Estratégia HALO do Santander aponta 10 ações brasileiras resistentes à IA
O Santander Brasil divulgou na última quarta-feira (25) o ranking das 10 ações brasileiras consideradas mais alinhadas à estratégia HALO (High Assets, Low Obsolescence), que prioriza empresas com forte base de ativos físicos e menor exposição à rápida obsolescência tecnológica causada pelo avanço da inteligência artificial. A iniciativa do banco parte da premissa de que negócios baseados em ativos tangíveis, como infraestrutura industrial, concessões e operações de longo prazo, oferecem maior previsibilidade de fluxo de caixa e resistência frente às disrupções digitais aceleradas.
O conceito HALO e sua relevância no mercado
A estratégia HALO identifica companhias menos vulneráveis à substituição tecnológica e mais resilientes à volatilidade do mercado digital. Segundo o Santander, o chamado efeito HALO pode gerar uma reorientação de carteiras, em que investidores deixam de concentrar recursos em empresas altamente expostas à tecnologia e passam a direcionar capital para ativos tangíveis e previsíveis.
O estudo detalha que empresas com grande intensidade de ativos, ciclos longos e contratos consolidados apresentam vantagem competitiva estrutural em comparação a negócios que dependem da inovação digital constante. Em um cenário de aceleração da IA generativa, essa abordagem visa reduzir risco e preservar o valor do portfólio.
Metodologia e critérios de avaliação
O relatório do Santander analisou empresas listadas na B3 com base em quatro critérios essenciais:
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Intensidade de capital investido: empresas que possuem grande volume de ativos tangíveis, capazes de sustentar operações mesmo diante de choques tecnológicos;
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Ciclo de ativos: avaliação da longevidade e produtividade dos ativos, considerando amortização e manutenção;
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Previsibilidade do fluxo de caixa: mensuração da consistência das receitas, principalmente em setores regulados ou com contratos de longo prazo;
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Risco de substituição tecnológica: grau de vulnerabilidade das operações frente à inovação digital disruptiva.
O levantamento reforça que o efeito HALO não significa abandonar empresas de crescimento, mas recalibrar carteiras de investimento diante da volatilidade do setor tecnológico.
Setores e empresas favorecidas
O ranking HALO concentra-se em setores com elevada intensidade de ativos e menor risco de obsolescência: energia, utilities, saneamento, mineração, petróleo, construção civil e telecomunicações.
As 10 ações listadas pelo Santander Brasil incluem:
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Axia Energia (AXIA3) – setor elétrico, contratos regulados e infraestrutura consolidada;
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Copasa (CSMG3) – saneamento, concessões de longo prazo e receita previsível;
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Orizon (ORVR3) – reciclagem de resíduos, operações logísticas e industriais robustas;
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Brava Energia (BRAV3) – petróleo, ativos estratégicos e capacidade operacional;
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Prio (PRIO3) – petróleo, infraestrutura de produção e distribuição;
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Cyrela (CYRE3) – construção civil, projetos imobiliários e contratos de longo prazo;
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Direcional Engenharia (DIRR3) – construção civil, base sólida de projetos e entregas;
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Telefônica Brasil (VIVT3) – telecomunicações, infraestrutura física e receitas recorrentes;
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Aura Minerals (AURA33) – mineração de ouro, operações industriais com ativos duráveis;
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Vale (VALE3) – mineração de ferro, alto capital físico e ciclo de ativos prolongado.
Segundo analistas do Santander, essas empresas apresentam perfil de investimento defensivo, adequado para períodos de maior incerteza tecnológica e econômica.
Efeito HALO e o comportamento do investidor
O chamado efeito HALO indica que investidores podem reorientar carteiras priorizando ativos perenes em detrimento de empresas mais expostas à IA e à inovação digital constante. Essa estratégia busca reduzir a volatilidade, oferecendo previsibilidade e proteção em um cenário de disrupção acelerada.
Além disso, a diminuição de juros reais favorece liquidez global e apetite ao risco, condições que tendem a beneficiar empresas com forte base de ativos físicos e contratos de longo prazo. O Santander reforça que a estratégia não representa um abandono das ações de crescimento, mas uma recalibração de portfólios.
Cenário macroeconômico e impacto da IA
O avanço da inteligência artificial generativa tem levado investidores a reconsiderar alocações em empresas altamente digitais, devido à rápida obsolescência de tecnologias e modelos de negócios. Empresas com alta intensidade de ativos e menor risco tecnológico, como as listadas na estratégia HALO, oferecem estabilidade financeira e fluxo de caixa previsível.
Setores como energia, mineração e saneamento têm barreiras de entrada elevadas e contratos de longo prazo, consolidando o perfil HALO e mitigando impactos de choques tecnológicos repentinos.
Perspectivas futuras para os ativos HALO
O ranking HALO do Santander reforça a tese de que ativos perenes podem se valorizar em cenários de maior volatilidade e avanço tecnológico acelerado. A estratégia indica que empresas com base física sólida, contratos longos e menor exposição à obsolescência digital podem gerar retornos mais consistentes, atraindo capital de investidores institucionais e gestores de fundos que buscam previsibilidade.
O relatório sugere que a diversificação em ativos tangíveis e perenes será essencial para proteger carteiras, equilibrando crescimento e resiliência diante de mudanças rápidas no mercado.







