a moeda acumula alta de 1,50%, embora ainda registre queda de 2,17% no mês. No acumulado de 2025, o dólar cai 11,34% frente ao real, consolidando a moeda brasileira como uma das que mais se valorizam entre os emergentes.
Alexandre de Moraes em Evento no Brasil
Outro fator que chama atenção, ainda que de forma indireta, é a participação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em um evento no Rio de Janeiro.
Embora não deva impactar o dólar hoje de forma imediata — já que o discurso ocorrerá após o fechamento do mercado —, sua fala é acompanhada de perto em meio às tensões políticas entre Brasil e Estados Unidos ligadas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
O Real e seu Desempenho Entre as Moedas Emergentes
O real segue em destaque positivo no cenário internacional. Mesmo com a volatilidade do dólar hoje, a moeda brasileira lidera ganhos entre emergentes em 2025, sustentada por três fatores principais:
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Fluxo de capital estrangeiro atraído pela taxa de juros elevada no Brasil.
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Superávit comercial robusto, apoiado pelas exportações de commodities agrícolas e minerais.
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Política fiscal mais controlada, ainda que acompanhada de riscos e incertezas.
Esse desempenho ajuda a conter pressões de desvalorização do real, mesmo em dias de alta do dólar.
O Que Esperar do Dólar Hoje e Nos Próximos Dias
O futuro do dólar hoje dependerá diretamente da fala de Powell em Jackson Hole e dos próximos indicadores macroeconômicos dos EUA. Entre os principais fatores a serem monitorados estão:
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Dados de inflação da próxima semana, fundamentais para definir a trajetória dos juros americanos.
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Relatórios do mercado de trabalho, que podem indicar se há espaço para cortes sem risco de sobreaquecimento.
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Noticiário político nos EUA, incluindo pressões de Trump sobre o Fed.
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Agenda doméstica no Brasil, com arrecadação, política fiscal e movimentações no STF.
Análise Técnica do Dólar Hoje
Do ponto de vista técnico, o dólar hoje tem encontrado resistência na faixa de R$ 5,50. Se esse patamar for rompido, há espaço para uma valorização em direção a R$ 5,55.
Por outro lado, se a moeda perder o suporte de R$ 5,45, poderá acelerar a queda para a região de R$ 5,40. O discurso de Powell será o fator decisivo para definir esse movimento.
Por Que o Dólar Hoje Caiu?
A queda do dólar hoje reflete uma combinação de fatores externos e internos:
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Expectativa em torno do discurso de Powell no simpósio de Jackson Hole.
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Pressões políticas sobre o Federal Reserve nos EUA.
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Divergências internas entre dirigentes do banco central americano.
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Agenda esvaziada no Brasil, mas com influência do noticiário político.
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Força do real em 2025, sustentado por fundamentos econômicos sólidos.
O mercado segue em compasso de espera, atento a cada sinal vindo de Jackson Hole, enquanto o câmbio brasileiro reafirma sua resiliência frente às incertezas globais.






