terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Brasil

EAD ultrapassa ensino presencial pela primeira vez no Brasil e muda perfil da qualificação

Dados do Inep mostram 5,1 milhões de universitários em cursos a distância, enquanto plataformas públicas e privadas ampliam oferta de formação flexível para trabalhadores

por Daniel Wicker
08/05/2026 às 10h45
em Brasil
Ensino À Distancia - Ead - Gzt - Gazeta Mercantil

A educação a distância ultrapassou o ensino presencial pela primeira vez no Brasil e passou a reunir 50,7% dos universitários do país, segundo os dados mais recentes do Censo da Educação Superior do Inep, instituto vinculado ao Ministério da Educação. O movimento, consolidado em 2026, ocorre em meio à expansão de plataformas digitais de qualificação, ao crescimento da educação profissional e à busca de milhões de brasileiros por formação flexível para concluir etapas escolares, obter certificações ou melhorar sua posição no mercado de trabalho.

De acordo com o levantamento, os cursos de graduação a distância somam 5,1 milhões de estudantes, contra 5 milhões matriculados em cursos presenciais. A virada marca uma mudança estrutural no sistema educacional brasileiro, que deixou de tratar o EAD como modalidade complementar e passou a vê-lo como eixo central de acesso ao ensino superior.

Leia também: Coca-Cola muda estratégia no Brasil e prepara embalagens menores para enfrentar inflação.

A transformação também aparece fora das universidades. Em março de 2026, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lançou o QualificaPro, plataforma que reúne mais de 29 mil cursos gratuitos disponíveis a 80 milhões de usuários da Carteira de Trabalho Digital. A iniciativa reforça a tentativa do governo de ampliar a qualificação profissional remota em larga escala.

O avanço do ensino remoto ocorre em paralelo a desafios persistentes da educação básica. Dados do Censo Escolar do Inep indicam que a Educação de Jovens e Adultos (EJA) registrou 2,4 milhões de matrículas, com queda acumulada de 20,4% desde 2020. Nesse cenário, alternativas como o Encceja, exame que permite obter certificação do ensino fundamental e médio, ganham relevância entre adultos que buscam concluir a escolaridade fora da idade regular.

Leia também: Deputados bolsonaristas pedem investigação nos EUA contra Wagner Moura e influenciadores: o que muda.

EAD assume liderança no ensino superior

A ultrapassagem do ensino presencial pelo EAD no ensino superior é o principal sinal da mudança de comportamento educacional no país. A modalidade a distância passou a reunir mais da metade dos estudantes universitários, movimento impulsionado por mensalidades mais acessíveis, flexibilidade de horários, expansão das plataformas digitais e maior aceitação do ensino remoto por alunos e empregadores.

Leia também: O que é orografia: tudo sobre o estudo das formas do relevo

O dado de 50,7% dos universitários em EAD mostra que a modalidade deixou de ser uma alternativa periférica. A expansão tem impacto direto sobre instituições de ensino, regulação educacional, formação profissional e mercado de trabalho.

Para estudantes que trabalham, moram fora dos grandes centros ou precisam conciliar estudo com responsabilidades familiares, o ensino remoto passou a representar uma via de acesso antes limitada pelo custo e pela distância física das instituições.

A mudança também pressiona universidades e faculdades a revisar modelos de oferta, tecnologia, tutoria, avaliação e permanência estudantil. O crescimento do EAD amplia o acesso, mas também impõe desafios relacionados à qualidade dos cursos, engajamento dos alunos e empregabilidade dos formados.

Qualificação profissional ganha escala digital

O lançamento do QualificaPro pelo Ministério do Trabalho e Emprego amplia a presença do Estado na oferta de cursos digitais. A plataforma reúne mais de 29 mil cursos gratuitos e está disponível para 80 milhões de usuários da Carteira de Trabalho Digital.

A iniciativa reflete uma demanda crescente por qualificação rápida e acessível. Em um mercado de trabalho marcado por mudanças tecnológicas, automação, informalidade e exigência de novas competências, trabalhadores buscam cursos de curta duração para atualização profissional, recolocação ou transição de carreira.

A formação inicial e continuada, modalidade que abrange capacitações mais curtas e voltadas ao mercado, aparece como uma das frentes de crescimento. Esse tipo de curso atende desde trabalhadores que buscam uma primeira oportunidade até profissionais que precisam adaptar competências a novas exigências do setor produtivo.

