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H&M pressionada por Shein e Zara tenta provar retomada ao mercado

por João Souza
07/04/2026 às 19h30
em Negócios
H&Amp;M Expansão Brasil 2026: Gigante Da Moda Anuncia Novas Lojas E Aposta No País Como Prioridade Global-Gazeta Mercantil

H&M pressionada por Shein e Zara tenta convencer mercado de que retomada é real

A H&M pressionada por Shein e Zara volta ao centro do debate global do varejo de moda em um momento decisivo para sua trajetória. Depois de anos de perda de relevância relativa, compressão de valor de mercado, dificuldade para sustentar crescimento de vendas e acúmulo de estoques, a companhia sueca tenta reconstruir sua narrativa diante de investidores cada vez mais céticos. O discurso agora é de reorganização, disciplina operacional e recuperação gradual. O problema é que o mercado já ouviu promessa semelhante antes — e não viu a virada se consolidar.

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A companhia comandada por Daniel Ervér, CEO desde 2024, tenta sustentar que a base da recuperação começou a ser construída. Há, de fato, sinais de melhora em margens, geração de caixa e redução de estoques. Ainda assim, o ponto mais sensível continua em aberto: o avanço operacional ainda não se traduziu em crescimento robusto e consistente das vendas. Em um setor em que velocidade, percepção de marca e reação ao consumidor definem vencedores e perdedores, esse detalhe pesa mais do que qualquer discurso institucional.

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A leitura que ganha força no mercado é que a H&M pressionada por Shein e Zara enfrenta uma crise que vai muito além do resultado trimestral. Trata-se de uma disputa por posicionamento em um setor redesenhado pela digitalização, pela hipercompetição global e por uma mudança estrutural nos hábitos de consumo. De um lado, a Zara elevou o padrão de desejo dentro do chamado varejo acessível. De outro, a Shein radicalizou a lógica de preço baixo, oferta abundante e resposta acelerada às tendências. No meio desse campo de força, a H&M precisa provar que ainda é relevante.

O desafio é especialmente delicado porque a companhia não luta apenas contra os rivais. Ela também tenta recuperar credibilidade com investidores depois de quase uma década de resultados aquém do prometido. Desde o auge de 2015, a empresa perdeu aproximadamente metade de seu valor de mercado, apagando dezenas de bilhões de dólares em valor e deixando para trás o período em que figurava entre os nomes mais fortes da bolsa de Estocolmo.

Hoje, a pergunta central não é se a H&M ainda pode mudar. A pergunta é se ela conseguirá mudar rápido o bastante para não continuar presa entre dois extremos: a sofisticação mais eficiente da Zara e a agressividade comercial de Shein e Primark.

H&M pressionada por Shein e Zara tenta recuperar credibilidade após anos de frustração

A dificuldade da H&M pressionada por Shein e Zara em reconquistar confiança decorre de um histórico prolongado de promessas não convertidas em tração suficiente. O mercado carrega memória. E a memória dos investidores em relação à companhia sueca inclui um passado recente de desaceleração, excesso de estoques e deterioração na capacidade de competir em um setor que se transformou muito mais rápido do que a empresa parecia preparada para acompanhar.

Há cerca de oito anos, a companhia já havia tentado tranquilizar acionistas em um momento de forte deterioração operacional. Naquele ciclo, a narrativa institucional também apostava na ideia de reversão gradual, ajustes estratégicos e reconstrução. Mas as dificuldades se aprofundaram. Pouco tempo depois, vieram novas más notícias, incluindo um enorme volume de roupas não vendidas e forte contração do lucro operacional.

Esse passado pesa diretamente sobre Daniel Ervér. O CEO assumiu com a tarefa de organizar a casa e apresentar uma rota mais crível para o futuro. O problema é que o mercado não avalia apenas intenção. Avalia entrega. E, embora a nova gestão tenha conseguido avanços relevantes em indicadores de eficiência, o investidor continua olhando para o ponto mais duro da equação: crescimento.

No primeiro trimestre, as vendas da H&M em base constante de câmbio caíram 1%. O número, isoladamente, pode parecer administrável. Mas, no contexto em que a H&M pressionada por Shein e Zara busca provar que voltou a ser competitiva, ele se transforma em um sinal desconfortável. Melhorar margem sem crescer pode até estabilizar o negócio no curto prazo, mas dificilmente restaura o brilho estratégico da marca diante do mercado.

CEO Daniel Ervér aposta em reestruturação para tirar H&M da estagnação

Daniel Ervér defende que a companhia já começou a construir uma base mais sólida para um novo ciclo. A mensagem da gestão é de que a reorganização está em curso, com reflexos em rentabilidade, caixa, estoques e simplificação operacional. Essa narrativa faz sentido do ponto de vista corporativo. Em uma empresa de escala global e operação complexa, estabilizar antes de crescer pode ser um caminho racional.

