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H&M pressionada por Shein e Zara tenta provar retomada ao mercado

por João Souza - Repórter de Negócios
07/04/2026 às 19h30 - Atualizado em 14/05/2026 às 22h03
em Negócios, Destaque, Notícias
H&Amp;M Expansão Brasil 2026: Gigante Da Moda Anuncia Novas Lojas E Aposta No País Como Prioridade Global-Gazeta Mercantil

H&M pressionada por Shein e Zara tenta convencer mercado de que retomada é real

A H&M pressionada por Shein e Zara volta ao centro do debate global do varejo de moda em um momento decisivo para sua trajetória. Depois de anos de perda de relevância relativa, compressão de valor de mercado, dificuldade para sustentar crescimento de vendas e acúmulo de estoques, a companhia sueca tenta reconstruir sua narrativa diante de investidores cada vez mais céticos. O discurso agora é de reorganização, disciplina operacional e recuperação gradual. O problema é que o mercado já ouviu promessa semelhante antes — e não viu a virada se consolidar.

A companhia comandada por Daniel Ervér, CEO desde 2024, tenta sustentar que a base da recuperação começou a ser construída. Há, de fato, sinais de melhora em margens, geração de caixa e redução de estoques. Ainda assim, o ponto mais sensível continua em aberto: o avanço operacional ainda não se traduziu em crescimento robusto e consistente das vendas. Em um setor em que velocidade, percepção de marca e reação ao consumidor definem vencedores e perdedores, esse detalhe pesa mais do que qualquer discurso institucional.

A leitura que ganha força no mercado é que a H&M pressionada por Shein e Zara enfrenta uma crise que vai muito além do resultado trimestral. Trata-se de uma disputa por posicionamento em um setor redesenhado pela digitalização, pela hipercompetição global e por uma mudança estrutural nos hábitos de consumo. De um lado, a Zara elevou o padrão de desejo dentro do chamado varejo acessível. De outro, a Shein radicalizou a lógica de preço baixo, oferta abundante e resposta acelerada às tendências. No meio desse campo de força, a H&M precisa provar que ainda é relevante.

O desafio é especialmente delicado porque a companhia não luta apenas contra os rivais. Ela também tenta recuperar credibilidade com investidores depois de quase uma década de resultados aquém do prometido. Desde o auge de 2015, a empresa perdeu aproximadamente metade de seu valor de mercado, apagando dezenas de bilhões de dólares em valor e deixando para trás o período em que figurava entre os nomes mais fortes da bolsa de Estocolmo.

Hoje, a pergunta central não é se a H&M ainda pode mudar. A pergunta é se ela conseguirá mudar rápido o bastante para não continuar presa entre dois extremos: a sofisticação mais eficiente da Zara e a agressividade comercial de Shein e Primark.

H&M pressionada por Shein e Zara tenta recuperar credibilidade após anos de frustração

A dificuldade da H&M pressionada por Shein e Zara em reconquistar confiança decorre de um histórico prolongado de promessas não convertidas em tração suficiente. O mercado carrega memória. E a memória dos investidores em relação à companhia sueca inclui um passado recente de desaceleração, excesso de estoques e deterioração na capacidade de competir em um setor que se transformou muito mais rápido do que a empresa parecia preparada para acompanhar.

Há cerca de oito anos, a companhia já havia tentado tranquilizar acionistas em um momento de forte deterioração operacional. Naquele ciclo, a narrativa institucional também apostava na ideia de reversão gradual, ajustes estratégicos e reconstrução. Mas as dificuldades se aprofundaram. Pouco tempo depois, vieram novas más notícias, incluindo um enorme volume de roupas não vendidas e forte contração do lucro operacional.

Esse passado pesa diretamente sobre Daniel Ervér. O CEO assumiu com a tarefa de organizar a casa e apresentar uma rota mais crível para o futuro. O problema é que o mercado não avalia apenas intenção. Avalia entrega. E, embora a nova gestão tenha conseguido avanços relevantes em indicadores de eficiência, o investidor continua olhando para o ponto mais duro da equação: crescimento.

