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Ibovespa fecha estável aos 164 mil pontos com queda do dólar e foco na China

por Camila Braga - Repórter de Economia
19/01/2026 às 19h37 - Atualizado em 14/05/2026 às 21h47
em Economia, Destaque, Dólar, Ibovespa, Notícias
Ibovespa Fecha Estável Aos 164 Mil Pontos Com Queda Do Dólar E Foco Na China - Gazeta Mercantil

Ibovespa sustenta patamar de 164 mil pontos em dia de liquidez reduzida e alívio no câmbio

O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana demonstrando resiliência diante de um cenário global misto e de volume de negócios contido. Nesta segunda-feira (19), o Ibovespa, principal indicador de desempenho das ações negociadas na B3, encerrou o pregão praticamente estável, registrando uma variação positiva simbólica de 0,03%. Com esse resultado, o índice se manteve no patamar dos 164.849,27 pontos, frustrando a expectativa de investidores que aguardavam movimentos mais bruscos, mas garantindo a preservação dos níveis de suporte técnico importantes para a análise gráfica de curto prazo.

O comportamento do Ibovespa nesta sessão foi fortemente condicionado pelo calendário internacional. O feriado de Martin Luther King Jr. nos Estados Unidos manteve as bolsas de Nova York fechadas, drenando a liquidez global e reduzindo significativamente o fluxo de capital estrangeiro no Brasil, que historicamente responde por uma parcela substancial do volume financeiro diário da bolsa doméstica. Sem a referência de Wall Street e a negociação dos ADRs (American Depositary Receipts) das companhias brasileiras, o mercado local operou em “modo de espera”, guiado majoritariamente por movimentos técnicos e ajustes de carteira de investidores locais.

Enquanto o Ibovespa andou de lado, o mercado de câmbio trouxe alívio. O dólar comercial encerrou o dia em queda de 0,16% frente ao real, cotado a R$ 5,364 na venda. A moeda americana oscilou entre a mínima de R$ 5,346 e a máxima de R$ 5,382, refletindo um enfraquecimento global da divisa dos Estados Unidos, medido pelo índice DXY, que recuou para a casa dos 99 pontos.

O Efeito China e a Pressão sobre as Commodities

A estabilidade do Ibovespa esconde, contudo, uma disputa setorial intensa observada ao longo do dia. O grande fiel da balança para o desempenho negativo de parte da carteira teórica foi a China. A segunda maior economia do mundo divulgou seus dados de crescimento referentes a 2025, reportando uma expansão do PIB de 5,0%. Embora o número tenha atingido exatamente a meta oficial estabelecida por Pequim, a leitura detalhada dos indicadores acendeu a luz amarela nas mesas de operação.

Os dados de atividade industrial e, principalmente, do varejo chinês vieram abaixo das expectativas do mercado, sinalizando que o consumo interno do gigante asiático ainda patina. Para o Ibovespa, que possui uma composição pesada em empresas exportadoras de commodities, essa sinalização foi deletéria. O minério de ferro reagiu negativamente às perspectivas de menor demanda por aço e infraestrutura, impactando diretamente os papéis da Vale e do setor siderúrgico.

A Vale, ação com maior peso individual na composição do Ibovespa, liderou as perdas do dia, arrastando consigo siderúrgicas como CSN e Gerdau. Segundo Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, os “dados mornos” da economia chinesa foram o gatilho para a realização de lucros nessas companhias, impedindo que o índice brasileiro buscasse patamares mais elevados mesmo com o cenário interno mais benigno.

Cenário Interno: Haddad, Galípolo e a Curva de Juros

Se as commodities jogaram contra, o cenário macroeconômico doméstico atuou como um contrapeso positivo, sustentando o Ibovespa no campo azul, ainda que timidamente. O destaque do dia foi a repercussão da entrevista do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao portal UOL. Em suas declarações, Haddad ofereceu um apoio institucional robusto ao Banco Central (BC) e à condução da política monetária liderada por Gabriel Galípolo.

A harmonia entre a equipe econômica do governo e a autoridade monetária é vista pelo mercado como um pilar fundamental para a ancoragem das expectativas de inflação. O ministro sinalizou enxergar espaço para cortes futuros na taxa básica de juros, a Selic, o que foi interpretado pelos agentes financeiros como um aval político para o ciclo de afrouxamento monetário, desde que as condições técnicas permitam.

Essa sinalização provocou um fechamento (queda) na curva de juros futuros (DI). Com a perspectiva de juros menores no horizonte, setores cíclicos da economia — aqueles que dependem diretamente do custo do crédito e do consumo das famílias — reagiram com vigor, ajudando a equilibrar o Ibovespa.

Além da política monetária, Haddad abordou temas sensíveis do sistema financeiro, defendendo a atuação do BC no processo de liquidação do Banco Master. A fala foi recebida com bons olhos, pois reforça a autonomia do regulador em sanear o sistema e prevenir riscos sistêmicos, transmitindo segurança jurídica e institucional aos investidores que operam no Ibovespa.

