O Grupo Energisa encerrou o primeiro trimestre de 2026 com Ebitda ajustado recorrente de R$ 1,981 bilhão, alta de 6,6% em relação ao mesmo período de 2025, sustentado pelo avanço da receita líquida, controle de custos e desempenho positivo nas áreas de distribuição, transmissão, gás natural e geração distribuída. A companhia também investiu R$ 1,6 bilhão entre janeiro e março, crescimento de 17% na comparação anual, em um trimestre marcado pela renovação antecipada de concessões e pela manutenção de uma posição robusta de liquidez.
A receita líquida do Grupo Energisa avançou 7% no período, enquanto os custos e despesas gerenciáveis, medidos pelo PMSO, cresceram apenas 1,6%, abaixo da inflação acumulada de 4,14%. O resultado reforça a estratégia da companhia de preservar eficiência operacional em um cenário de juros elevados, pressão sobre custos e incertezas macroeconômicas.
A empresa informou que mantém cerca de R$ 15 bilhões em caixa, montante suficiente para cobrir quase três anos de vencimentos da dívida. A posição de liquidez é relevante para uma companhia intensiva em capital, com forte presença em distribuição de energia e planos de expansão em infraestrutura, gás e geração renovável.
Distribuição segue como principal motor do resultado
O segmento de distribuição de energia elétrica, principal negócio da Energisa, registrou Ebitda ajustado recorrente de R$ 1,7 bilhão no primeiro trimestre, avanço de 7,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida ajustada do segmento, sem VNR e sem receita de construção, cresceu 6,7%, para R$ 7,9 bilhões.
O consumo de energia nas nove distribuidoras do grupo somou 11.037 GWh no trimestre, considerando mercado cativo e TUSD, alta de 3,5% ante o primeiro trimestre de 2025. O desempenho foi impulsionado por novas cargas industriais e agroindustriais, principalmente nas áreas de atuação de EMT, EMS e ESS.
A expansão do consumo é um indicador importante para o setor elétrico porque reflete o nível de atividade nas regiões atendidas e contribui para a geração de caixa das distribuidoras. No caso da Energisa, o crescimento veio acompanhado de controle de perdas e melhora em indicadores operacionais.
As perdas elétricas totais ficaram em 12,3%, queda de 0,11 ponto percentual em um ano. Sete distribuidoras operaram abaixo dos limites regulatórios, sinalizando avanço na eficiência da rede e na gestão de energia distribuída.
Renovação de concessões amplia horizonte operacional
A Energisa também destacou a assinatura antecipada dos contratos de renovação por mais 30 anos das concessões de EMT, EMS, ESE e EPB, oficializados no dia 8. A renovação amplia a previsibilidade operacional e regulatória de ativos relevantes para o grupo.
Para empresas de distribuição de energia, contratos de concessão de longo prazo são decisivos porque sustentam planos de investimento, expansão da rede, modernização de sistemas e compromissos de qualidade de serviço. A extensão das concessões reduz incertezas e reforça a capacidade da companhia de planejar alocação de capital em horizonte mais longo.
A Energisa investiu R$ 1,6 bilhão no trimestre, com avanço de 17% sobre o mesmo período de 2025. O segmento de distribuição puxou esse crescimento, com alta de 25,6% nos investimentos, voltados ao aumento da capacidade instalada, conexão de novas cargas e melhoria da qualidade do fornecimento.
Esse ciclo de investimentos é relevante em regiões com expansão de atividade industrial e agroindustrial. A capacidade de atender novas cargas pode sustentar crescimento de mercado no médio prazo, desde que acompanhada por disciplina regulatória e controle de custos.
Qualidade do serviço avança nas distribuidoras
As nove distribuidoras do Grupo Energisa apresentaram desempenho operacional abaixo dos limites regulatórios em DEC e FEC, indicadores que medem, respectivamente, a duração e a frequência das interrupções no fornecimento de energia por unidade consumidora.
A companhia também liderou novamente o Índice ANEEL de Satisfação do Consumidor, o IASC. A EPB foi escolhida como a melhor distribuidora de energia do Brasil pela terceira vez consecutiva, enquanto a ESE ficou na vice-liderança. A EMS foi destaque no Centro-Oeste, e a ETO obteve o primeiro lugar na região Norte pela quarta vez seguida.