No primeiro trimestre, as vendas da H&M em base constante de câmbio caíram 1%. O número, isoladamente, pode parecer administrável. Mas, no contexto em que a H&M pressionada por Shein e Zara busca provar que voltou a ser competitiva, ele se transforma em um sinal desconfortável. Melhorar margem sem crescer pode até estabilizar o negócio no curto prazo, mas dificilmente restaura o brilho estratégico da marca diante do mercado.

CEO Daniel Ervér aposta em reestruturação para tirar H&M da estagnação

Daniel Ervér defende que a companhia já começou a construir uma base mais sólida para um novo ciclo. A mensagem da gestão é de que a reorganização está em curso, com reflexos em rentabilidade, caixa, estoques e simplificação operacional. Essa narrativa faz sentido do ponto de vista corporativo. Em uma empresa de escala global e operação complexa, estabilizar antes de crescer pode ser um caminho racional.

Sob essa lógica, a nova administração promoveu mudanças para acelerar decisões e tornar a companhia menos pesada. Houve redução de camadas hierárquicas, revisão da cadeia de fornecedores e incentivo para que o desenvolvimento de produtos ganhasse mais escala. A ideia é aproximar a estrutura produtiva dos mercados consumidores, encurtando ciclos e reduzindo ineficiências.

Esse movimento aproxima a empresa de uma lógica que a Zara executa com mais eficiência há anos: responder mais rápido ao comportamento do consumidor. A diferença é que a H&M chega atrasada a esse ajuste. E, em um mercado de moda dominado por velocidade e precisão, atrasos custam caro.

A estratégia de Ervér também inclui um redesenho da malha comercial. A empresa reduziu o número de lojas em 19% desde 2019 e fechou 130 unidades da Monki. A marca principal H&M perdeu 832 pontos físicos, dentro de um processo de consolidação voltado para lojas maiores e mais robustas, em estilo flagship. O objetivo é racionalizar custos e concentrar a operação em formatos mais eficientes.

O online, por sua vez, já representa cerca de 30% das vendas. Esse dado mostra que a companhia reconheceu, ainda que tardiamente, a centralidade do digital no varejo contemporâneo. Mas o peso da venda online, por si só, não resolve o problema maior: como transformar presença digital em crescimento sustentável e fortalecimento de marca.

Estoques menores ajudam, mas ainda não resolvem a principal fraqueza da empresa

Um dos sinais mais claros de melhora operacional na H&M pressionada por Shein e Zara está na redução dos estoques. Durante anos, o acúmulo de produtos não vendidos funcionou como símbolo da dificuldade da empresa em calibrar oferta, demanda e velocidade de reação às tendências. Em moda, estoque em excesso não é apenas problema financeiro. É também sinal de perda de sintonia com o consumidor.

A atual gestão conseguiu reduzir a relação entre estoque e vendas ao menor nível em uma década. Esse avanço tem peso importante porque melhora a eficiência do capital, reduz necessidade de liquidações agressivas e ajuda a preservar margens. Em teoria, é exatamente o tipo de ajuste que deveria preparar a companhia para um ciclo mais saudável.

Mas há uma ressalva importante. Analistas ainda veem indícios de que a empresa não resolveu totalmente sua vulnerabilidade nesse campo. Persistem dúvidas sobre a necessidade de novos descontos e sobre o quanto a operação está, de fato, ajustada para vender mais a preço cheio. Esse ponto é decisivo porque, no varejo de moda, crescer com muita dependência de liquidação compromete percepção de marca e capacidade de rentabilidade no longo prazo.

Em outras palavras, a redução dos estoques é um avanço, mas não basta. A H&M pressionada por Shein e Zara precisa provar que consegue vender melhor, e não apenas gerenciar melhor o excesso que produziu no passado.