A educação profissional e tecnológica também avançou. Segundo apresentação oficial do Censo Escolar 2024, elaborada pelo Inep em conjunto com o Ministério da Educação, o segmento somou 2,57 milhões de matrículas no levantamento mais recente.

O crescimento mostra que a demanda por educação não se concentra apenas na graduação. O Brasil passa a combinar diferentes camadas de formação: conclusão da educação básica, certificação por exames, cursos livres, formação técnica, graduação EAD e capacitações continuadas.

Queda da EJA expõe desafio da escolarização adulta

Enquanto o EAD cresce no ensino superior e na qualificação profissional, a Educação de Jovens e Adultos enfrenta retração. A EJA registrou 2,4 milhões de matrículas, com queda acumulada de 20,4% desde 2020, segundo dados do Censo Escolar do Inep.

A redução das matrículas ocorre em um país que ainda tem grande contingente de adultos sem conclusão da educação básica. Dados da Pnad Contínua, do IBGE, indicam que cerca de 68 milhões de brasileiros com 18 anos ou mais estão fora da escola sem ter concluído essa etapa.

Esse público representa um dos principais desafios para políticas públicas de educação e trabalho. A baixa escolaridade limita acesso a empregos formais, reduz renda potencial e dificulta a progressão profissional.

O perfil dos estudantes da EJA também mostra mudanças. Segundo as Notas Estatísticas do Censo Escolar divulgadas pelo Inep, 63,9% dos matriculados têm menos de 40 anos e mais de 600 mil são menores de 20 anos. O dado indica que a modalidade atende não apenas adultos mais velhos, mas também jovens que se afastaram da trajetória escolar regular.

Nesse contexto, o Encceja ganha importância como alternativa de certificação. O exame permite que pessoas que não concluíram a educação básica obtenham certificação do ensino fundamental ou médio, desde que atinjam o desempenho exigido.

Ensino remoto avança entre adultos e trabalhadores

A expansão do EAD não se limita ao estudante universitário tradicional. O crescimento da modalidade também reflete a busca de adultos por formação compatível com rotina de trabalho, renda limitada e necessidade de atualização constante.

Dois grupos ajudam a explicar a mudança. O primeiro é formado por adultos que buscam concluir a educação básica fora da idade regular, por meio de EJA, Encceja e plataformas preparatórias. O segundo reúne trabalhadores interessados em cursos técnicos, profissionalizantes e capacitações de curta duração.

Esse movimento dialoga com a Meta 11 do Plano Nacional de Educação, que prevê triplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio até o fim do ciclo. A meta reforça a prioridade dada à formação técnica como instrumento de empregabilidade e produtividade.

O mercado de trabalho também ajuda a impulsionar a procura. Levantamentos indicam que mais de 8 milhões de brasileiros buscam recolocação em 2026, sustentando a demanda por cursos gratuitos e flexíveis.

A educação remota, nesse cenário, funciona como uma ponte entre necessidade de qualificação e limitação de tempo. O aluno pode estudar fora do horário comercial, reduzir custos de deslocamento e acessar cursos que não estariam disponíveis em sua cidade.

Especialistas veem mudança estrutural no acesso à educação

Para Adriano Sena, fundador do Pensar Cursos, plataforma de cursos livres online, a procura por formação a distância acompanha o movimento registrado pelos indicadores oficiais. Segundo ele, a convergência entre expansão do EAD universitário e avanço dos cursos gratuitos de qualificação reflete uma demanda mais ampla do mercado de trabalho.

“O ensino remoto deixou de ser alternativa secundária e se tornou a principal porta de entrada para a qualificação no Brasil. O público que busca cursos a distância não procura apenas diploma, mas atualização contínua para um mercado que mudou de exigências”, afirmou Sena.

A avaliação aponta para uma mudança no conceito de formação. Em vez de concentrar os estudos em uma única etapa da vida, trabalhadores passaram a buscar capacitações sucessivas ao longo da trajetória profissional.

Esse modelo amplia a importância de cursos livres, formações técnicas, certificações, trilhas de aprendizagem e plataformas públicas. A educação passa a ser consumida em ciclos mais curtos, vinculados a necessidades específicas de carreira, renda ou recolocação.

Sena avalia que cursos online gratuitos, técnicos integrados e EAD universitário não competem entre si, mas funcionam como camadas complementares de qualificação ao longo da vida profissional.

Crescimento exige controle de qualidade e regulação

A consolidação do EAD como principal modalidade do ensino superior brasileiro também amplia a responsabilidade regulatória. O aumento acelerado de matrículas exige fiscalização sobre qualidade dos cursos, estrutura tecnológica, acompanhamento pedagógico, evasão e resultados de aprendizagem.

