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Herdeiros da Ray-Ban entram em guerra bilionária por controle da dona da EssilorLuxottica

Processo em Luxemburgo questiona reorganização de R$ 60 bilhões na holding da família Del Vecchio e amplia tensão sucessória.

por Alice Nascimento
10/05/2026 às 05h25
em Empresas
Herdeiros Da Ray-Ban Entram Em Guerra Bilionária Por Controle Da Dona Da Essilorluxottica-Gazeta Mercantil

Uma nova disputa judicial entre herdeiros da família Del Vecchio colocou em risco uma reorganização societária estimada em cerca de 10 bilhões de euros — aproximadamente R$ 60 bilhões — envolvendo a Delfin, holding que controla a participação da família na EssilorLuxottica, gigante global do setor óptico e dona de marcas como Ray-Ban e Oakley. O processo foi apresentado na Justiça de Luxemburgo por Rocco Basilico, enteado do fundador Leonardo Del Vecchio, e pode alterar o equilíbrio de poder dentro de um dos maiores conglomerados empresariais da Itália.

A ação questiona a validade da assembleia realizada em 27 de abril que aprovou a transferência de participações acionárias dentro da Delfin. Segundo a contestação, a operação teria sido aprovada com quórum inferior ao previsto no estatuto da holding familiar, o que, na avaliação do autor do processo, invalidaria todas as decisões tomadas na reunião.

Leia também: Ray-Ban: herdeiro fecha acordo de R$ 58 bilhões e assume controle do império Delfin.

O caso adiciona uma nova camada de tensão à sucessão patrimonial da família Del Vecchio, quatro anos após a morte de Leonardo Del Vecchio, empresário que transformou a Luxottica em um dos maiores grupos globais do mercado de óculos e tecnologia óptica.

A disputa também ocorre em um momento estratégico para a EssilorLuxottica, companhia que ampliou presença no segmento de tecnologia vestível após acordos com a Meta Platforms para desenvolvimento de óculos inteligentes com inteligência artificial.

Leia também: Embraer E195-E2: Avelo Airlines faz encomenda bilionária e estreia modelo nos EUA.

Disputa gira em torno do controle da Delfin

O centro do embate envolve a tentativa de Leonardo Maria Del Vecchio ampliar sua participação dentro da Delfin por meio da compra das fatias pertencentes aos irmãos Luca Del Vecchio e Paola Del Vecchio.

Caso a operação seja concluída, Leonardo Maria passará a deter 37,5% da holding, consolidando-se como o principal acionista individual da estrutura familiar criada para administrar os ativos do grupo.

A Delfin é considerada peça central do patrimônio construído por Leonardo Del Vecchio. Além da participação relevante na EssilorLuxottica, a holding mantém investimentos em instituições financeiras italianas e outros ativos estratégicos na Europa.

Segundo pessoas familiarizadas com o caso, Rocco Basilico argumenta que a aprovação da operação deveria exigir mais de 88% dos votos da holding, conforme previsão estatutária para transferências acionárias envolvendo terceiros.

Entretanto, a transação acabou aprovada com base em maioria de 75%, percentual que a defesa de Basilico considera insuficiente para validar o negócio.

Como o herdeiro possui 12,5% dos direitos de voto da Delfin, sua oposição teria capacidade de bloquear a reorganização caso o quórum mais elevado fosse aplicado.

Na ação apresentada em Luxemburgo, Basilico solicita a anulação integral das deliberações aprovadas na assembleia.

Estrutura de sucessão enfrenta nova crise após morte do fundador

A disputa evidencia as dificuldades enfrentadas pela família Del Vecchio na definição do modelo sucessório do império empresarial deixado pelo fundador da Luxottica.

Leonardo Del Vecchio morreu em 2022 e deixou uma estrutura societária complexa, envolvendo diferentes herdeiros, participações cruzadas e ativos bilionários espalhados por diversos setores.

Desde então, o mercado acompanha com atenção os movimentos dentro da Delfin, considerada o principal instrumento de governança da família.

A preocupação de investidores e analistas envolve principalmente a estabilidade da estrutura de controle da EssilorLuxottica, empresa avaliada entre as maiores companhias europeias do setor de luxo, óptica e tecnologia de consumo.