Zara avança com aspiração acessível enquanto Shein domina a lógica do preço extremo

A crise estratégica da H&M pressionada por Shein e Zara se explica, em grande medida, pela mudança de eixo do varejo global de moda. O setor deixou de ser apenas uma corrida por escala e presença global. Tornou-se uma disputa por relevância cultural, velocidade de produção, domínio logístico, inteligência de dados e clareza de posicionamento.

A Zara, controlada pela Inditex, avançou sobre um território que combina design mais aspiracional, percepção de qualidade e resposta rápida ao comportamento do consumidor. Essa combinação permitiu à marca espanhola capturar valor em uma faixa de mercado mais sofisticada, sem abandonar a eficiência operacional que a diferencia há anos.

Na outra ponta, a Shein radicalizou a proposta do ultrabarato com altíssima velocidade, imenso sortimento e leitura agressiva de tendências. O resultado foi a criação de um novo parâmetro competitivo, sobretudo entre consumidores mais jovens e sensíveis a preço. Nesse ambiente, a H&M passou a correr o risco de parecer intermediária demais para ser desejo e cara demais para ser impulso.

Esse é o coração do problema. A H&M pressionada por Shein e Zara ficou espremida entre dois modelos que, cada um a seu modo, redefiniram o consumo de moda global. A empresa sueca tenta responder aproximando fornecedores de mercados como Marrocos e Egito, em vez de depender em maior escala de polos mais distantes como China e Bangladesh. A medida busca reduzir tempo de resposta, mas o mercado ainda quer ver se isso será suficiente para encurtar a distância competitiva em relação à Zara.

Valor de mercado encolheu e diferença para a Inditex virou símbolo do atraso

A deterioração da posição relativa da H&M pressionada por Shein e Zara aparece de forma contundente quando comparada à trajetória da Inditex. Há pouco mais de uma década, as duas companhias eram vistas como pares mais próximos, com resultados operacionais comparáveis e relevância semelhante no varejo europeu de moda.

Essa paridade foi se rompendo com o tempo. Em valor de mercado, a distância começou a se abrir por volta de 2012 e se aprofundou a partir de 2016, quando o crescimento do grupo espanhol ganhou velocidade enquanto a H&M acumulava atrasos estratégicos. O abismo aumentou ainda mais após a pandemia.

Hoje, a diferença já não é marginal. A Inditex apresenta cerca de cinco vezes o lucro da H&M. Enquanto Daniel Ervér tenta levar a margem operacional da companhia sueca à casa de 10%, a da rival espanhola se aproxima de 20%. Esses números não são apenas estatística corporativa. Eles sintetizam a diferença entre uma empresa que conseguiu se adaptar ao novo varejo e outra que ainda busca provar que sabe como fazê-lo.

Essa assimetria ajuda a entender por que o mercado continua exigente. A melhora recente da H&M, por mais real que seja em alguns indicadores, ainda parece pequena diante do tamanho do terreno perdido.

Relevância para o público jovem se tornou a pergunta central do mercado

A questão mais sensível para a H&M pressionada por Shein e Zara talvez não esteja nos estoques, nas margens ou na estrutura de fornecedores, mas sim na marca. Em última instância, varejo de moda vive de desejo, identificação e recorrência. E muitos analistas passaram a perguntar se a empresa ainda fala com força ao seu público histórico, especialmente mulheres entre 15 e 30 anos.

Essa dúvida não é trivial. Quando uma marca perde centralidade simbólica para seu público principal, o problema deixa de ser apenas operacional e passa a ser de posicionamento. É possível reorganizar processos, cortar custos, fechar lojas e renegociar fornecimento. Recuperar relevância cultural, no entanto, é um desafio mais lento e mais incerto.

O relatório The State of Fashion 2026, da McKinsey & Company, ajuda a contextualizar essa mudança ao apontar uma reconfiguração do setor. Marcas de valor estão elevando sua qualidade e sua proposta para enfrentar rivais ultrabaratos, enquanto grupos de médio mercado como a Zara reforçam a estratégia de “aspiração acessível”, com maior ênfase em design e qualidade percebida.