A melhora nos indicadores regulatórios e de satisfação tem impacto direto na percepção sobre a qualidade das concessões. No setor elétrico, desempenho operacional consistente pode reduzir riscos de penalidades, melhorar a relação com o regulador e sustentar ganhos de eficiência no longo prazo.
A taxa de arrecadação consolidada também foi destaque no trimestre. O indicador, que mede o percentual de contas pagas pelos clientes, alcançou 97,2%, o melhor resultado da série histórica para um primeiro trimestre. Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado pelo uso de inteligência analítica nas cobranças e beneficiado pela isenção tarifária para famílias de baixa renda prevista na MP 1.300/2025.
Transmissão tem alta de 6,7% no Ebitda regulatório
Na área de transmissão, a Energisa Transmissão de Energia apresentou Ebitda regulatório de R$ 170 milhões no primeiro trimestre, alta de 6,7% em relação ao mesmo período de 2025.
O avanço foi impulsionado principalmente pelo reajuste tarifário da Receita Anual Permitida, de 5,32%, referente ao ciclo 2025/2026, e pela entrada em operação de novos ativos. A margem do Ebitda regulatório chegou a 87%, alta de 1,9 ponto percentual em um ano.
O segmento de transmissão costuma oferecer receitas mais previsíveis, vinculadas à disponibilidade dos ativos e ao modelo regulatório. Por isso, sua expansão contribui para diversificar a geração de caixa do grupo e reduzir a dependência exclusiva das distribuidoras.
A entrada de novos ativos em operação reforça a estratégia da Energisa de ampliar presença em infraestrutura elétrica além da distribuição. A combinação entre distribuição e transmissão tende a favorecer estabilidade de receitas, embora também exija investimentos elevados e disciplina financeira.
Negócios de gás crescem 39% no trimestre
O negócio de distribuição de gás natural do Grupo Energisa, que inclui a ES Gás e a Norgás, registrou Ebitda ajustado de R$ 97 milhões no primeiro trimestre. O valor representa crescimento de 39% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Do total, R$ 58 milhões vieram da ES Gás, controlada integralmente pela Energisa, e R$ 39 milhões foram decorrentes da equivalência patrimonial da Norgás, que possui participações minoritárias na Cegás, Algás, Potigás e Copergás.
A margem bruta dos negócios de gás avançou 19%, para R$ 230 milhões. A rede combinada já soma 4 mil quilômetros e atende 360 mil clientes em cinco estados, segundo os dados informados pela companhia.
A ES Gás encerrou o trimestre com volume total de gás natural distribuído de 164.661 mil metros cúbicos, alta de 12,1% em um ano. O avanço foi puxado principalmente pelos segmentos residencial, com crescimento de 15%, e industrial, com expansão de 14%.
Esse desempenho contribuiu para o aumento de 48,7% no Ebitda da ES Gás, que totalizou R$ 58 milhões. A expansão reforça a aposta da Energisa em negócios adjacentes à distribuição elétrica, com foco em infraestrutura energética e diversificação de receitas.
Biometano entra no radar de expansão
A Energisa também destacou oportunidades futuras no segmento de gás e energia renovável. Entre elas está o Programa Mais Gás Alagoas, lançado em 1º de abril, voltado ao uso de gás natural e biometano em diferentes setores da economia.
Outro ponto relevante foi a autorização para comercialização da produção de biometano da unidade da Agric em Campos Novos, em Santa Catarina, concedida em 31 de março. A planta recebeu investimentos de R$ 110 milhões e transforma resíduos agroindustriais em energia renovável carbono zero e insumos agrícolas.
O biometano vem ganhando espaço na agenda energética por combinar destinação de resíduos, redução de emissões e substituição parcial de combustíveis fósseis. Para empresas integradas de energia, o produto pode ampliar portfólio, criar sinergias com clientes industriais e reforçar posicionamento em soluções de transição energética.
No caso da Energisa, a aposta em biometano complementa a expansão em gás natural e geração distribuída, ampliando a presença do grupo em segmentos além da concessão tradicional de energia elétrica.