Embora a disputa judicial esteja concentrada na holding familiar, o caso amplia as incertezas sobre o processo de sucessão e sobre a futura configuração de poder dentro do conglomerado.

Especialistas em governança corporativa apontam que conflitos sucessórios envolvendo grandes grupos familiares frequentemente afetam decisões estratégicas, distribuição de dividendos, planejamento patrimonial e percepção de risco dos investidores.

Política de dividendos também entrou na disputa judicial

Além do questionamento sobre o quórum da assembleia, a ação apresentada por Basilico também mira alterações na política de distribuição de dividendos da Delfin.

Segundo os relatos ligados ao processo, a nova estrutura prevê distribuição mínima de 80% do lucro líquido anual entre 2025 e 2027 após a conclusão da reorganização societária.

Na avaliação de pessoas próximas ao caso, a medida poderia facilitar o financiamento da compra das participações dos irmãos por Leonardo Maria Del Vecchio.

O tema adiciona pressão financeira à disputa familiar porque envolve diretamente a estratégia de remuneração dos acionistas da holding.

Mudanças em políticas de dividendos normalmente são observadas com atenção pelo mercado, sobretudo quando associadas a processos de reorganização societária ou consolidação de controle acionário.

No caso da Delfin, a discussão ganha dimensão ainda maior devido ao peso da participação na EssilorLuxottica e à relevância internacional do grupo.

EssilorLuxottica amplia presença em tecnologia vestível

A disputa societária ocorre em meio a uma fase de transformação estratégica da EssilorLuxottica.

A companhia intensificou investimentos em tecnologia vestível nos últimos anos, especialmente após ampliar parcerias com a Meta Platforms para o desenvolvimento de óculos inteligentes integrados a recursos de inteligência artificial.

O movimento colocou a dona da Ray-Ban em posição relevante dentro da corrida global por dispositivos conectados e plataformas de computação vestível.

A aproximação entre empresas de tecnologia e fabricantes de acessórios premium é vista pelo mercado como uma das principais tendências do setor, principalmente diante da expansão de produtos baseados em inteligência artificial generativa e integração de hardware com plataformas digitais.

Nesse contexto, a estabilidade societária da Delfin passou a ter peso estratégico adicional para investidores internacionais.

A EssilorLuxottica é atualmente uma das maiores fabricantes globais de óculos e lentes, reunindo marcas históricas do setor óptico e contratos de licenciamento com grandes grifes internacionais.

Além da Ray-Ban e Oakley, o grupo opera marcas e linhas ligadas aos segmentos de luxo, esportes e saúde visual.

Mercado acompanha impacto institucional da disputa familiar

Embora o processo ainda esteja em fase inicial, o caso já elevou a atenção do mercado financeiro europeu para os desdobramentos jurídicos da disputa.

A eventual suspensão ou revisão da reorganização acionária pode atrasar decisões estratégicas dentro da Delfin e ampliar a fragmentação entre os herdeiros do grupo.

Analistas avaliam que o principal risco institucional envolve um prolongamento das disputas sucessórias em torno da holding, cenário que poderia gerar maior instabilidade na governança do conglomerado.

Até o momento, não há indicação de mudanças operacionais imediatas na EssilorLuxottica em decorrência do litígio.

Ainda assim, o episódio reforça a sensibilidade do mercado em relação a estruturas familiares que concentram participações estratégicas em grandes grupos globais.

Conflitos dessa natureza costumam ser acompanhados de perto por investidores porque podem influenciar decisões de alocação de capital, sucessão executiva, distribuição de dividendos e estratégias de expansão internacional.

Caso amplia incertezas sobre sucessão do império Del Vecchio

A nova batalha judicial em Luxemburgo recoloca a sucessão da família Del Vecchio no centro das atenções do mercado europeu e amplia as incertezas sobre o futuro da Delfin, holding responsável por administrar parte relevante do patrimônio construído pelo fundador da Luxottica.

O processo pode redefinir o equilíbrio de forças entre os herdeiros e atrasar uma reorganização considerada estratégica para a consolidação do controle acionário da família.

Ao mesmo tempo, a disputa ocorre em um momento de transformação da EssilorLuxottica, que busca ampliar presença no segmento de tecnologia vestível e inteligência artificial, áreas vistas como prioritárias para o crescimento do grupo nos próximos anos.

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