Sob essa lógica, a nova administração promoveu mudanças para acelerar decisões e tornar a companhia menos pesada. Houve redução de camadas hierárquicas, revisão da cadeia de fornecedores e incentivo para que o desenvolvimento de produtos ganhasse mais escala. A ideia é aproximar a estrutura produtiva dos mercados consumidores, encurtando ciclos e reduzindo ineficiências.

Esse movimento aproxima a empresa de uma lógica que a Zara executa com mais eficiência há anos: responder mais rápido ao comportamento do consumidor. A diferença é que a H&M chega atrasada a esse ajuste. E, em um mercado de moda dominado por velocidade e precisão, atrasos custam caro.

A estratégia de Ervér também inclui um redesenho da malha comercial. A empresa reduziu o número de lojas em 19% desde 2019 e fechou 130 unidades da Monki. A marca principal H&M perdeu 832 pontos físicos, dentro de um processo de consolidação voltado para lojas maiores e mais robustas, em estilo flagship. O objetivo é racionalizar custos e concentrar a operação em formatos mais eficientes.

O online, por sua vez, já representa cerca de 30% das vendas. Esse dado mostra que a companhia reconheceu, ainda que tardiamente, a centralidade do digital no varejo contemporâneo. Mas o peso da venda online, por si só, não resolve o problema maior: como transformar presença digital em crescimento sustentável e fortalecimento de marca.

Estoques menores ajudam, mas ainda não resolvem a principal fraqueza da empresa

Um dos sinais mais claros de melhora operacional na H&M pressionada por Shein e Zara está na redução dos estoques. Durante anos, o acúmulo de produtos não vendidos funcionou como símbolo da dificuldade da empresa em calibrar oferta, demanda e velocidade de reação às tendências. Em moda, estoque em excesso não é apenas problema financeiro. É também sinal de perda de sintonia com o consumidor.

A atual gestão conseguiu reduzir a relação entre estoque e vendas ao menor nível em uma década. Esse avanço tem peso importante porque melhora a eficiência do capital, reduz necessidade de liquidações agressivas e ajuda a preservar margens. Em teoria, é exatamente o tipo de ajuste que deveria preparar a companhia para um ciclo mais saudável.

Mas há uma ressalva importante. Analistas ainda veem indícios de que a empresa não resolveu totalmente sua vulnerabilidade nesse campo. Persistem dúvidas sobre a necessidade de novos descontos e sobre o quanto a operação está, de fato, ajustada para vender mais a preço cheio. Esse ponto é decisivo porque, no varejo de moda, crescer com muita dependência de liquidação compromete percepção de marca e capacidade de rentabilidade no longo prazo.

Em outras palavras, a redução dos estoques é um avanço, mas não basta. A H&M pressionada por Shein e Zara precisa provar que consegue vender melhor, e não apenas gerenciar melhor o excesso que produziu no passado.

Zara avança com aspiração acessível enquanto Shein domina a lógica do preço extremo

A crise estratégica da H&M pressionada por Shein e Zara se explica, em grande medida, pela mudança de eixo do varejo global de moda. O setor deixou de ser apenas uma corrida por escala e presença global. Tornou-se uma disputa por relevância cultural, velocidade de produção, domínio logístico, inteligência de dados e clareza de posicionamento.

A Zara, controlada pela Inditex, avançou sobre um território que combina design mais aspiracional, percepção de qualidade e resposta rápida ao comportamento do consumidor. Essa combinação permitiu à marca espanhola capturar valor em uma faixa de mercado mais sofisticada, sem abandonar a eficiência operacional que a diferencia há anos.

Na outra ponta, a Shein radicalizou a proposta do ultrabarato com altíssima velocidade, imenso sortimento e leitura agressiva de tendências. O resultado foi a criação de um novo parâmetro competitivo, sobretudo entre consumidores mais jovens e sensíveis a preço. Nesse ambiente, a H&M passou a correr o risco de parecer intermediária demais para ser desejo e cara demais para ser impulso.

Esse é o coração do problema. A H&M pressionada por Shein e Zara ficou espremida entre dois modelos que, cada um a seu modo, redefiniram o consumo de moda global. A empresa sueca tenta responder aproximando fornecedores de mercados como Marrocos e Egito, em vez de depender em maior escala de polos mais distantes como China e Bangladesh. A medida busca reduzir tempo de resposta, mas o mercado ainda quer ver se isso será suficiente para encurtar a distância competitiva em relação à Zara.

Valor de mercado encolheu e diferença para a Inditex virou símbolo do atraso

A deterioração da posição relativa da H&M pressionada por Shein e Zara aparece de forma contundente quando comparada à trajetória da Inditex. Há pouco mais de uma década, as duas companhias eram vistas como pares mais próximos, com resultados operacionais comparáveis e relevância semelhante no varejo europeu de moda.