Destaques Corporativos: Quem subiu e quem desceu

A dinâmica de “gangorra” do Ibovespa ficou evidente na performance dos ativos. Do lado negativo, além do complexo de mineração e siderurgia afetado pela China, a Natura figurou entre as maiores quedas. O movimento, no entanto, foi classificado por analistas como uma correção técnica natural. Os papéis da gigante de cosméticos haviam acumulado uma valorização de quase 4% na semana anterior, e a ausência de novidades corporativas nesta segunda-feira abriu espaço para que investidores realizassem os lucros recentes.

Na ponta oposta, o setor de utilities (serviços públicos) e as empresas sensíveis aos juros garantiram a sustentação do Ibovespa. Construtoras e incorporadoras, como Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3), operaram em forte alta. O setor de saúde também se destacou, com a Hapvida (HAPV3) reagindo positivamente ao fechamento da curva de juros.

Essas empresas se beneficiam duplamente de um cenário de juros em queda: primeiro, porque suas dívidas se tornam mais baratas de rolar; segundo, porque o crédito mais acessível estimula a demanda por imóveis e planos de saúde. A fala de Haddad, portanto, teve um efeito direto na precificação desses ativos, servindo como um colchão de amortecimento para o Ibovespa diante da queda da Vale.

Câmbio e Cenário Internacional: O Fator Trump

Enquanto o Ibovespa lutava para se manter estável, o mercado de câmbio refletia as tensões geopolíticas e a política americana. A queda do dólar ante o real (-0,16%) não foi um evento isolado, mas parte de um movimento global. O índice DXY, que mede a força da moeda americana contra uma cesta de divisas fortes (como Euro e Iene), recuou 0,34%, fechando aos 99,05 pontos.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, explica que a “retórica agressiva” do ex-presidente e atual player político Donald Trump tem pesado sobre a moeda americana. Nesta segunda-feira, Trump ameaçou impor novas tarifas comerciais à Europa e elevou o tom em relação a disputas territoriais envolvendo a Groenlândia. Esse aumento da temperatura geopolítica gerou aversão ao risco nas bolsas europeias, que fecharam majoritariamente em queda, mas, paradoxalmente, enfraqueceu o dólar.

Investidores globais, receosos com as consequências de uma nova guerra comercial, buscaram proteção não na moeda americana, mas em ativos reais defensivos. Ouro e prata registraram alta, funcionando como o principal canal de transmissão de risco do dia. Para o Brasil, esse enfraquecimento global do dólar foi benéfico, retirando pressão sobre a inflação importada e contribuindo para o cenário de juros que favoreceu as ações domésticas do Ibovespa.

Análise Técnica e Perspectivas para a Semana

O fechamento do Ibovespa aos 164.849 pontos mantém o índice dentro de uma faixa de congestão lateral. Analistas técnicos apontam que, para retomar uma tendência de alta consistente, o benchmark precisa romper a resistência psicológica dos 165.000 pontos com volume financeiro robusto — algo que não ocorreu nesta segunda-feira devido ao feriado nos EUA.

A baixa liquidez, citada por Shahini como fator determinante para a “baixa amplitude” das oscilações, deve ser normalizada a partir de terça-feira, com o retorno de Wall Street. A expectativa é que o fluxo estrangeiro volte a ditar o ritmo do Ibovespa, testando a resiliência do mercado brasileiro frente aos dados chineses e às incertezas políticas americanas.

O suporte imediato do Ibovespa encontra-se na região dos 163.500 pontos. Enquanto o índice se mantiver acima desse patamar, a tendência de curto prazo permanece neutra a positiva, sustentada pela perspectiva de queda da Selic. Contudo, qualquer deterioração adicional no cenário de commodities ou ruídos na comunicação entre Fazenda e Banco Central poderiam desencadear uma correção mais severa.

O Papel da Liquidez e a Dinâmica dos Investidores

A sessão desta segunda-feira serviu como um laboratório para observar o comportamento do investidor local sem a interferência maciça dos algoritmos de negociação de alta frequência baseados em Nova York. O que se viu foi um Ibovespa cauteloso, mas não pessimista. A ausência de pânico, mesmo com a queda das commodities, sugere que o “preço justo” dos ativos brasileiros já embute parte dos riscos externos.

A estabilidade do Ibovespa também reflete a migração de fluxo para ativos de renda fixa que, apesar da queda na curva futura, ainda oferecem prêmios atrativos em termos reais. O investidor institucional local aproveitou a calmaria para rebalancear posições, vendendo exportadoras e comprando empresas voltadas ao mercado interno (o chamado kit Brasil), apostando na tese defendida por Haddad de convergência econômica.

O dia 19 de janeiro de 2026 encerrou-se como um pregão de transição. O Ibovespa mostrou força ao não sucumbir à pressão negativa vinda da China, encontrando suporte na melhora das expectativas de juros domésticos e no alívio cambial. A estabilidade de +0,03% pode parecer inexpressiva numericamente, mas carrega uma vitória simbólica de manutenção de patamar em um dia de aversão ao risco na Europa e falta de liquidez americana.

