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Ibovespa fecha em alta após três quedas, com bancos e Wall Street no radar

Índice recuperou parte das perdas da semana, apoiado por Itaú, Petrobras e resultados corporativos, enquanto mercado digeriu a repercussão política do caso Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro

por Camila Braga
14/05/2026 às 19h49
em Ibovespa
Ibovespa Fecha Em Alta Após Três Quedas, Com Bancos E Wall Street No Radar - Gazeta Mercantil

O Ibovespa (IBOV) fechou em alta nesta quinta-feira (14), interrompendo uma sequência de três quedas, em um pregão marcado por recuperação técnica, avanço de ações de bancos e repercussão de balanços corporativos. O principal índice da B3 subiu 0,72%, aos 178.365,86 pontos, depois de acumular queda de 3,8% nos primeiros pregões da semana e encerrar a véspera no menor nível desde 20 de março. O volume financeiro somou R$ 30,1 bilhões.

Na máxima do dia, o Ibovespa (IBOV) chegou a 179.475,97 pontos. Na mínima, tocou 177.103,81 pontos. O movimento refletiu uma combinação de ajuste após o tombo da véspera, melhora em Wall Street, alívio parcial nos juros futuros e acomodação do petróleo no exterior.

Leia também: Ibovespa hoje: produção industrial, Livro Bege do Fed e julgamento de Bolsonaro movimentam mercado.

A recuperação ocorreu um dia depois de o mercado brasileiro reagir de forma negativa à divulgação de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, sobre pagamentos milionários para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.

Ibovespa se recupera após tombo da véspera

A alta desta quinta-feira teve caráter de correção. Na quarta-feira (13), o Ibovespa (IBOV) chegou a cair quase 2% no pior momento do pregão, pressionado pelo aumento da percepção de risco político.

Leia também: CMN Publica Resolução para Limitar Uso de Excedentes do FGC pelos Bancos.

A divulgação das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro trouxe incerteza ao cenário eleitoral de 2026. Para parte dos investidores, o episódio pode alterar a leitura sobre a força política do senador, hoje tratado como um dos nomes competitivos da oposição na disputa presidencial.

Flávio Bolsonaro negou ter cometido irregularidades em sua relação com o ex-banqueiro. Ainda assim, o caso passou a ser incorporado ao preço dos ativos, com impacto sobre Bolsa, câmbio e juros.

Nesta quinta-feira, o mercado reavaliou parte da reação inicial. A leitura predominante foi de que o movimento da véspera pode ter sido exagerado, embora o risco político continue no radar dos investidores.

Bancos ajudam na recuperação da Bolsa

Entre os principais suportes do Ibovespa (IBOV), as ações de bancos tiveram papel relevante. Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 1,94%, em movimento de ajuste após perdas fortes na sessão anterior.

Bradesco (BBDC4) subiu 1,08%, enquanto Santander Brasil (SANB11) encerrou o dia em alta de 0,44%. O desempenho positivo do setor financeiro ajudou a sustentar o índice em território positivo ao longo da tarde.

Banco do Brasil (BBAS3), por outro lado, teve sessão volátil. A ação chegou a cair 4,9% na mínima, mas zerou as perdas ao longo do dia e fechou praticamente estável.

A volatilidade ocorreu após o banco reduzir a projeção de lucro para 2026, agora estimada entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões. A revisão veio em meio a uma queda de mais de 50% no lucro líquido ajustado do primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) caiu para 7,3%.

Banco do Brasil busca melhora com crédito à pessoa física

Executivos do Banco do Brasil (BBAS3) afirmaram que a instituição pretende ampliar a atuação no crédito à pessoa física para recompor rentabilidade. O foco está principalmente em segmentos de alta renda e no crédito consignado.

A estratégia ocorre em um momento de pressão sobre a carteira do agronegócio, que segue como uma das principais fontes de preocupação para o banco. O cenário mais difícil no campo afeta provisões, inadimplência e expectativa de retorno.

O comportamento da ação nesta quinta-feira indicou que parte do mercado já havia incorporado notícias negativas ao preço. Ainda assim, a revisão da projeção de lucro mantém cautela sobre o papel no curto prazo.

Para investidores, o ponto central será avaliar se o Banco do Brasil conseguirá compensar a pressão no agro com expansão em linhas mais rentáveis e menor risco relativo.

Petrobras sobe com trégua no petróleo

Petrobras (PETR4) avançou 0,96%, enquanto Petrobras (PETR3) subiu 0,82%. As ações reagiram após a queda mais forte da véspera e acompanharam um dia de maior acomodação nos preços do petróleo.

O barril do Brent encerrou a sessão com leve alta de 0,09%, a US$ 105,72. A estabilidade da commodity ajudou a reduzir a pressão sobre ativos ligados ao setor, depois de sessões recentes marcadas por maior volatilidade.

Como Petrobras (PETR3; PETR4) tem peso relevante no Ibovespa (IBOV), o desempenho positivo dos papéis contribuiu para a recuperação do índice.

O setor de commodities, porém, teve desempenho misto. Vale (VALE3) caiu 1,7%, devolvendo parte dos ganhos acumulados desde o início da semana. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian terminou o dia estável.

Siderurgia sobe com CSN e Usiminas

No setor de mineração e siderurgia, o destaque positivo ficou com Usiminas (USIM5), que avançou 7,97%. Gerdau (GGBR4) também encerrou em alta, com ganho de 1,16%.

CSN (CSNA3) subiu 4,71%, após reportar Ebitda ajustado de R$ 2,6 bilhões no primeiro trimestre, avanço de 5,5% na comparação anual. O resultado veio em linha com a expectativa de analistas.