Nesse cenário, a H&M pressionada por Shein e Zara precisa definir com mais nitidez quem quer ser. Se continuar ocupando um espaço ambíguo, corre o risco de permanecer vulnerável. O mercado percebe isso — e os investidores também.

Família Persson segue no controle e longo prazo vira trunfo e dilema

Outro elemento importante da história da H&M pressionada por Shein e Zara está no controle acionário. A família Persson continua no comando da companhia e detém mais de 86% dos direitos de voto, além de seguir ampliando participação. Esse grau de controle reduz a pressão externa típica de investidores mais dispersos e dá à empresa margem para executar mudanças com horizonte mais longo.

Sob um ponto de vista, isso é uma vantagem. A companhia pode investir em transformação sem a necessidade de responder a cada trimestre com medidas mais bruscas ou oportunistas. Em um negócio que exige reconstrução estrutural, esse fôlego pode ser valioso.

Sob outro ponto de vista, porém, o mesmo fator reduz o estímulo para ações mais radicais e mais rápidas. Com menos pressão de investidores estrangeiros e menor vulnerabilidade a movimentos externos, a empresa pode se permitir um ritmo de adaptação inferior ao que o mercado talvez considere ideal. Esse equilíbrio entre paciência estratégica e urgência competitiva passa a ser uma das chaves da próxima fase.

Também por isso voltam as especulações sobre eventual fechamento de capital. Ainda que o tema não domine o caso, ele aparece como reflexo de uma estrutura em que o controle da família permanece determinante para o futuro da companhia.

Entre o alívio operacional e a cobrança do mercado, H&M entra na fase decisiva da retomada

A H&M pressionada por Shein e Zara já não parece a empresa desorganizada de alguns dos momentos mais críticos de sua trajetória recente. Há sinais concretos de melhora em margem, geração de caixa, estoques e racionalização operacional. Daniel Ervér conseguiu, ao menos até aqui, estabilizar parte dos indicadores e reorganizar a máquina corporativa de forma mais coerente com o novo ambiente competitivo.

Mas o mercado exige mais do que estabilização. Exige prova de retomada real. E essa prova, no varejo de moda, aparece sobretudo em vendas, relevância de marca e capacidade de recuperar terreno diante de rivais que não esperam. A Shein continua pressionando pelo lado do preço e da velocidade extrema. A Zara segue ampliando a distância com uma combinação eficiente de design, logística e percepção de valor.

É nesse intervalo estreito que a H&M precisa se reposicionar. A companhia já mostrou que pode reduzir danos. Agora precisa mostrar que voltou a crescer de forma convincente. Enquanto isso não acontecer, a narrativa de recuperação seguirá incompleta.

No fim, a disputa deixou de ser sobre intenção e passou a ser sobre evidência. Depois de uma década em que perdeu espaço para concorrentes mais ágeis e mais claros em sua proposta, a H&M entra em um momento em que não basta prometer. O mercado, mais uma vez, quer ver.

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Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. 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A Ausência De Presença Consolidada Em Plataformas Públicas Não Comprova, Por Si Só, Irregularidade. Ainda Assim, Em Uma Transação De Grande Porte Envolvendo Investidores Prejudicados, A Falta De Dados Verificáveis Aumenta A Necessidade De Esclarecimentos. A Reportagem Também Aponta Que A Azara Capital Não Aparece Como Regulada Ou Cadastrada Em Órgãos De Fiscalização Americanos Como A Securities And Exchange Commission E A Financial Industry Regulatory Authority. Essas Informações São Relevantes Porque A Empresa Se Apresenta Como Sediada Nos Estados Unidos E Vinculada Ao Mercado Financeiro. Perfil Em Rede Social Passou Por Mudanças Após Repercussão A Presença Da Azara Capital Em Redes Sociais Também Entrou No Centro Das Dúvidas. O Perfil Da Empresa No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E Exibia Poucas Publicações Até A Divulgação Da Suposta Transação Envolvendo A Naskar. Durante A Quinta-Feira, Após O Nome Da Empresa Ganhar Repercussão, Foram Observadas Mudanças No Perfil. 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A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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