Geração distribuída avança com 126 usinas solares
A (re)energisa, braço de geração distribuída do grupo, encerrou o primeiro trimestre com capacidade instalada de 473 MWp em 126 usinas solares fotovoltaicas. A unidade registrou Ebitda de R$ 47 milhões, crescimento de 8,4% em relação ao mesmo período de 2025.
O resultado refletiu estratégia comercial e operacional voltada ao aumento da rentabilidade dos ativos. A base de clientes gerando receita atingiu o maior nível da história da operação, com crescimento de 25,4% em março de 2026 frente ao mesmo mês do ano anterior.
A geração distribuída segue como um mercado em expansão no Brasil, impulsionada por empresas e consumidores que buscam redução de custos, previsibilidade energética e alternativas renováveis. Para a Energisa, o segmento amplia a atuação em soluções descentralizadas e pode criar novas fontes de receita junto a clientes corporativos e residenciais.
Apesar do crescimento, o setor exige atenção regulatória e comercial. A rentabilidade dos projetos depende de contratos, tarifas, custos de implantação e evolução das regras para compensação de energia.
Voltz reduz despesas e amplia receitas
A Voltz, fintech do Grupo Energisa, também apresentou avanço no trimestre. As receitas totais chegaram a R$ 12 milhões, alta de 54,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Ao mesmo tempo, as despesas com PMSO foram reduzidas em 13,2%.
O resultado financeiro da fintech cresceu 203%, impulsionado pela expansão de 271% da posição de caixa frente ao mesmo período do ano anterior. A operação segue sendo tratada como uma frente de sinergia com a base de clientes do grupo.
Fintechs vinculadas a empresas de serviços essenciais podem explorar relacionamento recorrente com consumidores, soluções de pagamento, crédito, contas digitais e serviços financeiros integrados. No caso da Energisa, a Voltz pode funcionar como instrumento de fidelização, eficiência de cobrança e monetização adicional da base.
A melhora de receitas combinada à redução de despesas indica avanço operacional, embora o impacto da fintech ainda seja menor diante da escala dos negócios regulados de energia.
Liquidez de R$ 15 bilhões sustenta estratégia financeira
A Energisa encerrou o trimestre com cerca de R$ 15 bilhões em caixa, reforçando a prioridade dada à disciplina financeira. A companhia informou que esse montante é suficiente para cobrir quase três anos de vencimentos da dívida.
A empresa também vem trocando vencimentos de curto prazo por opções mais longas e em condições financeiras consideradas favoráveis. Essa estratégia reduz o risco de refinanciamento em um ambiente de juros ainda elevados e preserva flexibilidade para manter investimentos.
Em abril, a Energisa assinou um memorando de entendimento com o Itaú para um aporte de até R$ 1,4 bilhão em ações preferenciais de uma de suas subsidiárias. A operação, se concluída, pode reforçar capital, financiar expansão e melhorar a estrutura financeira do grupo.
Para investidores, a liquidez elevada é um ponto central na análise da companhia. Empresas do setor elétrico operam com necessidade contínua de investimentos e exposição regulatória. Manter caixa robusto reduz riscos de curto prazo e sustenta a execução de projetos em diferentes áreas de negócio.
Resultado reforça diversificação do Grupo Energisa
O balanço do primeiro trimestre mostra uma Energisa apoiada em quatro frentes principais: distribuição elétrica, transmissão, gás natural e geração distribuída. A distribuição segue como centro da geração de caixa, mas os demais segmentos ganham relevância no crescimento do grupo.
O avanço de 6,6% no Ebitda ajustado recorrente, combinado ao controle de PMSO e ao crescimento dos investimentos, indica que a companhia conseguiu preservar eficiência mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador. A expansão em gás, biometano, geração distribuída e serviços financeiros amplia o perfil de negócios, embora também aumente a necessidade de execução disciplinada.
A renovação de concessões por mais 30 anos, a posição de caixa de R$ 15 bilhões e o crescimento em segmentos complementares reforçam a capacidade do Grupo Energisa de sustentar investimentos no médio prazo. O desafio será converter essa expansão em ganhos recorrentes de rentabilidade, mantendo alavancagem sob controle e qualidade operacional nas distribuidoras.