Para os próximos dias, a atenção dos investidores do Ibovespa estará voltada para a normalização dos negócios em Nova York e para novos desdobramentos sobre a política econômica chinesa. Se o governo asiático anunciar estímulos para combater a fraqueza no varejo, o índice brasileiro poderá ganhar a tração necessária para romper o teto dos 165 mil pontos. Caso contrário, a seletividade continuará sendo a regra, com o mercado punindo commodities e premiando a economia interna, à espera de que as promessas de juros menores se concretizem na próxima reunião do Copom.

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Após A Repercussão Da Suposta Compra Da Naskar, O Perfil Passou Por Alterações, Incluindo Arquivamento De Postagem, Mudanças Na Biografia, Remoção De Contas Seguidas E Bloqueio De Comentários. Naskar Deixou Investidores Sem Acesso Ao Aplicativo A Crise Da Naskar Começou Após A Fintech Não Realizar O Pagamento Mensal De Rendimentos Previsto Para 4 De Maio. Clientes Tentaram Contato Com Os Sócios Da Empresa Para Entender O Motivo Do Atraso, Mas, Segundo Relatos Reunidos No Texto-Base, Não Obtiveram Resposta. A Situação Se Agravou Quando O Aplicativo Da Naskar, Usado Pelos Investidores Para Acompanhar O Patrimônio Aplicado, Deixou De Funcionar Em 6 De Maio. Desde Então, Clientes Passaram A Relatar Dificuldade Para Acessar Informações Sobre Seus Saldos, Rendimentos E Eventual Cronograma De Devolução. A Naskar Atuava Há 13 Anos Captando Recursos De Clientes Com Promessa De Retorno De 2% Ao Mês, Patamar Muito Superior Ao Praticado Em Produtos Financeiros Tradicionais. Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. O Site Da Empresa Não Informa Quem Ocupa Cargos De Comando, Quais São Os Responsáveis Pela Operação, Qual É A Estrutura Societária Ou Quais Executivos Responderiam Pelo Processo De Aquisição Da Naskar. Em Uma Operação Que Envolveria Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão E A Assunção De Passivos Com Milhares De Investidores, A Ausência De Dados Públicos Sobre Governança Amplia A Incerteza. Para Investidores E Credores, A Identificação Dos Responsáveis Pela Empresa É Elemento Básico Para Avaliar Capacidade Financeira, Histórico, Experiência E Responsabilidade Sobre Compromissos Assumidos. Outro Ponto Citado No Texto-Base Envolve O Endereço Físico Informado Pela Azara Capital. A Localização Indicada Em Miami Aparece Associada Ao Ocean Bank, Não A Uma Sede Própria Identificável Da Empresa. Buscas Por “Azara Capital” Em Aplicativos E Sites De Geolocalização Também Não Retornariam Resultados Consistentes. A Ausência De Presença Consolidada Em Plataformas Públicas Não Comprova, Por Si Só, Irregularidade. Ainda Assim, Em Uma Transação De Grande Porte Envolvendo Investidores Prejudicados, A Falta De Dados Verificáveis Aumenta A Necessidade De Esclarecimentos. A Reportagem Também Aponta Que A Azara Capital Não Aparece Como Regulada Ou Cadastrada Em Órgãos De Fiscalização Americanos Como A Securities And Exchange Commission E A Financial Industry Regulatory Authority. Essas Informações São Relevantes Porque A Empresa Se Apresenta Como Sediada Nos Estados Unidos E Vinculada Ao Mercado Financeiro. Perfil Em Rede Social Passou Por Mudanças Após Repercussão A Presença Da Azara Capital Em Redes Sociais Também Entrou No Centro Das Dúvidas. O Perfil Da Empresa No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E Exibia Poucas Publicações Até A Divulgação Da Suposta Transação Envolvendo A Naskar. Durante A Quinta-Feira, Após O Nome Da Empresa Ganhar Repercussão, Foram Observadas Mudanças No Perfil. Uma Publicação Que Mencionava “Capital Rápido Para Negócios Imobiliários” Teria Sido Arquivada. A Conta, Que Seguia 18 Perfis, Deixou De Seguir Todos Eles. A Opção De Comentários Nas Publicações Também Foi Bloqueada. O Perfil Da Empresa Não Teria Conta Correspondente No Linkedin, Plataforma Normalmente Usada Por Instituições Financeiras, Gestoras E Empresas De Serviços Corporativos Para Apresentar Equipe, Histórico, Área De Atuação E Estrutura De Negócios. As Alterações Nas Redes Sociais Não Significam, Isoladamente, Irregularidade. No Entanto, Em Um Contexto De Crise Envolvendo Quase R$ 1 Bilhão Em Recursos De Investidores, Mudanças Rápidas Em Canais Públicos De Comunicação Tendem A Reforçar A Pressão Por Transparência. Para Os Clientes Da Naskar, A Principal Preocupação É Saber Quem Assumirá A Responsabilidade Pelos Valores Aplicados, De Onde Virão Os Recursos Para Eventual Devolução E Qual Será O Prazo Real Para O Início Dos Pagamentos. Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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