A expansão do acesso é positiva, mas a escala do sistema cria desafios. Cursos a distância precisam garantir interação adequada, suporte acadêmico, avaliação consistente e formação compatível com as exigências do mercado.

Também há diferenças importantes entre áreas de conhecimento. Algumas formações se adaptam melhor ao ambiente remoto, enquanto outras demandam atividades presenciais, laboratórios, estágio supervisionado ou prática profissional intensiva.

Para o governo, o desafio será equilibrar expansão e qualidade. Para as instituições, a prioridade será demonstrar que o ensino remoto pode entregar formação efetiva, e não apenas matrículas em grande volume.

O mesmo vale para cursos gratuitos de qualificação. A oferta em larga escala precisa ser acompanhada por critérios de relevância, atualização dos conteúdos, certificação adequada e conexão com demandas reais do mercado de trabalho.

Educação flexível redefine trajetória profissional no país

A virada do EAD sobre o ensino presencial marca uma mudança de longo prazo no sistema educacional brasileiro. O país passa a operar com um modelo mais flexível, em que graduação, cursos técnicos, certificações e qualificação profissional se combinam para atender públicos distintos.

O avanço do QualificaPro, a expansão da educação profissional e tecnológica, a busca por Encceja e o crescimento da graduação a distância apontam para a mesma direção: a educação deixa de depender exclusivamente da presença física em sala de aula.

Esse movimento pode ampliar o acesso de estudantes que antes estavam fora do sistema. Ao mesmo tempo, exige políticas públicas voltadas à inclusão digital, conectividade, permanência estudantil e qualidade pedagógica.

Os próximos resultados do Censo, previstos para o segundo semestre, devem indicar se a liderança do EAD sobre o presencial será mantida e se a tendência continuará avançando.

A consolidação do ensino remoto em 2026 mostra que a formação flexível deixou de ser exceção. Para milhões de brasileiros, tornou-se a principal alternativa para estudar, obter certificado, buscar emprego e se adaptar a um mercado de trabalho mais exigente.

LEIA MAIS

Brasileiros Conservadores - Gazeta Mercantil
Política

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta Ipsos-Ipec

Pesquisa ouviu brasileiros sobre temas de costumes e valores, como aborto, casamento homoafetivo, pena de morte e redução da maioridade penal

Leia MaisDetails
Governo Analisa 48 Contas Com Mais De R$ 500 Mil Em Bets Após Proibição - Gazeta Mercantil
Brasil

Governo analisa 48 contas com mais de R$ 500 mil em bets após proibição

Ministro da fazenda diz que volume dessas contas destoa do perfil da maioria dos usuários que ainda tinham dinheiro nas plataformas

Leia MaisDetails
Rio Suspende Descontos Do Banco Master E Credcesta E Abre Prazo Para Contestação-Gazeta Mercantil
Empresas

Rio suspende descontos do Banco Master e Credcesta e abre prazo para contestação

O Governo do Estado do Rio de Janeiro determinou nesta segunda-feira (5) a suspensão temporária dos descontos em folha referentes a empréstimos consignados e cartões de crédito consignados...

Leia MaisDetails
Pesquisa Eleitoral Eleiçoes 2026 - Gazeta Mercantil
Política

Imprensa europeia destaca peso geopolítico da eleição entre Lula e Flávio Bolsonaro

A eleição presidencial brasileira ganhou espaço de destaque na imprensa europeia neste domingo, 4 de outubro. Publicações do Reino Unido, França e Espanha tratam o primeiro turno não...

Leia MaisDetails
Concessão Com Prazo De 30 Anos Já Está Em Vigor, E Projeto Prevê 1,5 Quilômetro De Extensão, 870 Metros Sob O Canal Do Porto De Santos E Operação A Partir De 2031-Gazeta Mercantil
Brasil

Túnel Santos-Guarujá de R$ 6,8 bilhões terá obras iniciadas em 2027 e operação em 2031

O Túnel Santos-Guarujá avançou para a fase de preparação contratual e de desenvolvimento dos projetos antes do início das obras, previsto para 2027. O empreendimento, estruturado como parceria...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

23:41:57
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Petróleo Hoje - Gazeta Mercantil
Mercados

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Leia MaisDetails
Agronegocio - Gazeta Mercantil
Empresas

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Leia MaisDetails
Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Leia MaisDetails
Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP