XP Malls (XPML11) e Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) lideram a lista dos fundos imobiliários mais recomendados por analistas para maio. Os dois FIIs apareceram em sete das 12 carteiras recomendadas analisadas, segundo levantamento que considerou bancos, corretoras e casas de análise.
A presença dos dois fundos no topo do ranking mostra uma divisão clara nas estratégias para o mês. De um lado, o XP Malls (XPML11) representa a aposta em fundos de tijolo, com foco em shopping centers, recuperação do consumo presencial e ativos de alta qualidade. De outro, o Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) reforça a preferência por fundos de papel, especialmente aqueles com carteira de Certificados de Recebíveis Imobiliários atrelados ao CDI.
O cenário de juros ainda elevados segue favorecendo FIIs de recebíveis, que tendem a manter rendimentos competitivos quando a taxa básica permanece em patamar alto. Ao mesmo tempo, fundos de tijolo com bons ativos, gestão ativa e melhora operacional continuam no radar dos analistas, sobretudo em segmentos como shoppings e logística.
A lista dos mais recomendados também inclui BTG Pactual Logística (BTLG11), Bresco Logística (BRCO11), TRX Real Estate (TRXF11), Mauá Capital Recebíveis Imobiliários (MCCI11), RBR Rendimento High Grade (RBRR11), VBI Prime Properties (PVBI11), Hedge Brasil Shopping (HGBS11), HSI Malls (HSML11) e Vinci Logística (VILG11).
XP Malls lidera entre fundos de shopping
O XP Malls (XPML11) foi um dos fundos imobiliários mais citados pelos analistas para maio, com sete recomendações. O fundo é voltado exclusivamente ao segmento de shopping centers e possui cerca de 722 mil cotistas na B3.
A tese para o XP Malls (XPML11) combina qualidade do portfólio, localização dos ativos, recuperação do consumo presencial e capacidade de geração de receita por meio de aluguel fixo, aluguel variável e reajustes inflacionários.
O fundo possui participação em 24 shopping centers, que somam aproximadamente 1,02 milhão de metros quadrados de área bruta locável e mais de 5,2 mil lojas. A carteira inclui ativos voltados a públicos de média e alta renda, fator considerado relevante para a resiliência operacional.
Entre os empreendimentos citados por analistas estão Catarina Fashion Outlet, Shopping Cidade Jardim e Shopping Pátio Higienópolis. Esses ativos são vistos como diferenciais por apresentarem forte posicionamento urbano, tráfego relevante e marcas âncoras.
Shoppings se beneficiam de tráfego e consumo presencial
A preferência por XP Malls (XPML11) reflete a avaliação de que fundos de shopping com bons ativos podem continuar se beneficiando da normalização do consumo presencial. O aumento do fluxo de visitantes fortalece vendas dos lojistas, melhora a arrecadação de aluguel variável e reduz risco de vacância.
Analistas também destacam o poder de barganha de shoppings dominantes. Empreendimentos bem localizados, com mix diversificado de operações e presença de grandes marcas, tendem a negociar melhor com lojistas e preservar ocupação.
Esse ponto é importante porque o segmento de shopping passou por forte estresse durante a pandemia e, desde então, vem retomando indicadores operacionais. Fundos mais bem posicionados conseguiram recompor receitas e melhorar margens.
A tese, porém, não é isenta de riscos. Juros elevados pressionam o consumo, encarecem o crédito e podem afetar empresas varejistas. Ainda assim, shoppings de alta qualidade tendem a mostrar maior resistência em momentos de desaceleração.
KNCR11 lidera entre fundos de papel
O Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) também apareceu em sete carteiras recomendadas para maio. O fundo é gerido pela Kinea Investimentos e possui cerca de 542 mil cotistas na B3.
Diferentemente do XP Malls (XPML11), o KNCR11 é um fundo de papel. Sua carteira é composta majoritariamente por Certificados de Recebíveis Imobiliários, os CRIs, atrelados ao CDI.
Essa característica favorece o fundo em um ambiente de juros elevados. Como parte relevante da carteira acompanha o CDI, os rendimentos tendem a permanecer competitivos enquanto a taxa básica de juros se mantém alta.
A alta liquidez também é apontada como diferencial. O KNCR11 está entre os fundos mais negociados da indústria, o que facilita entrada e saída de investidores e aumenta sua relevância em carteiras recomendadas.
Juros elevados favorecem recebíveis
Fundos de recebíveis seguem entre os preferidos dos analistas porque oferecem exposição a crédito imobiliário e costumam distribuir rendimentos mensais relevantes. Em um cenário de Selic elevada, fundos com CRIs indexados ao CDI tendem a se beneficiar.
O KNCR11 é visto como uma alternativa defensiva dentro do segmento. Analistas apontam previsibilidade dos rendimentos, qualidade da carteira de crédito, risco controlado e estruturação própria das operações como pontos positivos.
A estruturação própria permite ao gestor negociar garantias, prazos, taxas e condições específicas, o que pode melhorar a relação entre risco e retorno dos ativos. Esse fator ganha importância em um ambiente de crédito mais seletivo.
Mesmo em um ciclo de queda gradual dos juros, fundos de papel ainda podem permanecer atrativos se mantiverem spreads saudáveis e boa qualidade de crédito. O desafio é preservar rendimentos quando o CDI começar a recuar de forma mais clara.
Logística aparece com força nas recomendações
Além de XPML11 e KNCR11, o levantamento mostra forte presença de fundos logísticos. BTG Pactual Logística (BTLG11) e Bresco Logística (BRCO11) receberam seis recomendações cada. Vinci Logística (VILG11) apareceu em quatro carteiras.
O segmento logístico segue relevante para investidores por combinar contratos de longo prazo, imóveis de alto padrão, demanda ligada a e-commerce, varejo, indústria e distribuição. Galpões bem localizados, próximos a grandes centros consumidores, tendem a apresentar maior resiliência.
BTG Pactual Logística (BTLG11) é um dos fundos mais conhecidos do setor, com portfólio diversificado de galpões logísticos. Bresco Logística (BRCO11) também é visto como fundo de qualidade, com ativos voltados a operações corporativas e industriais.
A presença de três fundos logísticos entre os mais recomendados mostra que analistas continuam vendo o segmento como estratégico, especialmente para investidores que buscam exposição a imóveis físicos com contratos mais previsíveis.
TRXF11 reforça tese de renda urbana
O TRX Real Estate (TRXF11) também apareceu com destaque, com seis recomendações. O fundo atua no segmento de renda urbana, com imóveis locados para grandes empresas, geralmente por contratos atípicos e de longo prazo.
Esse perfil atrai investidores em busca de previsibilidade. Fundos de renda urbana costumam ter contratos com grandes redes varejistas, atacarejos, supermercados e empresas de serviços essenciais.
A tese do TRXF11 combina renda recorrente, contratos indexados à inflação e imóveis voltados a operações comerciais relevantes. Em momentos de juros altos e maior seletividade no mercado, esse tipo de fundo pode ser visto como alternativa defensiva.
O risco está na concentração de locatários, na qualidade dos contratos e na capacidade de manter imóveis ocupados ao longo do tempo. Por isso, a análise da carteira e dos inquilinos é essencial.
Recebíveis seguem com presença relevante
Além do KNCR11, outros fundos de recebíveis aparecem entre os mais recomendados. Mauá Capital Recebíveis Imobiliários (MCCI11) recebeu cinco indicações, enquanto RBR Rendimento High Grade (RBRR11) apareceu em quatro carteiras.
A presença desses FIIs reforça a preferência por crédito imobiliário em um cenário de juros ainda elevados. Fundos de papel costumam ser buscados por investidores interessados em rendimentos mensais e menor exposição direta à vacância de imóveis físicos.
No entanto, o investidor deve avaliar a composição da carteira de CRIs. Indexadores, devedores, garantias, duration, concentração e qualidade de crédito fazem diferença no risco final do fundo.
Fundos com papéis high grade tendem a apresentar perfil mais conservador, enquanto carteiras com maior risco de crédito podem pagar rendimentos mais altos, mas também carregam maior possibilidade de inadimplência ou renegociação.
Lajes corporativas aparecem com PVBI11
O VBI Prime Properties (PVBI11), fundo de lajes corporativas, apareceu em quatro recomendações. O segmento ainda enfrenta desafios em algumas regiões, mas ativos premium continuam atraindo atenção.
Fundos de lajes corporativas dependem fortemente de localização, qualidade dos edifícios, perfil dos inquilinos e nível de vacância. Imóveis de alto padrão em regiões consolidadas podem ter desempenho superior mesmo em um mercado mais seletivo.
O PVBI11 representa uma aposta em ativos corporativos de qualidade. Para analistas, fundos desse tipo podem se beneficiar de eventual recuperação gradual do mercado de escritórios, especialmente em regiões com oferta mais controlada.
Ainda assim, o segmento exige cautela. O avanço do trabalho híbrido, a renegociação de contratos e a vacância em áreas menos demandadas seguem como pontos de atenção.
HGBS11 e HSML11 reforçam preferência por shoppings
Além do XPML11, outros dois fundos de shopping centers aparecem entre os mais recomendados: Hedge Brasil Shopping (HGBS11) e HSI Malls (HSML11), ambos com quatro indicações.
A presença de três FIIs de shoppings no ranking mostra que o segmento voltou a ganhar espaço nas carteiras. A recuperação de vendas, a melhora do fluxo de consumidores e a capacidade de repasse de aluguéis sustentam a tese.
Fundos de shopping também podem se beneficiar de eventos sazonais, consumo em datas comemorativas e maior ocupação dos empreendimentos. O desempenho, contudo, varia conforme localização, público-alvo e qualidade da gestão.
XPML11, HGBS11 e HSML11 têm perfis distintos, mas compartilham exposição a ativos físicos ligados ao consumo presencial. Para investidores, a comparação entre eles deve considerar dividend yield, valor patrimonial, vacância, qualidade dos shoppings e estratégia do gestor.
FIIs mais recomendados para maio
O levantamento considerou carteiras recomendadas de 12 instituições: Andbank, BB Investimentos, BTG Pactual, Daycoval, Empiricus Research, EQI, Genial, Itaú BBA, Monte Bravo, RB Investimentos, Santander e XP Investimentos.
Os fundos imobiliários mais recomendados para maio foram:
KNCR11 — Kinea Rendimentos Imobiliários — Recebíveis — 7 recomendações
XPML11 — XP Malls — Shopping centers — 7 recomendações
BTLG11 — BTG Pactual Logística — Logística — 6 recomendações
BRCO11 — Bresco Logística — Logística — 6 recomendações
TRXF11 — TRX Real Estate — Renda urbana — 6 recomendações
MCCI11 — Mauá Capital Recebíveis Imobiliários — Recebíveis — 5 recomendações
RBRR11 — RBR Rendimento High Grade — Recebíveis — 4 recomendações
PVBI11 — VBI Prime Properties — Lajes corporativas — 4 recomendações
HGBS11 — Hedge Brasil Shopping — Shopping centers — 4 recomendações
HSML11 — HSI Malls — Shopping centers — 4 recomendações
VILG11 — Vinci Logística — Logística — 4 recomendações
A lista mostra preferência por três grandes grupos: recebíveis, shopping centers e logística. Esses segmentos concentram boa parte das recomendações por combinarem geração de renda, liquidez e ativos com maior visibilidade.
Ranking mostra busca por equilíbrio entre renda e qualidade
A composição dos FIIs mais recomendados para maio mostra que os analistas buscam equilíbrio entre rendimento, qualidade dos ativos e resiliência. Fundos de papel oferecem renda mais diretamente ligada aos juros. Fundos de tijolo permitem exposição à valorização imobiliária e à melhora operacional de ativos físicos.
O KNCR11 representa a parcela mais defensiva ligada ao CDI. O XPML11 representa a aposta em recuperação e qualidade no segmento de shoppings. Já BTLG11, BRCO11 e VILG11 reforçam a preferência por logística, setor considerado estruturalmente relevante.
A presença de TRXF11 amplia a diversificação para renda urbana, enquanto MCCI11 e RBRR11 mantêm a exposição a recebíveis. PVBI11 adiciona uma tese mais seletiva em lajes corporativas.
Para o investidor, a lista serve como termômetro do mercado, mas não substitui análise individual. Dividend yield, vacância, endividamento, preço sobre valor patrimonial, liquidez, indexadores e qualidade da gestão devem ser avaliados antes de qualquer decisão.
Cenário de juros define desempenho dos FIIs
O desempenho dos fundos imobiliários em maio seguirá condicionado ao comportamento dos juros. A Selic elevada ainda sustenta a atratividade de fundos de recebíveis e mantém a renda fixa como concorrente direta dos FIIs.
Quando os juros começam a cair, fundos de tijolo podem ganhar força, porque a redução da taxa de desconto tende a valorizar ativos imobiliários e aumentar o apetite por risco. No entanto, esse movimento depende do ritmo da política monetária e da percepção fiscal.
Por isso, a carteira de recomendações mostra uma combinação de estratégias. Analistas mantêm fundos de papel para capturar renda no curto prazo, mas também incluem fundos de shopping e logística para eventual melhora de preços e fundamentos.
Essa transição é importante. O mercado de FIIs costuma antecipar ciclos de juros, mas também penaliza fundos com risco de crédito, vacância elevada ou baixa previsibilidade de rendimentos.
Fundos imobiliários seguem no radar dos investidores
Os fundos imobiliários continuam atraindo investidores que buscam renda mensal, diversificação e exposição ao mercado imobiliário sem a necessidade de comprar imóveis diretamente. O ranking de maio reforça a preferência por FIIs líquidos, com gestão reconhecida e ativos de qualidade.
XP Malls (XPML11) e Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) lideram as indicações porque representam duas frentes importantes do setor: imóveis físicos com potencial operacional e crédito imobiliário atrelado aos juros.
A lista também evidencia que o mercado está mais seletivo. Analistas não olham apenas para dividendos elevados, mas para sustentabilidade dos rendimentos, qualidade da carteira, liquidez e capacidade de atravessar cenários de juros altos.
Em um ambiente de transição monetária, os FIIs mais recomendados para maio mostram que a busca por renda continua, mas com atenção maior ao risco e à consistência dos ativos.