Em teleconferência, a diretoria financeira da CSN afirmou que a companhia recebeu mais interessados do que o previsto no processo de venda de ativos. O pacote inclui o controle da CSN Cimentos e participação em uma operação logística.

A empresa mantém expectativa de concluir a venda da CSN Cimentos no terceiro trimestre. A operação é acompanhada de perto por investidores porque pode ajudar na redução de alavancagem e no reforço da estrutura de capital.

Varejo reage ao alívio nos juros

Ações de varejo também tiveram desempenho positivo, apoiadas pelo movimento de queda nos juros futuros. C&A (CEAB3) subiu 5,84%, enquanto Lojas Renner (LREN3) avançou 4,41%.

Empresas varejistas tendem a reagir de forma sensível às taxas de juros. Quando os DIs recuam, o mercado passa a precificar menor custo financeiro, melhora potencial no consumo e alívio para companhias mais expostas ao crédito.

O setor, porém, segue dependente de um cenário macroeconômico mais favorável. Juros ainda elevados, renda pressionada e inadimplência continuam como fatores de risco para o varejo ao longo de 2026.

Mesmo assim, a sessão desta quinta-feira permitiu recuperação pontual em papéis que vinham sofrendo com a combinação de aversão a risco e preocupação com atividade econômica.

Braskem perde força após balanço

Braskem (BRKM5) fechou em queda de 0,49%, depois de iniciar a semana com forte valorização. A petroquímica havia reportado lucro líquido de R$ 1,45 bilhão no primeiro trimestre, mais que o dobro do resultado positivo registrado um ano antes.

Apesar do lucro, investidores monitoram a necessidade de capital de giro da companhia. Em teleconferência sobre o balanço, o presidente da Braskem afirmou que a empresa tenta convencer stakeholders a liberar acesso a mais recursos para ampliar geração de Ebitda.

A ação perdeu fôlego ao longo do pregão, em um movimento de realização após a alta recente. O caso mostra que, mesmo com balanços positivos, o mercado segue seletivo em relação a empresas com desafios financeiros ou operacionais relevantes.

Hypera avança após recomendação do Citi

Hypera (HYPE3) subiu 3,54%, impulsionada por revisão positiva de analistas do Citi. O banco elevou a recomendação da ação da farmacêutica para compra e aumentou o preço-alvo de R$ 26 para R$ 28.

A mudança de recomendação ajudou a sustentar o papel em um dia de recuperação mais ampla do mercado. Empresas do setor de saúde e farmacêutico costumam ser vistas como mais defensivas, mas também dependem de crescimento de receita, margem e controle de custos.

O desempenho de Hypera (HYPE3) reforçou o peso dos fatores corporativos no pregão. Além do ambiente político e macroeconômico, investidores continuaram reagindo a balanços, revisões de recomendação e perspectivas específicas por companhia.

CVC e Casas Bahia caem fora do índice

Fora do Ibovespa (IBOV), CVC Brasil (CVCB3) caiu 11,27%, pressionada pelo balanço. O Ebitda ajustado da operadora de turismo somou R$ 93,7 milhões no primeiro trimestre, queda de 10,5% em relação ao mesmo período de 2025.

Casas Bahia (BHIA3) recuou 9,31%, após reportar prejuízo líquido de R$ 1,06 bilhão no primeiro trimestre. O resultado foi pressionado pelo resultado financeiro, embora a companhia tenha indicado evolução operacional.

O presidente da Casas Bahia afirmou que a empresa mantém estratégia conservadora e destacou que o cenário macroeconômico está mais desafiador do que parte do mercado imagina.

As quedas reforçam a seletividade dos investidores em companhias com alto endividamento, margens pressionadas ou sensibilidade elevada ao custo do crédito.

Wall Street apoia recuperação local

No exterior, Wall Street ajudou o movimento positivo da Bolsa brasileira. O S&P 500, uma das principais referências do mercado acionário norte-americano, fechou em alta de 0,77% e renovou máximas.

A melhora nas bolsas americanas ocorreu em meio a alívio parcial nos rendimentos dos Treasuries e maior apetite por risco. Esse ambiente favoreceu mercados emergentes e ajudou a recompor parte das perdas recentes na B3.

Apesar disso, o fluxo estrangeiro segue como ponto de atenção. O Ibovespa (IBOV) vinha sofrendo nos últimos dias com saída de capital externo, fator que amplia a volatilidade em momentos de incerteza política doméstica.

A combinação entre melhora externa e ajuste local permitiu a alta desta quinta-feira, mas ainda não elimina a cautela sobre os próximos pregões.

Mercado segue atento a política, juros e balanços

A recuperação do Ibovespa (IBOV) nesta quinta-feira não muda, por si só, o quadro de volatilidade do mercado brasileiro. A Bolsa ainda carrega perdas relevantes na semana e permanece sensível à combinação de risco político, juros elevados, fluxo estrangeiro e temporada de resultados.

O caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro continuará no radar, especialmente pelo potencial de afetar expectativas eleitorais. Ao mesmo tempo, investidores seguem acompanhando balanços de grandes companhias, trajetória dos juros futuros e comportamento das commodities.

A sessão mostrou que há espaço para recuperação quando o mercado considera que a reação anterior foi excessiva. Mas também deixou claro que o prêmio de risco político não desapareceu.

Para os próximos pregões, o desempenho do Ibovespa (IBOV) dependerá da leitura sobre os desdobramentos em Brasília, da direção de Wall Street e da capacidade dos resultados corporativos de sustentar uma visão mais positiva para empresas brasileiras.

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