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Ibovespa ao vivo: Bolsa em alta, dólar recua e juros futuros caem nesta sexta-feira

Mercados reagem a dados de inflação nos EUA, commodities e movimentações políticas internas

por Gabriel Monteiro
29/08/2025 às 09h39
em Ibovespa
Ibovespa Ao Vivo: Bolsa Em Alta, Dólar Recua E Juros Futuros Caem Nesta Sexta-Feira - Gazeta Mercantil - Economia

A sexta-feira (29) começa com os investidores atentos ao comportamento do Ibovespa ao vivo, do dólar e dos juros futuros. O principal índice da B3 acumula 17% de valorização em 2025 e voltou a renovar máximas históricas, aproximando-se dos 150 mil pontos. O movimento reflete a combinação de otimismo com cortes de juros nos Estados Unidos, fluxo estrangeiro positivo para mercados emergentes e bons resultados corporativos no Brasil.

Enquanto isso, o dólar segue em trajetória de enfraquecimento global e opera em queda frente ao real. Já os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) futuros apresentam predomínio de baixa, refletindo expectativas mais firmes de afrouxamento monetário pelo Federal Reserve (Fed) e pela própria política monetária brasileira.

Leia também: Super Quarta: Copom e Fed Definem Juros e Rumos da Economia Hoje.


Ibovespa ao vivo: trajetória de recordes

Na véspera, o Ibovespa ao vivo encerrou em alta de 1,32%, aos 141.049 pontos, após ter alcançado a máxima histórica intradiária de 142.138 pontos. O volume negociado foi de R$ 22,9 bilhões, reforçando a força compradora em papéis ligados ao varejo, energia e commodities.

Entre as maiores altas do dia, Magazine Luiza (MGLU3) disparou 9,19%, Ultragaz (UGPA3) avançou 8,08% e Vamos (VAMO3) subiu 7,92%. O desempenho dessas ações mostra o apetite dos investidores por setores ligados ao consumo e logística, beneficiados pela perspectiva de juros mais baixos.

Leia também: Ações da Magalu (MGLU3) sobem 6,54% em alta no pregão de sexta-feira.

No acumulado da semana, o índice sobe 2,23%. No mês, a valorização já é de 6%, consolidando uma trajetória de forte recuperação em 2025.


Dólar perde força e real se valoriza

O dólar comercial terminou o pregão anterior cotado a R$ 5,406, com queda de 0,19%. A moeda norte-americana acompanha o movimento global de enfraquecimento, com o índice DXY recuando 0,38% frente a uma cesta de moedas fortes.

Leia também: Ibovespa, 21 de julho: Bolsa fecha em leve queda com Vale (VALE3) no radar.

A expectativa de corte de juros pelo Fed em setembro é um dos principais fatores que sustentam a queda da moeda. Segundo a ferramenta FedWatch da CME, há 85% de chances de que o banco central dos EUA reduza a taxa básica na próxima reunião. Isso reduz a atratividade dos títulos norte-americanos e favorece moedas de países emergentes, como o real.

Para analistas, se o fluxo estrangeiro continuar positivo, o dólar pode buscar novas mínimas frente à moeda brasileira nas próximas semanas.


Juros futuros recuam e reforçam expectativas de cortes

Os juros futuros encerraram o pregão de ontem com queda na maior parte dos vencimentos. O contrato de DI para janeiro de 2029 recuou 0,065 ponto percentual, para 13,18%. O DI para 2033 caiu 0,15 ponto, para 13,66%.

O comportamento dos DIs reflete tanto a perspectiva de corte de juros nos EUA quanto a aposta de que o Banco Central brasileiro manterá a política de redução da Selic ao longo do segundo semestre. O movimento também é sustentado pela percepção de alívio nos indicadores de preços, ainda que os serviços e a situação fiscal mantenham o ambiente de incerteza.


Commodities: petróleo cai e minério de ferro sobe

No mercado de commodities, o petróleo devolveu parte dos ganhos da véspera. O barril do WTI recuava 0,40%, cotado a US$ 64,34, enquanto o Brent caía 0,63%, para US$ 68,19. A queda reflete a frustração com a ausência de avanços nas negociações de paz na Ucrânia, que poderiam liberar mais oferta de petróleo russo ao mercado.

Já o minério de ferro na bolsa de Dalian, na China, fechou em alta de 0,77%, cotado a 787,50 iuanes (US$ 110,08). O movimento é sustentado pela demanda estável da maior consumidora mundial e pela redução dos estoques locais.


Cenário internacional: bolsas mistas na Ásia, Europa em queda e EUA no radar

Na Ásia, os mercados fecharam de forma mista. O índice de Tóquio (Nikkei) caiu 0,26%, enquanto o Shanghai Composite subiu 0,37% e o Hang Seng de Hong Kong avançou 0,32%. Na Índia, o Nifty 50 encerrou em leve alta de 0,05%.

Na Europa, os principais índices operam em baixa, com o Stoxx 600 recuando 0,51%. Investidores acompanham dados de inflação da França, Espanha, Itália e Alemanha, além das expectativas para a zona do euro. O temor é que novas medidas fiscais no Reino Unido pressionem ainda mais o setor financeiro.

Nos Estados Unidos, os futuros dos índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq operam em queda, com atenções voltadas para a divulgação do índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE), métrica preferida do Fed para monitorar a inflação. A leitura será determinante para confirmar ou não as apostas de corte de juros em setembro.


Acordos comerciais com o México e impacto para o Brasil

No cenário político, o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou que Brasil e México devem assinar acordos comerciais setoriais em 2026, com foco em agricultura, saúde e biocombustíveis. A expectativa é que o México amplie as compras de carne bovina brasileira, desde que o país cumpra as exigências de rastreabilidade do gado.

Para o mercado, a notícia é positiva, já que o México se tornou o segundo maior destino da carne brasileira, superando os Estados Unidos. A formalização do acordo pode fortalecer ainda mais as exportações nacionais e beneficiar companhias do setor listadas na B3.


Soja: China amplia compras da Argentina e Uruguai

A guerra comercial entre EUA e China continua alterando os fluxos globais de soja. Importadores chineses devem comprar até 10 milhões de toneladas da Argentina e do Uruguai no ciclo 2025/26, recorde histórico. A mudança reduz a participação norte-americana no fornecimento e pode pressionar produtores brasileiros a buscarem novas estratégias de negociação.

Embora o Brasil mantenha posição de destaque como principal fornecedor, a diversificação da China pode alterar margens e preços praticados no mercado internacional.


Perspectivas para o Ibovespa

Com o índice já acumulando 17% de alta em 2025, a grande dúvida é até onde o Ibovespa ao vivo pode subir. A manutenção do fluxo estrangeiro, aliada a uma política monetária mais favorável nos EUA, tende a sustentar os ganhos no curto prazo.

No entanto, analistas alertam para riscos como a fragilidade fiscal brasileira, a persistência da inflação de serviços e o ambiente político interno, que pode gerar volatilidade. Mesmo assim, a percepção predominante é de que a B3 seguirá atrativa, especialmente para investidores estrangeiros.


O pregão desta sexta-feira, portanto, traz um retrato da complexidade dos mercados: dólar em queda, juros futuros recuando, commodities oscilando e o Ibovespa ao vivo flertando com os 150 mil pontos. Os próximos dias serão decisivos para definir se a Bolsa brasileira conseguirá consolidar novos recordes ou se haverá espaço para correções.

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