Essa paridade foi se rompendo com o tempo. Em valor de mercado, a distância começou a se abrir por volta de 2012 e se aprofundou a partir de 2016, quando o crescimento do grupo espanhol ganhou velocidade enquanto a H&M acumulava atrasos estratégicos. O abismo aumentou ainda mais após a pandemia.

Hoje, a diferença já não é marginal. A Inditex apresenta cerca de cinco vezes o lucro da H&M. Enquanto Daniel Ervér tenta levar a margem operacional da companhia sueca à casa de 10%, a da rival espanhola se aproxima de 20%. Esses números não são apenas estatística corporativa. Eles sintetizam a diferença entre uma empresa que conseguiu se adaptar ao novo varejo e outra que ainda busca provar que sabe como fazê-lo.

Essa assimetria ajuda a entender por que o mercado continua exigente. A melhora recente da H&M, por mais real que seja em alguns indicadores, ainda parece pequena diante do tamanho do terreno perdido.

Relevância para o público jovem se tornou a pergunta central do mercado

A questão mais sensível para a H&M pressionada por Shein e Zara talvez não esteja nos estoques, nas margens ou na estrutura de fornecedores, mas sim na marca. Em última instância, varejo de moda vive de desejo, identificação e recorrência. E muitos analistas passaram a perguntar se a empresa ainda fala com força ao seu público histórico, especialmente mulheres entre 15 e 30 anos.

Essa dúvida não é trivial. Quando uma marca perde centralidade simbólica para seu público principal, o problema deixa de ser apenas operacional e passa a ser de posicionamento. É possível reorganizar processos, cortar custos, fechar lojas e renegociar fornecimento. Recuperar relevância cultural, no entanto, é um desafio mais lento e mais incerto.

O relatório The State of Fashion 2026, da McKinsey & Company, ajuda a contextualizar essa mudança ao apontar uma reconfiguração do setor. Marcas de valor estão elevando sua qualidade e sua proposta para enfrentar rivais ultrabaratos, enquanto grupos de médio mercado como a Zara reforçam a estratégia de “aspiração acessível”, com maior ênfase em design e qualidade percebida.

Nesse cenário, a H&M pressionada por Shein e Zara precisa definir com mais nitidez quem quer ser. Se continuar ocupando um espaço ambíguo, corre o risco de permanecer vulnerável. O mercado percebe isso — e os investidores também.

Família Persson segue no controle e longo prazo vira trunfo e dilema

Outro elemento importante da história da H&M pressionada por Shein e Zara está no controle acionário. A família Persson continua no comando da companhia e detém mais de 86% dos direitos de voto, além de seguir ampliando participação. Esse grau de controle reduz a pressão externa típica de investidores mais dispersos e dá à empresa margem para executar mudanças com horizonte mais longo.

Sob um ponto de vista, isso é uma vantagem. A companhia pode investir em transformação sem a necessidade de responder a cada trimestre com medidas mais bruscas ou oportunistas. Em um negócio que exige reconstrução estrutural, esse fôlego pode ser valioso.

Sob outro ponto de vista, porém, o mesmo fator reduz o estímulo para ações mais radicais e mais rápidas. Com menos pressão de investidores estrangeiros e menor vulnerabilidade a movimentos externos, a empresa pode se permitir um ritmo de adaptação inferior ao que o mercado talvez considere ideal. Esse equilíbrio entre paciência estratégica e urgência competitiva passa a ser uma das chaves da próxima fase.

Também por isso voltam as especulações sobre eventual fechamento de capital. Ainda que o tema não domine o caso, ele aparece como reflexo de uma estrutura em que o controle da família permanece determinante para o futuro da companhia.

Entre o alívio operacional e a cobrança do mercado, H&M entra na fase decisiva da retomada

A H&M pressionada por Shein e Zara já não parece a empresa desorganizada de alguns dos momentos mais críticos de sua trajetória recente. Há sinais concretos de melhora em margem, geração de caixa, estoques e racionalização operacional. Daniel Ervér conseguiu, ao menos até aqui, estabilizar parte dos indicadores e reorganizar a máquina corporativa de forma mais coerente com o novo ambiente competitivo.

Mas o mercado exige mais do que estabilização. Exige prova de retomada real. E essa prova, no varejo de moda, aparece sobretudo em vendas, relevância de marca e capacidade de recuperar terreno diante de rivais que não esperam. A Shein continua pressionando pelo lado do preço e da velocidade extrema. A Zara segue ampliando a distância com uma combinação eficiente de design, logística e percepção de valor.

É nesse intervalo estreito que a H&M precisa se reposicionar. A companhia já mostrou que pode reduzir danos. Agora precisa mostrar que voltou a crescer de forma convincente. Enquanto isso não acontecer, a narrativa de recuperação seguirá incompleta.

No fim, a disputa deixou de ser sobre intenção e passou a ser sobre evidência. Depois de uma década em que perdeu espaço para concorrentes mais ágeis e mais claros em sua proposta, a H&M entra em um momento em que não basta prometer. O mercado, mais uma vez, quer ver.

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